Quando eu tinha 9 anos e me perdi da minha mãe no Réveillon de Copacabana

Adoro Réveillon. Ai, como eu adoro Réveillon! Todo mundo em comunhão, com pensamento positivo, aquela multidão vestida de branco, bebendo espumante barato, distribuindo sorrisos felizes com a chance de recomeçar do zero (poderiam ter uma perspectiva diferente e pensar “mais um ano perdido e nada aconteceu”, mas os depressivos ficam em casa e a positividade impera). Sempre preferi o Réveillon ao Natal. Não que você tenha que comparar as duas festas, absolutamente. Mas eu prefiro. Os Natais tendem a ser repetições de si mesmos, enquanto o Réveillon é sempre diferente. Você se cerca de pessoas diferentes, em lugares diferentes, pede ao universo coisas diferentes, reza por inquietações diferentes, joga flor pra Iemanjá por desejos diferentes… e, o melhor de tudo, não tem ninguém para te lembrar “do verdadeiro significado da data”. O verdadeiro significado do Ano Novo é ser o Ano Novo mesmo. Fim de papo.

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Resenha: remake de “Chiquititas” – primeiro capítulo

– Ué. Você vendo SBT? – perguntou minha mãe.
– “Chiquititas”! – respondi, sem conseguir segurar o sorriso feliz.
Ela me olhou perplexa, e nós sabíamos que era um deja vú.
– Você não acha que tá grande demais para isso?
– Acho.

Começava o primeiro capítulo do remake de “Chiquititas”, novela argentina que já ganhou uma versão brasileira nos anos 1990 e agora é reescrita por Íris Abravanel (do remake de “Carrossel”). A trama, idealizada por Cris Morena (de “Floribella”, “Rebelde”, “Quase Anjos”), provavelmente todo mundo já conhece – aquela dos órfãos que driblam a tristeza de sua condição com música, sonhos e muita magia, protegidos pela Tia Carolina. O papel, que marcou a carreira da Flávia Monteiro, ficou para Manoela do Monte (de “Malhação”) dessa vez.

Por que eu, um cara de 23 anos, dou tanta atenção para uma novela infantil, você deve estar se perguntando. Vou tentar te explicar, mas não sei consigo. Bem, eu era uma criança quando a primeira versão brasileira estreou em 1997, e virei um fã fiel. “Chiquititas” foi um fenômeno sem precedentes, alavancando a audiência do SBT a números que assustavam a TV Globo, e conquistou as crianças de todo o país. Todo mundo queria ser chiquitito. E todo mundo podia ser! Esse era o grande barato. Nós amávamos a Xuxa, também, mas nunca poderíamos ser ela. Havia essa relação de fã-ídolo estabelecida. Com as chiquititas, não. Elas eram crianças como a gente e, a cada ano, o elenco era renovado – o que dava a falsa ilusão de que qualquer um poderia estar ali algum dia, brincando, cantando, dançando, atuando. Estabeleceu-se, assim, um laço que não era de idolatria, mas de identificação. Já contei aqui a história de quando pedi para que minha mãe me deixasse morar em um orfanato, como as da novela. “Chiquititas” é isso: ilusão. Mas, claro, muita gente viu e só tem isso como uma lembrança da infância. Comigo, é mais do que isso. “Chiquititas” – não a novela, mas todo o universo que ela proporcionava – fez parte da formação do meu caráter, e faz parte de mim até hoje. As letras das músicas ainda conduzem meus atos, na vida adulta, e me mantêm de pé, sonhando e acreditando no ser humano.

