Saí para um encontro com X e peguei Y na frente de X

Estou lendo o terceiro livro da Bridget Jones, aquele que ela é uma mãe viúva, e me lembrei de uma história para contar aqui. Às vezes, acontecem tantos causos interessantes na vida, mas não posso contar na época, por medo de ofender e expor as pessoas. Depois de um tempo, no entanto, é como se eles se tornassem incapazes de machucar alguém e aí chega a hora de gritar para o mundo ouvir. Esse aconteceu há dois ou três anos, e não tem nada a ver com ser mãe ou perder um marido. É sobre primeiro encontro. A Bridget tem uns dois primeiros encontros neste livro, pelo menos até a parte em que li, e estipula uma série de regras para se sair bem nesse tipo de situação, daquele jeitinho cômico-loser-atrapalhado dela.

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Afete-me

A proximidade dos meus 25 anos (embora eu vá tentar emplacar um 21 ou 22 nas rodinhas de amigos) tem me deixado especialmente nostálgico. E eu não sou do tipo de pessoa que tem vergonha de olhar para trás, definitivamente. Não acho menor lembrar, e de certa forma reviver, minha(s) história(s). Não acredito que isso me impeça de olhar para frente, nem de viver o presente. Gosto de recordar bons momentos, sim. Mergulhei em álbuns de fotografias, revi lugares, pessoas, comédias, dramas, e cheguei à conclusão de que o que move nossa vida é mesmo a relação com o outro.

Se não fossem os outros seres humanos, poderíamos traçar uma reta desde a infância e segui-la cegamente. Sem nenhuma curva. São os encontros, e os desencontros, que nos proporcionam os contornos. Não é sobre mudar de caminho que eu digo, embora essa também seja uma possibilidade. Falo sobre permitir-se novas experiências, sair do programado, sem perder o rumo. Saber aonde quer chegar, mas aceitar fazer um caminho diferente, entrar em uma rua desconhecida só para ver como é.

Alguém pode te recomendar um livro que você nunca leria por vontade própria. Ou te convidar para conhecer sua casa, em uma cidade que você não tinha a menor intenção de conhecer. Também te levar ao show de uma banda desconhecida, ou simplesmente de uma banda fora de sua playlist. Ou ainda te encaminhar uma oportunidade de emprego; te sugerir um aplicativo que vai te viciar; fazer uma fofoca que vai te destruir ou te enaltecer; e te apresentar outra pessoa, que trará ainda novas possibilidades à sua vida. Ainda que inerte, o outro te afeta. Apaixonado, você mergulha nos interesses da outra pessoa, para entendê-la, para se aproximar, e conhece novos mundos.

Vendo os álbuns de fotos, entendi isso. Tenho fotos com amigos com quem perdi totalmente o contato (o que contraria meu post anterior), e alguns que me custaram até lembrar o nome. Mas todos me proporcionaram alguma experiência diferente, uma história, uma vivência. Tenho achado que ninguém passa pela vida de ninguém sem deixar um rastro, por menos significativo que seja. E não é como se eu quisesse abraçar o mundo, mas abraço o meu mundo.

Não sou do tipo de gente que conversa com quem tá do lado na fila. Mesmo que a fila dure uma hora ou mais, sou capaz de entrar e sair dela calado. Sou introspectivo. Extrovertido, só quando estou com alguém que conheço. Não posso dizer que estou sempre aberto a novas amizades, porque seria uma mentira. Mas tenho consciência disso: nós que movemos uns aos outros. Gente precisa de gente. E que bom que é assim.

“Estou sem amigos!”

Abri o ano com uma discussão introspectiva muito importante sobre os papeis sociais que somos obrigados a interpretar desde que nascemos. Corresponder ao que esperam da gente, exercer atividades a contragosto por consideração, e cuidar da manutenção de relações frágeis por hábito. Meses e muitas sessões de análise depois, não tenho respostas muito definidas, mas estou me desgastando menos pelo que menos me interessa no momento. Estamos em agosto e a proximidade do meu aniversário me faz pensar, pensar, pensar… ainda mais, sobretudo nesse aspecto. Em algum momento, terei uma lista de convidados a fazer, à espera de uma lista de confirmados, cada vez mais incerta e nebulosa para mim. Quem é importante? Quem é recíproco? Quem desconsidero e me dá valor? Quem é só volume?

