Emily Osment e o choque cultural no ‘Altas Horas’

Não sou o tipo de pessoa que busca uma balada no sábado à noite, então eu quase sempre fico com o Altas Horas. No programa de ontem, 30, uma das atrações foi a cantora Emily Osment, de Hannah Montana (que, por razões óbvias, eu desconhecia). A garota, muito bonitinha (e esse é meu único julgamento quanto a ela, já que não prestei muita atenção no que ela cantou), protagonizou momentos de saia justa, por causa de diferenças culturais.

O primeiro climão aconteceu no quadro da sexóloga Laura Muller, no qual ela tira dúvidas da platéia e dos convidados. Depois de demonstrar bastante desconforto com tudo que estava escutando (os temas variaram entre bolinhas que explodem na vagina e anticoncepcionais), a americana foi aversa a idéia de fazer qualquer tipo de pergunta sexual. Serginho insistiu.

– Faz uma pergunta.
– Não quero falar sobre isso.
– Por quê?
– Porque eu tenho pais!
– Mas aqui é normal falar de sexo. Todo mundo fala.
– Ah, eu não duvido.

Esse “Ah, eu não duvido” soou bastante irônico, para não dizer arrogante. O diálogo teve mais algumas falas, que eu não me lembro, e por fim, ela deixou claro que não adiantava forçar a barra – de sua boca não sairia nada mesmo. Aí ocorreu um corte na edição e o programa continuou. Foi um momento desconfortável até de se assistir. Ultra conversavadora, do tipo que deve aderir aos protetos do Tea Party.

Mas isso era só o começo. Em outro momento, uma menina da platéia perguntou sobre loucuras de fãs, algo do tipo. E ela disse que tinha passado por algo assim naquele dia mesmo. Ao entrar na emissora, havia fãs na porta, os quais ela fez questão de atender. “Mas um queria me dar um beijo. Eu tinha que ser simpática e tentar escapar. Foi esquisito”. O beijo em questão não pareceu ser na boca e sim na bocecha, como um cumprimento. Coisa de brasileiro – mas ninguém explicou.

Quando você chega a um país que não o seu, supõe-se que você sabe o mínimo dos hábitos culturais locais (e se não, deveria sabê-los). Não é questão de perder a sua personalidade por estar mergulhado em outra cultura. É respeitá-la (e não estou dizendo que a amiga da Hannah o fez, apenas a uso como gancho). Não se pode ir ao Vaticano e demonstrar horror ao catolicismo, independente da sua religião. Você não precisa rezar o terço. Muito menos pisar em cima dele. Sou claro?

Um exemplo mais local: esses beijinhos de cumprimento. Aqui no Rio são dois. Em São Paulo é um. Quando estou lá, quantos eu dou? Um, obviamente (isso quando eu não esqueço, pela força do hábito). Não posso sair pelas ruas obrigando as pessoas a mudarem seus hábitos pela minha presença. “Galera, a partir de hoje são dois beijinhos, estão me entendendo?” Manuais culturais estão por toda parte. Vale a pena dar uma olhada antes de pegar o avião.

5 respostas para Emily Osment e o choque cultural no ‘Altas Horas’

  1. Ronald

    Lembro deste programa, cheguei a ver por completo e me senti constrangido pelo serginho e por quem mais estivesse na platéia, passou de choque cultural e passou a ser ignorância na sua forma mais arrogante, ela deveria estar entediada, mas não pode esquecer que estava sendo paga para estar lá. E a propósito, sem querer questionar gosto musical, muito comercial a música dela, não tem toque, nada especial.. chega a doer os ouvidos! Eu falo mesmo! fuii

      • leonardo osment

        concordo com vc rafa
        ele num sabe nem o que que e musica de verdade ou vc ja ouviu aquela musica dela shoebox eu to ouvindo ela agora ela e muit boa se vc num viu ouve vc vai gosta falow mano!!!

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