Melancolia vai passar na nossa frente e será a mais bela das visões

Assisti a “Melancolia” e a minha conclusão é: o filme não venceu a Palma de Ouro, o prêmio máximo do Festival de Cannes, apenas por uma questão política. As declarações do diretor Lars von Trier – que, durante uma coletiva de imprensa no evento, brincou dizendo ser nazista e entender Hitler – impediram o seu trabalho de brilhar.

Por isso, ele decidiu não voltar nunca mais a dar coletivas de imprensa (acho pouco provável que consiga, mas deixa ele). De qualquer forma, seu filme fala por si só. Digo isso sem medo, porque assisti ao filme vencedor do festival, “A Árvore da Vida”, e ele não chega nem aos pés do drama de ficção científica de Lars. Não mesmo.

O filme é dividido em duas partes e cada uma delas conta a história de uma de duas irmãs, Justine (Kisten Dunst, premiada como melhor atriz no festival) e Claire (Charlotte Gainsbourg, de “Anticristo”).

A primeira é uma noiva deprimida – no sentido clínico da palavra – que tenta disfarçar a doença para agradar a irmã e seu marido (Kiefer Sutherland, de “24 Horas”), que organizaram uma super festa de casamento para ela. Mas ela não consegue e sua desanimação acaba estragando o grande dia (com a ajuda de sua mãe amarga e de seu chefe inconveniente, é verdade). Se você contextualiza, ela é uma pessoa difícil, mas não se pode culpá-la. Dá pena é do noivo (Alexander Skarsgård, de “True Blood”), que se esforça o tempo todo para agradá-la e termina a noite frustrado.

Na segunda parte, Justine aparece em um estágio avançado da doença (e Kisten dá um show de atuação, vale ressaltar), mas abre espaço para o drama da irmã Claire. Ela teme o fim do mundo. Explica-se: um outro planeta, chamado Melancolia, se aproxima da Terra. Seu marido, estudioso dos astros e tudo mais, jura que não haverá choque, mas ela vê outros cientistas falando na Internet que isso representará o fim da humanidade e se desespera.

Justine não se importa com a possibilidade, porque não é apegada à vida. Mas a irmã, que tem um filho, fica muito balançada e compra veneno para garantir a morte tranquila de toda a família antes do choque. Com esse medo como pano de fundo, se desenrola uma história bastante densa.

Charlotte está tão bem quanto Kirsten. Kiefer também. O elenco é afiado e a história é envolvente. O filme é muito bom, de verdade. Há uma frase do roteiro que resume tudo: “Melancolia vai passar na nossa frente e será a mais bela das visões”. No caso, falavam do planeta em questão. Mas estendo à Kisten e ao filme.

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