Fatos e perspectivas

Já tinha ouvido falar sobre psicólogos que passam trabalhos de casa para seus pacientes. Acho, até, que foi ela mesma quem me falou sobre isso em uma consulta. Não pensei que seriamos desses, mas, de repente, veio o primeiro exercício, sem que me desse conta. Ela pediu que eu pensasse nos significados de fracasso e frustração – conceitos que venho abordando. “Às vezes a gente confunde essas duas coisas”, me disse. “A gente, não. Você. Talvez eu não tenha me feito entender, no máximo”, mentalizei, não dando muita importância ao assunto. “Pensa nisso”. “Vou pensar”.

Tomei o elevador e, ali dentro mesmo, diferenciei as duas palavras. “Fracasso é o fato, o acontecimento em si. Já a frustração é o sentimento diante dessas circunstâncias”. Segui minha vida indiferentemente, comendo meus chocolates, ouvindo minhas músicas e assoando meu nariz (mudança de tempo!). Mas o assunto começou a me atormentar alguns dias depois. É a tal da pulga atrás da orelha. Comecei a duvidar de mim mesmo. Nunca fui de deixar trabalho de casa para depois.

Failure or Success

Fracasso é o fato? Mas o que é um fato? Fato é algo inegável – como supostamente é o lead dos textos jornalísticos. O fracasso é inegável? Não depende da perspectiva? Um fato é a explosão de uma bomba em um trem. O fracasso, para alguns, é a falha na segurança, por exemplo. Mas, para quem colocou a bomba ali, não. A falha foi o seu sucesso. Estou me fazendo entender? Talvez não, mas foi esse meu raciocínio. O que eu entendi é o seguinte: o fracasso não é o fato, mas sim a nossa maneira de vê-lo.

E a frustração? É mesmo o sentimento diante de um fato? Sim, me parece isso mesmo. Mas vamos além. Frustração está mais para insatisfação ou para decepção? Eu acho que é decepção, mas ela já tentou me sugerir que é insatisfação. Frustrado é insatisfeito, um estado que pode até antevir a decepção. Mas frustrado também é decepcionado. Um pouco dos dois, talvez. Frustrado é um saco – isso que eu sei.

O legal é que nem o fracasso nem a frustração são definitivos, e isso eu já sabia. O fracasso passa, e a frustração, se não passa, deveria. Ela, pelo menos, não é um estado constante, aliás, como nenhum é. Nem a felicidade e nem a tristeza são. “Estou feliz” é mais verdadeiro do que “sou feliz”. Assim como frustrado. O fracasso e a frustração não são sentenças definitivas. Sempre dá para recorrer e começar de novo. Bate o medo – ok, sejamos fracos, bate o desespero – de não fracassar e se frustrar de novo, mas vale lembrar que é tudo questão de perspectiva. Talvez seja o caso de olhar por outro ângulo.

Eles, a janta e os filhos que nunca nasceriam

Eles chegaram ao apartamento dele, mortos de fome e loucos para cozinhar qualquer gororoba para comer. Ela sabia que não era o momento mais adequado para discutir a relação, mas não se aguentava mais de curiosidade. O futuro era maior que a barriga.

– Você quer ter filhos? – tentou parecer casual, enquanto roía uma unha.
– Não. – ele respondeu tranquilamente.

Ela levou um baque. Por essa, não esperava. A pergunta era apenas a primeira de uma série que ela pensava em fazer, mas a resposta dele automaticamente cancelava todas as outras. Como assim ele não quer ter filhos?

– Não?
– Não.

Ele estava concentrado na dispensa, com a porta do armário aberta, olhando o que poderia ser aproveitado. Macarrão? Molho de tomate? Pão de forma? Biscoitos? Ela estava atrás, desnorteada, se apoiando na pia.

– Nunca? – ela ainda tinha esperanças.
– Não quero ter filhos. Já disse. – por um momento, ele achou que ela estava surda – O que você quer comer?

Como ele podia mudar de assunto assim, tratando os filhos deles como uma trivialidade? Como? Eles já estavam juntos há 1 ano. Tinham mais de 25 anos de idade. Já era hora de pensar nas crianças. Ela também não queria engravidar agora – embora estivesse muito envolvida emocionalmente com o chá de bebê de uma amiga – mas achava necessário pensar no futuro, planejar. Começou a chorar. No início, poucas lágrimas, enquanto ele remexia os itens na dispensa. Depois, abriu o berreiro, se descontrolou.

