Para Roma, Com Amor, Assinado Subcelebridade

Assisti ao novo filme do Woody Allen, “Para Roma Com Amor” (To Rome With Love), na sexta-feira de estreia no Brasil e o achei bastante inspirador. A trama acompanha quatro histórias de residentes ou turistas na cidade-cartão-postal e, de alguma forma, todas elas se relacionam com o conceito de fama. Há o produtor de projetos fracassados (Allen), que vê um tenor em potencial em um cantor de chuveiro (Fabio Armiliato); a turista casada (Alessandra Mastronardi) que se envolve com um ator de cinema (Antonio Albanese) em seu primeiro dia de viagem; a atriz aparentemente sem graça (Ellen Page), que se torna irresistível para os homens pela falta de pudores; e o funcionário burocrático (Roberto Benigni) que se torna celebridade instantânea. O último, em particular, é meu favorito.

O personagem de Benigni, certo dia, acorda e há paparazzi e repórteres na sua porta fazendo as perguntas mais esdrúxulas do mundo (“O que você comeu no café da manhã?”; “Como faz a barba?”; “O que você tem a dizer?”). Ele não é um artista, nem fez nada para conquistar a fama, apenas foi escolhido pela mídia como a figura do momento. O tom da abordagem, apesar de crítico, é bem humorado e mostra o cara sendo paparicado por outras “celebridades”, ganhando fãs, e respondendo perguntas tolas sobre sua rotina. De repente, suas declarações se tornaram relevantes. É genial, porque é exatamente isso que acontece na indústria cultural atual, principalmente a parte das superficialidades.

Uma rápida olhada nas notícias do dia no EGO, o mais relevante site especializado neste tipo de conteúdo, comprova os supostos absurdos de Woody Allen. “Thiago Fragoso almoça com a família”; “Perlla posta foto da filha chupando o dedo” e “Minotauro leva o cachorrinho para passear na praia” são alguns exemplos das tolices que consumimos (sim, nós, chega de sempre dizer que são “eles”). Acredito que existe espaço para tudo e nem todo conteúdo têm obrigatoriedade de ser aquilo que “você não pode dormir sem saber” (valeu, Furo MTV), mas o mínimo de qualidade é necessário até para fofoca. Isso foi o que me motivou a escrever no extinto blog “Estou Em Transe”, porque tratávamos o culto às figuras midiáticas com o pé no chão, como banalidades que são. Quando achei que perdemos a direção e passei a me sentir idiota, me despedi do projeto.

É inegável: o mundo das celebridades atrai as pessoas – todas, em maior ou menor grau de intensidade, desde que vovó era um broto. Ela, por exemplo, começou a fumar para imitar as estrelas de cinema, que achava sexy. Mas esses eram os anos… 1950. É curioso que nada tenha mudado de lá para cá. Ao contrário, essa realidade ganhou força. O excesso de paparazzi e a exploração da vida pessoal dos artistas – e dos farsantes de – não diminuiu esse frisson, não humanizou essas figuras. As pessoas – eu, você, eles, nós – continuam mais e mais curiosas sobre a vida dessas pessoas e fantasiando sobre como seria viver um dia na pele delas. Andy Warhol já disse, nos anos 1960, que todo mundo teria seus 15 minutos de fama no futuro (e o futuro é agora). Admito que isso tudo, particularmente, me fascina e sei que, inevitavelmente, escreverei um livro ambientado neste universo no futuro (esse, diferente do de Warhol, não agora).

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