Magia de Carnaval

Eu sei que não é todo mundo que entende o poder de comoção de uma escola de samba. E lamento. É pura arte. O maior espetáculo do planeta, realmente. Quem me conhece sabe que eu amo. Desde criança, o que eu mais gostava no Carnaval era ir à concentração das escolas ver os carros alegóricos na rua. Eu ficava absolutamente encantado com aquilo tudo. Na época, apenas sonhava em um dia assistir aos desfiles lá dentro da Sapucaí. E foi um passo após o outro até que isso acontecesse. A primeira vez que fui, minha mãe não tinha as informações e ficamos na arquibancada popular, já na dispersão – muito ruim. Depois, fui ao desfile das escolas mirins, em outro ano entrei para o desfile do grupo de acesso… Já era grande quando vi pessoalmente minha Beija-Flor, que eu sempre assistia só pela TV. Foi uma emoção inexplicável, e sempre que vou à Sapucaí sou tocado de alguma maneira, seja desfilando ou curtindo.

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[Dica da semana] Show da Sandy (grávida!)

Sábado é dia de show da Sandy aqui no Rio de Janeiro, e eu não poderia ser mais óbvio nessa minha dica da semana, né? A turnê é a mesma do ano passado – a do álbum “Sim” – mas agora ela está grávida, o que faz toda a diferença. Sandy nunca fez shows grávida, porque, obviamente, nunca esteve grávida. Mas, especialmente para os fãs, isso tem um quê de WOW.

Ainda me arrisco a dizer que esses shows de 2014 podem ser os últimos antes de um hiato. Não é nada oficial, mas acredito que Sandy dará um tempo para cuidar do filho. Ela sempre disse que não queria ser mãe que entrega a responsabilidade nas mãos das babás, então acho que, pelo menos nesse primeiro ano de vida, ela dará uma ausentada.

Portanto, fique ligado na agenda:

29 de março – Vivo Rio, Rio de Janeiro.
12 de abril – Theatro Municipal de Paulínia, Paulínia.
27 de abril – Teatro Positivo, Curitiba.
09 de maio – Vila Rica Eventos, São José do Rio Preto.
2 de maio – HSBC Brasil, São Paulo.

Depois, vai saber quando terá mais.

Para quem não for, deixo este vídeo, que escolhi para ser o vídeo da semana:

O que eu vou lembrar do Carnaval de 2014

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Meus primeiros desfiles na Sapucaí. Assim, no plural: na Caprichosos de Pilares e na Vila Isabel.
Os ensaios da Vila duas vezes por semana. O suor. A comunidade pulando e cantando.
Meu amor platônico. Nossa troca de olhares. Nossa incapacidade de aproximação.
O monstro.
O Mosquito.
A Thati, óbvio.
O ensaio técnico da Caprichosos de Pilares e a emoção de pisar na avenida pela primeira vez, com as arquibancadas lotadas.
Os sambas, que ficam na minha cabeça por dias.
O estresse na quadra da Vila para pegar a camisa para o ensaio técnico.
A surpresa de esbarrar no Spike Lee.
A Sabrina Sato. A Aline Riscado.
O Marquinhos. O aparente ódio dele por minha existência.
As fugas.
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Os compromissos que descartei por causa dos ensaios.
Pela TV, minha Beija-Flor. O orgulho do desfile impecável. A alegria de ver Laíla satisfeito.
O sonho adiado de desfilar na escola que escolhi ainda criança. A escola que sempre quero ver campeã.
O medo e a certeza da queda da Vila Isabel para o acesso.
Pé frio?
A fantasia quente e pesada. O sapato amarrado para não sair do pé. A ombreira desconfortável.
O medo da Marcella desfalecer do meu lado.
A tensão por quem não recebeu a fantasia. O minuto a minuto no Facebook. O atraso. A pena.
As pessoas se ajudando. Os remendos.
“Quer fantasia leve vai para bloco”.
A fantasia leve da Caprichosos. Uma benção.
A diversão do desfile da Caprichosos. A vontade de emendar outro desfile em seguida.
A camisa encharcada após o desfile da Vila. O desespero para tirar a fantasia logo na dispersão.
A bateria. Sempre a bateria.
Os sorrisos. A alegria. O clima de festa. O carnaval.
O Carnaval de 2015, que já é assunto, que já quero.

