Terminar bem

– (…), porque nós terminamos bem.
– Quando você fala que terminaram bem, você quer dizer o quê?
– Terminamos amigavelmente, sem brigas.
– Então terminaram não brigados.
– É. Terminamos bem.
– Você ficou bem com o término?
– Não, né. Foi de repente, um choque. Não fiquei nada bem, senão não estaria falando disso ainda hoje.
– Você sempre diz que terminaram bem.
– Sim, no sentido de que não teve raiva, rancor. Mas não que fiquei bem com a decisão.
– Eu sei. Entendo quando você fala, mas quero te atentar para isso.
– Eu acho que terminamos da melhor forma possível. É o que as pessoas almejam quando pensam em “terminar bem”.
– Se terminaram bem… bem para quem?
– Hm. Para ele.
– …
– É. Terminamos não brigados.

Fenômeno de popularidade do fim do Exaltasamba

De repente, todo mundo virou fã do Exaltasamba e passou a lamentar o fim do grupo (anunciado no início deste mês, no palco do Domingão do Faustão, mas previsto apenas para fevereiro do ano que vem). A “banda” parece que virou, da noite para o dia, patrimônio cultural, ultrapassando os limites de um público bastante específico – o pagodeiro – e se tornando pauta de rodas, inclusive, acadêmicas. É um fenômeno de popularidade (instantânea, se ignorarmos os últimos 25 anos).

As pessoas passaram a relembrar os hits dos anos 90 e o grupo se tornou um dos mais requisitados do momento para shows, entrevistas e participações em programas de TV. Que Lady Gaga o quê! É Exaltasamba que está dando audiência, minha gente. Nessa, até eu aprendi a letra de Tá vendo aquela lua (e quase aderi à tendência cega de baixar essa música, mas um pouquinho de senso crítico me conteve).

Segundo o Hot100Brasil, que eu admito não saber se é exatamente um site confiável, o DVD que o grupo está divulgando está em décimo lugar na lista dos mais vendidos, na frente de nomes outrora mais cultuados. Uma música do “Exalta” com participação do Mr Catra, A gente faz a festa, é a sétima mais executada nas rádios.

Estranho, não? Não fazem três meses que eu torci o nariz quando o chefe de redação falou para eu dar uma notícia sobre os shows que o grupo de pagode estava fazendo semanalmente em um restaurante aqui no Rio (sente o nível). Agora, eu mesmo tenho a iniciativa de buscar notícias referentes ao Exaltasamba para dar. As pessoas estão interessadas no Thiaguinho, no Péricles, na tristeza do Brilhantina…

Foi mesmo o término que motivou essa onda de exaltamania? Ao que tudo indica, sim. Mas houve uma boa estratégia de marketing por trás disso, claro. Primeiro, começaram a pipocar fofocas sobre a carreira solo de Thiaguinho. Ele negou (e ainda apareceu com uma namorada nova, Fernanda Souza, o que tornou cativo seu nome na mídia). Depois, começaram a falar sobre a separação do grupo, desconversada pelos músicos. Por fim, os próprios alimentaram essa ideia, com declarações suspeitas. Tudo isso culminou com a participação no Domingão do Faustão para um “anúncio decisivo”. Todo mundo sabia qual seria, mas queria ver (e rever no Youtube: são milhares de acessos).

De qualquer forma, se essa febre for mantida, o grupo pode voltar atrás da decisão (por enquanto, eles estão apenas agendando novos shows até fevereiro, depois disso, nada). Maliciosamente, eles não falaram em fim, apenas em pausa. E pausa pode durar um mês, dois. Até menos. Pausa é que nem férias: tá marcada para fevereiro, mas vai saber o chefe não coloca mais pra frente.

“Mente Mentira” é uma peça pertubadora (e ótima)

Ontem assisti a Mente Mentira, texto de Sam Shepard e direção de Paulo de Moraes que está sendo apresentado na Casa de Cultura Laura Alvim. A peça é uma produção do ator Malvino Salvador, que também a protagoniza ao lado da Fernanda Machado. A históra começa com o fim de um casamento – Jake e Beth (os nomes extrangeiros foram mantidos) – após um surra, resultado de uma crise de ciúmes. Jake volta para a casa da mãe, achando que matou Beth. Ela, viva, fica no hospital algum tempo, toda enfaixada, e depois  é levada para a casa dos pais, com um dano cerebral.

