Aniversário de 5 anos – o trauma dos presentes

Foram raras os aniversários em que tive festa. Quando eu era pequeno, minha mãe me levava para um parque de diversões ou o que quer que eu quisesse com meus amiguinhos, mas festa mesmo… não. Minha família materna não é dada a festejos. Tinha, sim, um bolinho pra cantar ‘parabéns’. A família do meu pai também fazia esse esquema do bolinho (e a criança ia se enchendo de bolo!), só que acabavam chamando todos os parentes (e eu ficava sendo puxado de um lado pro outro, um saco). A família do meu pai é enorme.

No meu aniversário de cinco anos, no entanto, foi diferente. Minha mãe e meu pai – que naquela época brigavam muito – se uniram e eu tive uma festa, com ambos os lados da família. Metade dos convites pra minha mãe, metade dos convites pro meu pai. Eu mesmo sem convite nenhum. Lembro que com relação aos convidados do meu pai, a situação foi a seguinte: a grande maioria eu não conhecia e levava um susto quando vinham me cumprimentar, e os outros que restavam faziam eu me perguntar ‘porque ele convidou ele?’.

Mas eu não me importava. Eu queria mesmo era saber dos presentes. E quanto mais convidados, mais presentes. Pelo menos, é o que eu pensava. Acabada a festa, fiquei decepcionado. Como aquelas pessoas não se envergonhavam de ir numa festa infantil com as mãos abanando? Fiquei de cara. Pelo menos, os presentes da minha família eram presentes bons (não preciso dizer que os outros seguiam aquele esquema das lembrancinhas…).

Não me lembro bem o motivo, mas eu dormiria na casa do meu tio naquela noite. E, claro, eu levei todos – absolutamente todos – os presentes que ganhei pra casa dele. Minha mãe tentou me persuadir a não fazer isso, sem entender a minha ansiedade pra saber o que eram.

Tudo bem, tudo muito okay. Eu estava feliz com os presentes que tinha ganho (embora meus cálculos me dissessem que eu deveria ganhar muito mais!) e, no dia seguinte, meu tio me levou de volta pra minha casa. Quando estacionamos, dois bandidos apareceram. Um com arma na cabeça da minha mãe, que veio abrir o portão, outro com arma nas costas do meu tio. E eu, dentro do carro, apavorado. A tensão durou alguns minutos, até que os bandidos entraram com meu tio no carro. Iam levar o carro; e o meu tio; e eu, que ainda estava ali dentro. Mas minha mãe fez o auê e pediu pra deixarem eu sair. Deixaram.

A mulher do meu tio chorava: levaram o meu mariiiiido!
A minha avó também lacrimejava: levaram o meu filhoooo!
E eu, claro, também chorava: levaram os meus preseeeeentes!

É, gente. Eu, que tava de olho grande querendo mais presentes, fiquei sem nenhum naquele aniversário. Os bandidos devolveram o meu tio. Levaram o carro e os presentes. Isso não se faz.

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7 respostas para Aniversário de 5 anos – o trauma dos presentes

  1. Liliane

    HUAHHUAUAHUHuahua Espero que tenha aprendido a lição!! Se tivesse ouvido sua mae, e nao tivesse levado o presente pra casa do tio… você os teria até hoje

  2. - Peter

    De verdade e sem ser clichê, porém sendo?Me identifiquei em todos os posts. haha O colegio com nome fofinho, história da natação, da namorada que não era namorada….Aconteceu comigo também.

  3. RomMa

    Fico imaginando você com 5 anos chorando pelos seus presentes levados. AHUUHAUHUHAUH

  4. Rosane

    Ai q história.rsrs ninguém merece.rsrs por isso que tem a frase quem muito quer nada tem.rsrs ai, ai leo, só vc mesmo. beijinhos

  5. Thatiana

    UAHUAHUAHAUHUAHAUHAUHAUHAUAH se eu fosse você já saia com os presentes debaixo do braço… comédia você!

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