As Chiquititas dos anos 1990

As Chiquititas dos anos 1990

Por isso, tive muito medo quando soube que iriam regravar a novela. A primeira versão, a que eu vi, foi acompanhada de perto pela Cris Morena, já que as gravações ocorriam em Buenos Aires. Nessa nova, isso não acontece, o que torna tudo muito perigoso. “Vão estragar tudo! Não vai ficar bom! Ai, meu Deus! Destruirão uma recordação perfeita!”. Essa foi minha primeira reação, como muitos fãs. E isso é bom! Mostra que a gente se preocupa com a imagem de algo já tão antigo, mas não desgastado, e ainda recente no nosso coração. É puro carinho, por mais que seja bobo. O pé atrás, no entanto, nunca me fez duvidar de que iria assistir ao primeiro capítulo para dar meus pitacos. E, conforme as notícias e as primeiras prévias surgiam, comecei a acompanhar o projeto. Apesar de resistente, a ideia das crianças da nova geração poderem consumir “Chiquititas” passou a me agradar. O mundo precisa dos conceitos que essa novela passa. Para melhorar a humanidade, o segredo é apostar nas crianças, e eu acredito na mensagem que a trama prega. Pode parecer ingênuo, mas acho que as pessoas evoluem se abraçam o que prega Cris Morena.

Assim, lá estava eu na frente da TV na segunda-feira (15/7). A sensação era mesmo de deja vú. Apesar de várias mudanças – de personagens, de cenários, de estética – a essência ainda estava lá, e era isso que eu temia que se perdesse. Se antes eu tinha ciúme por acreditar que as crianças novas não dariam conta do recado, agora eu as acho umas fofas. Os destaques, para mim, são Pata (Julia Oliver), Bia (Raissa Chaddad), Vivi (Lívia Inhudes) e Tati (Gabriella Saraivah) – muito competentes em sua infantilidade. Dão um banho no elenco adulto, que não me agradou muito. Manuela do Monte está rígida, mecânica, sem nenhuma naturalidade, que dirá carisma. As cenas sem as crianças, pelo menos neste primeiro capítulo, foram todas bem ruins. A exceção é Carla Fioroni, que vive a zeladora Ernestina, e conseguiu acertar o tom do personagem.

As Chiquititas de 2013

As Chiquititas de 2013

Fora isso, a novela é, de um modo geral, excessivamente colorida. Sei que os tempos são outros, mas ainda se trata de um orfanato (que mais parece uma mansão). Todos os cenários parecem quartos de princesa ou parques de diversões. A estética é visualmente incômoda e inverossímil – algo que a própria Cris Morena explorou em suas “Chiquititas” de 2006, também extremamente coloridas. Até os uniformes parecem fantasias e são berrantes. Acredito mesmo que a direção de arte errou a mão e não entendeu a proposta. É infantil, mas não é desenho animado.

Por outro lado, acertaram nas músicas. “Até Dez” sofreu poucas modificações, inclusive na coreografia, o que estabeleceu um vínculo afetivo com quem assistiu à outra versão. Só houve uma falha na dublagem do clipe, que estava fora de sincronia. Tem que consertar isso aí. A nova coreografia de “Remexe” é meio atrapalhada, mas a canção em si também manteve a força. E a inédita “Todo Mundo Chique” – que abriu a novela – tampouco é má. Acho que as crianças vão gostar.

De qualquer forma, com erros e acertos, repito: a essência está lá. É isso que mais importa em “Chiquititas”: os valores, o lúdico, a crença em um dia seguinte melhor. Em vez de comparar as versões, o melhor é assistir a essa como uma nova temporada, como um tributo. Ter nascido a tempo de assistir à primeira versão brasileira foi uma sorte, de verdade. Para quem nasceu uma década depois, é a vez de vocês. Meninos e meninas, não percam. Não acredito que tenha alguma criança lendo esse texto, então, pais, coloquem seus filhos para ver a novela. Isso é o melhor que a TV pode fazer pelos seus filhos.

Xuxa, entrevista para o “Fantástico” e onipresença de “Amor Estranho Amor”

“Brasileiro tem memória curta” se provou uma frase falsa. Desde que Xuxa revelou, em entrevista ao “Fantástico”, no último domingo (19/5), ter sido molestada na infância, pipocam na Internet todo tipo de brincadeira de mau gosto envolvendo o filme “Amor Estranho Amor”, aquele em que a então modelo interpretava uma prostituta e assediava um garoto de 12 anos (hoje em dia, um quarentão, que já gravou um filme pornô fazendo alusão ao proibidão da Xuxa).

