Quando eu tinha 9 anos e me perdi da minha mãe no Réveillon de Copacabana

Adoro Réveillon. Ai, como eu adoro Réveillon! Todo mundo em comunhão, com pensamento positivo, aquela multidão vestida de branco, bebendo espumante barato, distribuindo sorrisos felizes com a chance de recomeçar do zero (poderiam ter uma perspectiva diferente e pensar “mais um ano perdido e nada aconteceu”, mas os depressivos ficam em casa e a positividade impera). Sempre preferi o Réveillon ao Natal. Não que você tenha que comparar as duas festas, absolutamente. Mas eu prefiro. Os Natais tendem a ser repetições de si mesmos, enquanto o Réveillon é sempre diferente. Você se cerca de pessoas diferentes, em lugares diferentes, pede ao universo coisas diferentes, reza por inquietações diferentes, joga flor pra Iemanjá por desejos diferentes… e, o melhor de tudo, não tem ninguém para te lembrar “do verdadeiro significado da data”. O verdadeiro significado do Ano Novo é ser o Ano Novo mesmo. Fim de papo.

Continue lendo

[Dica da semana] O que não fazer no Dia das Mães

O Dia Das Mães é no domingo (12/5) e eu espero que você já tenha comprado o presente da sua. Senão, boa sorte com os shoppings lotados, as filas enormes e os restolhos das lojas. Não vai ser fácil, ainda mais com aquelas vendedoras se esforçando para te convencer de que o pior é o melhor. Mas nada disso é motivo para aparecer no domingo com as mãos abanando hein!

Minhas dicas para ter um Dia das Mães feliz são:

01) Presentear sua mãe SIM OU SIM. Mesmo que ela seja do tipo que fala “não precisava…”, a verdade é que sempre precisa, senão rola uma decepção encubada. Elas dizem que “dia das mães é todo dia”, e isso só significa uma coisa: querem presentes todos os dias.
02) Não dar presentes que sejam para a cozinha, para a decoração da casa, etc. Isso é golpe baixo!
03) Se você é mulher, nada de dar algo que “se ela não gostar, você usa”. O presente é pra ela! Esforce-se.
04) Nada de esperar que ela faça o “almoço de domingo”. Faça-o você ou saiam para comer fora. Nada de mucama no Dia das Mães!
05) Se for presentear sua avó, tente não dar um presente melhor do que aquele que sua mãe está dando a ela. A mãe é dela. Avós “são mães duas vezes”, mas deixe a filha direta reinar. Nada de roubar a cena.
06) Regra fundamental: não compre o presente no cartão DELA! Se não trabalha, pede para seu pai pagar. Fica escrotíssimo dar dívidas de presente 😉
07) Sem dinheiro, dê abraços, beijos, cartinhas, bilhetinhos. Mães adoram essas coisas que a gente fazia quando era criança. Com certeza ela ainda tem guardados aqueles desenhos de quando você era analfabeto.
08) Tente ser agradável – ainda que isso seja difícil para você (para mim é, muitas vezes). É só um dia especial. Seja paciente para perguntas imbecis e tolerante para comentários invasivos. Mães.
09) Se tem irmãos esquecidos ou desinteressados, lembre-os de comparecerem no domingo. Podem estar dez presentes, a mãe vai focar no 11º que faltou, porque o ser humano é assim.
10) Se sua mãe já morreu ou está viva e é uma vaca, encontre pessoas na mesma situação e passe o domingo com elas. Vá ao cinema, à pracinha, à sorveteria, ao barzinho, ao shopping, a qualquer lugar para esquecer que é Dia das Mães. Só evite restaurantes, porque estarão cheios de famílias em celebração.

Dez frases mais repetidas por minha mãe (incansavelmente)

Inspirado em um post da minha amiga Erica Fagundes no Facebook, seguem as dez declarações que minha mãe mais repete. De antemão, feliz dia das mães! 😉

01) Coloca o casaco. Você não sente frio, mas tá frio.
02) Tá levando o guarda-chuva?
03) Comeu direitinho?
04) Fala direito comigo. Eu sou sua mãe. (variação: Você não tá falando com suas amigas não!)
05) Você não me ouve.
06) Vou falar pela última vez…
07) Tenho que comprar ____________ (complete com os mais variados itens inúteis).
08) Você precisa de uma mucama.
09) Depois não querem que eu fique maluca.
10) Mas você não para mais em casa.

Estrela, a cadela que tive por apenas algumas horas

Era meu último dia em Arraial do Cabo. Não lembro o ano, mas Maurício Manieri fazia sucesso. Tinha viajado com meus tios, mas minha mãe e minha avó foram passar o dia lá e me buscar. Voltando da praia, uma senhora, no portão de casa, nos abordou desesperada.

– Vocês não podem levar essa cachorrinha? – ela se referia a uma poodle grande no seu colo – Uma mulher passou aqui, a deixou comigo e disse que voltaria logo. Mas já passaram duas horas! Ela não vai voltar né? Eu não tenho condições de cuidar de um animal.

