Magia de Carnaval

Eu sei que não é todo mundo que entende o poder de comoção de uma escola de samba. E lamento. É pura arte. O maior espetáculo do planeta, realmente. Quem me conhece sabe que eu amo. Desde criança, o que eu mais gostava no Carnaval era ir à concentração das escolas ver os carros alegóricos na rua. Eu ficava absolutamente encantado com aquilo tudo. Na época, apenas sonhava em um dia assistir aos desfiles lá dentro da Sapucaí. E foi um passo após o outro até que isso acontecesse. A primeira vez que fui, minha mãe não tinha as informações e ficamos na arquibancada popular, já na dispersão – muito ruim. Depois, fui ao desfile das escolas mirins, em outro ano entrei para o desfile do grupo de acesso… Já era grande quando vi pessoalmente minha Beija-Flor, que eu sempre assistia só pela TV. Foi uma emoção inexplicável, e sempre que vou à Sapucaí sou tocado de alguma maneira, seja desfilando ou curtindo.

Continue lendo

Lady Gaga no Brasil: “Você me marcou para sempre, Rio”, diz cantora em show para 40 mil pessoas

Dizer que Lady Gaga fez um show de duas horas e meia, embaixo de chuva, no Rio de Janeiro não é suficiente. Não traduz o que aquelas 40 mil pessoas vivenciaram no Parque dos Atletas, na sexta (9/11). A “Born This Way Ball Tour” não é apenas um show, é um musical de primeira linha, digno da Broadway. Mas isso também não é tudo. A popstar foi além e criou uma conexão forte e intensa com o público: o que sempre sonhou. “Você me marcou para sempre, Rio. Nunca vou te esquecer”, falou.

O espetáculo contou com tudo que os fãs esperavam: o cenário de castelo, que abre e fecha; os megahits (na ponta da língua dos little monsters); as coreografias dos clipes; 12 trocas de figurino; dançarinos afiados e uma superbanda (clique aqui para ver 30 fotos do show). Lady Gaga, na contramão de muitas, canta ao vivo – e toca guitarra e piano. Para completar, as palavras em português, que a plateia adora ouvir, também fizeram parte da noite. A cantora aprendeu a falar “oi galera”, “eu te amo”, “feminino” e “masculino” em “Brazilian”.

Tudo isso impressiona, é claro. Mas o que mais cativa é sua relação com o público. Nada passa despercebido para a cantora de cabelo rosa desbotado, que acena, joga beijos e escolhe fãs para subirem no palco e cantarem com ela – os momentos mais emocionantes (em “Hair” e no bis). Ao vê-los chorarem de emoção por realizarem seu sonho, ela se comove. “Não tinha noção do amor que me esperava aqui. Nunca fui tão feliz quanto nesse momento. Não dizem que os sonhos se realizam? Essa é a cara de alegria por um sonho realizado. Não há preço para esse amor de vocês”, se declarou, entre lágrimas, em uma cena aparentemente muito genuína e espontânea.

Gaga é agradecida aos fãs, fantasiados e com as coreografias decoradas, por permitirem que ela seja a popstar que sempre quis. Em outro momento, se diz grata aos que pagaram caro pelos ingressos, que chegavam a R$ 750 inicialmente. “Sei o quanto é caro estar aqui”, falou a americana, que, no bis, vestiu uma blusa em propaganda à UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), possivelmente o único equívoco da apresentação. Ela diz que o “Rio conhece a paz”, mas uma fã foi estuprada na cidade nas vésperas do show. História para gringo ver é diferente – Gaga não tem culpa.

Os little monsters presentes desfrutaram de cada minuto. Gaga é a porta-voz deles, ao mesmo tempo em que os incentiva a se encontrarem como pessoas. O musical – assumindo que se trata disso – fala sobre a busca pela liberdade. Há referências claras ao casamento gay, à legalização da maconha, ao reconhecimento das identidades de gênero e, no meio disso tudo, à fé. Gaga, agora a personagem, se liberta de sua prisão conforme extravasa. É no que ela, a artista, acredita.

