Tem zumbi no meu bairro – Volume 3

Cheguei em casa por volta das 21h e notei que o canteiro da calçada onde os zumbis fazem de albergue estava vazio. Também estava molhado, como se tivessem lavado e retirado todos seus apetrechos, que costumam passar o dia ali abandonados. Estranho, mas positivo. Estado efêmero, com certeza. Quem teria feito isso?

Entro em casa, ainda com essa dúvida remoendo, e minha mãe me informa: os zumbis botaram fogo no colchão onde dormiam, quase incendiando nosso domicílio. “De repente, meu quarto estava cheio de fumaça preta. Achei que morreria asfixiada”, me contou. “Eu e os vizinhos tivemos que sair e jogar água, como se fôssemos bombeiros. As labaredas estavam enormes”.

Coisas de zumbi, pensei. Por que colocar fogo no próprio colchão? Porque são zumbis, e já perderam o raciocínio humano há muito tempo. Mas eu estava enganado. Eles agiram estrategicamente. Minha mãe me contou que uma guerra foi iniciada.

Antes deste episódio, um vizinho – que não é zumbi, mas também já perdeu o raciocínio – jogou um “cabeção de nego” em cima deles. Os zumbis, no caso, só revidaram. Antes, apesar de evacuarem nas ruas, tinham uma política de boa vizinhança: sem assalto aos moradores. Agora, provocam incêndios indiscriminadamente.

Se hoje foi isso, o que será amanhã? Jogar uma bomba caseira janela adentro de nossas casas? Esfaquear-nos? O medo se fortalece cada vez mais. Entre cabeções de nego e incêndios provocados, uma hora alguém se machucará. Lins de Vasconcelos e Engenho Novo não são Leblon e Ipanema, mas também precisam de atenção. Turistas não frequentam esses bairros, mas há moradores aqui 365 dias no ano. De que adianta colocar um carro da polícia passando o dia inteiro, se ignoram fatos como esse?

A existência dos zumbis não é caso de polícia – talvez de saúde pública -, mas essas consequências se tornam. Virou guerra civil. Ou não? Sou contra a prisão ou internação compulsória de zumbis, mas algo deve ser feito. Deixá-los se gladiarem com os moradores não me parece a melhor saída. Até que aconteça a seleção natural da espécie, muito estrago desnecessário acontecerá. Tiraram o problema das favelas e esvaziaram para o asfalto? Qual o sentido disso? Repito: há um ano, Lins e Engenho Novo não eram assim. Não quero saber como será daqui a seis meses.

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