Primeiro capítulo do meu livro novo, Rumor

Porque, sim, eu tenho um livro novo :O

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Entrevista: Tiago Iorc, o retorno fonográfico e a nova perspectiva

Para ler ouvindo:

Com apenas um CD no currículo, o brasiliense Tiago Iorc assistiu suas músicas saltarem dos barzinhos direto para as novelas da TV Globo – foram cinco ao todo. “Depois do primeiro disco, me vi na dualidade entre tentar parecer interessante e ser interessante. Faltou tempo para amadurecer isso”, analisa o cantor e compositor em entrevista ao Fala, Leonardo! por e-mail. Para desenvolver o segundo álbum, “Umbilical”, ele abandonou o Rio de Janeiro e a fama, se isolando em um apartamento em Curitiba.

Agora, aos 27 anos, meia década após o lançamento de “Nothing But a Song” na trilha de “Malhação”, Tiago Iorc se prepara para voltar aos palcos e aos holofotes com a “Umbilical Acoustic Tour” – assim, em inglês, como suas composições. Os primeiros shows acontecerão em Curitiba, neste e no próximo sábado (21 e 28), para depois seguirem pelas principais capitais do Brasil. Mas o cantor já usou o festival SXSW, realizado no mês passado no Texas, como termômetro para as músicas novas. “É completamente diferente tocar para um público em que a grande maioria não conhece nada a respeito do seu trabalho. No fim do show, recebemos comentários positivos e uma americana nos contou que havia viajado de Houston até Austin só para nos ver. Já temos uma fã nos Estados Unidos!”, comemora o compositor, que fez uma mini turnê pela Ásia no ano passado.

Thiago Iorc, com visual "Umbilical"

Thiago Iorc, com visual "Umbilical"

O público do cantor é amplo: vai desde as pré-adolescentes até as senhorinhas que assistem às novelas do horário nobre. Para divulgar “Umbilical” (Som Livre), ele teve que ir aos programas “Top 10” e “Acesso MTV”, que cultuam Justin Bieber e Rebeldes. Pareceu ficar desconfortável com a situação, mas não se aprofunda no tema. “Entendo que, em geral, o adolescente busca um ícone imagético de conteúdo compatível com as ansiedades da idade. Nunca procurei responder a essas expectativas”, avalia o artista, que agora exibe o rosto barbado. A mudança no visual valeu matéria no jornal O Globo, mas não é uma estratégia de marketing, segundo ele. “A aparência é resultado do cotidiano de alguém que vive mudanças ou que tem vontade de mudar”, filosofa.

O inegável apelo adolescente de suas músicas – classificadas no Last.Fm como folk, alternativa, pop e “sweet” (?) – além do sucesso nas trilhas sonoras – duas músicas de “Umbilical” já apareceram em novas novelas – impossibilitam colocar Tiago Iorc na prateleira indie, por mais que soe como tal. Ele, no entanto, se entende como rock. Seus ídolos são Jeff Buckley e Radiohead. “Os rótulos dependem da interpretação de cada um”, acredita Tiago, que não se importa com a condenação por ser comercial. “Não é necessário comercializar a música para dar continuidade ao trabalho? No início da carreira, optei por fazer coisas que foram necessárias naquele momento. Hoje, fica mais claro identificar para onde faz sentido ir e para onde não faz”, se defende o compositor, que já foi figurinha fácil nas páginas da revista Capricho.

Tiago Iorc, com visual "Let Yourself In"

Seu novo disco, no entanto, foi disponibilizado para streaming na Internet, o que é uma atitude carregada de significados. “Não queríamos desvalorizar a obra, mas sabíamos que esse compartilhamento aconteceria de qualquer forma. Então por que não disponibilizar o áudio com qualidade?”, conta o cantor, que teve uma série de discussões sobre o assunto com a gravadora. Mas a decisão fez sentido. Quando Tiago foi revelado, a indústria fonográfica já era outra. A liberação das faixas online funciona mais como uma divulgação do que um impasse. “Não disponibilizamos o download gratuito, em função do enorme trabalho e investimento envolvido. Isso precisa se pagar ou a música não acontece. O fato é que a dinâmica de consumo hoje é outra”, explica.

