Um dia é tempo suficiente para eu saber se vou te amar ou não

“Se você gosta dele, e ele gosta de você, por que não ficam juntos?”. Criança costuma pensar assim, com sabedoria e simplicidade. Eu, até bem pouco tempo, também era adepto desse raciocínio tão lógico quanto inocente. Mas parece que, quando você começa a envelhecer, se torna inevitável dificultar a matemática. Não sei quando ocorreu essa transição, mas ela ocorreu. 1+1 passa a não dar 2 necessariamente, porque você descobre outras nuances e variáveis nessa que, de uma soma básica, se torna uma equação complexa. É quando você passa a jogar – contra aquele com quem você deseja fazer par no futuro. Note bem: joga-se contra, e não com.

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[Dica da Semana] Ariana Grande – Yours Truly

Eu quase falei da Ariana Grande aqui antes, mas fico feliz de ter me segurado para comentar agora, que ela está lançando seu primeiro álbum – o “Yours Truly”. Sabe quando você descobre algo muito legal e quer apresentar para todos seus amigos? Então, no momento, meu ouro se chama Ariana Grande. Como canta essa menina! Que delícia é ouvi-la!

Ariana é americana do estado da Flórida, tem 20 anos, carinha de debutante, e um timbre que é muito comparado ao da cantora Mariah Carey – o que só pode ser interpretado com um elogio, goste você do gênero musical dela ou não. Seu álbum de estreia, lançado nesta semana nos EUA, é essencialmente pop, mas com uma pegada R&B (o instrumental de abertura em “Honeymoon Avenue” me lembra muito o trabalho do Timbaland com o Justin Timberlake), e alguns elementos hip-hop (destacados nas participações do Big Sean e do Mac Miller). Põe para tocar enquanto eu continuo a falar:

O álbum mal saiu e já é um sucesso, porque chegou ao topo da lista dos mais vendidos do iTunes em mais de 30 países. Aqui no Brasil, ela ainda não é muito famosa, mas a repercussão internacional do CD está causando certo buzz entre os mais antenados. Por um lado, é bom que ela não seja empurrada goela adentro, como tantos enlatados contemporâneos foram, mas Ariana realmente merece ser ouvida. Não é que ela tenha um hit chiclete ou que seja o rostinho bonito da vez. Juro para você: ela é boa de verdade! É o tipo de pessoa por quem você torceria no “The Voice”. Já ouviu o vídeo acima? Põe esse aqui para tocar também:

Além do vozeirão, Ariana é co-autora da maioria de suas músicas, que falam basicamente sobre amor, de uma maneira bem ingênua, é verdade. São composições apaixonadas, que desconhecem o sofrimento na maioria das vezes. Não é fácil se identificar se você não é uma garotinha apaixonada. Mas é bonito ver a maneira como ela celebra o amor. Sua voz combina com o tema.

Não quero nem que você compre o CD ou o ouça inteiro, mas que fique de olho nela. Karol Conká, que recomendei na semana passada, ganhou o Prêmio Multishow de Artista Revelação, então me dê créditos!

OBS: Se você já conhece a Ariana, notou que não citei seu trabalho nas séries da Nickelodeon. O intuito foi evitar o preconceito dos demais. Eu teria preconceito, admito. Só descobri que ela era estrela de programa infanto-juvenil depois que já estava apaixonado por sua voz 😉

Busca-se namorado perfeito pra mulher desesperada

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Todas as minhas amigas solteiras estão desesperadas por um namorado. Às vezes me pergunto se elas têm mesmo essa necessidade extrema de ter alguém do lado, ou se tudo não passa de um troféu a ser erguido. Você sabe: faz parte do pacote do sucesso ter um namorado. Estar sozinha é mais ou menos como um carimbo de falha bem no meio da testa. A velha “antes só do que mal acompanhado” só vale da boca pra fora. Ninguém quer ser a “solteirona”. Elas preferem um mau partido, do qual possam reclamar na rodinha de amigas, do que uma lacuna em branco. Digo isso porque tenho outras amigas que mantêm relacionamentos perceptivelmente (para qualquer um!) degenerativos só para não “se verem de volta ao mercado”. E haja aspas.

Viver de aparências. Acho que o erro está justamente aí. Em vez de se perguntar “por que aquela biscate tem um namorado e eu só atraio problemáticos?”, elas deveriam fazer outro autoquestionamento. Eu ficaria com “se eu fosse um cara, iria querer manter um relacionamento comigo mesma, neste momento da minha vida?”. Talvez algumas percebam que não. Ninguém quer salvar ninguém e compaixão não é paixão, muito menos amor. Não entendeu? Bem, vamos lá. Eu disserto. Eu gosto de fazer isso.

