Festival do Rio 2012 estreia nesta semana com “Argo”, “Moonrise Kingdom” e “Ruby Sparks”

O Festival do Rio começa nesta quinta (27/9), com mais de 400 filmes em sua programação, que estará em cartaz em várias salas de cinema da cidade até o dia 11 de outubro. Trata-se de uma ótima oportunidade para assistir a produções que jamais chegariam aqui fora do evento, ver antes de todo mundo os filmes que bombarão nos próximos meses, e prestigiar a nova safra do cinema brasileiro. Há muita coisa imperdível, de verdade. A lista completa pode ser vista aqui.

Como bom cinéfilo que sou, já assisti a oito longas dos que serão exibidos no festival e quero dedicar esse post a eles. Vou fazer uma espécie de ranking, começando da 8ª posição até chegar ao primeiríssimo. Okay? Vamos lá!

8) TWIXT – É o novo filme do Francis Ford Coppola (trilogia “O Poderoso Chefão”), mas não se deixe impressionar. O longa já passou pelos festivais de Toronto, Turin, São Francisco e Munique, e, não sem razão, nunca foi premiado. A história começa sem pé nem cabeça e, no desenvolvimento, perde também o pescoço, as pernas e os braços. É um martírio assistir. Elle Fanning (que eu amei em “Um Lugar Qualquer”) está minimamente interessante.

Sinopse oficial: Hall Baltimore é um decadente escritor de terror que vende seus livros por conta própria. Em visita à cidade de Swann Valley, Hall se vê envolvido no misterioso assassinato de uma jovem, morta por uma estaca de madeira. Naquela noite, durante o sono, ele recebe a visita de um fantasma que o convence a ir a fundo nesta história repleta de crianças assassinadas e almas amaldiçoadas. Uma cidade feita de mistérios, onde as respostas estão muito mais próximas de sua vida do que o próprio Hall pode imaginar.

7) ELEFANTE BRANCO (ELEFANTE BLANCO). Filme argentino do Pablo Trapero (“Abutres”), com a sensação latina Ricardo Darín (“O Segredo dos Seus Olhos”) no elenco. Exibido no Festival de Cannes, o longa repete o elenco e os problemas de “Abutres”, filme do mesmo cineasta, que em nada me agradou. O meio da narrativa é estagnado e parece ficar se repetindo para ganhar tempo sem objetivo. É cansativo, mas vale pela atuação do Darín e pelas imagens fortes da villa portenha.

Sinopse oficial: Depois de sobreviver a um violento ataque durante uma missão na selva, o padre Nicolas é levado por Julian, um padre que também se dedica a projetos sociais, para a favela de Villa Virgen, em Buenos Aires. No local, considerado um dos mais violentos da cidade, Julian supervisiona a construção de um hospital. Nicolas sente que está perdendo sua fé e, ainda atormentado pela violência e desestabilizado, se interessa por Luciana, uma atuante assistente social. No entorno, os conflitos entre os cartéis de drogas da região crescem e o governo interrompe as obras do hospital.

6) ELENA – Filme russo, dirigido por Andrey Zvyagintsev (“O Retorno”) e premiado em Cannes com o prêmio especial do júri na mostra Um Certo Olhar. Algumas cenas são excessivamente longas e sem conteúdo, um acompanhamento profundo da rotina dos personagens principais. Isso me incomodou bastante, mas a história é ótima e desperta boas reflexões quando termina. Quais são os nossos valores? Quais são os nossos limites?

Sinopse oficial: Elena é uma mulher madura e humilde que vive uma relação desapaixonada com Vladimir, homem de uma certa idade e bastante rico. Ambos têm filhos de casamentos anteriores. Desempregado, o filho de Elena vive lhe pedindo dinheiro. Já a filha de Vladimir mantém uma relação distante e conflituosa com o pai. Hospitalizado após sofrer um ataque cardíaco, Vladirmir se dá conta de que pode morrer em breve e decide fazer seu testamento, deixando quase tudo para sua filha. Desesperada, Elena decide traçar um plano para ajudar seu filho.

5) MAGIC MIKE – Novo longa do Steven Soderbergh (“Contágio”), com Channing Tatum (“Para Sempre”), Matthew McConaughey (“O Poder e a Lei”) e Alex Pettyfer (“Eu Sou o Número Quatro”). Como a temática do filme é a vida dos strippers masculinos, há muitas cenas sexy, com músculos e bundas à mostra (mas também há as fantasias de gosto duvidoso e as dancinhas constrangedoras). Faltou sensibilidade para ir além disso e alcançar algo mais dramático. Filme raso, mas tem Channing Tatum em trajes mínimos, garotada. Vale o ingresso. Exibido nos festivais de Sundance, Provincetown, Locarno e Deauville.

Sinopse oficial: Mike é um experiente stripper que trabalha no clube noturno Xquisite. Ele incumbe-se de ensinar um jovem dançarino, The Kid, a arte da dança e também apresentar o mundo da noite, das festas, da conquista e do dinheiro fácil. Ao conhecer Brooke, irmã do garoto, Mike pensa que pode ter alguma chance com ela, mas seu estilo de vida atrapalha seus planos. Inspirado na antiga carreira de Channing Tatum, que interpreta o papel do protagonista Magic Mike.