Eu só quero chegar em casa

Estou em casa. Finalmente. Achei que não conseguiria chegar nunca. São 3h25 da manhã e confesso-me muito cansado, porque estava na rua desde as 13h. Preferia dormir, mas tenho que contar essa história. Talvez para acreditar que ela realmente aconteceu. Moro no Rio de Janeiro, como você deve saber. Cidade grande, cidade turística, cidade da TV Globo, cidade do carnaval, cidade que vai receber a Copa e as Olimpíadas. Não é pouca bosta. É muita bosta.

Saí de Niterói por volta de 00h30 e cheguei ao centro do Rio 1h da manhã. Queria descer na Central, mas quando me dei conta o ônibus já estava quase na Candelária. Erro meu, falha minha, desci sem reclamar. Há ônibus que passa ali para mim, então tudo bem. Esperei um pouco, esperei dois poucos, esperei três poucos. Não havia vivalma. Tomei coragem e caminhei até a Central (não é pouca coisa!), onde estaria mais movimentado, pelo menos. Ao chegar lá, comprovei minha tese: estava cheio de gente. Ótimo. Esperei um pouco, esperei dois poucos, esperei três poucos. Nenhum ônibus que me servisse. Nenhum. Só passava para Curicica – e não tenho nada para fazer lá. Comecei a me cansar.

Avistei um posto de gasolina com uma placa de “Banco 24 horas” e fui sacar dinheiro para pegar um táxi. Mas o banco 24 horas estava fechado. Não questionei a incoerência da questão, e voltei para o ponto de ônibus, já exausto. Pernas e vista pedindo arrego. Esperei um pouco, esperei dois pouco, esperei três poucos… e nada. Até passou uma van clandestina que me servia, mas estava lotada, e todo mundo avançou em cima dela mesmo assim. Se estivesse vazia, teria lotado.

Comecei a achar que “não era pra ser”. Minha mãe diria que, talvez, meu anjo da guarda estivesse me protegendo. Não era para eu sair dali, porque talvez não fosse a hora para chegar em casa. Talvez algo ruim fosse acontecer no caminho. É, comecei a viajar na maionese para manter o bom humor. Só que, então, iniciou-se uma porradaria entre dois pivetes na Central. Eles rolavam no chão, as pessoas os cercavam, meio torcendo, meio querendo separar. Um caos. Descartei a hipótese do anjo e decidi caçar um táxi que aceitasse cartão. Parei um, parei dois, parei três, parei quatro e desisti. Parece que não há taxistas com máquina de cartão na cidade. Sentei naquela calçada imunda, de bermuda branca.

Mandei mensagem para todo mundo, contando minha situação. Não parecia real. Eu só queria voltar para casa. Decidi, então, pegar um daqueles ônibus para Curicica, saltar no caminho, entrar em um Santander e sacar dinheiro para pegar um táxi. Olha a volta toda que teria que dar para chegar em casa. Mas já passavam das 2h, e eu não estava mais avaliando o que era certo ou errado. Fiz isso.

Dentro do ônibus, na altura do Maracanã, ouço um tiro. Fico assustado, como todos os outros passageiros, e lembro da questão do anjo da guarda. Será? Ai meu Deus. Por sorte, foi um tiro único e sem explicação. O ônibus seguiu viagem por mais dois minutos… até que foi cercado por viaturas. Vários carros policiais passaram de cada lado do ônibus e, mais a frente, pararam um carro. Pronto, novo caos. Instalou-se o engarrafamento. O relógio marcava 2h25.

Por fim, saltei e entrei em uma agência do Santander. Olhei para o primeiro caixa eletrônico e estava desligado. Olhei para o segundo, idem. Terceiro, também. Quarto, adivinha! Só o último estava ligado – o que acendeu uma chama de esperança no meu coração. Enfiei o cartão e, bem, a máquina não leu. Era como se não tivesse enfiado nada. Retirei, enfiei de novo, retirei, enfiei, retirei, enfiei e nada. Bizarro. Saí desolado e fui até outra agência, três quadras a frente. Mas lá a situação era pior. Todas as máquinas desligadas. Qual o sentido disso? Não era para ser 24h? O intuito não é esse? Que façam igual ao Banco do Brasil, que detesto, então: fechem a as agências de noite. É um desserviço, mas pelo menos não ilude.

