Paramore só para baixinhos

            Na primeira vez que o Paramore veio ao Brasil, o público era composto de  adolescentes entre 16 e 20 anos. Quase três anos depois, essa galera toda deveria ser no mínimo maior de idade. Mas no show deste sábado, 19, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, o que eu vi foi um bando de criança acompanhada dos pais. É a geração Crepúsculo.

            Quando a Hayley perguntou quem estava no show pela primeira vez, a maioria levantou a mão. Ela pareceu gostar. “Sejam bem vindos à família” (que família, gente?). O rejuvenescimento da platéia deve ser economicamente interessante. Ela fez questão de mostrar que a casa estava cheia. Perguntou quem tinha todos os CDs da banda. Mais uma vez, a maioria levantou a mão.

            Ouvi gritinhos estridentes que diziam “Olha como ela é linda!”, mas abafa. Vamos falar dos gritinhos estridentes de Hayley Williams. Só eu que notei que a voz dela está oscilante? Li em algum lugar que ela tinha perdido algumas oitavas da voz por gritar demais nos shows. Fizeram falta. Ela apelou mais do que nunca para a fórmula “microfone para a platéia” (que tinha todos os versos na ponta da língua).

            Ninguém pareceu sentir a falta de Josh ou Zac. A banda chegou até a cantar Looking up, o que não faz o menor sentido no atual contexto (Já Playing God…). Um dos músicos substitutos, no caso o irmão do Taylor York, chegou até a soltar a voz na parte acústica do show. Soou mal aos meus ouvidos. A galera gostou. O cara é boa pinta.

            A verdade é que Hayley, correndo de um lado pro outro e jogando o cabelo pra frente e pra trás, domina o show – isso não mudou. E esforçando para ser simpática ela até convence. Mostrou a marca de biquíni que ganhou na cidade, disse que ama o Rio de Janeiro, elogiou a banda de abertura (Fake Number), agradeceu mil vezes e prometeu não demorar tanto para voltar. A galera delirou. Os pais aprovaram.

            A setlist foi a mesma dos shows anteriores, em Brasília e Belo Horizonte. Mescla as canções do Brand New Eyes, o último álbum, com as de Riot. Do primeiro CD, entraram apenas Emergency e Pressure. Os fãs bem que tentaram puxar My Heart, mas não vingou. Decode fez a festa da geração Crepúsculo.

            Hayley também apresentou a sua nova composição, In the morning. Ela, de novo, apontou o microfone para o público e, não surpreendentemente, todo mundo já sabia cantá-la. Um vídeo com música foi divulgado no Tumblr dela e isso parece ser o suficiente para faze-la, hum, bombar. A galera aprovou e fez corações com as mãos.

            No fim do show – com Misery Business, uma das mais transparentes do grupo – Hayley chamou duas fãs para subir no palco e fazer a festa. Foi embora fazendo coração com a mãozinha também e com sorriso de orelha a orelha. Satisfeita. O público também. Então tá tudo certo.

            Em breve, publico vídeos. (e, caso tenha dúvidas, eu me diverti bastante)

SETLIST

  1. Ignorance
  2. Feeling Sorry
  3. That’s What You Get
  4. For A Pessimist, I’m Pretty Optimistic
  5. Emergency
  6. Playing God
  7. Careful
  8. Decode
  9. In The Mourning
  10. When It Rains
  11. Where The Lines Overlap
  12. Misguided Ghosts
  13. Crushcrushcrush
  14. Pressure
  15. Looking Up
  16. The Only Exception
  17. Brick By Boring Brick
  18. Misery Business

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