Dano este que parece que todos os personagens – muito bem construídos – tem. Cada um a sua maneira. As famílias, responsáveis por cuidar desses filhos arrasados – Jake fica extremamente deprimido – não se mostram exatamente preparadas para isso. Predonima o egocentrismo e a má comunicação – todo mundo fala, ninguém escuta.

Lembranças do passado, explicações do presente e planos para o futuro confundem a platéia quanto ao que é mentira e o que é verdade. Um bom conselho é não tentar entender. Assim, se entende. Quem optar por rotular de loucura demais estará indo pelo caminho mais fácil. Afinal, o diferente é louco.

Nesse sentido, Mente Mentira incomoda. Em alguns momentos, não se sabe se está diante de um suspense, um drama, um thriller ou até mesmo uma comédia – ainda que os atores sequer sorriam, a platéia ri muitas vezes. Para mim, é um thriller psicológico.

A peça é pertubadora. Diálogos que pouco falam, mas dizem muito; comportamentos angustiantes; cenas, à sua maneira, chocantes; barulhos repentinos assustadores. Isso tudo consegue despertar na platéia sensações interessantes quando se trata de teatro. O cenário, com iluminação sombria, é muito prático e usual para o andamento do texto. Ele colabora para criar o clima da história – que eu não sei definir exatamente qual é (tensão é uma palavra simples demais) – e junto com o texto induz o público a imaginar perfeitamente o que não está sendo mostrado. Teatro puro.

Mente Mentira é adorável. São quase duas horas de duração, que eu não senti passar e me surpreenderam quando olhei o relógio no fim da apresentação. Indico demais a todo mundo. A crítica também está falando super bem, o que reforça a minha opinião. “Como todo bom teatro, faz o espectador sair da sala de espetáculos de um jeito um pouco diferente daquele como entrou.” – Artur Xexéo

SERVIÇO
Local: Casa de Cultura Laura Alvim (INFORMAÇÕES)
Preço: R$ 40,00.
Data: Até 16 de janeiro de 2011.
Horário: Sexta, 21h30; sábado, 21h; domingo, 19h.

Acabei com o namoro do meu amigo

Climão, climão, climão. Causei confusão na Argentina – e não estou falando da minha dívida no puteiro – e só fiquei sabendo agora. Nos primeiros dias, encontrei em Palermo um amigo meu de lá chamado Adrian. Ele é de Tigre e viajou duras horas só para me ver. Um fofo. Só tinha um porém: seu namorado não podia saber disso, senão não ia entender. Sabe como é: galera não tolera a amiza alheia. Okay. Sigilo.

“Se postar fotos no Facebook, não me marca”. De boa. Postei, não marquei. Mas que que Adrian fez? Comentou na foto. Vocês sabem o que acontece quando você comenta numa foto? O Facebook explana pra todo mundo. Assim:

Ou seja, né. Não deu certo. O cara viu, concluiu merda e planejou um vingança. Me adicionou e eu, que não sabia quem ele era, aceitei. Vi que tínhamos o Adrian como amigo em comum e achei que ficaria chato rejeitar os amigos dos amigos. Bobo. Nem passou pela minha cabeça que ele pudesse ser o namorado. Eu devia ter desconfiado. Carlos Rojas não é nome de gente bem intencionada. O muleque fez uma investigação no meu Face e, obviamente, não encontrou nada importante, mas já estava com a cabeça feita.

Coincidentemente, a semana da ‘descoberta’ era a semana do aniversário de Adrian. Aí você pensa que Rojas deixou a vingança para depois. Que nada. Aniversário = dia perfeito para um escândalo. E assim ocorreu. Entre presentes, abraços e mensagens de feliz aniversário, Adrian recebeu uma surpresa especial do bofe. Foi o seguinte discurso:

– Eu sei de tudo. Você me traiu com aquele brasileirinho idiota.
– Não traí não! Juro!
– Fica tranquilo. Eu te traio há muito mais tempo. Tenho amante, seu corno.

Bem, não sei se o diálogo foi exatamente esse, mas foi assim que eu imaginei com as informações que tive acesso. O namoro acabou… por minha culpa. E nós não fizemos nada demais. Passeamos pelos bosques, comemos garrapiñadas e jogamos conversa fora. Fama sem deitar na cama. E mais: Adrian é super fiel. Fiquei com pena.

Sem mais publicações