[Dica da Semana] O Mordomo da Casa Branca

Essa é a última dica do ano, e juro que pensei em fazer algo temático, sobre réveillon e tudo mais. Mas assisti a esse filme – “O Mordomo da Casa Branca” (The Butler) – na quarta-feira, e fui profundamente cativado. Não dá para falar de outro assunto, e deixar esse de lado.

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Dirigido por Lee Daniels (de “Preciosa – Uma História de Esperança”), o filme acompanha a luta dos afro-americanos pela conquista dos direitos civis nos Estados Unidos ao longo do século XX. Mas esqueça Martin Luther King. Aqui, o espectador só ouve falar nele. A trama opta por outro personagem principal e outra perspectiva – não a de um ativista político, mas a de um mordomo. Negro, sim, mas apolítico. O mordomo da Casa Branca, como diz o título.

Baseado em fatos reais, o roteiro, de Danny Strong (que também assina os dois próximos filmes da franquia “Jogos Vorazes”), tenta reconstruir a vida de Eugene Allen, o mordomo que de fato serviu diversos presidentes norte-americanos entre 1952 e 1986. No filme, ele ganha outro nome: Cecil Gaines, interpretado por Forest Whitaker (vencedor do Oscar por “O Último Rei da Escócia”). De mansinho, ele tenta conquistar o direito à promoção e a um salário compatível aos dos brancos. Ele não luta, ele observa, ele pede, timidamente.

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As lutas que movimentaram o país são comentadas nas reuniões do presidente, que ele ouve entre uma bandeja e outra, e mostradas na TV. Pelo noticiário, ele recebe as notícias do seu próprio filho (vivido por David Oyelowo, de “Middle of Nowhere”), que é um ativista engajado e volta e meia é preso por causa disso. Uma das cenas mais fortes é quando esse e seus amigos quebram os paradigmas da época e se sentam nos bancos exclusivos para brancos em uma lanchonete. A reação da sociedade é chocante para alguém que não pegou o mundo desse jeito, como eu. A relação do mordomo com seu filho, claro, é conflituosa – e isso é uma subtrama deliciosamente bem desenvolvida, também.

Gostei muito da ótica escolhida para contar a história, que não soa como cinebiografia do mordomo, de verdade. Havia lido algumas críticas contra esse filme, principalmente com relação à escalação do elenco, que traz Mariah Carey, Lenny Kravitz e Oprah Winfrey. Não lembro onde li, mas a necessidade desses nomes era questionada. Rebato: por que não? Mariah está convincente no papel da mãe do protagonista, na primeira fase do longa, quando ele ainda é uma criança. E Oprah? Ela recebeu uma indicação ao SGA, que é justamente a premiação do sindicato de atores dos EUA. Isso cala muitos comentários.

Eu fiquei tocado, e isso é tudo que espero de um bom filme: uma pequena transformação em mim ao assisti-lo. Estou recomendando para todo mundo.

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