O longa é uma pornochanchada de 1982, que foi filmada em 1979, quando Xuxa tinha 16 anos, nem sonhava em se tornar a Rainha dos Baixinhos e era apenas uma suburbana em busca do sustento da família. Mas as pessoas lembram e apontam o dedo até hoje. Mais: até quem nasceu décadas depois do incidente se sente com autoridade para avaliar e condenar a artista, porque assistiu à cena descontextualizada no Youtube.

Os comentários são dos mais variados, mas a maioria cai no mesmo poço: se ela sofre tanto por ter sido assediada sexualmente como aceitou gravar uma cena assim? Talvez nem ela saiba responder tal questão e precise do auxílio de um psicólogo. Naquela época então, adolescente, acredito que não tenha refletido muito. Xuxa era pobre e, pelo que entendi, frequentemente abusada. Surgiu a oportunidade de filmar com Vera Fischer, Tarcísio Meira e Marcelo Ribeiro, e ela aceitou. Alguém teria feito diferente? “Amor Estranho Amor” foi seu primeiro filme, lançado um ano antes de ela estrear como apresentadora.

Acredito que ninguém a culpa mais por esse projeto do que a própria Xuxa, que já conseguiu por meios legais proibir sua comercialização e distribuição no Brasil. Nas poucas vezes em que a vi falar sobre o assunto, a apresentadora pareceu desconfortável, tentando convencer a si mesma de que não fez nada de errado. E não fez mesmo. Era um personagem, um trabalho. Se alguém tem que se sentar no banco dos réus, são os pais da criança.

Mesmo assim, acho forçada a ligação de um fato de 1979 a uma entrevista de 2012, na qual Xuxa se coloca como ativista contra o abuso de menores de idade. Aliás, seu engajamento em campanhas de temática similar também é antigo. Isso não deveria ser bom? Uma pessoa que sofreu abuso e agora luta para que outras não sofram o mesmo; uma pessoa que fez um filme condenável e agora usa o poder de sua imagem para consertar isso, com muito mais alcance que o suposto erro do passado. Uma pessoa.

Também ouvi questionamentos sobre a veracidade da declaração da Xuxa, que não tinha a menor necessidade de fazê-la nesta altura da carreira e da vida. Isso é realmente importante? A entrevista alavancou a audiência do “Fantástico” – foi a maior do programa em 2012 – e alcançou pedófilos, crianças abusadas e pais desatentos. Cada frase dela, sincera ou não, foi de efeito. Xuxa é uma mulher que dialoga com as crianças ainda hoje e, se precisar mentir para ajudá-las, tem crédito para isso. Na minha opinião, a bandeira que ela levantou só pode resultar em algo positivo, seja qual for a interpretação. Olhe um pouco para frente.

Vai ter brigadeiro no casamento?

– Mãe, vai ter brigadeiro?
– Não sei, filha.
– Mas tem que ter.

A menina, de no máximo nove anos, queria saber se valia a pena ir ao casamento da amiga da mãe. Brigadeiro era o parâmetro.

– Fala para ela não se esquecer dos brigadeiros.
– Ela já encomendou os doces, filha.
– E pediu brigadeiro?
– Não sei. Acho que não.

Nesse momento, uma ouvinte atenta, sensata e estraga prazeres se intrometeu:

– Olha, em casamento, que eu saiba, não tem brigadeiro não.
– NÃO TEM BRIGADEIRO? – exclamou indignada a criança.
– Não…
– É, eu também nunca vi. – confirmou a mãe, sem graça.
– Então não vou não.

Climão na festinha de aniversário do menino do colégio

Todo mundo do colégio na casa de um amigo, comemorando seu aniversário. Estava rolando uma guerra fria entre nós e os seus vizinhos, que se sentiam mais amigos dele do que a gente. Nós pensávamos o contrário. Os achávamos babacas. A namoradinha dele do prédio era metida. A namoradinha dele do colégio era nossa amiga, pré-requisito para ser superlegal.

