Rock in Rio: Stevie Wonder dá aula de ‘música de verdade’

O show do Stevie Wonder no Rock in Rio ainda não terminou – no momento em que comecei a escrever essas palavras – mas já posso dizer que o cara subiu ao palco para dar uma aula do que é música. Menos é mais.

Em um festival em que o público se acostumou a ouvir desafinações, playbacks e faltas de ar dos seus ídolos, eis Stevie Wonder. Nos últimos dias, ouvi declarações como “ela tem uma ótima presença de palco” e “os figurinos e cenários são incríveis” como tentativas de explicar o injustificável: as atrações não sabem cantar.

O show de Stevie é muito simples. Não há supercenários, nem superfigurinos (na verdade, ele parece estar cantando com um pijaminha confortável), mas há uma superbanda, superletras e um supercantor – tudo que importa de verdade.

Não é isso o que se espera de um show, quando você paga um ingresso caro? Os clímax são uma homenagem a Michael Jackson ou uma palinha de “Garota de Ipanema” – e não trocas de perucas ou a destruição de uma guitarra. Em pensar que Stevie quase ficou de fora da line-up… até agora, foi o melhor show que vi no festival.

Dá uma olhada: clipe novo (e fetichista) de Nader Assaf

Meu amigo querido Nader Assaf lançou hoje o clipe da música “A Vida Como É”, uma das minhas favoritas, que faz parte do álbum “Velha Juventude”, lançado em 2009.

No vídeo, ele interpreta um cantor (oh!) que flerta com o garçom de um bar no qual se apreenta. Só há um detalhe: sua namorada está sentada em uma mesa bem ali, assistindo-o. Ao que parece, ela é linda, mas não insubstituível.

Cada detalhe do clipe é esteticamente lindo: do microfone ao carro da primeira cena, tudo com um quê de novela de época – algo que essa música sempre me remeteu. Vale a pena dar uma conferida (depois me diga o que você achou):

Dur dur d’être bébé – eu podia ter cantado isso

Eu podia ter sido o Jordy, mas…

Xuxa sempre me disse pra acreditar nos meus sonhos e gritá-los pro mundo, porque se ninguém soubesse dele, ninguém nunca poderia me ajudar. Foi assim que eu cheguei na minha mãe, que tava deitada na cama e falei:

– Mãe, sabe o que eu quero ser quando crescer?
– Não, o que?

Veterinário. Professor. Bombeiro. Astronauta. Essa era a hora que eu devia ter falado qualquer uma dessas profissões e ter dado fim à conversa. Mas não, eu não era desses. Eu falei:

– Eu quero ser cantor.
– Ah, é? E você sabe cantar?
– Sei ué.
– Então canta pra mim.

Qual era a da minha mãe afinal? Tava me testando? Aquilo era uma audição surpresa do American Idol? Eu hein. Mães normais dariam um sorrisinho, diriam ‘que legal’ e passariam a mão na cabeça do filho. Mães que apóiam os filhos comprariam um microfone no dia seguinte e o matricularia em aulas de canto. Minha mãe não. Minha mãe estava ali, fazendo o Miranda.
– Canta pra mim.

E eu cantei, né. Botei a boca no trombone me sentindo a Mili, que na época era a maior referência de ‘cantar bem’ para mim. Eu arrasei nos agudos, gente. Vocês podem imaginar como não foi minha apresentação exclusiva para mamãe. Só não cheguei na melhor parte, aquela hora em que eu ia mostrar que era um artista completo cantando&dançando, porque a minha mãe me interrompeu.

– Não. Tá muito ruim. Tenta de novo.

Como assim tá muito ruim, gente? O que ela entende de música? Minha mãe tava começando a me irritar. Agora ela era a Angélica dizendo que eu não ia pra Academia do Fama? Perguntei porque tava ruim. Ela disse que eu era só desafinação. E cantou pra mim. E aquilo me fez achar que ela era realmente uma ótima cantora, só não tinha sido descoberta. Diferente de mim, que seria.

– Tenta fazer que nem eu fiz.

E eu comecei a cantar de novo.

– Não. Para! Não adianta. Você não tem voz pra isso. Desiste.

Foi assim que não fui Jordy e muito menos Frank Sinatra. Minha mãe dizia que meus desenhos mais horríveis estavam lindos. Então para ela dizer que eu cantava mal, eu devia mesmo ser o erro. Desde então, só dublo.

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