Tiago Iorc, que agora também é outro, regravou “Morena” para um disco tributo aos Los Hermanos. Antes, o cantor não gostava de se ouvir em português (ele morou na Inglaterra na infância e considera o inglês seu primeiro idioma). “Minha dicção em canções em português sempre me soou pouco natural. Mas dessa vez, conhecendo um pouco mais sobre como usar a minha voz, consegui chegar a um resultado que me agradou”. Mas compor em português ainda não está em seus planos. “Meu forte está em escrever em inglês”, afirma. Como se pode ver, muito mudou, menos a essência do artista.

Madonna: clipe novo, álbum novo e conceito velho

Madonna lançou nesta semana o clipe de “Girl Gone Wild”, segundo single de “MDNA”, seu novo CD, que sai na segunda-feira (26/3). Imediatamente, surgiram comparações com o vídeo de “Erotica” (1992), que continha cenas de orgias, sadomasoquismo e homossexualidade – tudo em preto e branco, como o atual. A “técnica de choque”, como define Douglas Kellner em “A Cultura da Mídia”, era a forma da cantora de pregar a liberdade sexual e lucrar com um público reprimido. Uma estratégia de marketing eficaz.

Com isso, Madonna foi de suma importância para a quebra de tabus e paradigmas, dando visibilidade a temas outrora polêmicos. Além do discutível título de Rainha do Pop, ela se tornou um ícone de transgressão e seus feitos perduraram nas gerações seguintes. Na indústria da música pop, todas as cantoras querem ser Madonna – assumidamente ou sutilmente. Sua estratégia de marketing, baseada na polêmica, é uma inspiração até hoje… e já se passaram 20 anos desde “Erotica”.

Como diz João Barrento em “Que significa ‘moderno’?”, “o que antes era rigorismo radical, com limites bem definidos, transformou-se hoje num culto do radical pelo radical”. O chamado fait divers, o acontecimento atípico, perdeu seu sentido e se esgotou na sede por emplacar singles efêmeros no topo da Billboard Hot 100. Depois que todo mundo já fez e já mostrou, nada mais choca. O difícil é ser polêmico. A melancia na cabeça já não funciona.

Lady Gaga – e não a cito aqui para criar uma dualidade com a protagonista do post – foi bem sucedida com a “técnica de choque”, explorando campos além da sexualidade. Cultuando o grotesco em seu vestuário e suas performances, ela voltou a fazer as pessoas arregalarem os olhos. Mas isso durou pouco tempo. A sociedade rapidamente se acostumou a sua peculiaridade.

Assim, “Girl Gone Wild”, não escandaliza mais ao brincar com a questão de gênero (o grupo ucraniano Kazaky aparece no vídeo – e na foto acima) ou colocar Madonna sensualizando no meio de um grupo de saradões, em cenas intencionalmente eróticas. Ela já fez isso antes. Várias vezes. E foi exaustivamente copiada. O público ficou imune e indiferente. Dessa forma, o clipe é mais nostálgico que transgressor. Se “Erotica” só era exibido depois da meia-noite nos anos 1990, “Girl Gone Wild” periga não repercutir no horário vespertino.

Kellner já havia escrito que tanto o CD “Erotica” quanto o livro “Sex” revelavam que Madonna estava caindo em uma armadilha ao não desbravar novos territórios. Em outras palavras, ela estava acomodando-se em sua própria caricatura, com o risco de se tornar “tediosa e previsível”. Isso em 1992. Só nos resta a constatação do óbvio em 2012.

Birthday Cake, Rihanna, Chris Brown e a polêmica

Rihanna acaba de lançar um single em parceria com Chris Brown, seu ex-namorado, que a agrediu em 2009, na noite do Grammy Awards, após uma crise de ciúmes dela. “Birthday Cake” surge exatamente três anos após o vazamento da foto que mostrava o rosto da cantora ferido e inchado. “Toda vez que eu a vejo, tudo volta à minha cabeça. Então não gosto de ver. É vergonhoso saber que foi por aquele tipo de pessoa que eu me apaixonei”, declarou a popstar de Barbados na época.

Mas tudo indica que os sentimentos mudaram. Em maio do ano passado, Rihanna voltou a seguir o cantor no Twitter – o que é muito significativo para a nossa geração – e, desde então, os rumores sobre uma reaproximação são constantes. A parceria musical é apenas o clímax dos tabloides, que já apontavam encontros secretos há um ano, desde que a Justiça liberou Chris Brown para chegar perto dela.

