Terminar bem

– (…), porque nós terminamos bem.
– Quando você fala que terminaram bem, você quer dizer o quê?
– Terminamos amigavelmente, sem brigas.
– Então terminaram não brigados.
– É. Terminamos bem.
– Você ficou bem com o término?
– Não, né. Foi de repente, um choque. Não fiquei nada bem, senão não estaria falando disso ainda hoje.
– Você sempre diz que terminaram bem.
– Sim, no sentido de que não teve raiva, rancor. Mas não que fiquei bem com a decisão.
– Eu sei. Entendo quando você fala, mas quero te atentar para isso.
– Eu acho que terminamos da melhor forma possível. É o que as pessoas almejam quando pensam em “terminar bem”.
– Se terminaram bem… bem para quem?
– Hm. Para ele.
– …
– É. Terminamos não brigados.

Resenha: Katy Perry – Part of Me

Não costumo falar bem da Katy Perry – sequer costumo falar dela, na verdade. A única vez em que fiz isso aqui no blog foi durante o Rock in Rio, quando basicamente a chamei de desafinada sem noção. Mas hoje quero explorar um pouco mais o universo de pirulitos e marshmallows da cantora.

Bem, assisti ao documentário “Katy Perry: Part of Me” (com direito a 3D e tudo, embora o artifício tenha sido pouco explorado). Por quê? Porque trabalho com música pop e acredito que é minha obrigação assistir a esse tipo de material para aumentar meu repertório (aliás, alguém tem o DVD do “Justin Bieber: Never Say Never” para me emprestar? Não achei para baixar). Além disso, o filme se propõe a mostrar os bastidores da turnê da cantora, o que é minimamente interessante (quando você não gosta das músicas de alguém, assistir ao making é mais prazeroso que ao próprio show – sem dúvida!). A sinopse oficial da Paramount Pictures diz que o longa é “um passe para os bastidores, um lugar na primeira fila e uma visão intimista do divertido, glamuroso, emocionante, inspirador, louco, mágico, apaixonado e honesto diário de Katy”. Ufa! Quantos adjetivos!

Apesar da pretensão, “Part of Me” não se propõe ambicioso. Pela sinopse, não é difícil imaginar que se trata de um projeto vaidoso e caça-níqueis, igual a tantos mais de outros artistas. Não visa originalidade artística. Mas calma, fãs, não me atirem pedras. Ainda não é o momento. Isso porque o filme, que amargou uma bilheteria irrelevante nos EUA, fugiu do controle e resultou em algo completamente diferente do imaginado pelos diretores Dan Cutforth e Jane Lipsitz. E só ganhou com isso.

Durante as filmagens, Katy Perry recebeu o pedido de divórcio do marido Russell Brand. Maliciosamente, isso entrou na edição final do filme – e transformou, acredito eu, seu início, meio e fim. O que era para ser um longa vazio e egocêntrico se transformou na crônica de uma separação anunciada. O oba-oba deu vez à tristeza (há uma cena da americana aos prantos no camarim do show em São Paulo).“Part of Me” mostra, na verdade, como o sucesso e a agenda lotada de shows arruinaram o casamento da cantora, cada vez mais ausente de casa para cumprir seus compromissos profissionais. “Não se pode ter tudo” foi um pensamento que veio à minha cabeça.

No filme, Russell aparece nos bastidores dos primeiros shows, nos EUA, e depois sai de cena. Conforme a turnê, que durou um ano, segue adiante, o casamento dos dois se limita cada vez mais a encontros esporádicos nas folgas da cantora. Entre uma temporada de apresentações e outra, ela ganhava três dias livres para descansar – e usava-os para viajar e encontrar o marido, onde quer que ele estivesse. Eles viviam, portanto, um relacionamento à distância, baseado em troca de telefonemas e sms. Mas fica claro como Katy (posso chamá-la assim depois de ter assistido ao seu diário “[…] emocionante, inspirador […]”?) valorizava àquela relação e se esforçava para fazê-la dar certo. Mas quando um não quer, dois não brigam – nem namoram. Russell não quis e deu um pé na bunda dela – pouco depois de ter sugerido que ela engravidasse (para prendê-la em casa, talvez).