4) BACHELORETTE – Nova comédia feminina sobre os bastidores de uma festa de casamento – dessa vez com Isla Fischer (“Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”), Kirsten Dunst (“Melancolia”), James Marsden (“Sob o Domínio do Medo”) e Adam Scott (série “Parks and Recreation”) no elenco. O roteiro, da novata Leslye Headland, abusa das drogas ilícitas, lícitas e da temática sexual, mas também toca em pontos delicados, que dão certa credibilidade à história. Isla Fischer, mais uma vez, está impagável.

Sinopse oficial: Reagan, Gena e Katie ficam surpresas ao saberem que Becky, sua amiga gordinha da época do colégio, vai se casar. No fundo, Reagan se ressente que alguém esteja se casando antes dela. Como as três serão madrinhas do casamento, elas decidem que o melhor a fazer é aproveitar a ocasião para curtir uma arrasadora despedida de solteira. O problema é que Becky não compartilha dos mesmos planos. Mesmo sem a noiva, Reagan, Gena e Katie partem para uma farra regada a álcool, drogas e encontros amorosos, na qual o que importa é viver, a qualquer custo, um final de semana inesquecível.

3) RUBY SPARKS – A NAMORADA PERFEITA (RUBY SPARKS) – Primeiro filme dos diretores de “Pequena Miss Sunshine” em seis anos, escrito pela protagonista Zoe Kazan. O elenco traz ainda Paul Dano (“Os Acompanhantes”), Annette Bening (“Minhas Mães e Meu Pai”), que está maravilhosa, e Antonio Banderas (“A Pele Que Habito”). O filme segue aquela linha de “500 Dias Com Ela”: fofo e triste. A história é bem bolada e bem explorada, mas o roteiro perdeu o ritmo na reta final e ficou repetitivo. Mesmo assim, o elenco faz valer a pena.

Sinopse oficial: Calvin é um jovem escritor que alcançou um sucesso fenomenal muito cedo e agora vive um momento de crise em sua carreira. Mas ele não enfrenta problemas só na esfera profissional, precisa resolver também sua vida afetiva. Finalmente, ele cria um inspirador personagem chamado Ruby, uma suposta namorada. Uma semana depois, Ruby surge em carne e osso sentada no seu sofá. Calvin fica atônito com a aparição da moça, mas começa a gostar da ideia de ter encontrado um amor. Agora ele terá que saber lidar com a própria criação.

2) MOONRISE KINGDOM – Novo filme do Wes Anderson (“O Fantástico Sr. Raposo”), que estreou no Festival de Cannes. O elenco adulto é impressionante, com Tilda Swinton (“Eu Preciso Falar Sobre Kevin”), Frances McDormand (“Aqui É o Meu Lugar”), Edward Norton (“Homens em Fúria”), embora o foco seja um casal de criancinhas. A fotografia é linda, lúdica, assim como a história, que reveza momentos de total lucidez com profunda fantasia. É uma boa experiência cinematográfica – e o menininho (Seamus Davey-Fitzpatrick) é um fofo.

Sinopse oficial: Suzy e Sam vivem em uma ilha tranquila da costa da Nova Inglaterra. Ela mora com os pais e três irmãos mais novos. Sam, é orfão e vive com os pais adotivos e uma tropa de escoteiros. Os dois têm em comum a idade, 12 anos, e o sonho de serem livres. No verão de 1965, eles vivem a experiência do primeiro amor. Apaixonam-se, fazem um pacto secreto e fogem juntos. Enquanto toda a cidade se mobiliza para encontrá-los, uma violenta tempestade se aproxima da costa e vai causar ainda mais transtornos à vida da pacata comunidade.

1) ARGO – Terceiro longa dirigido pelo Ben Affleck (“Atração Perigosa”), premiado pelo público no Festival de Toronto. O elenco traz Bryan Cranston (série “Breaking Bad”), John Goodman (“Os Flinstones” – eterno Fred), Victor Garber (série “Alias”) e Alan Arkin (“Pequena Miss Sunshine”) – um time de peso. O roteiro é ótimo, com a dificuldade de tratar de uma tensão política histórica, e soube dosar as cenas tensas e as bem humoradas. O que mais me agradou, aliás, são as alfinetas à Hollywood, considerando o contexto da produção. Há um momento em que uma piada é seguida de outra e é impossível não rir com a autoconsciência alheia. Filmão mesmo. Já está nas listas precoces de apostas para o Oscar.

Sinopse oficial: Em 4 de novembro de 1979, durante a invasão de militares iranianos na embaixada americana em Teerã, 6 entre os 58 americanos presentes no local conseguem se refugiar na casa do embaixador do Canadá. Ciente da iminência da captura e da possível morte dos seis refugiados, Tony Mendez, um especialista da CIA, bola um ousado plano para tirá-los do país: forjar a produção de um filme americano de ficção científica em pleno Irã. É iniciada uma insólita operação secreta que se desenrolou nos bastidores de uma crise histórica, escondida durante décadas. Baseado em fatos reais.

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