Ele olhou pra trás, assustado.

– O que houve? – pensou que ela havia se machucado ou algo assim.
– Você não quer filhos! – ela estava com raiva.
– Ah, não. Mas você está chorando por isso? – ele não podia acreditar. Ele queria comer.
– Como você pode fazer isso comigo?
– Eu não tô fazendo nada. – pegou o saco de macarrão na dispensa e se dirigiu ao fogão.
– Você não quer filhos! Nunca! Não quer nem discutir a situação! – ela chorava e tremia de nervoso. Estava decepcionada.
– Eu nunca quis. Isso não está em discussão. – ele estava um pouco assustado com ela. Nunca a tinha visto dessa forma. Parecia que estava conhecendo-a agora.

Ela sentia o mesmo com relação a ele. Embora o namorado não percebesse, estava, de repente, abandonando-a sozinha em um sonho que ela sempre pensou que fosse dos dois: a construção de uma vida juntos. Eles se davam tão bem. Não era natural que pensassem em filhos? Mas o sonho era só dela. Só dela.

Na corda bamba

Mais uma vez me disseram “não, obrigado”. Mas quem agradeceu aos céus fui eu, por não ter tempo para pensar nessa situação. Se tivesse… isso me desestabilizaria. Como sempre. Odeio a minha fragilidade ao ser mal avaliado.

Às vezes, acredito que não suporto ser colocado à prova, mas isso é mentira. Desde pequeno, sempre gostei de ser avaliado. A semana de provas me dava uma adrenalina incrível – coisa de nerd. Eu não gostava de estudar, mas uma vez que já tinha estudado… a prova era como uma competição minha contra o professor.

Quando caminho na rua, tento andar em linha reta, na beirada da calçada, me equilibrando naquele retângulo cimentado. Eu tenho toda a calçada para caminhar, até mesmo toda a rua, mas gosto de me sentir na corda bamba. É curioso isso. Eu meio que não cresci nesse aspecto – levantando a perna e esticando os braços em público para evitar a queda.

Mas me equilibrar e fazer provas escolares ou acadêmicas são atividades que eu sei que sou capaz de desempenhar bem. Gosto quando comprovo isso, quando confirmo. Mas se caio, rola uma decepção profunda comigo mesmo. É mais ou menos o que anda acontecendo.

A questão não é me submeter à avaliação, é ser reprovado. Não sei lidar com isso, ainda hoje. Imaturidade talvez. Imagino que ninguém goste de se sentir desqualificado, é claro. Mas eu vou além. Eu me sinto o coco do cavalo do bandido. Me diga qual é o perfil que você quer, que eu me encaixarei.

Sem Título

São quase duas horas da manhã e eu já deveria estar dormindo, porque amanhã (ou hoje, como você preferir) acordarei cedo. Mas eu não estou com sono. Geralmente, não sinto vontade de dormir quando devo – e passo o resto do dia bocejando. É, é sempre assim. Tenho que mudar isso. Vou colocar na minha lista de projetos.

Ah, a minha lista… ela está grande demais no momento. Eu deveria parar e analisar o que é realmente importante para o meu crescimento, e excluir todo o resto. Mas não. Prefiro viver nessa ilusão de que conseguirei estudar, trabalhar (meus planos incluem vários empregos), escrever livros, atualizar sites, blogs e ainda ter tempo para viajar e namorar – o que está intimamente relacionado, no meu caso.

Penso em todos os meus projetos sempre que me deito. Eles me tiram o sono. Às vezes, deprimo, porque percebo que alguns planos não vingarão. Meus pensamentos chegam a um futuro tão distante, que consigo visualizar o fracasso de algo que nem existe. Consequentemente, me pego arrasado. Eu sofro por antecedência – puxei isso da minha avó.

Mais de uma vez, quero desistir de algo que ainda não tentei, com medo de dar errado. É, estou assumindo uma fraqueza publicamente. Sou meio covardão. Preciso que alguém me incentive a seguir em frente e me arriscar (felizmente, tenho essa pessoa).

Eu não sei lidar com o fracasso. Aquela história de cair e levantar é bem triste na prática. Eu me levanto, mas passo a me arrastar. Não gosto de tombos. Eles me deixam com os joelhos ralados. Não gosto de errar, não gosto de críticas. Me estresso, me irrito, me arraso. Para mim, as críticas são sempre destrutivas.