Não estou aqui para julgar nenhum dos dois. Eles são ricos e famosos, eles que se entendam. Mas Rihanna deve ter cuidado com os simbolismos que aplica a sua carreira. Nada carece de significado na indústria cultural, nem mesmo o marketing negativo. “Rihanna destruindo tudo o que já foi feito pelo feminismo em troca de fama. Parabéns”, twittou o jornalista Paulo Terron, da revista Rolling Stone brasileira.

É verdade. Incontáveis campanhas e ONGs lutam diariamente para diminuir a violência contra a mulher em todo o mundo, mas Rihanna, uma das vítimas mais conhecidas, resolveu fazer propaganda contrária. No Brasil, 90% das mulheres retiram as queixas no caso de lesões leves, acreditando no arrependimento do agressor, que elas amam. A maioria volta a apanhar. Esse é um dos maiores problemas enfrentados pelas associações de apoio à mulher. Por isso, a Lei Maria da Penha sofreu uma reforma, que dá ao Ministério Público o poder necessário para investigar e punir os agressores, mesmo que a vítima não o denuncie. Agora, qualquer um pode denunciar.

Nos Estados Unidos, 17,6% das mulheres declaram já ter sofrido algum tipo de agressão e, dessas, 54% tinham menos de 17 anos quando a violência aconteceu. Segundo dados da ONU, apenas 5% dos agressores passaram algum tempo na prisão. O quadro é grave, mas Rihanna, com seus 24 anos, achou que dava para usar a situação delicada, da pior maneira, para alavancar seu novo single. Afinal, Chris Bronwn, seu primeiro amor, pediu desculpas públicas. Sempre a mesma história.

Ela tem mais de 13 milhões de seguidores no Twitter, uma amostra do seu alcance e influência, mas nenhum escrúpulo. A cantora já havia brincado com o caso no clipe de “We Found Love”, no qual protagonizou cenas de romance com um sósia do Chris Brown. Em “Birthday Cake”, o próprio canta “Girl I wanna fuck you right now / Been a long time I’ve been missing your body”, entre outros versos ordinários.

Muita gente se irritou. Muito fã se decepcionou. Mas o problema não são os rumos que Rihanna escolhe para a sua vida pessoal (dizem que ela passou o aniversário ao lado do ex). Ela não foi a única mulher agredida por um namorado. Infelizmente, tampouco a última. Como figura pública, um pouco mais de sensibilidade e respeito com as outras vítimas seria de bom tom. Ela conseguiu dar a volta por cima e jogar tudo pro alto depois. Muitas não tiveram sequer essa oportunidade.

O golpe da música do Latino e da banda Cine para promover a Chiclets

Caso você tenha lido o título, mas não esteja por dentro do assunto, faço um breve resumo. A banda Cine (uma daquelas coloridas) divulgou na Internet uma música nova e, pouco tempo depois, Latino lançou, também na web, a mesma música. Os fãs da banda acusaram o cantor de plágio, ele se defendeu, pelo Twitter e disse que a música era de autoria dele. “Quem plagiou foi a banda Cine!”. O assunto virou trendig topic na rede social, movimentou fóruns e foi pauta de uma série de veículos jornalísticos. Mas tudo não passava de uma jogada de marketing da Chiclets, que deixou o assunto quase ser esgotado para, finalmente, anunciar que a música era, na verdade, parte de sua nova campanha publicitária. Latino e a banda são os contratados como, hum, garotos-propaganda (?). Era tudo teatrinho.

O casal Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert já havia feito algo parecido algum tempo atrás. Eles protagonizaram um suposto vídeo íntimo que caiu na Internet, mas, na verdade, era uma estratégia comercial para divulgar uma marca de gel lubrificante. No momento, não lembro de nada mais nesse sentido.

Acho preocupante quando o mercado publicitário alimenta o jornalístico com notícias falsas só para se promover. Porque é falsa a informação de que o vídeo do casal de lindos era íntimo e tinha vazado, da mesma forma que é falsa (e esdrúxula) a acusação de plágio entre os artistas contratados pela marca de chicletes. É preocupante, primeiro, porque veículos que disseminam informação para as pessoas passam a noticiar mentiras em espaços que poderiam estar sendo ocupados por algo verdadeiro (não vou abrir a discussão de utilidade, por razões óbvias). Há perda de credibilidade, na minha opinião. “O jornal/site/rádio/a revista/televisão devia saber que é mentira”.

