Magia de Carnaval

Eu sei que não é todo mundo que entende o poder de comoção de uma escola de samba. E lamento. É pura arte. O maior espetáculo do planeta, realmente. Quem me conhece sabe que eu amo. Desde criança, o que eu mais gostava no Carnaval era ir à concentração das escolas ver os carros alegóricos na rua. Eu ficava absolutamente encantado com aquilo tudo. Na época, apenas sonhava em um dia assistir aos desfiles lá dentro da Sapucaí. E foi um passo após o outro até que isso acontecesse. A primeira vez que fui, minha mãe não tinha as informações e ficamos na arquibancada popular, já na dispersão – muito ruim. Depois, fui ao desfile das escolas mirins, em outro ano entrei para o desfile do grupo de acesso… Já era grande quando vi pessoalmente minha Beija-Flor, que eu sempre assistia só pela TV. Foi uma emoção inexplicável, e sempre que vou à Sapucaí sou tocado de alguma maneira, seja desfilando ou curtindo.

Continue lendo

O que eu vou lembrar do Carnaval de 2014

1898083_10152236694321351_847198520_n

Meus primeiros desfiles na Sapucaí. Assim, no plural: na Caprichosos de Pilares e na Vila Isabel.
Os ensaios da Vila duas vezes por semana. O suor. A comunidade pulando e cantando.
Meu amor platônico. Nossa troca de olhares. Nossa incapacidade de aproximação.
O monstro.
O Mosquito.
A Thati, óbvio.
O ensaio técnico da Caprichosos de Pilares e a emoção de pisar na avenida pela primeira vez, com as arquibancadas lotadas.
Os sambas, que ficam na minha cabeça por dias.
O estresse na quadra da Vila para pegar a camisa para o ensaio técnico.
A surpresa de esbarrar no Spike Lee.
A Sabrina Sato. A Aline Riscado.
O Marquinhos. O aparente ódio dele por minha existência.
As fugas.
1897870_10152240923456351_2127089370_n
Os compromissos que descartei por causa dos ensaios.
Pela TV, minha Beija-Flor. O orgulho do desfile impecável. A alegria de ver Laíla satisfeito.
O sonho adiado de desfilar na escola que escolhi ainda criança. A escola que sempre quero ver campeã.
O medo e a certeza da queda da Vila Isabel para o acesso.
Pé frio?
A fantasia quente e pesada. O sapato amarrado para não sair do pé. A ombreira desconfortável.
O medo da Marcella desfalecer do meu lado.
A tensão por quem não recebeu a fantasia. O minuto a minuto no Facebook. O atraso. A pena.
As pessoas se ajudando. Os remendos.
“Quer fantasia leve vai para bloco”.
A fantasia leve da Caprichosos. Uma benção.
A diversão do desfile da Caprichosos. A vontade de emendar outro desfile em seguida.
A camisa encharcada após o desfile da Vila. O desespero para tirar a fantasia logo na dispersão.
A bateria. Sempre a bateria.
Os sorrisos. A alegria. O clima de festa. O carnaval.
O Carnaval de 2015, que já é assunto, que já quero.

Chegou a hora de gritar é campeão!

Ainda criança, você vai contra sua família inteira e adere a uma torcida diferente. Você veste uma camisa que não era sua, mas passa a ser. Vesti-la te dá orgulho, de uma maneira que você não sabe explicar. Você vibra, grita, comemora as vitórias de pessoas que nem conhece. Compra brigas que não precisa, por não deixar que lhe maldigam na sua frente. Qualquer comentário negativo, você vira um leão.

Você cresce e sua paixão amadurece para amor. Você racionaliza e vê nela tudo o que valoriza: inteligência, perfeccionismo, ambição, garra, carisma, trabalho duro, sucesso. Você entende que a escolheu por identificação e admiração. Você percebe que nunca poderia ser diferente, que nenhuma outra desperta em você nada disso. Beleza hipnotizante.

Todas são bonitas, mas ela é maravilhosa. Todas são profissionais, mas ela é workaholic. Todas são animadas, algumas contagiantes, mas nenhuma te deixa arrepiado quando aparece. Nenhuma te toca dessa maneira, no corpo, na alma, no coração. Ela é a melhor. Você torce anualmente para que os outros reconheçam isso, mas ela é. Sempre é. Você sabe. Ela estabelece padrões de qualidade.

Independente do resultado, ela sempre entra para vencer. Sempre. Nunca a ouvirei dizer que quer voltar no desfile das campeãs. Ela quer ser a campeã, a maior, a melhor, a única. Ela trabalha para isso, caso contrário não haveria sentido. Eu, você. Ela, a Beija-Flor.

“Quem quiser ganhar, tem que ganhar da Beija-flor” – Neguinho da Beija-Flor.

Climão no quarto do líder

Depois dessa festa, fomos todos dormir na casa do Pablo. Uma vibe colônia de férias: residência cheia de gente muito louca. Lissa, Marcelo, Úrsula (note a ordem alfabética – tenho esse TOC) e eu só queríamos sossego, como a escola de samba parada na blitz da Lei Seca. Depois de fazer o Pablo acreditar que a decisão de dormir fora do próprio quarto foi tomada por ele, colocamos todas as mochilas e roupas da galera pra fora e passamos a chave na porta. Pronto, o quarto do líder era nosso. Somos desses abusados.

Foi um tal de batida na porta. Mas a gente não abria não. Deixávamos quem quer que fosse desistir. Pra entrar, só arrombando. Mas teve um caso especial. A pessoa batia e não desistia nunca. Começou a bater forte pra caramba. Resolvi dar uma chance.

– Quem ééééé?
– Adivinha quem é.

Não adivinhei não, mas fiquei curioso pra saber. Voz cheia de moral. Tinha que ver. Doida pra levar um fora. Abri a porta. Adivinha quem era?

Tia Deise, a mãe do Pablo

– Ooooi, tia! Entra aí! hehe

Sem mais publicações