[Dica da semana] “Cine Holliúdy”

Cine Holliúdy valeria o ingresso mesmo que fosse um filme ruim – e não é. Afinal, qual foi a última vez em que se ouviu falar de um filme essencialmente cearense, independente e legendado fazendo sucesso? Ele chegou ao sudeste em 43 cópias* na última sexta (15/11), com a certeza de já ser um sucesso: vendeu 446 mil ingressos* no norte e nordeste. Mais do que isso: o filme teve orçamento de R$ 1 milhão e arrecadou R$ 4,5 milhões* em seu lançamento regional. É para se comemorar.

Essa experiência prova que o cinema regional é possível e que o audiovisual brasileiro pode ir além do eixo Rio-São Paulo. Concentrações geográficas são comuns na indústria cinematográfica (vide Hollywood), mas o Brasil é culturalmente muito rico em sua diversificação para que apenas um polo emane conteúdo para todo esse território. O Brasil precisa ser conhecido e mostrado para nós mesmos, brasileiros. “Cine Holliúdy” chegou aos cinemas daqui, no sudeste, com legendas! É a prova de que nós não nos conhecemos dentro de um mesmo país. E precisamos nos comunicar, nos entender.

Mesmo que não emplaque no sudeste, não importa, o filme existe – e isso por si só é uma vitória para o cinema brasileiro. O sucesso que fez em sua região prova a carência de um povo de se reconhecer nas telas. “Cine Holliúdy” poderia ter sido produzido pela Globo Filmes, estrelado por atores do “Zorra Total” ou da “Porta dos Fundos”, e ser um blockbuster como tantos outros – mas não teria sua função social. Seria caricato, e talvez ofensivo. O que eu vi no cinema foi diferente: uma obra genuína, protagonizada por um tal de Edmilson Filho (na pele de Francisgleydisson). Fantástico! Ele me conquistou.

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O filme é cômico e tem vários momentos muito bons, até mesmo para mim que sou difícil de rir no cinema. Com referências aos Trapalhões e ao Mazzaropi, pode-se dizer que esse é o nosso “O Artista” ou “A Invenção de Hugo Cabret”, ou seja, nossa homenagem ao cinema, mas à história do cinema nacional. E, nessa onda de protestos recentes, vou além: é um tributo, mas também um puxão de orelha. “Cine Holliúdy” faz lembrar que existe uma produção regional, carente de escoamento. Quantos talentos como Edmilson Filho não são reconhecidos? Quantos não têm sequer mercado para trabalhar?

Espero que esse seja o início de uma nova fase, e que outros nomes chamem a nossa atenção. Que, num futuro próximo, possamos dispensar as legendas e compreender os diferentes Brasis. Pelo menos, uma sequência de “Cine Holliúdy” já está acertada, segundo o cineasta Halder Gomes (de “As Mães de Chico Xavier”). Estou ansioso.

*Dados retirados dos seguintes links:
http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/11/estreia-cine-holliudy-combina-giria-regional-com-humor-ingenuo.html
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,cine-holliudy-traz-a-lingua-e-o-sucesso-do-ceara-ao-sudeste,1096248,0.htm
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-219352/

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