A sobremesa, a atendente e a sinceridade

Minha mãe e eu jantamos e queríamos algo doce de sobremesa. Na verdade, ela queria. Eu como doces com uma frequência tão alta que raramente sinto esse desejo. Já é um hábito. Optamos por fatias de torta de uma doceria famosa, da qual sou cliente antigo.

A vitrine de opções estava infeliz. Devido ao feriado, só havia uma torta disponível – a mousse. Torci o nariz, decepcionado. Gosto de escolher. Mas a mousse é boa, pelo menos. Minha mãe também aceitou comê-la.

– Vai pagando, que eu vou pedindo – disse para ela, porque a vitrine fica na entrada e o caixa fica no fundo da loja.

– Okay.

A atendente, que lembrava a empregada Fortaleza, se arrastou até mim com cara interrogativa, como se eu pudesse pedir algo fora do cardápio.

– Quero duas dessa.

– De mousse?

– Sim. – não entendi porque ela confirmou o sabor se ele era o único.

– Ai… Não aguento mais pegar torta. – desabafou, com um olhar cúmplice.

Fiquei perplexo. Eu não era a última pessoa para quem ela deveria dizer algo assim? Tudo bem, deve ser chato mesmo ficar se abaixando toda hora, saciando a gula alheia, em pleno feriado. Mas o que ela queria que eu fizesse? Desistisse? “Ah, deixa pra lá então, desculpa”. Eu hein.

– hehe. – me limitei a isso.

– Ai, Meu Deus… – reclamou, bufando, após se dar conta de que eu não desestiria.

– hehe – repeti, chocado.

A famosa espanta cliente.

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