Pergunto-me frequentemente se estou no caminho certo. Outro dia, declarei à minha psicóloga: “estou sem amigos”. Era uma declaração forte e mentirosa, mas representativa do que eu sentia naquele momento. Também não pude deixar de notar a ironia da situação – eu me sentia solitário justamente no ano em que conscientemente me afastei de pessoas com as quais não me sentia mais conectado. De amigos, de amigas. Transformei-os em colegas, sem rupturas, sem alarde, talvez sem que eles percebessem, porque poderia querer acioná-los em qualquer momento. Os meses passaram, e eu não quis. Uma esquivada de um convite aqui, uma mensagem sem resposta no Facebook ali, e vida que segue.

2014 tem sido um ano muito meu, de investimento em mim mesmo, de muito trabalho, de muitas atividades e compromissos. Por isso, seleciono cada vez mais – gostaria de dizer, “cada vez melhor”, mas não tenho essa certeza – como e com quem gasto meu tempo. A quem o dedico. Aproximei-me mais de umas pessoas do que outras, por afinidades momentâneas e conexões que fazem mais sentido no contexto atual. Na realidade, é muito ruim fazer parte dessa geração de redes sociais virtuais, porque não temos o direito a perder o contato. Relações que teriam se perdido pelas circunstâncias naturais da vida ficam ali, arrastadas, enferrujadas, maquiadas, mas ali. E eu acho que, às vezes, é preciso perder para encontrar, se encontrar, reencontrar. “Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais”.

Temo ser intolerante demais, inflexível demais, radical demais. Mas estou em uma fase em que realmente não estou disposto a gastar energia com o que me parece cênico. À mesa do jantar ou à mesa do bar, é possível divertir-se e sentir-se em casa, da mesma maneira que há espaço para desconforto e animosidade. Não quero estar em qualquer lugar, com qualquer pessoa, doido para me livrar daquela situação. Não tenho tempo para gastar com isso. Para quê? Para quê? Francamente.

É claro que, da mesma maneira, me conecto com pessoas com as quais acho que não devia, mas elas me entretêm. Amigos que conheço bem os defeitos, que os desaprovo, que os desprezo até, mas dos quais não consigo me afastar. “Já aceitei. Fulano e Sicrana não vão sair da minha vida. Não tem jeito”, eu disse, há alguns meses, para minha psicóloga, que pareceu não gostar do que ouviu. Há relações que fogem ao meu controle, e não me enfadam, então vão ficando. Eu me preocupo, sim, com a qualidade dos relacionamentos que estou levando para o futuro, que não será nada mais do que uma consequência das decisões presentes. Mas minha questão é muito mais interna do que externa. Como posso explicar?

A peneira da minha vida tem refletido menos o que as pessoas são, ou o quanto são merecedoras e admiráveis, e mais como eu me sinto com elas. Há errantes com os quais me sinto bem, e fazer o quê? Há amigos com os quais não vejo mais conexão, sintonia, afinidade; e com os quais a suposta intimidade ultimamente me agride. “Como eu me sinto quando…” estou com Sicrano. É tudo sobre isso. Não é sobre quem Sicrano é. Assim, me entendo melhor, me culpo menos, me aceito mais. “Não é você, sou eu”. Hoje, compreendo o clichê social para rompimentos.

Busca-se namorado perfeito pra mulher desesperada

traida

Todas as minhas amigas solteiras estão desesperadas por um namorado. Às vezes me pergunto se elas têm mesmo essa necessidade extrema de ter alguém do lado, ou se tudo não passa de um troféu a ser erguido. Você sabe: faz parte do pacote do sucesso ter um namorado. Estar sozinha é mais ou menos como um carimbo de falha bem no meio da testa. A velha “antes só do que mal acompanhado” só vale da boca pra fora. Ninguém quer ser a “solteirona”. Elas preferem um mau partido, do qual possam reclamar na rodinha de amigas, do que uma lacuna em branco. Digo isso porque tenho outras amigas que mantêm relacionamentos perceptivelmente (para qualquer um!) degenerativos só para não “se verem de volta ao mercado”. E haja aspas.

