Ministério da Cultura lança campanha contra a pirataria (mais uma!)

Claudia Leitte e Rogério Flausino, do Jota Quest, são os garotos-propaganda da nova campanha do Ministério Público contra a pirataria. O Ministério é brasileiro e não desiste nunca:

Várias questões podem ser levantadas quanto a esse respeito. A primeira é que estamos terminando 2010 e a indústria cultural continua, depois de tantos anos, tentando, desesperadamente e sem sucesso, vencer a pirataria. É lógico que é um problema – e uma falta de respeito – a violação dos direitos autorais: quem trabalha, quer – e merece – remuneração. Mas me parece que já passou da hora de buscar outras formas de ganhar dinheiro. Certo ou errado, vamos nos adaptar a nova realidade social, que é a democratização da arte. Se adaptar é mais fácil, prático, lógico e lucrativo.

No início dos anos 2000, o problema eram os camêlos, associados com o narcotráfico, vendendo CDs e DVDs falsificados. Agora, a questão são os downloads ilegais (o que é muito complexo: transferência de arquivos online entre amigos entra nessa classificação?). Essa é a segunda questão. Antes, os artistas gritavam: CD pirata não tem encarte! CD pirata alimenta o tráfico! Tais palavras não surgem mais efeito: é difícil se lembrar a última vez que se teve um encarte em mãos e, além do mais, os downloads são gratuitos. Ah, de graça! Se soa como um absurdo dar R$5 reais por um DVD no camelô, imagina R$20 – ou R$40! R$50! R$60! – por um na loja. O mesmo para livros: tirar xerox ou ter o pdf da obra? Tudo agora é gratuido. Na ilegalidade, mas é. Ao menos, não se colabora com o tráfico (não era esse o problema?).

Essa é a terceira questão. A nova campanha mudou a abordagem do tema. Sairam de cena palavras como tráfico, drogas e crime. O novo ângulo adotado é justamente o que eu citei no início desse texto: “Quando você compra um CD ou DVD pirata, não é só o artista que perde, (…) todo mundo pede”. As palavras de Claudia Leitte podem sensibilizar no primeiro momento, mas são esquecidas quando ecoam no bolso. Não adianta. O respeito pelo trabalho alheio é facilmente revogado quando significa abrir a carteira. Matemática pura.

O combate da nova campanha soa mais como um apelo. É difícil combater, no verdadeiro significado da palavra, os downloads. Não são algo físico, como apreender a barraquinha da esquina (que aliás, já convive em plena harmonia ao lado da guarita policial). Um relatório americano deste ano acusa o Brasil de estar entre as 28 nações que menos dão importância “aos problemas de quebra dos direitos de propriedade intelectual“. A nova campanha talvez seja uma resposta a isso.

Os Estados Unidos estão levando a sério (demais!) esse combate. A americana Jammie Thomas-Rasset, mãe de quatro filhos, foi condenada a pagar 1,5 milhão de dólares por ter baixado e compartilhado arquivos no Kazaa (lembra?). Mais ou menos 62,5 mil dólares por música baixada. Uma pessoa escolhida ao léu para pagar o pato e servir de exemplo. Mas esse caso, sim, o susto pode ser eficaz – se algo ainda o for (porque, repito, é difícil controlar isso) – porque é mais barato pagar 1,99 ali no iTunes do que 62,5 mil depois. Mas enquanto a moda não chega ao Brasil, seguimos impunes, desrespeitosos, despreocupados e, desculpa aí, felizes.

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