Primeiro capítulo do meu livro novo, Rumor

Porque, sim, eu tenho um livro novo :O

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[Dica da semana] Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical

Cazuza realmente não poderia ficar de fora dessa tendência de musicais-tributos. A vida dele é o roteiro perfeito, com todos os ingredientes necessários para uma boa história. Afinal, foi escrita pelo poeta do rock, o mesmo daquelas canções tão belas. Por isso, não deve ter sido sido tão difícil transformar sua biografia, que já ganhou as telas dos cinemas (com Daniel de Oliveira no papel principal), em peça de teatro. “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”, em cartaz no Theatro Net Rio, não tem como deixar ninguém insatisfeito.

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.

O roteiro, escrito por Aloisio de Abreu (de “Subversões 21”), te faz rir, chorar e querer levantar da poltrona para dançar ao som daquela banda ao vivo cheia de energia. São 150 minutos de duração, divididos em dois atos: o primeiro dedicado à ascensão do artista; e o segundo focado no definhamento do ser humano. A história, todo mundo já conhece, mas vê-la acontecer diante dos seus olhos proporciona um turbilhão de emoções. Você sai do teatro com a cabeça meio zonza, mas de uma maneira positiva. É Cazuza, né? Ele dá uma sacolejada na gente.

O ator que o interpreta – Emílio Dantas (de várias novelas da Record, como “Máscaras” e “Dona Xepa”)– não é nada menos do que impressionante. Ele incorporou todos os trejeitos do cantor, nos melhores e nos piores momentos, e em todas as suas variações de humor. Sua atuação é muito crível, e até seu timbre se iguala ao do Cazuza, de maneira completamente surpreendente. Seu trabalho está impecável, com direito a elogio público de Lucinha Araújo, que declarou ter visto seu filho renascer no palco. A única reclamação que pode ser feita é quanto ao seu descuido ao tomar sol. Emílio passa a maior parte do espetáculo de camiseta, exibindo marcas brancas de camisa de meia manga, em contraste com o restante do braço avermelhado. Isso irrita principalmente quando há muitos holofotes em sua direção – quase sempre.

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Também vale destacar a atuação da Susana Ribeiro no papel de Lucinha e do André Dias como o produtor musical Ezequiel Neves. Ela, por fazer com que toda a plateia se compadeça da dor de uma mãe. Ele, por proporcionar as cenas mais engraçadas da peça. André dá o tom de humor perfeito para contar essa trama, que também conta com a boa voz de Yasmin Gomlevsky (como Bebel Gilberto) e grande elenco, dirigido por João Fonseca (o mesmo de “Vale Tudo, o Musical”, sobre Tim Maia).

Os números musicais, em muitos momentos, parecem um show de rock contagiante, tornando difícil para o espectador se manter sentado – principalmente quando o Barão está em cena. Aliás, muito tempo da peça é dedicado à fase do Barão, que lançou três álbuns no período de dois anos. Os dois primeiros álbuns do Cazuza – “Exagerado” (1985) e “Só Se For a Dois” (1987) – são relegados a uma breve narração, saltando para a descoberta da AIDS e, depois, para o “Ideologia” (1988). Felizmente, as músicas dos discos excluídos da trama são usadas em outras cenas. Não há uma preocupação cronológica com a ordem de apresentação das canções – e isso não é um demérito de forma alguma. Seria inaceitável ficar sem “Codinome Beija-Flor”, para ficar em um exemplo.

Quanto ao cenário, ele é simples, mas prático e útil. Há elevados de madeira à esquerda e à direita, o que dá movimento aos atores e às performances. Cazuza sobe, desce, salta, se joga, e você entende o quanto aquilo pode não ser exatamente belo, mas é funcional. Na parte superior da boca de cena, tapando a banda, também há um telão, mas esse é quase inútil, porque as imagens e poesias que exibe pouco chamam a atenção, quando tanto acontece abaixo.

O espetáculo é muito feliz em sua missão. Não apenas contam a história do Cazuza, como contam à sua maneira. São 150 minutos de uma montanha russa, com altos e baixos emocionais. O público também vira um pouco Cazuza, experimentando tantas sensações diferentes em um intervalo de tempo tão curto. É a sacolejada anteriormente mencionada, da qual ninguém é poupado, nem os caretas nem os inconsequentes.

