Resenha: Katy Perry – Part of Me

Não costumo falar bem da Katy Perry – sequer costumo falar dela, na verdade. A única vez em que fiz isso aqui no blog foi durante o Rock in Rio, quando basicamente a chamei de desafinada sem noção. Mas hoje quero explorar um pouco mais o universo de pirulitos e marshmallows da cantora.

Bem, assisti ao documentário “Katy Perry: Part of Me” (com direito a 3D e tudo, embora o artifício tenha sido pouco explorado). Por quê? Porque trabalho com música pop e acredito que é minha obrigação assistir a esse tipo de material para aumentar meu repertório (aliás, alguém tem o DVD do “Justin Bieber: Never Say Never” para me emprestar? Não achei para baixar). Além disso, o filme se propõe a mostrar os bastidores da turnê da cantora, o que é minimamente interessante (quando você não gosta das músicas de alguém, assistir ao making é mais prazeroso que ao próprio show – sem dúvida!). A sinopse oficial da Paramount Pictures diz que o longa é “um passe para os bastidores, um lugar na primeira fila e uma visão intimista do divertido, glamuroso, emocionante, inspirador, louco, mágico, apaixonado e honesto diário de Katy”. Ufa! Quantos adjetivos!

Apesar da pretensão, “Part of Me” não se propõe ambicioso. Pela sinopse, não é difícil imaginar que se trata de um projeto vaidoso e caça-níqueis, igual a tantos mais de outros artistas. Não visa originalidade artística. Mas calma, fãs, não me atirem pedras. Ainda não é o momento. Isso porque o filme, que amargou uma bilheteria irrelevante nos EUA, fugiu do controle e resultou em algo completamente diferente do imaginado pelos diretores Dan Cutforth e Jane Lipsitz. E só ganhou com isso.

Durante as filmagens, Katy Perry recebeu o pedido de divórcio do marido Russell Brand. Maliciosamente, isso entrou na edição final do filme – e transformou, acredito eu, seu início, meio e fim. O que era para ser um longa vazio e egocêntrico se transformou na crônica de uma separação anunciada. O oba-oba deu vez à tristeza (há uma cena da americana aos prantos no camarim do show em São Paulo).“Part of Me” mostra, na verdade, como o sucesso e a agenda lotada de shows arruinaram o casamento da cantora, cada vez mais ausente de casa para cumprir seus compromissos profissionais. “Não se pode ter tudo” foi um pensamento que veio à minha cabeça.

No filme, Russell aparece nos bastidores dos primeiros shows, nos EUA, e depois sai de cena. Conforme a turnê, que durou um ano, segue adiante, o casamento dos dois se limita cada vez mais a encontros esporádicos nas folgas da cantora. Entre uma temporada de apresentações e outra, ela ganhava três dias livres para descansar – e usava-os para viajar e encontrar o marido, onde quer que ele estivesse. Eles viviam, portanto, um relacionamento à distância, baseado em troca de telefonemas e sms. Mas fica claro como Katy (posso chamá-la assim depois de ter assistido ao seu diário “[…] emocionante, inspirador […]”?) valorizava àquela relação e se esforçava para fazê-la dar certo. Mas quando um não quer, dois não brigam – nem namoram. Russell não quis e deu um pé na bunda dela – pouco depois de ter sugerido que ela engravidasse (para prendê-la em casa, talvez).

O episódio, extremamente pessoal e privado, guiou o resto do filme e humanizou o projeto. Estamos falando de Hollywood, que consegue romantizar sobre guerras mundiais, quem dirá sobre uma estrela pop vulnerável. Deu certo. Eu, que sempre torci o nariz para Katy, saí do cinema mais simpático a ela – identificado. É sensacionalismo puro? Pode ser. Provavelmente é. Vale tudo para ganhar dinheiro? Com certeza. Mas a exploração do caso foi bem feita? Foi. A cena em que ela se prepara para subir ao palco e coloca um sorriso no rosto, segundos após ter sido gravada aos prantos, é emblemática. Quem nunca teve que disfarçar um sofrimento? Katy descontruiu o conto de fadas que ela mesma prega/va. Ponto pra ela. Vou até fingir que ela cantou direitinho.

4 respostas para Resenha: Katy Perry – Part of Me

  1. Sarah Anna

    Cara voce vai ver o filme da katy e ainda vai reclamar? Sendo que tem fans aqui malucos p ver esse filme

  2. Bruna

    Você é um merda. Quem é você pra falar da Katy? Só porque tem esse blog ridículo se acha? Cadê o espelho, meu bem?

  3. Filipe

    No filme ela tá cantando super bem, vai? Afinaram tanto a voz dela e colocaram tanto efeito que – inclusive – nem parece ela. 😛

    O que tem em comum com os outros filmes nesse estilo é que o artista expõe alguma coisa bombástica para atrair o público. Muito bem pensado, a Katy se aproveitou da separação pra tornar o filme interessante.

    Eu – fã assumido da Katy Perry! – gostei muito mais por ter fugido justamente desse universo falso e mágico que ela propõe no profissional (embora cenas falsas e mágicas possam ser conferidas em alguns momentos que falam sobre a vida pessoal dela também. Ela não é tão boa atriz!).

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