Viver de aparências. Acho que o erro está justamente aí. Em vez de se perguntar “por que aquela biscate tem um namorado e eu só atraio problemáticos?”, elas deveriam fazer outro autoquestionamento. Eu ficaria com “se eu fosse um cara, iria querer manter um relacionamento comigo mesma, neste momento da minha vida?”. Talvez algumas percebam que não. Ninguém quer salvar ninguém e compaixão não é paixão, muito menos amor. Não entendeu? Bem, vamos lá. Eu disserto. Eu gosto de fazer isso.

Você tem que estar bem para encontrar sua cara metade, sua alma gêmea, seu amor, seu chuchuzinho, seu parceiro, seu bofe, ou como quer que você queira chamá-lo. Para mim, o desespero por encontrar alguém já denota uma insatisfação, que provavelmente é reflexo de outras áreas da vida. E aí, como posso te falar, você repele os rapazes legais, e só atrai os malas. Com quem você gostaria de namorar: a menina plena, bem resolvida e interessante ou aquela com vácuos e falhas na vida, apostando sua salvação em um namoro? Bingo! Você entendeu. Ninguém quer a desesperada. Se você é uma desesperada, você acha que disfarça isso para os outros, e talvez até consiga mesmo, mas o que não sabe é que exala uma espécie de essência negativa. Feromônios defeituosos, arrisco-me a dizer, apropriando-me do termo científico amadoramente.

É preciso se amar primeiro para permitir que alguém te ame também (e que você o ame reciprocamente!). É clichê dizer isso, mas é a maneira mais simples de expressar essa ideia. Deve-se amar o trabalho, os estudos, os amigos, a família, a academia, a dieta, enfim, tudo o que te cerca. Se esse não for o caso, faça mudanças na sua vida, corte incômodos, adicione prazeres. A realização transparece na maneira como se sorri: um sorriso feliz é diferente de um sorriso por pressão social. Todas as pessoas legais que apareceram na minha vida aconteceram quando eu estava bem. Tenho uma teoria: quando se busca “o cara” você só encontra “os caras” (que não servem) e, quando não se busca, aparece alguém legal naturalmente. Não é uma recomendação para se trancar em casa e esperar o príncipe encantado – porque isso te faria uma mulher problemática, e não é sobre isso que estou falando – mas também não acredito em “sair à luta”. Caçar pressupõe que algo não está bem. Você só caça quando tem fome. “Cara feia, pra mim, é fome”, invertida, fica assim: fome, pra mim, é cara feia. Logo, você caça de cara feia!

Se você acredita que um namorado vai animar sua vida, há um problema. Se você precisa de animação, a conquiste por si mesma, de outras maneiras. Um namoro é mais consequência do que causa da felicidade. Quando você está mal, as pessoas se afastam. Isso é senso comum. Agora, quando você está bem, as pessoas se aproximam, porque você é uma boa companhia. Basicamente, a melhor maneira de atrair um namorado legal é não buscá-lo diretamente, ao meu ver. Busque outras satisfações, realizações; preencha outras lacunas; e ele aparecerá. Coloque-se no lugar do outro. Assim como você quer alguém bem sucedido – e não me refiro a termos financeiros especificamente – eles também querem. Desespere-se por arrumar sua vida, porque ninguém vai fazer isso por você. Com a casa limpa, aí sim você pode receber visita.