Acho que é um trauma de infância. Quando eu era criança, minha mãe fazia os deveres de casa comigo, quando eu ainda nem sabia escrever (não lembro que trabalhinhos eram esses, que não exigiam minha escrita, mas eles existiam). Se eu errasse algo, ela gritava e me chamava de burro. “Nem parece meu filho!”.

Ela não fazia por mal. Essa época não durou muito (no resto de minha vida, ela foi só elogios), mas me marcou bastante. Virei perfeccionista. Não queria errar, não queria decepcioná-la. Eu cobro muito de mim, talvez mais do que o saudável. Também é difícil lidar com erro dos outros – mas é melhor que o erro seja do outro do que meu. Quando eu tirava nota baixa, eu dizia para mamãe que a turma toda tinha ido mal.

Mas eu cresci. Não dou mais satisfações a ela. Não comento vitórias, para não ter que comentar derrotas também. Ela diz que eu a excluo da minha vida, o que é verdade. Seria melhor que não fosse assim, mas é. Eu prefiro desse jeito. Não gosto de compartilhar os maus momentos, não gosto de ser consolado, porque não acredito em nada do que ouço. Sou estranho.

Acho que falei demais. Vou terminar esse texto assim, bruscamente, para não soltar mais monstros. A madrugada é perigosa.

17 Comentários sobre o VMA 2011 – e nada mais!

1
A noite do Video Music Awards (VMA) começou com uma performance indiscutivelmente boa da cantora Lady Gaga, que apareceu vestida de homem, entre fumaças de cigarro, e cantando Yoü and I, seu novo single. E ainda tocou piano.

Destaque: Enquanto ela cantava, outros rostinhos chamavam a atenção na plateia: Katy Petty, com cara de “eu poderia ter feito isso”; Taylor Lautner com sorriso amarelo; e Justin Bieber de óculos, fazendo o intelectual.

2
Em seguida, Nicki Minaj subiu ao palco com o ator Jonah Hill para apresentar a categoria de melhor vídeo pop. Momento vergonhoso: a cantora lendo descaradamente o teleprompter, enquanto o comediante fazia piadas forçosamente ruins. Foi dispensável. Quanto ao prêmio, ficou para Britney Spears, que pareceu verdadeiramente surpresa – “eu não esperava!” (ela sempre diz isso). Mas o chato é que sempre dá Britney: a MTV americana adora dar aquela força para ela se reerguer.

3
Com menos produção e provando a diversidade do evento, Kanye West e Jay-Z apareceram de jeans, camisa de malha e boné para cantar “Otis”, música do álbum que eles vão lançar em duo. Foi maneiro.

4
Acho irônico quando a MTV coloca Miley-Hannah-Montana-Cyrus para apresentar a categoria de melhor vídeo de rock. Mas é pior ainda quando ela sobe ao palco usando um vestido verde estranho, que mais parece um tapete velho enrolado ao corpo. O prêmio foi para o Foo Fighters, mais do que válido.

5
Vídeo de Joe Jonas (Brothers) com Rebecca Black = dispensável. Sem mais comentários.

6
E quando Nicki Minaj (foco no cordão de sorvete!) voltou ao palco para receber o prêmio de melhor clipe de hip hop? Fiquei na dúvida se ela é naturalmente exagerada (comportamentalmente falando – e não visualmente) ou se ela faz tipo. “OOOOOOOOO(…)OOOOH MYYYYYYYYY GOOOOO(…)OOOOD!” Mas foi válido, por ser a única mulher concorrendo na categoria.

Destaque: Lil Wayne ficou todo prosa, parecia que era ele vencendo.

7
Demi Lovato reapareceu pós-rehab, ao lado de Chord Overstreet(ex-Glee), para apresentar a categoria de melhor parceria. Conclusão: ela se curou mesmo da bulimia, porque está bastante, hum, rechonchuda. Valeu a intenção de desviar as atenções para o decote generoso, mas não funcionou.

O prêmio foi para “E.T.”, de Katy Perry com Kanye West. Eles se encontraram no palco e ela fez uma super festa. Foi um momento bastante contrastante. Ela falou bastante, toda sorridente e feliz. Ele… não. É que o cara estava concorrendo com um clipe seu, com parceria com os “manos”, então ele queria ganhar por isso, mas não rolou. Ficou chato, porque ele pareceu estar desdenhando da parada. Mas ele é assim.

