Resenha: Maria Gadú – Vivo Rio – Rio de Janeiro

Com “Shimbalaiê” de fora do repertório, Maria Gadú se apresentou no Vivo Rio, no Rio de Janeiro, no sábado (14/4), com um show apoiado em seu segundo CD de estúdio, “Mais Uma Página”. Tocando guitarra ou violão quase em todas as músicas, a cantora apresentou um show mais político que o visto no DVD “Multishow Ao Vivo” (2010). “Quando a gente muda, o mundo muda com a gente. Mudando o presente, a gente muda o futuro”, discursou, nervosa, piscando freneticamente a cada nova sílaba.

Um dos momentos mais impactantes do show é a projeção de um vídeo gravado no Jardim Gramacho, onde fica o maior aterro sanitário da América Latina. Enquanto Gadú canta “Axé Acappella” da forma mais sensível possível, aparecem imagens do que não pode ser descrito como menos que a degradação humana. “Eu queria passar essa mensagem. Obrigado a todos que emprestaram um pouco da sua realidade para esse show”, disse.

Por falar em empréstimo, Gadú deixa claro quais são suas referências artísticas na introdução do espetáculo. Os nomes de Cássia Eller, Elis Regina, Tom Jobim, Cazuza, Amy Winehouse, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Maysa, Cartola, Adoniran Barbosa, Nelson Gonçalves, Mamonas Assassinas, John Lennon, Whitney Houston e Wando aparecem em uma projeção inspirada na arte do seu novo álbum.

O show, no entanto, só engata na terceira música, “Extranjero”, quando Gadú finalmente mostra seu potencial vocal. Antes, ela faz um cover precoce de “Maria Solidária”, mas o microfone mais alto do backing vocal ofusca seu timbre feminino. Covers melhores são os de “Índio” e “Amor de Índio”, gravado em seu último CD. A segunda deixa o público ensandecido, como em poucos momentos da apresentação.

No geral, a plateia prefere as faixas conhecidas do primeiro disco. São “Bela Flor”, “Tudo Diferente” (que ganhou um arranjo novo explorando a percussão), “Escudos” e “Laranja” que são cantadas em coro pela casa de shows em lotação máxima. “Encontro”, particularmente, é entoada com muita vontade pelo público, que não sentiu falta do maior hit de Gadú.

A setlist soube mesclar com esperteza as músicas do primeiro e do segundo CD, mas não conseguiu disfarçar que as novas não tem a mesma força das antigas, com exceção de “Linha Tênue”. Essa sim funciona muito bem ao vivo, em parte pela qualidade dos cinco instrumentistas da banda. Também é o momento em que a cantora mais se solta.

O show também contou com participações especiais do Lenine e do português Marco Rodrigues, que repetiu a parceria gravada em “A Valsa”. Já o brasileiro fez dueto com a anfitriã em “Quem?”, também registrada em estúdio, e em “Jack Soul Brasileiro”, cantada irritantemente aos gritos. Mas Lenine ao menos animou a plateia, diferente do lusitano.

A nova turnê traz frescor à carreira de Maria Gadú, que passou tempo demais trabalhando o primeiro álbum e suas versões ao vivo. Fico claro que ela é polivalente e pode cantar o que lhe der na telha. Mas também é inegável a necessidade de definir um rumo para criar uma identidade musical. Terminar o show com um cover (“Podres Poderes”), por melhor que seja a escolha, é inconcebível.

SETLIT
– Introdução
– Reis
– Maria Solidária (Cover)
– Extranjero
– A Valsa (Part. Marco Rodrigues)
– Encontro
– Long Long Time
– Bela Flor
– Anjo da Guarda Noturno
– Tudo Diferente
– Axé Acappella
– Escudos
– Like a Rose
– Taregué
– Amor de Índio (Cover)
– Oração ao Tempo
– No Pé do Vento
– Quem? (Part. Lenine)
– Jack Soul Brasileiro (Part. Lenine)
– Índios (Cover)
– Linda Rosa
– Linha Tênue
BIS
– Laranja
– Podres Poderes

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