Você tem que estar bem para encontrar sua cara metade, sua alma gêmea, seu amor, seu chuchuzinho, seu parceiro, seu bofe, ou como quer que você queira chamá-lo. Para mim, o desespero por encontrar alguém já denota uma insatisfação, que provavelmente é reflexo de outras áreas da vida. E aí, como posso te falar, você repele os rapazes legais, e só atrai os malas. Com quem você gostaria de namorar: a menina plena, bem resolvida e interessante ou aquela com vácuos e falhas na vida, apostando sua salvação em um namoro? Bingo! Você entendeu. Ninguém quer a desesperada. Se você é uma desesperada, você acha que disfarça isso para os outros, e talvez até consiga mesmo, mas o que não sabe é que exala uma espécie de essência negativa. Feromônios defeituosos, arrisco-me a dizer, apropriando-me do termo científico amadoramente.

É preciso se amar primeiro para permitir que alguém te ame também (e que você o ame reciprocamente!). É clichê dizer isso, mas é a maneira mais simples de expressar essa ideia. Deve-se amar o trabalho, os estudos, os amigos, a família, a academia, a dieta, enfim, tudo o que te cerca. Se esse não for o caso, faça mudanças na sua vida, corte incômodos, adicione prazeres. A realização transparece na maneira como se sorri: um sorriso feliz é diferente de um sorriso por pressão social. Todas as pessoas legais que apareceram na minha vida aconteceram quando eu estava bem. Tenho uma teoria: quando se busca “o cara” você só encontra “os caras” (que não servem) e, quando não se busca, aparece alguém legal naturalmente. Não é uma recomendação para se trancar em casa e esperar o príncipe encantado – porque isso te faria uma mulher problemática, e não é sobre isso que estou falando – mas também não acredito em “sair à luta”. Caçar pressupõe que algo não está bem. Você só caça quando tem fome. “Cara feia, pra mim, é fome”, invertida, fica assim: fome, pra mim, é cara feia. Logo, você caça de cara feia!

Se você acredita que um namorado vai animar sua vida, há um problema. Se você precisa de animação, a conquiste por si mesma, de outras maneiras. Um namoro é mais consequência do que causa da felicidade. Quando você está mal, as pessoas se afastam. Isso é senso comum. Agora, quando você está bem, as pessoas se aproximam, porque você é uma boa companhia. Basicamente, a melhor maneira de atrair um namorado legal é não buscá-lo diretamente, ao meu ver. Busque outras satisfações, realizações; preencha outras lacunas; e ele aparecerá. Coloque-se no lugar do outro. Assim como você quer alguém bem sucedido – e não me refiro a termos financeiros especificamente – eles também querem. Desespere-se por arrumar sua vida, porque ninguém vai fazer isso por você. Com a casa limpa, aí sim você pode receber visita.

[Dica da Semana] Antes da Meia-Noite

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Coincidentemente, meu primeiro contato com a franquia de filmes “Antes do Amanhecer” (1995) aconteceu às vésperas da estreia do terceiro longa aqui no Brasil, o Antes da Meia-Noite (2013), que chegou aos cinemas no Dia dos Namorados. Um mês antes, li a sinopse de “Antes do Pôr do Sol” (2004) – o segundo da série – no verso do DVD em uma loja, assisti e me apaixonei. Valeu cinco estrelinhas. Então, descobri que havia um filme anterior, que deu origem àquilo tudo, e também o vi, aguardando ansiosamente pelo terceiro, que teve sua primeira exibição no Festival de Sundance. E eu gosto de Sundance.

Como disse, eu vi antes o segundo filme da franquia – que continua sendo meu favorito. Mas hoje quero falar do “Antes da Meia-Noite”, esse que está nos cinemas e você deveria ir assistir. Estrelado por Julie Delpy e Ethan Hawke, que dão vida ao casal Céline e Jesse, e também co-assinam o roteiro com o diretor Richard Linklater, o filme acompanha o casal em uma viagem à Grécia, 18 anos depois do seu primeiro encontro em um trem rumo à Viena.

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Logo na segunda cena, descobre-se que os dois se casaram após o segundo encontro, em Paris (retratado no segundo filme), e tiveram duas filhas. Assim, o espectador entende que eles tiveram uma vida em comum, finalmente, e que a gente perdeu isso! Ineditamente, não acompanhamos todos seus dias! É um cenário completamente novo, com os dois íntimos, envelhecidos e mais cômicos do que românticos – como acontece com toda relação de amor, que tende para a amizade com o passar dos anos. Sim, eles ainda estão apaixonados e, sim, ainda são nosso casalzinho favorito, mas agora eles se conhecem mais e se idealizam menos.