O dinheiro que eu tinha na carteira não dava cinco reais. Mas eu não aguentava mais. Tentei parar mais uns táxis, em busca de um que aceitasse cartão. Perguntei a seis e desisti. Novamente, estava em um ponto de ônibus sozinho e andei a longa avenida até um ponto com gente. Sem cerimônia, me joguei no chão. Só me restava esperar – o dia amanhecer, talvez. Já eram 2h50. Nem nos meus piores pensamentos achei que chegaria tão tarde em casa nesse sábado. Era para ser um programinha light.

Pra lá de 3h, aparece um ônibus, que me deixará a cinco quadras de casa, mas é o que tem para hoje. Entro quase irradiante, embora minha aparência diga o contrário. Ok, consegui, penso. Vou chegar em casa. Andei muito, me revoltei demais, mas vou chegar. No fim, vai dar certo. Só que não. Para completar a noite, um passageiro deixa a lata de cerveja cair em cima de mim. Uma lata cheia. Em cima da minha bermuda branca. É a cereja do bolo. Grito? Xingo? Ameaço de morte? Não. Estou cansado. Sorrio.

Cheguei em casa, mas com muito perrengue. Algumas questões ficaram na minha cabeça. Que cidade é essa que se predispõe a receber os turistas no Carnaval, na Copa, nas Olimpíadas ou, mais recentemente, no Ano Novo, mas não dispõe do transporte mínimo para os cidadãos? O preço da passagem de ônibus aumentou, teve protesto (e tragédia), mas a frota parece ter diminuído. Não se pode mais andar de noite? Avisem, pelo menos. Estava quase implorando: “Por favor, apareça um ônibus! Quero muito pagar três reais!”. O pior do aumento do preço é esse: vemos a piora no serviço a cada ano.

Quanto aos táxis, em que mundo vivem? Somos uma cidade turística! Tem que ter máquina de cartão!!! Sim, com três exclamações. Como não, gente? Se o Rio de Janeiro não tem condições mínimas de habitação, como quer receber visita? Fiquei pensando nisso. De que adianta servir caviar para o hóspede endinheirado se não tem o que comer no resto do ano? É uma questão. Simplesmente não havia ônibus para voltar para casa. Nem táxi com máquina de cartão. Nem agência com caixas eletrônicos funcionando. Ou seja, estava impedido de chegar em casa. E não moro em nenhum fim de mundo, em nenhum beco, por mais incrível que pareça. Não sei lidar.

A gente não precisa se comparar a muito longe para ver que está ruim. São Paulo que é São Paulo, com todos seus defeitos, funciona infinitamente melhor de noite. Curitiba, nem se fala. Se duvidar, até Niterói. Rio, tá difícil.

[Dica da Semana] Cirque du Soleil: “Corteo”

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Assisti ao espetáculo “Corteo”, do Cirque du Soleil, aqui no Rio de Janeiro, hoje. Nunca havia visto nenhuma montagem do Cirque, e estou babando até agora. As palavras não me alcançam para definir o que vi. É magnífico. Tudo. É como se desse um novo significado para a palavra espetáculo – e para um espetáculo maravilhoso, também. Nenhum trecho exibido na televisão faz jus ao que se vê ao vivo no picadeiro. Sempre soube que as peças do Cirque eram grandiosas, em parte por essas imagens aleatórias com as quais havia tido contato, mas só pessoalmente se tem a dimensão do trabalho de cada pessoa envolvida. Não há espaço para erros. Eles são perfeitos no que se propõe, e se propõe a elevar o nível do que conhecemos.

“Corteo” conta a história de um palhaço que acorda no próprio funeral, em um ambiente entre o terrestre e o celeste, no que parece ser um sonho. A descrição soa macabra, eu sei, mas o clima é festivo e não fúnebre. Tudo é muito lúdico, agradável para todas as idades. São 41 artistas no palco giratório, incluindo atores, acrobatas, trapezistas, malabaristas, equilibristas, cantores e uma banda ao vivo. O grande barato é que o espetáculo, dividido em dois atos e distribuído em 150 minutos de duração, mescla diversas manifestações artísticas: teatro, música, dança, pintura e circo. Sem falar em todos os figurinos e adereços cênicos, que são ricos em detalhes e esteticamente impressionantes.

