Sonho maluco, com detalhes

Eu tava saindo de uma festa em uma galeria de arte. Fino. Tava bombando. Estava descendo as escadas quando um cara me abordou. Disse que tava de moto e perguntou se eu queria carona. Seu tarado, pensei. Não ando de moto. Obrigado, respondi. Eu carregava uma pastinha com coisas pra estudar no ônibus. Ele olhou pra pasta ironicamente. Ri e expliquei. Ele disse que se eu mudasse de idéia, estaria por perto. Desci as escadas. No térro, ainda mais cheio. Muita gente. Reconheci alguns rostos. Dei uma olhada lá fora. Engarrafamento e chuva. Cadê o cara da moto mesmo?

Me virei e encontrei-o com ar malicioso. Sabia que essa carona não ia sair de graça. Não liguei. Fui desses. Perguntei se me levaria em casa, ele disse que sem problemas. Falei que ia me despedir de algumas pessoas e já voltava. Cumprimentei e dei tchau pra um monte de gente. Inclusive Tia Teresa.

Oi Tia Teresa!!!
– Oi, Léo! Você tá sumido…
– Como tá a Lu?
– Ela tá bem. Ela me disse que vocês dois tem se falado pelo rádio.
(penso: mas eu nem tenho rádio! Me sinto péssimo por ter deixado a Lu na mão num momento difícil desses e ela ainda inventar desculpas pra fingir que eu sou presente.)
– É verdade! Qualquer dia eu apareço lá. Tenho que ir, tia. Consegui uma carona.
– Vai lá! Beijinho!

Deixo minha pasta com ela – pra me obrigar a ir visitar a Luciana e também porque nunca andei de moto, sei que terei medo, e preciso estar com as mãos livres pra segurar bem esse desconhecido. Vou com o cara pra rua de trás, onde supostamente está a sua moto. O lugar é estranho. Sinto que me enfiei numa furada. O cara vem pra cima de mim. Mas já?, penso. Joga uma espécie de gás em mim. Fico imóvel. Começo a cambalear rumo ao chão, ainda consciente do que está acontecendo. Fecho os olhos. Ouço ele rindo. Ele acha que eu morri. Finjo que morri, mas tô vivinho. Abro os olhos de novo. Ele se assusta. Me levanto. Ele está uma fera. Não entende como não morri e ainda consigo me levantar. Sinto que sou imune a esse gás. Me sinto poderoso. Não tem nenhum espelho por aqui, mas eu sei que estou no corpo da Sandra Bullock agora. Rolou uma troca de corpos, na qual parece que eu saí ganhando.

É estranho estar no corpo de Bullock, mas ao mesmo tempo me sinto mais poderoso e capaz de fugir desse cara. Uma vibe Miss Simpatia. De repente, chega um cara e me joga um canivete. Fecho os olhos e coloco a mão na cara com medo de ser atingido. Era pra ter segurado, ele diz e sorri. Não é hora de ter bom humor. Ele impossibilita o cara da moto de chegar até mim. Já me sinto seguro. Ele está apontando uma arma pro cara da moto. Nunca me imaginei numa confusão dessas. Devo estar passando por isso por ter abandonado a Lu. Juro que vou visitá-la amanhã mesmo. Ando de um lado pro outro, nervoso e querendo disfarçar. Quero trocar uma idéia com o cara do canivete, saber qual é a dele, mas sem deixar o cara da moto notar.

Quem é você?

Ele responde. Não entendo o nome. Eu não queria um nome. Queria saber de onde ele veio, porque veio. Mané. Barulho de telefone. Será meu celular? O cara da moto vai querer levar meu celular. O barulho fica mais alto. Acordo. Atendo o telefone.

– Leozinho, tá na hora de acordar.

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