Da janela do playground, avistamos uma colega de classe passando do lado de fora do condomínio, meio perdida. Seu nome era Amanda. Nós não éramos muito amigos dela. Naquele momento, todo mundo se perguntou: “a deixamos perdida ou gritamos seu nome?” Vê-la passar direto, no caminho contrário da festa, seria divertido. Mas precisávamos de reforços na guerra fria.

– Amaaaaaaaandaaaaaaaaaaaaa!
– Amaaaaaaaaandaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
– Amaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaandaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Éramos muitos os gritões e, por mais que ela estivesse distante, nos escutou. Fizemos sinal de “é aqui!” e ela fez cara de quem não estava entendendo. Amanda era meio babaca, por isso não andava com a gente. Fizemos sinal de “espera aí!” e ela se aquietou. Avisamos o dono da festa que ela havia chegado.

– Sério que ela veio?
– Sim! Está lá na entrada do condomínio!

Ele foi correndo atendê-la, com cara de quem estava verdadeiramente surpreso. É o que eu sempre digo: se uma pessoa é convidada por consideração para uma festa, ela tem o direito de aparecer, conte com isso. Enquanto ele a recebia, nos distraímos fuzilando a trupe do prédio. Nisso, ele voltou… sozinho.

– Cadê a Amanda?
– Eu não convidei ela.
– E ela veio?
– Ela..
– Você a expulsou? – todos rimos, até a galera do prédio.
– Não! Ela não veio.
– Nós a vimos! Não era ela?
– Era. Mas ela só tava passando. Parece que mora aqui perto.

Climão.

Respeito o Kinder Ovo como uma divindade

Eu me pergunto se alguém ainda come Kinder Ovo. Eu não como. Quando era criança, fazia coleção daquelas tranqueiras. Adorava. Amo chocolate, mas queria mesmo era o brinquedinho. Lembro da coleção de Smurfs. Eu não sabia quem eram os Smurfs, mas queria ter a coleção completa. Era do Kinder Ovo!

O chocolate também era bom. Eu gosto disso de preto por fora e branco por dentro. É mais ou menos a proposta do bombom Ouro Branco (adoro também), só que ao inverso. Mas eu não como Kinder Ovo desde os anos 1990. Com certeza. Mais ou menos quando deixei de comer também a Tortuguita (lembra?) – esse um chocolate de péssima qualidade, embora comer as patinhas primeiramente fosse irrestível.

Sei que de repente minha avó parou de comprar Kinder Ovo. Ficou caro. Não sei o preço anterior, nem o atual. Mas todo mundo diz que encareceu assustadoramente. Continuo vendo-o nas prateleiras das lojas, mas não vejo ninguém comprando. E as bugigangas nunca mais fizeram sucesso: as crianças de hoje em dia querem besteiras digitais.

Por mais caro que seja, eu poderia comer um de vez em quando. Às vezes, pago R$1,50 nos bombons da Cacau Show, o que me parece um valor absurdo (mas compensável). A gente se dá o direito de gastar irresponsavelmente, não é? Claro que sim.

Mas a minha relação com o Kinder Ovo é peculiar. Acho que não compro para não deixar de cultuá-lo. O sabor pode não ser tão bom quanto eu lembrava. E o brinquedinho certamente irá pro lixo, o que perderia toda a graça. Prefiro deixar assim, como se o Kinder Ovo fosse um portal para a infância, que só recorrerei em um dia de extremo desespero.

O Dia dos Pais mais antigo que eu lembro é…

O Dia dos Pais é até hoje a data mais desconfortável para mim. Sem dúvidas. Entra ano e sai ano é a mesma coisa: minha mãe começa a me azucrinar três dias antes dizendo que “eu vou ter que ligar hein”. Eu, claro, nunca quero ligar (o que, na maioria das vezes, consigo deixar de fazer). Tenho os meus motivos, claro, e vão muito além de uma infância frustrada com meu pai. Mas é bem verdade que os motivos começaram todos lá, na infância. Freud explica.