SERVIÇO
Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical
Theatro Net Rio – Rua Siqueira Campos, 143, 2º Piso. Tel: (21) 2147-8060
Temporada até 23 de fevereiro
Qui e sex às 21h; sáb às 18h e 21h30; dom às 20h
Plateia e frisas: R$ 150 | Balcão: R$ 100

Rock in Rio 2013: os melhores shows do primeiro fim de semana

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O primeiro fim de semana do Rock in Rio acabou e, com ele, meus pés também. Como havia adiantado aqui, fui ao festival nos três dias (13, 14 e 15) e descobri que, embora tenha a mesma disposição dos meus 15 anos, meu corpo não reage mais da mesma maneira. Cheguei ao fim destruído. Os mesmos pés que outrora fizeram jus a “Vâmo Pulá” agora não aguentam mais nada depois de um show da Ivete Sangalo, um dos primeiros.

Mesmo assim, todo esforço valeu a pena. Só quem vive o Rock in Rio entende a experiência de se sentir parte daquilo tudo – e, na hora de ir embora, cantar com vontade aquele slogan do festival, enquanto os fogos estouram no céu. Eu amo e voltaria no fim de semana que vem, se eu não tivesse que preparar a apresentação da minha monografia.

Claro que há vários problemas, como não poderia deixar de ser em um evento que comporta 80 mil pagantes. As filas – para o que quer que você queira fazer – são longas e duradouras; houve dia sem água no banheiro; no primeiro dia, comprar no Bob’s era igual estar em um metrô na hora do rush; e eu mesmo vi os seguranças correndo atrás de supostos assaltantes mais de uma vez. Sem falar no cara que ficou preso na tirolesa no fim do show do Justin Timberlake! Coitado. Eu teria entrado em pânico. Esse, aliás, foi o único “brinquedo” ao qual não fui, porque ouvi dizer que algumas pessoas chegaram a ficar até seis horas na fila. E, bem, prefiro gastar seis horas vendo os shows.

Vamos falar sobre os shows, então. Gostei muito do que vi. Não houve uma apresentação que tenha sido ruim no Palco Mundo. Mesmo os artistas que eu pouco conhecia seu trabalho me conquistaram e me divertiram. Vou fazer alguns comentários, em escala até chegar ao que mais gostei.

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10) Jessie J: Palco Mundo (15 de setembro)
Estava curioso para vê-la. O show foi decente, e Jessie comprovou que tem uma voz potente, além de um sorriso cativante. Humilde, notou que as pessoas não sabiam cantar suas músicas, mas estavam apoiando-a da mesma maneira. E foi isso mesmo. A massa só cantou “Price Tag”, “Laserlight”, “Domino” e o cover do Aerosmith (“I Don’t Wanna Miss a Thing”). Acho que ela conseguiu contornar a situação com sua simpatia, interagindo com a galera do gargarejo principalmente. Valeu pelo jogo de cintura.

09) Kimbra + Olodum: Palco Sunset (15 de setembro)
Kimbra é uma fofa e revelou-se uma grata surpresa. Pouco conhecida no Brasil, ela fez um show contagiante, se esforçou para agradar, e conseguiu. Neozelandesa, ela falou frases longas e inteiras em português, o que trazia sorrisos imediatos nos rostos de todos. A parceria com o Olodum, que eu achei que não funcionaria, só melhorou o show! O cover de “They Don’t Care About Us”, do Michael Jackson, foi o ponto alto.

08) Beyoncé: Palco Mundo (13 de setembro)
A cantora levou a “Mrs. Carter Show World Tour” para o festival, e causou ao dançar o “Ah Lelek Lek Lek” no fim da apresentação. Beyoncé, inegavelmente, canta e dança como ninguém, mas me incomodou a excessiva troca de roupas, com longos interlúdios. Os vídeos nos telões, enquanto ela estava no backstage se trocando, quebraram o ritmo do show. Queria mais música, mais performances, mais interação com o público, e menos cinema.

07) Alicia Keys: Palco Mundo (15 de setembro)
O que dizer da Alicia Keys? Ela faz tudo corretamente (depois que entra no palco atrasada, claro)! Ela canta, toca piano, faz coreografias com os dançarinos, declara amor ao país, convida Maria Gadú para o show, e ainda é linda! Suas baladas são uma delícia, e “No One” foi cantada com vontade pelas pessoas. Mas o show é morno, e talvez inadequado para aquele espaço. É tudo impecável, mas funcionaria melhor em uma casa de shows menor e fechada. Minha opinião. Acho uma maldade jogar certos artistas no Palco Mundo do Rock in Rio, porque é como entregar um bebê a leões.

