Quando eu tinha 9 anos e me perdi da minha mãe no Réveillon de Copacabana

Adoro Réveillon. Ai, como eu adoro Réveillon! Todo mundo em comunhão, com pensamento positivo, aquela multidão vestida de branco, bebendo espumante barato, distribuindo sorrisos felizes com a chance de recomeçar do zero (poderiam ter uma perspectiva diferente e pensar “mais um ano perdido e nada aconteceu”, mas os depressivos ficam em casa e a positividade impera). Sempre preferi o Réveillon ao Natal. Não que você tenha que comparar as duas festas, absolutamente. Mas eu prefiro. Os Natais tendem a ser repetições de si mesmos, enquanto o Réveillon é sempre diferente. Você se cerca de pessoas diferentes, em lugares diferentes, pede ao universo coisas diferentes, reza por inquietações diferentes, joga flor pra Iemanjá por desejos diferentes… e, o melhor de tudo, não tem ninguém para te lembrar “do verdadeiro significado da data”. O verdadeiro significado do Ano Novo é ser o Ano Novo mesmo. Fim de papo.

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Esse post é muito mais para mim do que para você

Esse post é muito mais para mim do que para você. É algo que vou querer ler daqui a alguns anos e lembrar que foi assim algum dia. O post anterior, sobre os músicos latinos no metrô, me inspirou a escrever esse, porque me dei conta que a última semana foi, de um modo geral, completamente incomum.
Estive fazendo a maratona anual para ver vários filmes do Festival do Rio, e vários são dezenas. Esse foi meu foco até o fim do evento, mas tantas outras situações aconteceram, e o inusitado sempre merece registro.

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O paraíso tava logo ali e eu desconhecia…

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Fui a Búzios no último fim de semana. Pela primeira vez. Aos 24 anos. Essa era uma das vergonhas que eu tinha como carioca: nunca ter visitado essa cidade. Passei a infância indo a Rio das Ostras e a Arraial do Cabo, mas nunca havia esticado até Búzios. Afinal, eu era uma criança. Não tinha autonomia, nem culpa. Digo até que nem interesse. Mas cresci, e passei a ter.

Águas passadas, de qualquer forma, porque, como eu disse, eu finalmente estive em Búzios. E fiquei encantado. Maravilhado. As praias são indiscutivelmente lindas, até para mim que não sou muito fã de praia. Nunca fui, na verdade. Mas daquelas lá, eu virei fã. Areia limpa, mar cristalino, brisa boa. É tudo muito bem preservado. Galera bonita e educada.

E tem a Orla Bardot, a Rua das Pedras… Que delícia passear por ali! Eu fiquei hospedado em uma pousada naquela região do centro, então passava por ali toda hora. Recarrega as energias ter aquela paisagem, aquela vibe, te envolvendo. Eu nunca pensei em ter casa de veraneio, já que não sou do tipo praiano, mas morri de vontade de ter uma casinha em Búzios. Durante os dias que passei lá, eu só conseguia pensar que queria voltar todo fim de semana. Estar lá, para mim, foi como dar uma grande desacelerada. Eu sabia que estava necessitado desse momento de pausa, mas não imaginava o QUANTO precisava disso. Búzios recarrega as energias, e é o mais próximo de paraíso que eu conheci. Deixou Angra dos Reis e Viña del Mar para trás (é engraçado que eu não goste de praia, mas admita que as cidades mais bonitas são as que vivem de praia).

Lá eu conheci o verdadeiro significado de cidade turística. Não é como o Rio de Janeiro, que também é tida como uma cidade turística. Em Búzios, parece que todo mundo é turista, que todos estão de passagem. São tantos sotaques, tantos idiomas, tantas origens, que é difícil acreditar que alguém mora mesmo lá. Mas aí eu tive a oportunidade de conversar com um nativo, e ele me mostrou outro lado da história.

– Que sorte morar nesse paraíso!
– Ah, você enjoa…
– Como assim? – choquei – Não tem do que reclamar!
– Búzios é legal para vir e ir embora. Morar aqui é tedioso.

Insatisfeito com as declarações, busquei argumentos contrários na minha imaginação. “Tem gente do mundo inteiro aqui… Dá para conhecer muita gente… Tédio?”. Mas ele logo me explicou que não era bem assim. E é óbvio. Eu não queria ver, de tão apaixonado que estava, como turista. Búzios, por exemplo, tem só uma sala de cinema – com uma ou duas sessões por dia, e não é todo dia. A programação se limita de quinta a domingo, com dois filmes em cartaz. Isso é um problema para mim… claro! Em termos de programação cultural, aliás, é tudo muito precário.

Entendi o que ele me disse. Repito: Búzios é o verdadeiro significado de cidade turística. Isso porque ela é feita para os turistas – e apenas para eles. O foco é quem está em trânsito, e não quem a habita, aparentemente. As praias, os passeios de barco, as lojas da Rua das Pedras… é tudo muito interessante para quem está de visita. Para quem mora, perde-se o interesse mesmo. Mas eu sou turista, né. Então, sigo enamorado…

Eu te vi me fotografando

Eu te vi me fotografando. Podia ter reclamado, mas fiquei vaidoso por merecer seu registro. Fingi que não notei, mas você sabe que percebi seu foco em mim. Aliás, soube que você tiraria uma foto minha antes mesmo da sua decisão de tirá-la. Naquele milissegundo em que você me encarou como se eu fosse seu horizonte e eu te retribuí como se visse uma paisagem. Blasés, mas cúmplices.

