Dia Internacional da Mulher

Assistentes de palco peladas: até quando?

Assistentes de palco peladas: até quando?

Dia Internacional da Mulher. Quando eu era pequeno, não conseguia entender porque elas tinham um dia exclusivo e os homens não. Mas quando você começa a estudar História e descobre que antigamente elas sequer eram consideradas cidadãs, você começa a entender. As mulheres passaram mais ou menos pelas mesmas lutas que os negros (que também têm um dia exclusivo para eles – ao menos no Brasil) para serem consideras, hum, humanas. O pior é que muita coisa ainda está em jogo e não foi conquistada.

Mas agradeço por ter sido criança nos anos 1990. Hoje em dia, deve ser mais difícil entender o porquê das mulheres terem um dia para elas. Eu não entenderia a razão de se homenagear Mulheres Frutas, Misses Bumbums e outras figuras públicas que expõe o corpo como carnes no açougue sem necessidade de qualquer contextualização. “Toca aqui pra ver se é silicone”. Isso é um retrocesso tão grande. Na minha época – e, sim, me sinto velho ao dizer isso – se dizia que “não se bate em uma mulher nem com uma flor”. Hoje em dia, Rihanna leva porrada do namorado e depois grava um dueto com ele. É esse o tipo de imagem que chega às pessoas.

A feminilidade – que não é exclusiva das mulheres, é bom lembrar – é algo muito valioso, mas muitas parecem fazer de tudo para disfarçá-la. Isso vale para as mulheres conscientemente masculinizadas, achando que assim serão mais respeitadas, como é o caso da presidente Dilma, mas também para essas que não respeitam o próprio corpo, tratando a si mesmas como um cafajeste. Porque é isso que você faz quando esfrega sua bunda e seu peito na tela da minha TV em troca de visibilidade.

Mulheres que acham divertido serem chamadas de piriguete, de cachorra, de vadia. Eu já vi amigas se chamando assim e se julgando descoladas por isso. É deprimente. Os tempos mudaram, é claro, mas não há porque ser para pior. Meus parabéns vão para Adeles, que transformam decepções em sucesso; Sandys, que não se rendem ao escrachamento sexual; Cristinas, que governam de saias; Hebes, verdadeiras trabalhadoras; e Marias, que lutam a cada dia com e por dignidade.

Uma resposta para Dia Internacional da Mulher

  1. Carol Berger

    Concordo plenamente. Sinto-me envergonhada por ver a banalizacao da figura feminina, isso e um retrocesso para quem exige respeito e quer ter um tratamento igualitário aos homens. Essas mulheres que preferem usar da sexualidade para se promover nao sao dignas nem de pena, terrível e ver a sociedade sendo receptiva a tais situações.

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