Segundo, porque, profissionalmente falando, os publicitários, que deveriam trabalhar de mãos dadas com os jornalistas, passam a enganá-los. Ou não? Os repórteres que deram a notícia das músicas iguais e do nítido plágio não fizeram de comum acordo com o marketing da Chiclets. Foram enganados. E não venha com o papo de “e cadê a apuração?”, porque duvido que uma boa apuração teria chegado à verdade. Tanto Latino quanto o Cine, seus assessores e empresários, neste caso, teriam alimentado o circo, cumprindo com seus devidos contratos assinados.

Terceiro, e os fãs? Como responsável pela editoria de música de um site, eu vi de perto as pessoas defenderem com unhas e dentes seus admirados (pois é…) e acusarem o rival. Por uma campanha publicitária, algo momentâneo, essas celebridades sujeitaram sem pena seus respectivos públicos ao ridículo. Discutiram e se desgastaram por algo que sequer existia e foi alimentado pelos seus ídolos. Patético.

Como estratégia de marketing, acho questionável. Evolution é o chiclete do plágio. Ou da mentirada.

Sandy + Devassa = Wow

Eu até pensei em escrever aqui sobre os vencedores e a cerimônia do Oscar (que, aliás, se mostrou mais previsível e tradicional impossível) ou sobre os premiados com o Framboesa de Ouro (bem borocoxôs), mas tudo isso pareceu fichinha comparado ao assunto do dia.

Aprensento a vocês, o assunto:

É. Sandy pintou o cabelo de loiro, bebeu cerveja, gravou comercial, virou musa de camarote carnavalesco e literalmente vestiu a camisa da Devassa Bem Loira. Agora, ela diz por aí que também tem seu lado, hum, devassa, o que é, não coincidentemente, o slogan da campanha (“Todo mundo tem um lado devassa”). O ano começou bem interessante para o mercado publicitário.

Não me lembro de nada tão original nos últimos tempos. Palmas para o marketing da cervejaria e para a agência responsável pela campanha. Depois que Paris Hilton descartou uma volta ao carnaval carioca, o posto parecia difícil de ser substituído. Se a marca havia acertado no ano passado associando-se ao nome dela, o retrato da devassidão, agora a campanha foi além e se reinventou com Sandy. Ela é ou não é o último nome que você pensaria para uma propaganda dessas?

Fora a propaganda massiva – o comercial televisivo estreou no intervalo do Jornal Nacional – a marca consegue publicidade gratuita ao se associar com Sandy, o inusitado. Houve uma coletiva de imprensa no início do dia anunciando as novidades e causando rebuliço. A cantora, bem loira, posou para fotos bebendo cerveja e garantiu que a palavra Devassa circulasse por absolutamente todos os sites jornalísticos (não só os de celebridade). Assim, simples. “Sandy” e “Devassa” também chegaram facilmente aos Trending Topics do Twitter.

A campanha é esperta. Com Paris, a bebedeira e os vexames eram garantidos (lembra que a propaganda chegou a ser censurada pelo CONAR?). Com Sandy, não. Com a cantora, justamente aquela de ‘eu cresci e agora sou mulher’, há expectativa. O povo quer ver essa devassidão. Quantas pessoas não ligaram no JN hoje só para ver o comercial? Quanta curiosidade! A imprensa disse que ela faria um strip tease no vídeo. Um exagero. Não rolou. O comercial é recatado como Sandy sempre se mostrou. Mas isso importa? Não. Tá todo mundo falando dela e da marca, não necessariamente bem, é claro (o que, não duvide, já havia sido maliciosamente previsto).

Resta saber se isso vai levar as pessoas a consumirem a cerveja (é boa?). Não sei. Mas serviu para colocar, mais uma vez, o nome do produto na cabeça do público. De novo, palmas para o marketeiro da Devassa. Com Sandy, ele conseguiu um efeito do tipo boom muito maior do que a Brahma com Luma de Oliveira (ah, você  não sabia? pois é…) ou a Nova Schin com Ivete Sangalo, Cléo Pires, Bruno Gagliasso e Deborah Secco (imagine quanto eles não gastaram para pagar todo esse pessoal!). Agora, a gente segue esperando a devassidão de Sandy, exatamente como a marca quer que a gente fique. Bem bolado.

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