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06) Thirty Seconds to Mars: Palco Mundo (14 de setembro)
Sempre gostei dos clipes da banda, mas nunca parei para ouvir um álbum completo. Não vou dizer que virei fã das músicas ou dos gritos do Jared Leto, mas ele com certeza me conquistou. A apresentação não foi feita só para os fãs, e sim para todos os públicos. Leto sabe conduzir o show: declarações de amor ao Rio na camisa e nas falas; camisa da seleção; interação com o público; fãs no palco; etc. etc. etc. Para mim, a descida na tirolesa entrou para a história do festival. Foi uma das cenas emblemáticas que vi no fim de semana.

05) Jota Quest: Palco Mundo (15 de setembro)
Como eu amo! Esses mineirinhos não jogam pra perder. A banda fez um show repleto de hits, que foram cantados em coro por todos que estavam lá. A noite era do Justin Timberlake, mas o Jota Quest certamente foi o responsável por aquecer a galera. É bonito ver a emoção do Flausino por cantar de novo no festival, e sempre bem recebido pelo público. E, para ser melhor ainda que 2011, a participação do Lulu Santos em “Tempos Modernos” foi um máximo. Sou fã do Lulu, e fiquei muito feliz, mas acho que, mesmo que não fosse, Rock in Rio é isso: você tem que levar algo a mais.

04) Ivete Sangalo: Palco Mundo (13 de setembro)
Ver o show da Ivete Sangalo no Rock in Rio dá um orgulho patriota. Não é preciso gostar de axé – e acho que a maioria das pessoas que vai ao festival, na verdade, não ouve esse gênero normalmente – para curtir a baiana no palco, e se deixar levar por sua energia. Além de cantar pra caramba, ela tem a tarimba de animadora. Seu show não deixa nada a dever para os internacionais e, quando acaba, deixa a sensação de “quero mais”. “Love of My Life”, cover do Queen, foi particularmente bonito, para quem estava perdido no show dela.

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03) Muse: Palco Mundo (14 de setembro)
Outra banda que pouco conheço e que muito gostei de assistir ao vivo. O Matthew Bellamy tem estrela, sabe? Super talentoso, carismático e criativo. Gostei de tudo que vi, mesmo sem saber cantar nenhuma música inteira. Os efeitos visuais no telão e aquele óculos que passava a letra da música chamaram minha atenção e me impressionaram. Saí da Cidade do Rock satisfeito por ter ficado até o fim no sábado.

02) Justin Timberlake: Palco Mundo (15 de setembro)
Um dos meus arrependimentos era ter ido embora do Rock in Rio 2001 sem ver o ‘N Sync. Assistir ao Justin no palco era uma pendência que eu tinha, e foi ótimo resolvê-la justamente no mesmo festival. Ele é incrível, né? Adoro a maneira que ele dança sem parecer afeminado – um completo show man. Seu show era um dos mais aguardados do fim de semana, e corria o risco de decepcionar, mas passou longe disso. Ele e sua banda arrasaram.

01) Florence and the Machine: Palco Mundo (14 de setembro)
Vi o show da banda no ano passado, no Summer Soul Festival, mas o dessa vez foi infinitamente melhor. A Florence Welch continua cheia de energia – algo que me lembra a Ivete – e correndo de uma ponta a outra do palco como quem lixa as unhas. É impressionante como ela se exercita tanto e mesmo assim consegue cantar sem parecer ofegante. Isso foi o mais legal pra mim, porque achei que os vocais deixaram a desejar um pouco no outro show. No Rock in Rio, estava impecável, arrancando aplausos até mesmo de quem não estava nem aí pra ela inicialmente. Essa banda tem disso: entra no palco com humildade e, no meio da apresentação, já conquistou todo mundo. É legal ver a evolução deles de um ano pra cá, de um modo geral. Quando tiver outro show, eu vou de novo! 😉

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Paramore faz show no Rio de Janeiro com falhas no som e fãs no palco; veja vídeo e setlist

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O Paramore fez o primeiro dos sete shows marcados no Brasil na quinta (25/7), na HSBC Arena, no Rio de Janeiro. Entre diversas falhas no som e mais músicas antigas do que novas, a terceira turnê da banda no país encheu a arena da Barra da Tijuca com jovens que não se interessaram por assistir à missa do Papa Francisco em Copacabana. Em vez de rezar, eles queriam pular, gritar, cantar e, basicamente, ser Hayley Williams por uma noite. Isso mesmo. Os fãs querem ser a vocalista do trio. E quem não quer? Ela tem um microfone vermelho; um top rosa que brilha no escuro; uma calça com estampa de leopardo; um cabelo com coloração constantemente mutável (atualmente amarelo, com a raiz exigindo retoque, é verdade); uma banda de rock (cada vez mais pop); uma plateia grande na frente; e um palco espaçoso e lindamente iluminado para se exibir. Isso tudo com 24 anos de idade e quase dez à frente do Paramore. É inspirador ver Hayley no palco, fazendo um show como quem escova os dentes. Tudo parece extremamente fácil para ela. “É muito bom estar de volta. Obrigada por nos receberem!”.