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Quem assina o roteiro e a direção disso tudo é o suíço Daniele Finzi Pasca, que trabalhou em várias montagens de óperas, como “Requiem” e “Aida”, e também em espetáculos do Cirque Eloize. Ele merece os aplausos, porque tudo está impecável. “Corteo” existe desde 2005 e, no Brasil, passou por São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba em 2013. Neste ano, é a vez do Rio de Janeiro e de Porto Alegre. Depois, a trupe seguirá de viagem pela América Latina.

O melhor é que os ingressos estão em promoção: R$ 240 (com direito à meia-entrada), independente do setor. Quando comprei, não estava nesse precinho camarada, e paguei bem mais caro. Então, aproveite, porque “Corteo” vale cada centavo investido. Quem tem esse dinheiro, não se arrependerá de investir nessa experiência. Eu garanto.

Link oficial: www.cirquedusoleil.com/pt/shows/corteo

Lulu Santos mostra reflexo do “The Voice Brasil” com público renovado em show no Rio de Janeiro

Lulu Santos fez um show com ingressos esgotados no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, na chuvosa noite de sexta (22/11). Até aí, nenhuma novidade: suas apresentações no local sempre dão lotação máxima (tanto é que ele repetirá a dose no sábado). O diferencial fica por conta da configuração deste público – cada vez mais família, desde que ele assumiu a poltrona vermelha do “The Voice Brasil”.

Quem acompanha o cantor sabe que seus shows sempre foram um programa para jovens casais. Vale destacar o episódio especial da série “Os Normais”, quando Rui (Luis Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) fazem a maior bagunça enquanto Lulu canta. Só que isso mudou. Os casais ainda estão lá, claro – eles jamais abandonarão o artista – mas agora levam seus pais e filhos. Havia mesas com famílias completas, dos avós aos netos, e todos igualmente entusiasmados. Parecia impossível, mas Lulu Santos está cada vez mais popular.

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Perspicaz, ele agrada a todos com a chamada “Toca Lulu”. No show, há desde batida de funk a cover de Roberto Carlos (“Como é Grande o Meu Amor Por Você”). Baião, samba, carnaval carioca e, obviamente, muito pop – está tudo ali, entre os seus inúmeros hits. Ele consegue cantar todas as músicas que o público quer ouvir, e se reinventando em cada uma delas, que ganham novas roupagens, mas se mantêm reconhecíveis.

Vaidoso, Lulu Santos se alimenta de cada aplauso – e pede mais. Ao mesmo tempo, ele também está cada vez mais generoso com sua banda. Há vários trechos inteiramente instrumentais e músicas que ele praticamente deixa nas mãos dos backing vocals (“Condição”). Todo mundo tem seu momento, sem perder a coesão. Rola até uma música nova, que ele esqueceu de dizer o nome. “Acabei de fazer. Vou arriscar”.

Quando as duas horas de show chegam ao fim, nota-se que a plateia aceitaria emendar outras duas. As 25 músicas da setlist conseguem deixar um gostinho de “quero mais”. Mas Lulu vai embora, afinal no dia seguinte tem mais. Mais show, mais ingressos esgotados, e mais famílias querendo ouvir o técnico do “The Voice” ao vivo.

SETLIST

01) Toda Forma de Amor
02) Um Certo Alguém
03) O Último Romântico
04) Condição
05) Tudo Azul
06) A Cura
07) Apenas Mais Uma de Amor
08) Vale de Lágrimas
09) Aquilo
10) Satisfação
11) Música nova
12) Um Pro Outro
13) Sincero
14) Adivinha o Quê
15) Tudo Bem
16) Sábado à Noite
17) Já É
18) Aviso aos Navegantes
19) Assim Caminha a Humanidade
20) Sereia / De Repente Califórnia / Como Uma Onda

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21) Certas Coisas
22) Como É Grande o Meu Amor Por Você (Cover Roberto Carlos)
23) Tão Bem
24) A Casa
25) Tempos Modernos

Originalmente postado no Portal POPLine.
http://portalpopline.com.br/lulu-santos-mostra-reflexo-do-the-voice-brasil-com-publico-renovado-em-show-no-rio-de-janeiro/

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