Rosa

Assisti ontem à pré-estreia do monólogo Rosa, de Martin Sherman, com tradução de Manuel Mendes Silva e direção de Ana Paz. Quem interpreta o personagem que dá título à peça é Débora Olivieri, que fazia a malvada Dona Carmem em Chiquititas. Marcou a minha infância. Tive certo receio de assisti-la e só me lembrar da outra, a má. Mas isso não aconteceu. Ela está irreconhecível, de cabelos brancos e cara de doente. Palmas para a atriz, mas também para os maquiadores, figurinistas e todos envolvidos nessa transformação.

Rosa conta a história de uma senhora judia nascida na Ucrânia, mas que espera o fim de sua vida, sozinha, na América. Com problemas respiratórios e de memória, ela relembra a própria vida, desde a infância até os dias atuais, como quem se prepara para a morte. São quase duas horas de pura ladainha. Se você pensar que duas horas é pouco tempo para resumir uma vida de 80 anos, ok. Se você pensar que duas horas de monólogo é muito tempo para alguém que trabalhou o dia todo e está com dificuldade de se concentrar no fim da noite, ok também. Rosa é um bom espetáculo, mas exige certo preparo do espectador.

É natural se desfocar do que acontece no palco de vez em quando, ainda que a história de Rosa e a interpretação de Debora sejam bastante interessantes. Mas a personagem faz viagens demais e se casa mais vezes ainda. Às vezes, o espectador se perde e não sabe mais de quem ela está falando. Rosa sai da Ucrânia para Varsóvia, é levada para a Alemanha, para a França, para a Palestina, vai parar em Atlantic City. Depois, Miami Beach. Volta à Palestina, agora com o nome de Israel. Percebe que ali é o seu lugar, mas tem que voltar para os Estados Unidos, onde se sente tão deslocada quanto se sentiu toda a vida.

Assistir à Rosa é como conversar com uma vovó quase centenária. São muitas histórias para contar, vários brancos, muitos detalhes desnecessários, mas é incrível como a gente ouve e imagina tudo, como se estivesse lendo um livro. Indico a peça sim. Mas vá preparado. Mal ou bem, são duas horas de ladainha de uma senhorinha.

SERVIÇO: “Rosa” Temporada: De 3 de junho a 31 de julho de 2011 Teatro do Leblon – Sala Tônia Carrero End: R. Conde Bernadotte, 26 Leblon – Rio de Janeiro Telefone: (21) 2529-7700 Horários: quinta a sábado às 19h, domingo às 18h Preço: quinta e sexta R$ 50,00 | sábado e domingo R$ 60,00 (meia para estudantes e idosos) Capacidade: 210 lugares

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