Quando eu tinha 9 anos e me perdi da minha mãe no Réveillon de Copacabana

Adoro Réveillon. Ai, como eu adoro Réveillon! Todo mundo em comunhão, com pensamento positivo, aquela multidão vestida de branco, bebendo espumante barato, distribuindo sorrisos felizes com a chance de recomeçar do zero (poderiam ter uma perspectiva diferente e pensar “mais um ano perdido e nada aconteceu”, mas os depressivos ficam em casa e a positividade impera). Sempre preferi o Réveillon ao Natal. Não que você tenha que comparar as duas festas, absolutamente. Mas eu prefiro. Os Natais tendem a ser repetições de si mesmos, enquanto o Réveillon é sempre diferente. Você se cerca de pessoas diferentes, em lugares diferentes, pede ao universo coisas diferentes, reza por inquietações diferentes, joga flor pra Iemanjá por desejos diferentes… e, o melhor de tudo, não tem ninguém para te lembrar “do verdadeiro significado da data”. O verdadeiro significado do Ano Novo é ser o Ano Novo mesmo. Fim de papo.

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Esse post é muito mais para mim do que para você

Esse post é muito mais para mim do que para você. É algo que vou querer ler daqui a alguns anos e lembrar que foi assim algum dia. O post anterior, sobre os músicos latinos no metrô, me inspirou a escrever esse, porque me dei conta que a última semana foi, de um modo geral, completamente incomum.
Estive fazendo a maratona anual para ver vários filmes do Festival do Rio, e vários são dezenas. Esse foi meu foco até o fim do evento, mas tantas outras situações aconteceram, e o inusitado sempre merece registro.

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O valor de um sorriso (e de dois, de três e de quatro também)

Quando a gente viaja, fica aberto ao novo, ao diferente, ao inusitado. A gente para e ouve o artista de rua na praça histórica. Compra artesanato, que quase sempre é igual ao que tem perto da sua casa. Compra pinturas que jamais compraria em território conhecido. Solta dinheiro com agrado. Acha tudo lindo. É mais generoso e feliz, com a moeda internacional. A gente enxerga o mundo, e não apenas olha com automatismo. Esse pensamento tinha me vindo à cabeça durante uma caminhada pela orla de Copacabana, há sete dias, quando vi esculturas de areia, hippies com seus artefatos e músicos em quiosques. Com inveja dos turistas, parei e apreciei. Porque feliz é o turista.

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Dica: Buenos Aires é fail no verão

Eu porque não venho a turismo, mas caso fosse, não viria. Buenos Aires, no verão, perde tudo o que tem de bom: o clima agradavelmente frio, as pessoas bem vestidas, o glamour, o apetite, a indústria cultural. Ironicamente, é alta temporada. Mas meu conselho é: brasileiros, venham no inverno.

1) Buenos Aires não é uma fuga do calor brasileiro. No verão, aqui faz tanto calor quanto. Ok, um pouco menos insuportável. Agora fazem 31 graus. Mas não tem praia. As pessoas tomam banho de sol nas praças públicas. É meio bizarro.
2) “Pelo menos fujo desses hits brasileiros de verão”. Ledo engano. O “Ai Se Eu Te Pego” talvez faça até mais sucesso aqui.
3) “Vou pra conhecer mesmo assim. Tá mais barato viajar para Buenos Aires que para algumas partes do Brasil”. Errado de novo. A menos que você pegue uma dessas promoções repentinas das companhias aéreas, a passagem nesta época do ano é mais cara. Alta temporada, repito.
4) A cidade fica extremamente pobre culturalmente. As opções teatrais, quase infinitas no resto do ano, são contadas em uma mão no verão.
5) Buenos Aires está vazia. Só está aqui quem não conseguiu tirar férias e viajar para Mar Del Plata, onde tudo está acontecendo. Ou seja, os portenhos fogem daqui. Imagino que o mesmo aconteça com São Paulo.
6) O metrô, melhor transporte para turistas, não tem ar-condicionado aqui. Então, já viu.

Mas eu amo mesmo assim ❤

Tem que fazer sinal pra parar o trem?

– Tem algum site com os horários dos ônibus?
– Não. Ônibus tem horário desde quando?
– Não sei.
– Nunca soube dessa. Não tem não.
– Droga! Vai que eu chego lá e o ônibus já passou?
– Mas aí passa de novo. Não é só um não. Ficam rodando.
– Mas vai levar horas, né?
– Não! Claro que não! Não faz a maluca. São vários ônibus em cada linha, passam toda hora.
– Que divertido!

Como vocês podem ver, minha amiga não tá acostumada com a dura realidade de pegar busão diariamente. Ela não era dessas e agora tá virando gente normal. Durante essa conversa, eu dava as explicações entre risadas. Acho que nunca tive que explicar coisas básicas assim – que  ônibus não tem hora certa que nem partida de avião não. Engraçado como as vidas das pessoas, amigas, numa mesma cidade, podem ser tão diferentes, né?

Me lembrei de uma vez, na época do curso técnico, que conversávamos sobre trem. Nunca usei esse meio de transporte. Minha mãe sempre falou tão mal que, não vou negar, fiquei com certa aversão àqueles vagões. Nessas, durante o papo, perguntei “Como que faz pro trem parar? Tem que fazer sinal?”. Não preciso dizer que virei a chacota da galera o resto do dia.

Teve também a primeira vez que eu andei na linha 2 do metrô. Pra mim, metrô sempre foi embaixo da terra. Não engolia essa de metrô no alto. Dei piti e reclamei que meus amigos tavam querendo me enganar. Era óbvio que aquilo era trem. “Não ando de trem!”, gritava (quando eu digo que tenho aversão, eu falo sério). Mas no final percebi que aquilo era metrô mesmo. Metrô e trem lado a lado. Loucura.

P.S: Ainda acho que metrô deveria se reservar ao direito de ficar embaixo da terra, pra evitar confusão.

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