Já tinha te notado minutos antes. Desde que cheguei, na verdade. Só parei aqui porque te vi. Não que tenha me interessado por você. Pensava em me sentar mais adiante, ali nas pedras, mas considerei este lugar quando sua presença me alertou dessa possibilidade. Foi isso. A vista daqui é mesmo inspiradora. Você deve ter tirado boas fotos. Gostaria de ter visto a que fez de mim.

Você enquadrou o céu, o mar, as gaivotas? Ou deu um close na minha cara incomodada com a luz do sol? Pegou as pedras? Gosto das pedras, por isso queria sentar ali. Imagino que você tenha tirado duas fotos. Foi mais de uma, não foi? Aquela que te encarei e a outra, quando virei o rosto para as montanhas. Notei que sua lente me seguiu.

Pergunto-me para que você tirou uma foto minha. O que fará com ela? Mostrará com orgulho para seus amigos quando exibir seu portfolio ou tentará escondê-la envergonhado? Talvez a esqueça para sempre em seu disco rígido. Se a imprimir, talvez alguém que não me conheça a encontre. Talvez fantasiem sobre mim, me achem feio, me achem bonito. Mas eu nunca vou saber.

Após um mês da estreia, BBB 12 não emplacou

A 12ª edição do BBB, há um mês no ar, já é um fiasco consumado. Após a primeira semana escandalosa – fora e não dentro da casa – devido à suspeita de estupro, o máximo que o reality show conseguiu foi uma divisão insossa dos participantes em dois grupos teoricamente rivais, mas que almoçam em paz todos os dias na cozinha “mais vigiada do Brasil” (será?). Uma espécia de Guerra-Fria social.

Os cinco participantes da Selva, tema do quarto que dividem, fazem complô para combater os membros do quarto Praia, quem escolheram para rivais. Sem carisma, eles não são odiáveis, assim como as supostas vítimas também não são capazes de mover torcidas. Todos os confinados são de antemão esquecíveis e coadjuvantes de Pedro Bial. Quando eliminados, os rivais prometem se procurar fora da casa, demonstrando excesso de racionalidade ao separar jogo e vida pessoal (qual a graça?).

Curiosamente, as inscrições para o BBB12 começaram em abril, logo após o fim da edição que consagrou Maria/Meg Melilo. O diretor do reality show, Boninho, teve mais tempo que o normal para selecionar os melhores perfis e, mesmo assim, conseguiu encher a casa de gente sem química com o público. Ouço os comentários de quem ainda assiste ao programa – a maioria abandonou – e ninguém se declara Praia ou Selva. As pessoas não tem um favorito ainda, porque nenhum dos 11 remanescentes se destacou.

O problema é o mesmo das subcelebridades de A Fazenda: os selecionados ficam cheios de dedos de se mostrar, com medo de se queimar com o público e não conseguir bons trabalhos depois. Como se o passado deles já não tivesse devastado na Internet antes mesmo do programa começar. Boninho encheu a casa de aspirantes a figurinhas do EGO, sem disposição para serem amados ou odiados. Eles querem se tornar queridos enquanto lavam a louça, fazem a cama e tomam banho de sol. O meio-termo prevalece. Mas não conquista.

Dica: Buenos Aires é fail no verão

Eu porque não venho a turismo, mas caso fosse, não viria. Buenos Aires, no verão, perde tudo o que tem de bom: o clima agradavelmente frio, as pessoas bem vestidas, o glamour, o apetite, a indústria cultural. Ironicamente, é alta temporada. Mas meu conselho é: brasileiros, venham no inverno.

1) Buenos Aires não é uma fuga do calor brasileiro. No verão, aqui faz tanto calor quanto. Ok, um pouco menos insuportável. Agora fazem 31 graus. Mas não tem praia. As pessoas tomam banho de sol nas praças públicas. É meio bizarro.
2) “Pelo menos fujo desses hits brasileiros de verão”. Ledo engano. O “Ai Se Eu Te Pego” talvez faça até mais sucesso aqui.
3) “Vou pra conhecer mesmo assim. Tá mais barato viajar para Buenos Aires que para algumas partes do Brasil”. Errado de novo. A menos que você pegue uma dessas promoções repentinas das companhias aéreas, a passagem nesta época do ano é mais cara. Alta temporada, repito.
4) A cidade fica extremamente pobre culturalmente. As opções teatrais, quase infinitas no resto do ano, são contadas em uma mão no verão.
5) Buenos Aires está vazia. Só está aqui quem não conseguiu tirar férias e viajar para Mar Del Plata, onde tudo está acontecendo. Ou seja, os portenhos fogem daqui. Imagino que o mesmo aconteça com São Paulo.
6) O metrô, melhor transporte para turistas, não tem ar-condicionado aqui. Então, já viu.

Mas eu amo mesmo assim ❤

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