A cada ano, a cantora e os parceiros Taylor York (guitarrista) e Jeremy Davis (baixista) se mostram mais à vontade no palco. É inegável, no entanto, que Hayley é a condutora do evento, uma show woman nata. Os fãs – a maioria em idade escolar ou universitária, todos mais novos do que ela – parecem reconhecer isso ao se espelhar na rockstar. Na plateia, não é incomum cabelos coloridos e figurinos despojados. A cantora faz parecer que qualquer um poderia estar no seu lugar. Quando o som falhou em “Pressure” (o que se repetiu em “The Only Exception” e “Let the Flame Begins”), a sétima da setlist, foi possível ouvir a arena inteira cantando a música com vontade – enquanto Hayley, Taylor e Jeremy entraram no modo mudo. Em “Whoa”, o som não falhou, mas a cantora também notou que a plateia cantava com independência. “Vocês sabem exatamente o que fazer”, disse. “Nem precisam de mim. Vocês que deveriam estar aqui (no palco)”.

Veja o vídeo de “Misery Business” gravado pelo POPLine:

O grito de guerra “We are Paramore!” também é berrado com ferocidade pelo público, como se cada um deles fizesse parte da banda. Afinal, quem nunca pensou em montar uma? É com isso que o Paramore brinca: com a ilusão de que é possível para todos colocar um álbum no topo da Billboard 200 aos 24 anos. “Quem está assistindo ao nosso show pela primeira vez?”, pergunta Hayley. “Sério? Isso tudo? Obrigado por virem. Bem vindos à família Paramore”. Os novatos, claro, se esgoelam. “Estão gostando? Vão voltar na próxima vez? Eba!”. Ela sempre está preocupada com a próxima vez.

O auge da apresentação, evidentemente, é quando a banda convida mais de dez fãs para subirem no palco. Hayley escolhe a dedo as pessoas no gargarejo, dando prioridade aos que acamparam por duas semanas na fila. Acontece em “Anklebiters”, uma das novas. “Essa música vai para todos que te disseram que você não é importante, que é um perdedor. Todos somos importantes”. O discurso lembra o da série “Glee” (a cantora é fã do programa). É neste momento em que os fãs se realizam e viram rockstars por cerca de dois minutos. Eles tentam, sim, tirar algumas fotos com os membros do Paramore, mas estão mais preocupados em dançar, pular, correr pelo palco e disputar os microfones. É fato: querem ser Hayley Williams. E ela deixa que sejam. É essa a ideologia da banda. “We are Paramore!”.

SETLIST
1 – Moving On
2 – Misery Business
3 – For a Pessimist, I’m Pretty Optimist
4 – Decode
5 – Now
6 – Renegade
7 – Pressure
8 – Ain’t It Fun
9 – The Only Exception
10 – Let the Flames Begin
11 – Fast In My Car
12 – Ignorance
13 – Looking Up
14 – Whoa
15 – Anklebiters
16 – That’s What You Get
17 – Still Into You
18 – Proof
19 – Brikc By Boring Brick

Por Leonardo Torres
Postado no Portal POPLine
http://portalpopline.com.br/paramore-faz-show-no-rio-de-janeiro-com-falhas-no-som-e-fas-no-palco-veja-videos-e-setlist/

Resenha: The Vaccines – Grand Metrópole

Eu me deparo com o nome de bandas ou artistas novos (para mim ou para o mundo) o tempo todo. Até gostaria de parar para conhecer todos eles, mas o volume de material é tanto que isso se torna impossível. O que acontece é uma seleção natural, baseada em todo tipo de critérios – recomendações, gênero, visibilidade, histórico e até estética (da arte dos álbuns e dos singles, por exemplo). Foi assim que cheguei à banda The Vaccines – que entrou na lista de apostas da BBC para 2011, junto com a Jessie J. Basicamente, conheci a banda antes mesmo do seu álbum de estreia, What Did You Expect From the Vaccines. Fiquei na expectativa pelo CD, ouvindo-o assim que foi lançado.

