Museus: ao alcance de todos, usufruidos por alguns

Andei lendo com atenção especial um texto de Guilherme João de Freitas Teixeira sobre os museus europeus. Suas pesquisas identificaram que, apesar dos valores dos ingressos serem simbólicos, as classes populares não têm o hábito de frequentar exposições e que se sentem perdidas quando o fazem, sem a cultura mínima para entender o que está diante delas.

Teixeira diz que as pessoas das classes menos cultas costumam fazer a primeira visita aos museus mais tardiamente que as classes privilegiadas, que, por isso, adquirem maior familiaridade com o ambiente. Essas visitas dos populares também estão mais associadas à excursões escolares e turismo do que à iniciativa familiar.

Esse é o quadro europeu. Imagine o brasileiro. Comecei a divagar. Faço parte de uma chamada classe média – não sei se se baixa, mediana ou alta (acredito que baixa) – mas fui privilegiado em termos culturais. Sei disso.

A primeira vez que fui a um museu foi por intermédio da minha mãe. Depois, voltei lá, com a escolinha. Quando meus coleguinhas começaram a ir ao cinema, isso já era um hábito para mim, que já sabia como me portar, enquanto suas mães ficavam desesperadas para mantê-los calados e sentados. Também fui frequentador assíduo de circos, shows musicais, peças teatrais e patinação no gelo. Ah… os shows do Holiday on Ice no Maracanãzinho! Amava.

Na maioria das vezes, quando a escola levava a turma, eu já conhecia o lugar. Só o planetário, acredito, conheci por intermédio dos professores. Minha mãe dizia que era muito longe de casa e “fora de mão” (anos mais tarde, eu trabalharia na rua do local, ironicamente).

Também ia com prazer à Bienal do Livro antes de aprender a ler ou me interessar pela leitura. Comprava revistinhas de colorir e olhava a arte das capas dos livros. Naquela época, o apelo infantil do evento era muito menor do que atual. Mas eu gostava mesmo assim.

Minha avó e minha mãe sempre pregaram a pobreza em casa, querendo manter meus pés no chão, mas nunca economizaram com comida nem com cultura. Minha mãe, particularmente, enxergava um investimento na compra de livros para mim (principalmente quando eu ainda lia timidamente, não gostando muito da atividade). Acho isso importante.

Voltando aos museus, eu adoro. Quando planejo uma viagem, minha primeira busca é por museus. Geralmente, são muitos, e tenho que fazer uma seleção dos mais interessantes. A sensação de ver ao vivo uma obra que conhecia de miniatura nos livros é inexplicavelmente boa. É emocionante, sim. É a melhor forma de entrar em contato com o passado.

E as entradas são realmente muito baratas, às vezes gratuitas. Admito que despertar o interesse por obras de arte em crianças seja uma tarefa difícil, mas não há momento melhor para isso do que a infância. É só escolher as exposições corretas, com instalações interativas e tudo mais. Acredito nessa possibilidade. É importante para abrir a mente.

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