O episódio, extremamente pessoal e privado, guiou o resto do filme e humanizou o projeto. Estamos falando de Hollywood, que consegue romantizar sobre guerras mundiais, quem dirá sobre uma estrela pop vulnerável. Deu certo. Eu, que sempre torci o nariz para Katy, saí do cinema mais simpático a ela – identificado. É sensacionalismo puro? Pode ser. Provavelmente é. Vale tudo para ganhar dinheiro? Com certeza. Mas a exploração do caso foi bem feita? Foi. A cena em que ela se prepara para subir ao palco e coloca um sorriso no rosto, segundos após ter sido gravada aos prantos, é emblemática. Quem nunca teve que disfarçar um sofrimento? Katy descontruiu o conto de fadas que ela mesma prega/va. Ponto pra ela. Vou até fingir que ela cantou direitinho.

10 dicas de etiqueta sobre mudanças de relacionamento no Facebook

Para quem muda o status:
1) No caso de término de namoros/noivados/casamentos, esperar pelo menos uma semana para mudar o status (vocês podem reatar e ninguém precisa ficar sabendo do vai-e-volta);
2) No caso de início de namoro, esperar cerca de um mês para atualizar o status, afinal você ainda está conhecendo a pessoa e as chances do fracasso são grandes;
3) Namoro não é sinônimo de casamento;
4) “It’s complicated” é realmente complicado. Avise seu/sua peguete antes de colocar esse status, porque ele/ela pode achar que está em um relacionamento sério;
5) Aliás, avise à outra pessoa com antecedência sobre qualquer mudança, porque é chato ficar sabendo por último que se começou/terminou um namoro (tenho uma amiga que descobriu que o namoro tinha acabado por uma rede social).

Para quem vê uma mudança de status:
1) É legal curtir o início de um namoro alheio, mas é de mau gosto curtir um término;
2) Quando ver “Fulano(a) está em um relacionamento sério com Sicrano(a)”, nada de fazer comentários como “Uhul! Desencalhou!”, “Parabéns!!!”, “Até que enfim”. Isso assustará o/a namorado(a) do(a) amiguinho(a).
3) Nada de “por quê?” e “o que houve?” no mural de alguém que acabou de terminar um relacionamento. Se a resposta for essencial para sua vida, pergunte por mensagem privada, no mínimo;
4) Não fazer o/a maluco(a) quando um peguete iniciar um namoro, sem ser com você. Dê uma curtida só para mostrar que está ciente. Ou finja que não viu porque anda muito ocupado (a);
5) Nada de falar mal do novo ex de alguém, assim que vir a mudança de status. Ouça, mas não assine embaixo. Eles podem reatar.

Tudo sobre os participantes do BBB12

A lista oficial dos 12 participantes da nova edição do Big Brother Brasil foi divulgada nesta quarta (4/1) e, como sempre, o site do reality show se limitou a lançar os nomes e fotos da galera, sem qualquer tipo de apresentação. Cabe, então, a mim esse trabalho árduo de investigação na web, que eu adoro. Conheça os novos “brotheres”, como diria Pedro Bial:

Fernanda – 29 – Rio de Janeiro – Empresária

Penso em Fernanda e penso em climão. Ela é ex-namorada de uma participante do “Ídolos” (Nise Palhares) e tem fama de barraqueira e metida. É a versão homossexual da Joana Machado (“A Fazenda”). Fontes seguras me informaram que, apesar de lésbica, ela não se nega a sair com homens ricos em troca de uns agrados. Reflitam.

Jakeline – 22 – Bahia – Estudante de Zootecnia

A mais normal da casa, ao que tudo indica. Sem bafões. Olhei o perfil dela no Facebook e só achei tenso ela colocar “Ensino superior incompleto” no campo destinado ao HIGH SCHOOL. Coisas da vida… Analfabeta digital.

João Carvalho – 46 – Minas Gerais – Representante Comercial

Não consigo encontrar palavras melhores para descrevê-lo que “bicha velha” (com todo perdão, todos nós envelheceremos). O cara é a aposta do Boninho para substituir o Daniel-agarra-coqueiro. Homossexual, coroa e alto astral. Trabalha com moda e tem fama de babadeiro. Achei que ele tem cara de futriqueiro, vamos ver.