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Quando eles vieram ao Brasil no ano passado pela primeira vez e fizeram um show no Rio de Janeiro, perdi a apresentação. Mas prometi para mim mesmo que não deixaria isso acontecer quando voltassem. E eles retornaram mesmo – só que apenas a São Paulo. Mais uma vez, eu não os assistiria. Eu gosto muito dos Vaccines, mas não ao ponto de viajar para vê-los. Bem, em termos. Por coincidência, estive na cidade no sábado (18/5), justamente na noite do show. E, dessa vez, não perdi. Senão seria um mané.

A banda se apresentou com a turnê do álbum Come of Age em uma casa chamada Grand Metrópole, que é um lugar muito bonito no bairro da República. Como não conhecia o local, imaginei que fosse bem pequeno (afinal, estamos falando de uma banda de rock indie, com apenas dois álbuns lançados), mas era até grande. E estava cheio! Ao contrário dessa galera alternativa, eu fico feliz quando vejo que os artistas que aprecio conseguem encher os lugares por onde passam. Se o sucesso é merecido, por que desmerecê-lo?

Eram pessoas tão diferentes umas das outras, de indies a mauricinhos, e todas curtindo a banda. Lembro que vi até um senhorzinho (sozinho!). Isso é ótimo, porque os Vaccines são muito bons mesmo! Nas três primeiras músicas – “No Hope”, “Wreckin’ bar (r ara ra)” e “Ghost Town” – já deu para sentir a energia dos caras e da plateia.

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Não tenho músicas preferidas, ainda, mas me diverti tanto quando tocaram “All in White”, “If You Wanna” e “Teenage Icon”. Essas fizeram minha cabeça ao vivo. A galera também pirava, com palmas ritmadas, saltos e gritos. O baterista Pete Robertson – por quem posso ter me apaixonado 😛 – também incentivava esse tipo de manifestação, puxando os fãs. Ele é muito entertainer, apesar de estar no fundo do palco.

Conclusão: saí do show muito mais fã. É o que acontece quando um show é bom, né? O álbum te faz querer ouvir os caras ao vivo, e assisti-los te faz querer escutar os CDs com mais atenção e interesse. Comigo é assim, mas só quando vale a pena.

[Dica da semana] Ir ao cinema assistir “Somos Tão Jovens”

No fim de semana passado, todo mundo foi ao cinema assistir “Homem de Ferro 3”, que deve ter seus méritos. Não vi o filme, mas acho o Robert Downey Jr. o melhor super-herói da safra atual, indiscutivelmente. Mas que tal reunir a galera e correr ao cinema para prestigiar o cinema nacional? Você sabe que sou defensor dos nossos produtos e, nesta sexta (3/5), estreia o que promete ser um filmão: “Somos Tão Jovens”.

Dirigido por Antonio Carlos da Fontoura (de “Gatão de Meia Idade”), a proposta do longa é ser uma cinebiografia da adolescência do Renato Russo em Brasília. Sua epifisiólise, que o obrigou a ficar em uma cadeira de rodas; a descoberta da homossexualidade e do talento musical; o amadurecimento; e, claro, a fundação do Aborto Elétrico e da Legião Urbana estão na trama. O roteiro é de Marcos Bernstein (de “Central do Brasil”, indicado ao Oscar).

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As filmagens aconteceram entre 2011 e 2012 e contaram com um diferencial: o ator Thiago Mendonça (o Luciano de “2 Filhos de Francisco”), que interpreta o músico, cantou ao vivo nas cenas dos shows. O burburinho é que isso deu toda uma energia a mais ao filme. Ele vem sendo elogiado pela produção e pela imprensa. Há muita expectativa quanto ao resultado e as primeiras críticas foram positivas. Eu, particularmente, estou curioso.

Além do mais, o longa é todo emocionante para os fãs (não que eu seja um). O filho do Renato Russso, Giuliano Manfredini, faz uma participação como um roadie do Aborto Elétrico, e o filho do Dado Villa-Lobos, Nicolau, interpreta o pai. É um projeto bem familiar, ao que parece. É claro que a galera que viveu os anos 1970 e 1980 vai pirar. Mas o diretor avisou que se trata de um filme “para os jovens de hoje”.

O trailer é atrativo. Não precisa ser fã para ir assistir. Eu não sou e vou hoje mesmo. Fica a dica.

