Namoro na faculdade: ajuda ou atrapalha os estudos?

A caloura de Engenharia de Produção da PUC-RJ, Amanda Di Piero, acaba de completar 18 anos e passar a freqüentar a faculdade. Fora os livros e cadernos, ela também incluiu nas compras universitárias roupas e acessórios novos. Prometeu para si mesma ser mais simpática e não rejeitar nenhum convite, ainda que para chopadas: “Eu não bebo, mas irei mesmo assim”. Isso tudo tem uma razão: Amanda, solteira desde o ano passado, acredita que a faculdade é o lugar perfeito para arrumar namorado.

Marina Carino, de 20 anos e aluna de Psicologia da UERJ, concorda: “Conhecer muita gente nova e ser convidado a várias festas ajuda a desencalhar”. O campus universitário, por ser um local relativamente seguro e reunir jovens mais ou menos da mesma idade e com interesses comuns, acaba se tornando mesmo o point da paquera. E, com um pouco de sorte, isso pode dar em namoro. Resta saber até que ponto isso influencia ou não o objetivo principal de um aluno na universidade, que é estudar.

Quando entrou para a faculdade, Marina já namorava. Lá, conheceu o colega de classe Rafael, 27. Todos os dias, depois das aulas, saíam para conversar. Naturalmente, trocou de namorado. Os dois acabam de completar um ano e um mês de namoro e o relacionamento vai muito bem, obrigado. Ela atribui parte desse sucesso ao fato de estudarem juntos: “É mais fácil de marcar de sair, além de termos amigos em comum”. Mas Marina também consegue ver o lado negativo de namorar nos corredores cinzas da UERJ. Segundo ela, a convivência intensa pode ser prejudicial se não houver jogo de cintura: “Mesmo de mau humor, sabemos que vamos ter que nos encontrar”.

Quem sentiu isso na pele foi Gabriel dos Santos, aluno de 21 anos de Desenho Industrial da mesma faculdade, que namorou uma colega de classe por quatro meses. Sua história não foi tão feliz. No caso de Gabriel, o intenso convívio logo virou discussão e estresse, o que acabou atrapalhando seu rendimento acadêmico. “Eu perdi o foco e não consegui me dedicar aos trabalhos como deveria”, desabafa. Ele terminou a desgastada relação e os dois deixaram de se falar. O clima era horrível. Gabriel preferiu repetir o ano para não ter mais que estudar com ela. Era para ele estar no quinto período atualmente. Está no terceiro, por causa desse namoro.

Mas não é preciso um relacionamento frustrado para desandar o boletim. Namoros felizes também podem atrapalhar se o aluno não souber administrar seu tempo. O que ele não pode é deixar os estudos de lado, como Gabriel fez. Amanda já sabe disso. Vendo suas expectativas, seus amigos mais velhos já conversaram com ela sobre o assunto. “Não vou ficar irresponsável por estar namorando. Ao contrário, acho que só vai me fazer bem”, defende-se antecipadamente.

A aspirante a psicóloga Marina acredita que, se o casal for de turnos ou cursos diferentes e matar as aulas para ficar junto, com certeza os dois se prejudicarão. Mas não é o caso dela. Como Rafael e Marina fazem as mesmas matérias, ela acha que isso só tem a ajudar, tanto o namoro quanto os estudos. “A gente estuda e faz trabalho junto. Rende muito mais”, explica.

O professor de Sociologia Nicolas Torres, 40 anos, analisa a situação. Ele, que já viu muitos relacionamentos surgirem em sala de aula, diz que a maioria dos casos é como o de Marina e Rafael. O namoro mais ajuda que atrapalha o rendimento acadêmico. Ele acredita que é melhor namorar na faculdade do que matar aula para encontrar a amada em outro lugar. “Assim, junta a fome com a vontade de comer”, completa. Agora, com a autorização do professor, é só correr para o abraço – no mínimo.

Dicas para arrumar namorado (a) na faculdade

1- Ser receptivo a novas amizades: fazer amigos; conhecer amigos de amigos; assim poderá conhecer alguém legal.
2- Ir às festas organizadas pelos universitários: é a melhor forma de socializar.
3- Participar das atividades extracurriculares também é uma boa forma de se aproximar das pessoas.
4- Se for tímido, adicionar seus colegas de classe no Orkut e começar a conversar com eles pela Internet.
5- Não atirar para todos os lados. Caso contrário, ficará mal visto (a) no campus e se formará da mesma forma que entrou na faculdade: solteiro (a).

Escrito para a disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso do curso de Jornalismo da UVA/RJ (2010)

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