Magia de Carnaval

Eu sei que não é todo mundo que entende o poder de comoção de uma escola de samba. E lamento. É pura arte. O maior espetáculo do planeta, realmente. Quem me conhece sabe que eu amo. Desde criança, o que eu mais gostava no Carnaval era ir à concentração das escolas ver os carros alegóricos na rua. Eu ficava absolutamente encantado com aquilo tudo. Na época, apenas sonhava em um dia assistir aos desfiles lá dentro da Sapucaí. E foi um passo após o outro até que isso acontecesse. A primeira vez que fui, minha mãe não tinha as informações e ficamos na arquibancada popular, já na dispersão – muito ruim. Depois, fui ao desfile das escolas mirins, em outro ano entrei para o desfile do grupo de acesso… Já era grande quando vi pessoalmente minha Beija-Flor, que eu sempre assistia só pela TV. Foi uma emoção inexplicável, e sempre que vou à Sapucaí sou tocado de alguma maneira, seja desfilando ou curtindo.

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Whitney Houston e o gosto musical mórbido

Whitney Houston, de 48 anos, foi encontrada morta no sábado (11/2) e a notícia rapidamente se espalhou pela Internet, causando comoção na classe artística e nos fãs repentinos. Sem desmerecer a antiga boa fase da cantora, mas ultimamente ela só fazia vergonha. Ao morrer, o passado recente foi ignorado e ela parece ter conquistado novos seguidores.

Não entendo o apreço por esse gênero musical, o mórbido. Os artistas morrem e automaticamente são santificados. Só é bom de verdade o que não está mais entre nós. Quem conhece duas ou três músicas já diz que ama e que sentirá falta, enquanto corre para baixar a discografia completa e fingir que a escutou a vida inteira. Incrível a quantidade de amigos escutando Whitney no MSN (pela primeira vez nos últimos dez anos).

Com todo respeito, mas ela fez uma turnê mundial em 2010, que foi marcada por desafinações, vaias, pedidos humilhantes de desculpas, playback e exigências de reembolso. Não era exatamente o cenário propício para o surgimento de novos fãs. Mas com sua morte, a galera, ao que tudo indica, se sente obrigada a prestar homenagem e mergulhar nos tempos áureos.

O mesmo ocorreu com Michael Jackson e Amy Winehouse, sem desconsiderar o talento incrível de cada um. O primeiro foi apontado pela Forbes como o artista morto que mais lucrou em 2010 e 2011. No ano passado, foram US$ 170 milhões arrecadados (dinheiro que teria pago suas dívidas em vida, se as pessoas o valorizassem mais enquanto ele estava aqui). O mesmo ocorreu com Amy, que não pôde ver a venda dos seus CDs alavancarem nos EUA, na Europa e no Brasil após sua morte. Vale lembrar que os dois álbuns já haviam sido lançados há, respectivamente, cinco e oito anos.

As pessoas se atraem por corpos em resfriamento, como se suas obras se tornassem imediatamente apreciáveis, supervalorizando trabalhos que não despertavam sua atenção antes. Não precisa ir muito longe. Wando morreu e todo mundo começou a cantar “Você é luz, é raio estrela e luar, meu iaiá, meu ioiô”, como se os versos fossem admiráveis.

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