[Dica da semana] Sara Bareilles – The Blessed Unrest

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Demorou três anos para que Sara Bareilles lançasse um álbum novo, The Blessed Unrest. São doze músicas novinhas, incluindo o single gostosinho “Brave”, escrito em parceria com Jack Antonoff, da banda fun. Se não ouviu ainda, ouça. Vou esperar você botar para tocar no Youtube. Tome seu tempo. Ainda não foi? Estou falando sério. Vá lá. Ouça. Já tá tocando? Ok. Vamos lá. O que esperar desse álbum? Bem, muita coisa.

1) A maioria das músicas foi produzida pelo irlandês John O’Mahony, que é um cara que já trabalhou com o Coldplay, mas tem mais experiência com bandas de indie rock. Ele imprimiu sua marca nas músicas, minimizando consideravelmente a atmosfera pop radiofônica, principalmente se compararmos ao álbum “Kaleidoscope Heart” (2010), que foi mais comercial. Não vejo muitos hits potenciais neste trabalho. Nenhuma “Love Song”, o que não chega a ser ruim. Em contrapartida, há “Manhattan”, minha favorita da tracklist, delicadíssima, que coloca a cidade na partilha de bens de uma separação (“You can have Manhattan / ‘Cause I can’t have you / You can have Manhattan / the one we uses to share”). “Satellite Call” também demonstra bem o que quero dizer. O citado single “Brave”, que é bem pop, foi produzido por outro cara: Mark Endert, que já fez uns trabalhos para Madonna e para o Maroon 5.

2) “The Blessed Unrest” não lembra em nada o EP “Once Upon Another Time” (2012), que era mais romântico e bem humorado. O mais perto disso é “Little Black Dress”, de autoria reconhecível nos primeiros segundos, antes mesmo da entrada do vocal. Nela, depois do verso “They don’t need to see me crying”, ela emenda “I’ll get my little black dress on / and If I put on my favorite song / I’m gonna dance until you’re all gone”, que tem lá sua ironia, e ironia é humor. Mas, como a capa do álbum indica, Sara está mais dura. Suas letras usam as palavras cemitério, sujeira, caos, culpa e solidão, só para citar algumas. Ela não está para brincadeira. Não é mais fofa…

3) …a não ser em momentos muito específicos, que soam até meio incoerentes. Você pensa “essa mulher está tão calejada…”, por tudo que ouviu, mas aí ela vem com “I Choose You” (a nona do álbum), que chega a ser adolescente. A música é esperançosa quanto ao seu novo amor, de uma maneira inocente e totalmente apaixonada. “There was a time when I would have believed them / If they told me that you could not come true / Just love’s illusion / But then you found me and everything changed / And I believe in something again”. Na mesma linha, há também “1000 Miles”.

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4) O fato é que não dá mais para colocar Sara Bareilles para tocar enquanto trabalho ou leio qualquer outra coisa, como sempre fiz. “Little Voice” (2007), ainda mais que o “Kaleidoscope Heart”, me permitia muito isso. Não é como se fosse música ambiente, mas não chegava a me desconcentrar. Agora, as batidas e os versos exigem atenção total. É como se Sara me dissesse “ouça bem o que tenho a dizer”. Não dá para ignorar o “tonight / come on, come on / collide / break me to pieces” de “Cassiopeia”. É um chamado. Minha impressão é que até sua maneira de impor a voz mudou.

5) E é aí que Sara é mais Sara: nas mudanças. “The Blessed Unrest” é diferente do EP “Once Upon Another Time”, que é diferente do álbum “Kaleidoscope Heart”, que é diferente do “Little Voice”. Você sempre acha que sabe o que esperar dela, e ela te surpreende. Claro que sua sonoridade é reconhecível, afinal seu trabalho tem a “sua cara” (o piano, por exemplo, sempre lá), mas, como artista, ela consegue mostrar que tem muito a oferecer. A cada projeto, uma faceta se sobressai. E o que somos todos nós senão vários em um? Como Sara, a gente mostra o que quer mostrar a cada dia.

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2 respostas para [Dica da semana] Sara Bareilles – The Blessed Unrest

  1. Giselle Bruna

    Adorei o post, de fato Sara mudou bastante em todos os álbuns. Estava esperando ansiosamente por esse, e me surpreendeu bastante. As letras, a intensidade com que ela canta. Agora não consigo mais parar de escutar o novo álbum, principalmente enquanto escrevo, ou tomando meu café.

    • Leonardo Torres – Autor

      Para escrever, ainda prefiro o “Little Voice”, assim como para ler. Mas o “The Blessed Unrest” é muito bom também. Intenso, como você disse, é a palavra.

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