Por que “Lola” fracassou nos EUA – e provavelmente repetirá o feito no Brasil?

Demi Moore (“Margin Call – O Dia Antes do Fim”) e Miley Cyrus (“A Última Música”) tentaram unir duas gerações para o lançamento da comédia dramática “Lola” (LOL), remake norte-americano do francês “Rindo à Toa” (LOL, 2008). Não deu certo. O longa, escrito e dirigido por Lisa Azuelos (do original), não agradou nem a crítica nem o público nos EUA, registrando uma bilheteria ínfima, rapidamente retirado de cartaz. O que houve de errado, então?

O filme tem todos os elementos necessários para uma trama teen: romance, descobertas sexuais, drogas, música e conflitos sociais-estudantis. Os personagens clichês – a descolada que na verdade é virgem, o melhor amigo que vira namorado, o nerd feio, a piranha do banheiro, o professor gostoso, a loira deslumbrante, os garotos da banda, a cota afro e a cota latina – também estão todos lá. Apesar de se repetirem exaustivamente em outros filmes, os ingredientes sempre funcionam. Além disso, Azuelos aposta nos dramas familiares e em comportamentos contemporâneos (a.k.a. sexo virtual) para tornar a história única.

Mesmo assim, ele não emplacou. Eu achei fofinho – cheguei a dar três estrelas, de cinco, no meu perfil do Facebook – mas o filme tem, de fato, vários problemas. Os diálogos são mal escritos e pouco convincentes, o que prejudica o desempenho dos atores (é a única explicação para todo o elenco estar… ruim!), e o ritmo é totalmente arrastado. O diário da protagonista (Cyrus) ofusca os laptops, celulares com Internet e webcams, conscientemente inseridos na narrativa para dar um ar de modernidade. Ela não deveria ter um blog? Um arquivo .doc? Que seja. O problema maior é que as cenas são mostradas e depois se repetem quando ela se tranca no quarto para narrá-las por escrito. Empaca.

Outro ponto que não gostei – e esse é extremamente pessoal – é a representação do Brasil na história. Logo no início, a protagonista fica nua no banheiro, na frente da mãe (Moore), que se horroriza ao ver o formato da depilação pubiana da filha. “O que é isso? Moda brasileira? Você virou atriz pornô?”. Não ri da piadinha, apoiad em um estereótipo tão batido. Ainda mais saindo da boca da estrela de “Striptease”. Convenhamos.

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