João Maurício – 34 – Goiás – Pecuarista

O cara já tem dois filhos, uma fazenda e dinheiro pra dar e vender, segundo um amigo. Como todo brother da high society, ele foi convidado por um olheiro em uma boate. Achei gato, mas João Maurício (Mau Mau?) trabalha com leilão de gados e isso é broxante. Eles leiloam sêmen, tá ligado?

Jonas – 25 – Rio Grande do Sul – Modelo

Se você teve a impressão de já ter visto Jonas antes, bingo! Ele já foi capa da Men’s Health e da Runners, além de ter posado para uma campanha das cuecas Lupo (ainda que, se você reparar bem, a parada não é lá muito volumosa) e ter sido Mister Mundo em 2011 (é daqui que conheço!). Mas o melhor trabalho, a meu ver, é essa página de “Gato sem vergonha”. Tipo de foto que dignifica o ser humano. No Facebook, ele é amigo do Ton Siqueira (ex-BBB, que brigou com a Ana, lembra?) e do Rodrigão (da edição passada). É a cota de homem bonito da casa.

Kelly – 28 – Minas Gerais –Assistente Comercial

“Assistente comercial” é o novo “ex-dançarina do Aviões do Forró”. Não dá para respeitar uma pessoa que se envolve em projetos Calypso-wannabe. Segundo uma amiga, Kelly é evangélica. Mas não precisava nem dizer, né? A gente olha essa foto de pistoleira e já sente vontade de abrir a Bíblia.

Laisa – 23 – Rio Grande do Sul – Estudante de Medicina

Não é uma pessoa séria, apesar da carreira acadêmica. Já fez fotos com a bunda de fora, como você pode perceber, e não era exatamente para uma aula de proctologia. Era para a revista Playboy. Ou seja, é da casa direto para a próxima edição da revista. Laisa é figura cativa de concursos de beleza – as fotos da Playboy eram para uma competição de bundas bonitas (que ela perdeu!) – e já gravou um comercial com Anderson Silva. Wannabe famous, mas estuda medicina pra agradar a família.

Mayara – 23 – São Paulo – Arte Educadora

Não entendi qual o conceito de “arte educadora”, já que Mayara dedica sua vida à indústria pornográfica. Ela produz o chamado pornô cult (?), que, na verdade, é a mesma baixaria de sempre. Também mantém um blog com posts sobre sexualidade. “Queria pegar 501 minas antes de virar o ano” foi um de seus últimos tweets antes de ser confinada no hotel, nos levando a crer que é uma lésbica… cult.

Netinho – 28 – Minas Gerais – Advogado

Não confio em advogado que entra no BBB. Certeza que é bacharel em direito que não foi aprovado no exame da OAB, como a Fani-Uhul-Nova-Iguaçú. Ele é casado, mas não sei não…

Rafa – 35 – Rio de Janeiro – Projetista de Iluminação

Sem graça. Já pode eliminar?

Renata – 21 – Minas Gerais – Estudante de Psicologia

Gata define. Do tipo que desperta inveja nas outras mulheres (a rixa já vai começar!!!). Mal intencionada, ela terminou seu namoro antes de ser confinada. Ou seja, vai entrar pra passar o rodo, porque é dessas. Fina.

Yuri – 26 – Goiás – Professor de Muay Thai

Professor de Muay Thai: corpão define. Não descobri nenhum podrão dele. O mais vergonhoso é que ele dá aulas para a Musa do Brasileirão, que nem deve pagar pelo “curso”, usando o escambo aula-pra-cá-divulgação-pra-lá. Mas né. O mundo da voltas. A tal musa deu uma entrevista dizendo que acredita que ele seja pegador, mas nunca o viu com ninguém (“é come quieto”). Gay?

UPDATE 5/01 01:03 AM

Informação de última hora: vazou um vídeo do Yuri se masturbando na webcam (clique aqui para ver)!!! Lembra quando eu disse que ele tinha corpão? Então: ÃO define o tamanho.

Fenômeno de popularidade do fim do Exaltasamba

De repente, todo mundo virou fã do Exaltasamba e passou a lamentar o fim do grupo (anunciado no início deste mês, no palco do Domingão do Faustão, mas previsto apenas para fevereiro do ano que vem). A “banda” parece que virou, da noite para o dia, patrimônio cultural, ultrapassando os limites de um público bastante específico – o pagodeiro – e se tornando pauta de rodas, inclusive, acadêmicas. É um fenômeno de popularidade (instantânea, se ignorarmos os últimos 25 anos).