Pegamos a Estrela, que foi como eu imediatamente batizei a cadela, e levamos para a casa do meu tio, não sem algum estresse. Minha avó não queria novos animais de estimação. Já tínhamos um cachorro, um gato e um passarinho. “Quem fica em casa cuidando sou eu!”, ela argumentava, com razão. Mas eu já tinha me apegado. Já amava Estrela, com aqueles olhinhos indefesos e incertos do seu futuro, que pareciam me pedir socorro.

Minha avó estava angustiada com a ideia de sair de Arraial do Cabo com aquela cadela. Sabia que tinha que cortar o mal pela raiz e fazia cara de desaprovação. Minha mãe admitiu a inconsequência ao pegar Estrela, “uma cachorra velha, cheia de doenças”, e disse que tentaria achar um novo dono para ela antes que nosso ônibus saísse.

Me desesperei. Chorei. Implorei. Mas minha tia veio com um papo de que não permitem que cachorros sejam levados nos ônibus sem uma espécie de autorização. “A gente pede autorização!”, eu dizia. Mas havia muita burocracia e o processo levava dias para ser autorizado, segundo ela. Não sei se dizia a verdade. Não sabia na época, não sei hoje. Mas achei que ela estava me enrolando.

De repente, percebi que minha mãe não estava mais presente. “Cadê ela?”. Saiu. “Cadê a Estrela?”. Levou. Senti-me lesado. Estava todo mundo contra mim. Contra Estrela, que não tinha feito nada a ninguém. Como eles podiam não gostar dela? Como podiam repassá-la a um estranho?

Mas foi isso que minha mãe fez. “Demorei, porque não queria dá-la para qualquer um. Busquei alguém que tivesse condições de cuidar dela, porque os cachorros ficam muito doentes na velhice”, discursou. Voltei de cara feia a viagem inteira. Só tive Estrela por algumas horas.

A flexibilidade da minha mãe

Em dezembro, um dentista salafrário me disse, na terceira e última consulta: “Além desta obturação, vamos ter que fazer outras…” Desconfiei. Ele já tinha refeito uma, com a desculpa de que estava mal feita, e me dado anestesia nas duas últimas consultas. Nunca havia comentado sobre a existência de outras cáries. Estava na cara que ele queria cobrar mais do meu plano de saúde. Na época, comentei com a minha mãe o fato de ter uma boca supostamente imunda e ela me respondeu:

– É claro! Come doce o dia inteiro e não escova os dentes como se deve!

Hoje, busquei uma segunda opinião e… bingo! A dentista – agora uma mulher – revirou minha boca de todos os lados e não encontrou nenhuma cárie. “Ele disse qual era o dente? Não há nada. Não tem nada para fazer. Sua higiene está ótima! Não há nada parecido com cárie. Nem pigmentação, que às vezes pode ser confundida…” Liguei para a minha mãe, querendo contar as novidades. Ouvi:

– Sabia! Você vive escovando os dentes! O outro estava te enrolando.

Flexível.

Climão com o vizinho da motoca

Como já comentei aqui no post passado, estou de mudança. Amanhã é o grande dia em que o caminhão levará as caixas e sacos que separamos nos últimos dias, mas já fomos à outra casa nos últimos dias para resolver questões de última hora. E percebemos que alguém tem o hábito de estacionar uma moto embaixo da janela dos nossos novos quartos.

Minha mãe não gostou e já começou a imaginar o quanto incômodo aquilo seria a partir de amanhã. “Eu durmo cedo. Quem anda de moto é jovem e jovem chega em casa nas madrugas. Não quero ser acordada com isso não”. Se irritou. Tomou uma decisão. “Vou falar com a síndica”.

– Oi, tudo bem?
– Ooooi. Tudoooo. Você é a nova moradora, certo? Eu e a antiga éramos superamigas! Tipo unha-e-carne! Aqui todo mundo é muito família, sabe? – a síndica, segundo minha mãe, estava querendo forçar uma amizade. Mas ela não estava na mesma sintonia.
– Ah. Eu vim aqui pra te falar daquela moto lá na frente. – Ela é assim: vai direto ao ponto – Não tem condição da minha janela virar estacionamento. Peço que você mande o dono tomar providências.
– O dono é o meu filho.

Climão.

– Ótimo então. Estou falando com a pessoa certa – minha mãe tentou disfarçar sua saia-justa para não perder a pose e fugiu o mais rápido possível.

A nova vizinhança promete.

A memória fotográfica de Andrea Bocelli

– Andrea Bocelli vai vir fazer show de novo, mãe.

– Ah, é?

– É. Vai cantar com a Sandy em Belo Horizonte.

– Que legal! Quando ela cantou com ele, era tão novinha. Será que ele vai reconhecer agora?

– HAHAHAHAHHAHAHA MÃE!

– O que foi?

– O Andrea..

– É cego! Esqueci! Estou tão acostumada que já nem percebo. Ele vai ficar tocando o rosto dela.

Sem mais publicações