“Antes da Meia-Noite” traz tudo o que um relacionamento de anos pode trazer: ressentimentos, cobranças, rotina, cumplicidade, confiança e comprovação do amor. Basicamente, tudo o que eles não tinham nos filmes anteriores. Antes, as situações dos encontros eram muito especiais, com personagens muito realistas e carismáticos. Agora, as situações são realistas e carismáticas e eles que se tornaram especiais. Não há mais espaço para o ideal.

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A experiência, repito, é totalmente diferente dos roteiros anteriores. Até mesmo o título – “Antes da Meia-Noite” – induz ao erro. Agora, eles não têm mais um limite de tempo para passarem juntos, como no primeiro, que poderiam se conhecer até o amanhecer, ou no segundo, quando matariam a saudade até o anoitecer. Pelo contrário, agora têm uma vida inteira para trás e para frente. Dos anteriores, permanece a linguagem: os diálogos incríveis, as cenas longas, e o fluxo de pensamento oral da Céline. A segunda cena é um plano sequência interminável (de bom) dos dois dentro de um carro, dirigindo para o hotel. A sensação é a de assistir ao pay per view de um reality show.

Eu gostei e acho que você também vai gostar 😛 Caso não tenha visto os filmes anteriores, não tem problema. Dá para assistir independentemente disso. Mas, claro, tudo fica melhor se você conhece a história completa da trilogia. Os filmes são facilmente acháveis na Internet. Aproveite. São românticos, mas não são melosos, com potencial para agradar a todos. A dica da semana é essa.

[Dica da semana] Fazer bolão para o Oscar 2013, que acontece no domingo

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A dica da semana é fazer bolão com os amigos pra tentar acertar a lista de vencedores do Oscar 2013. Dá para preparar a pipoca, reunir a galera, se jogar no sofá e torcer pelos seus escolhidos! Para te ajudar, preparei uma listinha com os favoritos, baseada nos vencedores das principais premiações pré-Oscar.

Como foi acompanhado aqui no blog, corri contra o tempo para assistir ao máximo de filmes indicados e assim poder formar minha opinião. Então, além de dizer as apostas para os vencedores deste ano, também coloco embaixo para quem vai minha torcida. Façam suas listinhas também! Depois a gente compara 😉

MELHOR FILME
Aposta: “Argo”, que venceu todas as premiações importantes dos diversos sindicatos, mesmo sem conseguir uma indicação do Ben Affleck a diretor.
Torcida: “As Aventuras de Pi”, que foi o filme que mais encantou e impressionou neste ano.

MELHOR DIRETOR
Aposta: Steven Spielberg, porque “Lincoln” não deve levar o prêmio principal, apesar de ter sido o favorito por muito tempo.
Torcida: Ang Lee (“As Aventuras de Pi”).

MELHOR ATOR
Aposta: Daniel Day-Lewis (“Lincoln”), favoritíssimo.
Torcida: Daniel Day-Lewis.

MELHOR ATRIZ
Aposta: Jennifer Lawrence (“O Lado Bom da Vida”), vencedora do prêmio do sindicato dos atores.
Torcida: Quvenzhané Wallis (“Indomável Sonhadora”), que conduziu o filme sozinha com a maestria que muita gente grande não tem.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aposta: Tommy Lee Jones (“Lincoln”), também vencedor da premiação do sindicato.
Torcida: Robert De Niro (“O Lado Bom da Vida”) e o próprio Tommy Lee Jones.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Aposta: Anne Hathaway (“Os Miseráveis”), mais que favorita.
Torcida: Anne Hathaway, porque está na hora de receber uma estatueta e porque não há interpretações indicadas à altura.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Aposta: Mark Boal (“A Hora Mais Escura”), vencedor da premiação do sindicato dos roteiristas.
Torcida: Wes Anderson e Roman Coppola (“Moonrise Kingdom”), porque é um filme lindo e deveria ter sido melhor representado na premiação.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Aposta: Chris Terrio (“Argo”), vencedor da premiação do sindicato dos roteiristas.
Torcida: David Magee (“As Aventuras de Pi”).

MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA
Aposta: “Amor”, que dificilmente não levará essa.
Torcida: “No”, que todos deveriam assistir, aliás.

Prefiro não opinar sobre as categorias técnicas, embora minha torcida seja assumida para “As Aventuras de Pi” (com exceção do figurino, que tem que ser de “Anna Karenina” – olha eu já dando pitaco!). Também não farei apostas para as categorias referentes às animações e aos documentários, porque não os vi. Então, a lista termina aqui. Os resultados oficiais, claro, serão divulgados lá em Los Angeles 😉

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