As pessoas passaram a relembrar os hits dos anos 90 e o grupo se tornou um dos mais requisitados do momento para shows, entrevistas e participações em programas de TV. Que Lady Gaga o quê! É Exaltasamba que está dando audiência, minha gente. Nessa, até eu aprendi a letra de Tá vendo aquela lua (e quase aderi à tendência cega de baixar essa música, mas um pouquinho de senso crítico me conteve).

Segundo o Hot100Brasil, que eu admito não saber se é exatamente um site confiável, o DVD que o grupo está divulgando está em décimo lugar na lista dos mais vendidos, na frente de nomes outrora mais cultuados. Uma música do “Exalta” com participação do Mr Catra, A gente faz a festa, é a sétima mais executada nas rádios.

Estranho, não? Não fazem três meses que eu torci o nariz quando o chefe de redação falou para eu dar uma notícia sobre os shows que o grupo de pagode estava fazendo semanalmente em um restaurante aqui no Rio (sente o nível). Agora, eu mesmo tenho a iniciativa de buscar notícias referentes ao Exaltasamba para dar. As pessoas estão interessadas no Thiaguinho, no Péricles, na tristeza do Brilhantina…

Foi mesmo o término que motivou essa onda de exaltamania? Ao que tudo indica, sim. Mas houve uma boa estratégia de marketing por trás disso, claro. Primeiro, começaram a pipocar fofocas sobre a carreira solo de Thiaguinho. Ele negou (e ainda apareceu com uma namorada nova, Fernanda Souza, o que tornou cativo seu nome na mídia). Depois, começaram a falar sobre a separação do grupo, desconversada pelos músicos. Por fim, os próprios alimentaram essa ideia, com declarações suspeitas. Tudo isso culminou com a participação no Domingão do Faustão para um “anúncio decisivo”. Todo mundo sabia qual seria, mas queria ver (e rever no Youtube: são milhares de acessos).

De qualquer forma, se essa febre for mantida, o grupo pode voltar atrás da decisão (por enquanto, eles estão apenas agendando novos shows até fevereiro, depois disso, nada). Maliciosamente, eles não falaram em fim, apenas em pausa. E pausa pode durar um mês, dois. Até menos. Pausa é que nem férias: tá marcada para fevereiro, mas vai saber o chefe não coloca mais pra frente.

“A história de nós 2” causa identificação e riso fácil

Assisti A História de Nós 2 – assim, em algarismo mesmo – ontem, no Teatro Vanucci. A peça conta a história do casal Edu (Marcelo Valle) e Lena (Alexandra Richter) desde o primeiro encontro até a separação, mostrando os bons e os maus momentos de um namoro que vira casamento e culmina em um divórcio. O texto de Licia Manzo, que rendeu uma indicação ao Prêmio Shell de Teatro no ano passado, com direção de Ernesto Piccolo, é uma comédia romântica leve, que provoca o riso fácil.

Edu e Lena são a generalização de toda e qualquer relação, com o estereótipo da mulher que perde a vaidade, o humor e o libido depois que o filho nasce e o do homem que não entende que é pai e, com o amadurecimento tardio, ainda se comporta como adolescente e inveja a vida dos amigos solteiros. Edu reclama que Lena parece a sua mãe. Ela reclama justamente que Edu é mais um filho pra tomar conta.

Com diálogos divertidos, não é difícil se reconhecer em diversos momentos da peça. “Elas são assim mesmo!”, dizem os homens sobre as mulheres – e vice versa. Quem disse que não se pode generalizar nessa vida? Nesse caso, não só pôde, como funcionou muito bem. Sem reflexões profundas, A História de Nós 2 já está em cartaz há um ano e nove meses na Zona Sul carioca.

A História de Nós 2
Teatro Vanucci
Shopping da Gávea
Classificação: 12 anos
De 5ª a sábado: 21h30 / Domingo: 20h
5ª: R$50 / 6ª e Domingo: R$60 / Sábado: R$70
OBS: Durante a campanha “Teatro para todos”, os ingressos saem a R$20. Informe-se.

Sem mais publicações