Primeiro capítulo do meu livro novo, Rumor

Porque, sim, eu tenho um livro novo :O

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Eunices da vida real

           Eunice não é mole não. Se você não sabe de quem estou falando, provavelmente não está acompanhando a novela Insensato Coração. O personagem ao qual me refiro é o de Deborah Evelyn (que tem interpretado-o brilhantemente). Se trata de uma mulher deslumbrada e interesseira, com ‘mania de riqueza’, que tenta levar as filhas para o mesmo caminho. Minto. Tenta levar as filhas para um caminho completamente diferente… do seu.

            Ela é a típica mãe frustrada em algum aspecto da vida – no caso, o financeiro – que quer se realizar na prole. Mas mais do que dinheiro, Eunice quer que as filhas sejam bem relacionadas (ou seja, que freqüentem a high society), como se essa fosse a chave do sucesso. E faz o que pode para isso.

            Apesar de ser um papel extremamente teatral, que quase sempre apela para o histérico, Eunice existe. Eu conheço pelo menos duas mulheres exatamente iguais a ela, principalmente no sentido de estimular o lado interesseiro dos filhos (tudo é questão de estímulo!). Se na novela, as filhas desta personagem tem algum tipo de defensiva com relação à mãe, no sentido de não se deixarem levar pelos seus, hum, ensinamentos e ideologias, na vida real isso nem sempre acontece.

            E como culpar essas crianças? Se os pais são a nossa primeira referência na vida! Se os vemos agirem com deslumbre e interesse no dia-a-dia, nos incentivando a ser amiguinho da menina mais rica da escola – ou a mais influente, que seja – é difícil romper com esse estado quo mais tarde. Por mais senso crítico que se tenha, é difícil driblar algo que já faz parte de você.

            Os casos de filhos de Eunices que eu conheço são assim: infelizes. Há uma que busca ficantes e possíveis namorados famosos, ainda que de fama duvidosa, para total felicidade da mãe, que entende que, assim, a filha aprendeu a lição. Essas pessoas têm fama de inescrupulosos e oportunistas. Em certo ponto, tenho receio de chamá-los de ‘mau caráter’, porque esse se revela muitas vezes ausente. Mas… filhos da mãe, com certeza. Lamentavelmente.

OBS: Não queria fazer o segundo post seguido sobre uma telenovela – assunto massivamente criticado (mas também, adorado) – mas não resisti ao gancho. Novela também serve para reflexões que não sejam contra elas mesmas, intelectualóides.

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