Análise do BBB10

Queiram ou não, o Big Brother virou uma espécie de instituição de todo início do ano no Brasil, em que aqui fora o público fica exercitando uma espécie de julgamento ético do comportamento de vocês aí dentro. Enquanto vocês ai dentro ficam perdidos entre o que são, o que gostariam de ser e o que gostariam que os outros acreditassem que vocês são. – Pedro Bial

A eliminação de Michel me despertou para uma coisa: faltam apenas duas semanas para a final do Big Brother Brasil 10 e o início da nova grade da Globo. Então, acho que já posso dar o meu parecer geral sobre a edição. Se em dez semanas não aconteceu muita coisa, não será em duas que acontecerá.

O BBB 10 começou sobre forte alarde da emissora, da produção e da imprensa. Seria a edição das novidades. A expectativa era que fosse, também, a melhor edição de todas. Desculpa aí, mas não foi não. Teve récorde de votações em um paredão? Ok, é verdade, mas também teve a pior média de audiência de todas as edições na primeira semana do programa (e olha que a primeira semana foi uma das mais divertidas!).

Analisemos as ditas novidades

  1. A entrada de tantos homossexuais na casa foi a primeira delas. Decepção. Nenhum dos três causou. Foram personagens insignificantes. O tão esperado primeiro beijo tampoco ocorreu. Se é gay que você quer, Jean Willys e Marcelo foram muito mais polêmicos em edições passadas.
  2. A divisão dos participantes em tribos foi a segunda mudança no programa. Poderia ter dado certo,  com aquele esquema de imunidade coletiva, se não fosse o samba dos participantes entre as equipes. Virou bagunça e perdeu o sentido e  unidade. Logo e, sem maiores explicações (o que, aliás, predominou nessa edição), as equipes foram extinguidas. Se a idéia tivesse sido melhor administrada, teria rendido muito mais.
  3. A volta de dois ex-BBBs para o programa. Considerando a eliminação de um deles na primeira semana, foi um fiasco. Mas se levarmos em conta que Dourado, além de favorito à vitória, foi o maior rosto dessa edição – sem ter feito absolutamente nada para isso (#reflita) – a idéia não foi má. Má foi a forma de seleção dos brotheres. Joseane é a maior mosca morta. Trazê-la de volta foi o maior erro da edição.

Na real, as inovações que deram certo foram as repetidas da nona edição. Divisão da casa entre puxadinho e de luxo é rivalidade garantida. Deixar o público na expectativa de quem atenderá o Big Fone – e quais serão suas consequências – também não falhou. Agora, o quarto branco… foi ridicularizado. Tão temido na outra edição, se tornou divertido nessa – teve até Ice pra ver se esquentava o clima entre Cacau e Morango. Não esquentou. No lugar do white room, podiam ter mantido a casa de vidro – que foi o grande plus da edição passada, superpopular – e a entrada de participantes no meio do programa.

Os personagens

Na minha humilde opinião, essa foi a edição que Boninho pior escolheu os personagens. Talvez tenha feito tudo de última hora, por estar ocupado com o No Limite, outro fracasso. Não sei, essa é só uma tentativa de explicar. A tentativa de rotular trios de pessoas foi interessante, mas limitou. Cabeças, sarados, coloridos, ligados e belos. Okay, e o que mais? BBB é pluralidade de personalidades. Eu não quero só cinco.

Essa foi a edição onde as pessoas eram mais parecidas. Justificar voto por falta de afinidade foi hipocrisia. Todo mundo era assumidamente jogador, safadinho e, com exceção do Eliéser, inteligentes até. Faltou personagem e carisma. Nessa edição, não senti – fora a loucura inexplicável pelo Dourado – que ninguém foi amado nem odiado. Tudo foi blasé. Ninguém marcou, nem será lembrado. Dourado, se vencer, talvez.

Não houve grande destaque. Quem insinuou dar uma esquentada no programa foi logo emparedado e eliminado: Tessália, Elenita e, quando despirocou o cabeção, Morango. Não houve personalidde. Não houve vilão! Sem um malzão, sobrou pra Lia procurar briga com todo mundo. E agora, prestes a terminar o programa, temos personagens insignificantes como Fernanda, Maroca, Cadu e Sérgio (eu esperava tão mais de você, menino!). Esses são figuras que, em outros tempos, teriam saído logo no início. No meu tempo, a briga entre o bem e o mal era levada ao extremo, com direito a casalzinho emparedado junto e tudo (ah, quanta maldade!). Isso que era bom.

Acho que já falei isso aqui antes, quando eu ainda tinha gosto de comentar o programa: o BBB10 foi a edição da politicagem. Talvez, depois de tantos anos, isso fosse inevitável. Todo mundo quis fazer a linha bem – lá dentro e aqui fora. Os defeitos assumidos foram leves – do tipo quando você diz numa entrevista de emprego que perfeccionismo é o seu pior. O discurso do Bial de hoje a noite falou disso. A galera não se entregou ao jogo. Todo mundo entrou na casa com medo de se queimar. Mas, meus queridos, vocês já tão queimados, vocês são BBBs!

De qualquer forma, BBB, eu ainda amo você.

P.S: Agora, com essa onda de trazer ex-BBBs de volta, eu espero que a Tessália volte em alguma edição futura. Foi a jogadora mais verdadeira que eu conheci.
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