8
A apresentação de Pitbull, Ne-Yo e Nayer foi legal, mas totalmente aquém quando você sabe que o rapper convidou Lindsay Lohan para cantar com ele e ELA NÃO ACEITOU. Imagina como seria legal vê-la cantando depois de tantos anos. Aliás, é legal ver Lilo fazendo qualquer coisa depois de tantos anos de rehab, prisões, tribunais… menos trabalho. Lindsay peidando depois de tantos anos? Queremos ver.

Destaque: Kim Kardashian batendo palminhas fora do ritmo.

9
Adele, como sempre, arrasou em sua apresentação de “Someone Like You”. A única que cantou paradinha – sem contar Jessie J, que estava com a perna quebrada – concentrada na letra e acompanhada apenas do piano. Esculachou. É disso que eu gosto: uma cantora que chega e solta o vozeirão com a mão no coração e cara de sofrida. Amo.

Destaque: Todo mundo aplaudindo de pé, sabendo que não chega aos pés dela; Britney Spears, no fim da apresentação, esticando o pescocinho para ver Adele mais um pouco. É fã.

10
Quando a recém-casada Kim Kardashian apareceu para anunciar o vencedor da categoria de melhor vídeo masculino, todo mundo já sabia: só podia dar Justin Bieber (lembra quando diziam que eles tinham um caso?). Antes de subir no palco, ele deu um selinho na Selena Gomez e depois agradeceu a Deus, a Jesus e ao raio que o parta.

11
Eu tenho simpatizado com Chris Brown, mas achei sua performance meio fora de contexto. Era para ser superprodução? Foi micagem. Sua apresentação foi, como definiu Thundercat, “circense”, com muito streetdance e vôos pelo teatro, mas mesmo assim… morna. Sem contar o playback.

Destaques: Kanye West assistindo ao show de pé, mas sem mover o pé; Justin Bieber vibrando, enquanto pensava “Mãe, eu quero voar também”.

12
E a homenagem para Britney Spears? Incrível! Quanto a ela merecer uma homenagem ou não, prefiro não opinar. Mas o resultado foi ótimo. Gostei de Lady Gaga ser a responsável por entregar o troféu à Britney e, mais ainda, das performances dos bailarinos (muito inteligente da parte dos organizadores colocarem bailarinos para fazer o que a cantora já não é mais capaz…). Só não curti que Lady Gaga não saiu do lado da homenageada, falando o tempo todo, não deixando brilhar quem deveria. #saidaíladygaga

Destaque: Kim Kardashian com cara de “Britney não é minha amiga. Caguei”.

13
Depois do playback do Chris Brown, palmas para Beyoncé ao vivo (embora a música seja bastante chata…). Mas foi totalmente desnecessário ela abrir o casaquinho para passar a mão na barriga no fim do mundo. Envolver gravidez com show business é feio, garota.

Destaque: Adele balançando o corpinho no ritmo da música.

14
Os ídolos teens Selena Gomez e Taylor Lautner apresentaram a categoria de artista revelação. O prêmio foi para Tylor, the Creator (?), que subiu ao palco com a galera.

Destaque: A mãe dele tendo ataque epiléptico durante a comemoração; Selena Gomez fugindo dos manos.

15
Lady Gaga venceu a categoria de melhor vídeo feminino e subiu ao palco vestida de homem novamente. Fez seu teatrinho – “A Lady Gaga não veio, mas gostaria que eu agradecesse a…” – e fez um discurso bonitinho pró-LGBT.

Destaque: Adele batendo palminhas ritmicamente.

16
Emocionante mesmo foi a homenagem à Amy Winehouse, que conseguiu me fazer lacrimejar. Só foi tosco colocar Russel-cala-a-boca-Brand para discursar, mas as coisas melhoraram quando Tony Bennet entrou no palco. O trechinho do vídeo exclusivo dele cantando com Amy, gravado em março, foi a gota d’água. Impossível passar batido por isso. Bruno Mars também arrasou cantando “Valerie” e conseguiu dar uma levantada no ânimo da homenagem – que estava enveredando para o obituário…

17
E Katy Perry foi receber o prêmio mais importante da noite – vídeo do ano – com um cubo amarelo na cabeça, que já conta com o cabelo rosa dela. Depois dessa… só mesmo Lil Wayne mostrando a cueca. Fim da noite.

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