Momentos difíceis, improdutividade e conclusão do texto

Não é ótimo quem usa os maus momentos da vida como mola para sair do fundo do poço? Tipo Adele fazendo música em vez de curtir a fossa comendo brigadeiro. Tipo Natascha Kampusch escrevendo livro em vez de desenvolver uma síndrome do pânico. Tipo – deve ter mais algum exemplo, me deixa lembrar – a Lucinha Araújo abrindo a “Viva Cazuza” (e ajudando várias crianças soropositivas a viverem) em vez de chorar e rezar o terço para o filho morto.

Acho lindo. Uma superação extraordinária, porque sempre que penso em “superação”, imagino uma má temporada antes. Mas tem gente que não: que consegue diminuir a duração dos tempos difíceis… produzindo. Produzindo durante os tempos difíceis, se é que você me entende. Mas eu não. Eu, definitivamente, não. Se algo ruim está acontecendo, não consigo fazer nada útil. Não consigo deixar de curtir o mau momento. “Ah, vou escrever”. E olho pra a página do Word em branca por mais ou menos meia hora até desistir da ideia.

Você deve estar pensando: “mas agora você tá escrevendo hihi”. Ah, que engraçadinho você é. Maneirão. Fodão. Mas agora eu estou escrevendo… sobre a minha improdutividade, que é o que tá acontecendo agora. Esse não é um post do qual me orgulhe. Não leria se outra pessoa tivesse escrito. Não é interessante. Tô avisando, assim, para te dar tempo de desistir. Pode digitar outro endereço na barra ali em cima. Não me incomodo. Vai fundo.

Quando eu escrevia para o blog “Estou em Transe”, por exemplo, não conseguia fazer muita graça quando estava de mau humor. Meu amigo dizia: “Quando estou mal humorado é quando mais gosto de escrever! Fico ácido!” Eu não. Quando não tô bem, nada fica bem. Ponto. Não sirvo nem para twittar – e encho a timeline alheia com RTs.

A situação fica tão precária que, você não sabe, mas eu vou revelar, esse post medíocre que você tá lendo em cinco minutos levou uns 40 minutos para ser escrito, com todos os meus desvios de atenção inseridos. Agora eu tô tentando terminá-lo, mas não vejo uma boa forma de fazê-lo. Acho que vou só desaparecer e fingir que o WordPress comeu o desfecho. Ele nunca come, mas você não sabe disso.

Sem mais publicações