10 dicas de etiqueta sobre mudanças de relacionamento no Facebook

Para quem muda o status:
1) No caso de término de namoros/noivados/casamentos, esperar pelo menos uma semana para mudar o status (vocês podem reatar e ninguém precisa ficar sabendo do vai-e-volta);
2) No caso de início de namoro, esperar cerca de um mês para atualizar o status, afinal você ainda está conhecendo a pessoa e as chances do fracasso são grandes;
3) Namoro não é sinônimo de casamento;
4) “It’s complicated” é realmente complicado. Avise seu/sua peguete antes de colocar esse status, porque ele/ela pode achar que está em um relacionamento sério;
5) Aliás, avise à outra pessoa com antecedência sobre qualquer mudança, porque é chato ficar sabendo por último que se começou/terminou um namoro (tenho uma amiga que descobriu que o namoro tinha acabado por uma rede social).

Para quem vê uma mudança de status:
1) É legal curtir o início de um namoro alheio, mas é de mau gosto curtir um término;
2) Quando ver “Fulano(a) está em um relacionamento sério com Sicrano(a)”, nada de fazer comentários como “Uhul! Desencalhou!”, “Parabéns!!!”, “Até que enfim”. Isso assustará o/a namorado(a) do(a) amiguinho(a).
3) Nada de “por quê?” e “o que houve?” no mural de alguém que acabou de terminar um relacionamento. Se a resposta for essencial para sua vida, pergunte por mensagem privada, no mínimo;
4) Não fazer o/a maluco(a) quando um peguete iniciar um namoro, sem ser com você. Dê uma curtida só para mostrar que está ciente. Ou finja que não viu porque anda muito ocupado (a);
5) Nada de falar mal do novo ex de alguém, assim que vir a mudança de status. Ouça, mas não assine embaixo. Eles podem reatar.

Eles, a janta e os filhos que nunca nasceriam

Eles chegaram ao apartamento dele, mortos de fome e loucos para cozinhar qualquer gororoba para comer. Ela sabia que não era o momento mais adequado para discutir a relação, mas não se aguentava mais de curiosidade. O futuro era maior que a barriga.

– Você quer ter filhos? – tentou parecer casual, enquanto roía uma unha.
– Não. – ele respondeu tranquilamente.

Ela levou um baque. Por essa, não esperava. A pergunta era apenas a primeira de uma série que ela pensava em fazer, mas a resposta dele automaticamente cancelava todas as outras. Como assim ele não quer ter filhos?

– Não?
– Não.

Ele estava concentrado na dispensa, com a porta do armário aberta, olhando o que poderia ser aproveitado. Macarrão? Molho de tomate? Pão de forma? Biscoitos? Ela estava atrás, desnorteada, se apoiando na pia.

– Nunca? – ela ainda tinha esperanças.
– Não quero ter filhos. Já disse. – por um momento, ele achou que ela estava surda – O que você quer comer?

Como ele podia mudar de assunto assim, tratando os filhos deles como uma trivialidade? Como? Eles já estavam juntos há 1 ano. Tinham mais de 25 anos de idade. Já era hora de pensar nas crianças. Ela também não queria engravidar agora – embora estivesse muito envolvida emocionalmente com o chá de bebê de uma amiga – mas achava necessário pensar no futuro, planejar. Começou a chorar. No início, poucas lágrimas, enquanto ele remexia os itens na dispensa. Depois, abriu o berreiro, se descontrolou.

Ele olhou pra trás, assustado.

– O que houve? – pensou que ela havia se machucado ou algo assim.
– Você não quer filhos! – ela estava com raiva.
– Ah, não. Mas você está chorando por isso? – ele não podia acreditar. Ele queria comer.
– Como você pode fazer isso comigo?
– Eu não tô fazendo nada. – pegou o saco de macarrão na dispensa e se dirigiu ao fogão.
– Você não quer filhos! Nunca! Não quer nem discutir a situação! – ela chorava e tremia de nervoso. Estava decepcionada.
– Eu nunca quis. Isso não está em discussão. – ele estava um pouco assustado com ela. Nunca a tinha visto dessa forma. Parecia que estava conhecendo-a agora.

Ela sentia o mesmo com relação a ele. Embora o namorado não percebesse, estava, de repente, abandonando-a sozinha em um sonho que ela sempre pensou que fosse dos dois: a construção de uma vida juntos. Eles se davam tão bem. Não era natural que pensassem em filhos? Mas o sonho era só dela. Só dela.

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