Acordar com o pé esquerdo significa:

Que dia. Quero o telefone do SAC para reclamar do funcionamento da minha vida. Não está como o esperado. Tudo deu errado hoje, desde a hora em que acordei, interrompendo a historinha do meu sonho pela metade.

Tive que esperar 40 minutos por um ônibus que me levasse ao centro da cidade. Passava ônibus até para Marte, menos para o centro. Quando ele finalmente chegou, estava lotado. Viajei em pé, com uma revista na mão (achei que poderia lê-la no caminho…), me fazendo saculejar pra lá e pra cá, sem poder agarrar a barra com as duas mãos. Isso por mais 45 minutos.

Desci na porta de uma agência do meu banco e fui sacar dinheiro para fazer o câmbio. O caixa eletrônico não deixou: alegava que meu cartão estava bloqueado (como se eu já não tivesse ligado duas vezes para desbloqueá-lo, desde que errei a senha). Tive que enfrentar a fila dos caixas humanos, não sem antes ter que deixar até a alma naquela caixinha de pertences para que a porta giratória permitisse a minha entrada (fico com cara de maloqueiro com o cabelo por cortar).

Com o dinheiro em mãos, corri para a casa de câmbio que conheço, onde também funciona uma agência da Western Union. Conclusão: o lugar estava lotado. Parece que no verão todo mundo tem alguém para quem mandar dinheiro fora do país. Fiquei na fila – embaixo de sol, porque não cabia todo mundo lá dentro – por mais de 1h30, eventualmente deixando grávidas e mulheres com bebês de colo passarem a frente (não nego: rezando para que não aparecessem outras).

Superada essa etapa, fui de metrô+integração até o Corcovado para comprar uma caneca que o Nico me pediu, porque a dele quebrou. Adivinha. Não tinha. Nem nada remotamente parecido. Decidi voltar pra casa. Abri a carteira. Não tinha dinheiro (só os pesos). Lembrei que tinha uma nota de R$50 escondida, mas nem me arrisquei. Fui à padaria comprar algo para trocar o dinheiro antes de embarcar.

No ônibus, liguei para a minha mãe e pedi que marcasse hora no cabeleireiro, que corta meu cabelo desde criança. Mesmo que eu tenha passado a raspar a cabeça, continuo entregando minha cabeça a ele uma vez por mês. Pouco depois, minha mãe retornou: “É segunda. Hoje ele não trabalha”. Que raiva.

Cheguei em casa, irritadíssimo. Liguei o computador e mais uma surpresa: estava sem Internet. Liguei para a Velox para reclamar e disseram que estavam fazendo uma mudança nas caixas da linha na rua. “Em até três dias voltará ao normal”. Em três dias, se deus quiser, não estou mais aqui.

Liguei para o Santander para reclamar do bloqueio pela enésima vez. A ligação estava distante. Não entendia nada que a atendente falava. Desliguei na cara, sem levar em conta a quantidade de teclas que tive que apertar até chegar a ela. Fiz tudo de novo e reiniciei minha reclamação. “Não consta nenhum bloqueio aqui, senhor”, me disse a primeira das três funcionárias que falaram comigo nessa ligação. Queria me fazer de maluco. No fim, assumiu sua incompetência. Desisti: nada daria certo hoje.

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