No palco, Gaga conseguiu deixar para trás as piadas sobre as baixas vendas dos ingressos, as comparações com a Madonna, e todas as críticas dos haters. A apresentação foi uma ótima estreia para a passagem da sua turnê pelo Brasil, que contará ainda com shows em São Paulo (11/11) e em Porto Alegre (13/11). Mas, por hora, a popstar está vidrada na Cidade Maravilhosa. “O Rio de Janeiro é meu lugar favorito do mundo inteiro! Não se esqueçam disso”.

Publicado no POPLine
http://popline.mtv.uol.com.br/lady-gaga-no-brasil-voce-me-marcou-para-sempre-rio-nunca-vou-te-esquecer-diz-cantora-em-show-para-40-mil-pessoas

Joseph Gordon-Levitt: vamos prestar atenção nesse trintão?

Vejo Joseph Gordon-Levitt como um desses talentos injustiçados por falta de reconhecimento em vida, o que o torna ainda mais interessante (não foi assim com Van Gogh?). Ele já tem 30 anos e trabalha na TV desde criança, mas até hoje não ganhou nenhum prêmio relevante. Joseph tampouco tem um dos cachês mais altos de Hollywood, apesar de uma carreira consolidada. Mas isso pode mudar no ano que vem, porque ele recebeu uma indicação ao Globo de Ouro por sua atuação em “50%” (50/50).

Prêmio esse que ele dificilmente conquistará. Joseph está indicado a Melhor Ator de Comédia ou Musical, concorrendo com Jean Dujardin (“O Artista”), Brendan Gleeson (“O Guarda”), Ryan Gosling (“Amor a Toda Prova”) e Owen Wilson (“Meia-Noite em Paris”). “50%” acompanha a descoberta e o tratamento de um câncer na coluna de um jovem introspectivo. Soa cômico para você? É música para os seus ouvidos?

Tudo bem que o filme tem ótimas tiradas, mas a carga emocional o impede totalmente de ser uma comédia. Mesmo assim, o humor fica quase exclusivamente por conta do co-protagonista Seth Rogen (“O Besouro Verde”). Há uma cena ótima, em que Adam (Joseph) se submete a uma cirurgia de vida-ou-morte e sua família e o melhor amigo (Rogen) o aguardam ansiosamente na sala de espera. A terapeuta de Adam (Anna Kendrick) chega e todos começam a se explicar, imaginando o que o paciente teria contado a ela. “Ele disse que eu sou um babaca? Porque eu não sou!”

Mesmo assim, não é uma comédia. O melhor do filme é o comportamento retraído de Adam, que não coloca seus sentimentos para fora, fingindo que está tudo bem. Joseph interpretou maravilhosamente, de uma maneira tão pouco óbvia, conseguindo externar a introspecção do personagem de maneira muito sensivelmente. Há uma cena muito comovente, em que ele grita dentro de um carro, pela primeira demonstrando seu desespero. Alô, isso é dramático.

A indicação à categoria errada certamente prejudicará Joseph, mas valeu pela lembrança. O Spirit Awards, o Oscar do cinema independente, por exemplo, o ignorou, ainda que o filme tenha garantido três indicações. Mas é tão injusto que Anjelica Houston (a bruxa, lembra?), que interpreta sua mãe, seja nomeada e ele não, sendo que a atriz só aparece em umas três cenas!

Joseph merece reconhecimento. É inaceitável que o grande público sequer saiba dizer o seu nome, sequer saiba que ele tem um nome. É ótimo ser indie, mas é melhor ainda ter uns troféus na prateleira do escritório (ele foi premiado no Festival de Hollywood neste ano, mas quem liga para esse festival de merda nível B?). Fico na esperança de um Oscar – ao menos uma indicação, para dar um up no seu cachê. Falei.

Sem mais publicações