Quem já foi criança, sabe: as escolinhas – creches, maternais, não sei qual o nome que dão para isso hoje em dia – adoram qualquer gancho para dar uma boa festa e suspender as aulas. O desejo dos “professores” por não dar aulas (bastante inúteis quando você ainda não aprendeu nem a escrever, é verdade) só não é maior do que o das crianças em não assisti-las. Então, quando chegam estas épocas de Dia dos Pais, das Mães, do Índio, do Palhaço, da Avó, do Avô, da Árvore, do Bichinho de Estimação, do Lápis, do Quarto ou até mesmo do Copo D’água, a primeira coisa que os donos dessas instituições fazem é organizar uma festinha. E comprar tintas para pintar a cara das crianças com motivos temáticos.

No caso do Dia dos Pais especificamente, as criancinhas não tem os rostos pintados, mas recebem a incumbência de colorir uma gravatinha para o papai. Comigo, pelo menos, era assim. Eu gostava de pintar, como já disse, mas, nesta situação, era algo especialmente difícil. Lembro-me de como as outras crianças se empenhavam nesta tarefa e eu não. Elas queriam muito agradar aos pais, que, para elas, eram seus super-heróis, como dizem as mensagens das propagandas comerciais nesta época do ano. Meu pai não era um herói para mim (estava bastante longe disso…). Eu não ia entregar aquela gravatinha para ele. Meu pai nunca ia às festinhas do colégio.

Só uma vez que ele foi. Eu era bem novinho – estamos falando de uma fase pré-alfabetização – então não me lembro muito bem. Acho que minha mãe ligou para ele, explicou a situação e meu pai se propôs a ir àquela comemoração do colégio. E eu pintei a gravatinha para ele. Sem qualquer simbolismo, apenas pintei com as minhas cores preferidas (ainda estava naquela fase do azul). Encontrar o meu pai nunca foi sinônimo de diversão, então eu não estava muito animado. Eu só queria cumprir a minha parte do acordo (é curioso como tudo que diz respeito a ele sempre cai nessa palavra…).

O combinado é que ele passaria na casa da vovó para me buscar, me levar ao colégio (que era na minha esquina) e, juntos, participarmos da festinha. Até porque não fazia sentido eu chegar antes, sem meu pai, na festa do Dia dos Pais. Deu a hora marcada e eu já estava pronto, circulando pela casa, de certa forma ansioso (nem que fosse para acabar logo com aquilo), olhando pela janela para ver se ele já tinha chegado. Fiz esse processo algumas vezes e nada de ele aparecer. Está aí outra diferença entre nós: eu sou pontual, ele não. Os ponteiros do relógio do teto da parede da sala andavam e meu pai não chegava. Bateu aquela dúvida: será que ele tinha esquecido? Provavelmente. Comecei a achar que ele não viria mais e então ligaram para saber o que estava acontecendo.

Repito: não me lembro bem, mas não devem ter conseguido estabelecer contato de primeira, porque o tempo continuou passando e meu pai não chegava. A festinha era na sexta-feira e não exatamente no Dia dos Pais (senão não seria interessante para a escola), então era bem provável que ele tivesse se esquecido.

Mas, por fim, ele apareceu. Sem dar qualquer tipo de explicação – o que me leva a crer que, sim, ele tinha se esquecido, mas minha mãe o lembrou “há tempo” – me colocou no carro (para ir até a esquina!) e entramos no colégio. Lá, entreguei a gravatinha para ele e a festa acabou. Com o atraso dele, havíamos perdido tudo (o que não devia ser muita coisa, mas, naquela época, era significativo para mim). Não foi uma experiência emocionante. Não foi um dia especial. Pelo contrário. Mas é o Dia dos Pais mais antigo que eu me lembro.

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