Minha mãe, o cinema e eu

Quando eu era pequeno, minha mãe alugava muitos filmes na locadora. Ia muito ao cinema, também. Me levava um bocado de vezes. Eu sequer sei de memória a primeira vez que entrei em uma sala de cinema. Vi todos os filmes infantis em cartaz assim que estrearam. Com cinco ou seis anos, o cinema já fazia parte da minha vida. As vezes, minha mãe me levava para assistir filmes mais adultos – os quais eu odiava. Comecei a associar que filme bom era filme com criança. Filme ruim era filme com correria, tiroteio e monstros. “É faz de conta, Leozinho, isso não existe!”

Antes de aceitar ver qualquer filme que ela quisesse, eu perguntava “Mas tem criança?”. Era a minha forma de saber se o filma era, na verdade, infantil. Minha mãe levava ao pé da letra e respondia que tinha criança sim. Eu via. E me decepcionava. Comecei a entender, também, que filme ruim sempre tinha o Tom Cruise. Cresci mais um pouquinho e acrescentei à minha lista negra as animações. E dali elas nunca mais saíram. Passei a gostar de comédias. Filme bom é o que me faz rir. Um pastelão era comigo mesmo.

Filmes do Tom: mamãe ama, eu não.

Cresci mais um pouquinho e os pastelões também foram parar na lata de lixo. Filme bom é comédia romântica. Adoro Cameron Diaz – é a minha pantera preferida. Com Resse Witherspoon, meu santo não bate (esse problema já foi resolvido). Surgiram Harry Potter e O Senhor dos Anéis. Mentira demais. Filme com mentira demais vai direto pra lista negra – sem sequer ter sido assistido. Sou desses.

O tempo passou e, embora as comédias românticas ainda tivessem seu espaço, eu agora queria era um drama. Filme bom é o que me faz chorar. Eu quero é chorar! Quase um emo. Foi uma fase triste da minha vida e eu via filmes nessa vibe para provar para mim mesmo que tudo podia piorar. O ponto alto dessa vertente foi quando assisti ao documentário A Ponte, sobre suicidas da Golden Gate. Nesse momento, minha mãe já evitava assistir aos mesmos filmes que eu. “São deprimentes. Não quero ver nada para me deixar mal”. Eram deprimentes mesmo… mas isso não é lindo?

"O amor não tira férias": comédia românica é puro entretenimento!

São lindos sim, mas comecei a desconfiar da fórmula fácil de fazer o espectador chorar. Histórias sensacionalistas… lista negra! Os que me cativaram durante meu momento depressivo, sorte. Os que não, azar, não cativam mais. Entrei numa fase de filmes que me fizessem refletir – e aí valia qualquer estilo – e ficou mais difícil conquistar uma risada ou lágrima minha. Neste ponto, minha mãe já não entendia mais os meus filmes. “Que loucura, Leozinho! Isso é filme de maluco!”

Agora, eu gosto de filmes que me tragam algo novo – seja uma narrativa, uma reflexão, uma idéia, até um enquadramento. O anti-comercial me atrai. Meu gosto está bem relacionado ainda aos filmes reflexivos, sim. Os que minha mãe traz para casa me parecem, no geral, bobos – mas eu vejo mesmo assim (alguns me surpreendem!). Descobri também que gosto de histórias de reis e rainhas. Mas isso tudo… por enquanto.

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