O legal é tentar assistir ainda neste fim de semana, galera. É o fim de semana de estreia que determina quanto tempo um filme ficará em cartaz e, consequentemente, seu sucesso. Eu puxo sardinha pro nosso cinema mesmo, mas não faço isso quando não acredito nos projetos 😉

Resenha: Esteban Tavares – Planet Music

Não sou nem nunca fui fã da Fresno, aquela banda gaúcha que estourou no cenário nacional em 2006 com o rótulo de “emo”. Mas me encantei pelo álbum solo do Rodrigo Tavares, baixista que abandonou a banda neste ano e agora atende pelo nome de Esteban. “Adiós, Esteban!”, o CD, traz letras com as quais me identifico demais e foram a trilha-sonora da minha vida nos últimos meses. Cheguei ao material por acaso, por meio de um download gratuito, e desinformado que Esteban e Tavares se tratavam da mesma pessoa. Aprovo a mudança de nome, aliás, porque eu dificilmente teria me interessado pelas músicas novas do baixista de uma banda que não apreciava antes. Acho que todo mundo, né?

Nesse contexto, fui parar na Planet Music – local que se autointitulada como “a casa de show underground mais bombada do Rio” – no sábado (24/11). Vários parênteses merecem ser abertos aqui. O lugar está longe de ser uma casa de show. Está mais para um inferninho, do tamanho de uma sala residencial grande, sem ventilação, mas com goteiras e infiltrações. O som é péssimo, mas os adolescentes (público predominante) não reclamam. As bandas de abertura até questionam os problemas técnicos, mas são pressionadas a encararem as dificuldades sob pena de perderem tempo de show (quanto mais demoravam tentando ajustar o inajustável, menores eram suas apresentações). Esse, aliás, é outro problema: a casa empurra ouvidos abaixo do público cinco bandas antes da atração principal: Trinka, Albuquerque, Dalí, Diário de Dalia e Click F13. Dizem, aliás, que outras tocaram antes da minha chegada.

Fechados os parênteses, Esteban subiu no palco por volta das 23h e cumpriu com decência a função de vocalista (ainda que abuse do artíficio de botar o microfone para a plateia), tocando teclado a maior parte da apresentação, à frente de uma banda de quatro músicos. Ao contrário do que esperei, não foram todas as músicas do CD solo que integraram a setlist do show. Como ele acabou de sair da Fresno e até “mudou de nome”, imaginei que sua turnê evitaria o trabalho anterior e talvez apostasse em alguns covers redirecionares. Mas ele canta, sim, músicas do seu trabalho com a banda.

A Fresno, na verdade, é um fantasma que permeia toda a apresentação (algo incômodo para quem, como eu, curte só a nova fase do Tavares). Um fantasma daqueles com pendências na Terra, desinformado de sua morte. A cada intervalo, o público gritava por uma música chamada “Milonga” (do álbum “Redenção”, de 2008), mas Esteban fingia não ouvir e conseguiu fechar a noite sem atender o pedido. Apesar disso, como disse, ele cantou Fresno, representada por “Porto Alegre” (do CD “Revanche”, de 2010). Antes de entoá-la, ele disse algo como “Vamos relembrar a melhor época da vida de vocês”, para delírio da moçadinha. O público era, sem dúvida, de fãs remanescentes da banda, que hoje em dia devem acompanhar os dois projetos. Cantavam todas, fossem quais fossem. Mas o clima de celebração não durou muito.

Em um dos raros discursos, Esteban agradeceu a homenagem que a Fresno fez para ele em uma das músicas do disco novo – “Infinito” (2012) – mas reclamou que não levou os créditos por outra faixa, supostamente co-escrita por ele. Foi algo como “Somos amigos. Obrigado pela homenagem, mas preferiria os meus créditos no CD”. Foi rancoroso, ríspido e rock ‘n’ noll. Achei divertido, mas os fãs ficaram divididos. Na verdade, o show ganharia mais se não houvesse esse momento, mas, repito, foi divertido.

A apresentação foi satisfatória, dentro do possível, mas poderia ter sido melhor conduzida para reposicionar Rodrigo Esteban Tavares no mercado. Tanto seu público quanto ele próprio ainda estão muito atrelados à Fresno, que parece ter sido deixada para trás apenas simbolicamente. Ou ele se impõe com seu novo trabalho e evita muitas menções à banda ou correrá o risco de ser, para sempre, um “ex-Fresno”. A hora é agora e acho que ele tem capacidade para isso.

*A foto e os vídeos não são meus. Foram encontrados por aí.

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