Amizade depois dos 25

Sabe aquele papo de que, com o amadurecimento, a gente descobre quem é amigo de verdade? Balela. Quem cunhou e disseminou essa teoria apenas envelheceu e viu que os amigos não estavam mais tão disponíveis como antes: como na infância, em que se encontravam para brincar todos os dias, ou como na adolescência, em que qualquer hora era hora de se reunir para brigadeiro na panela e fofocas ao vivo. Se esse cidadão, o mesmo de “amigos de verdade se conta em uma mão”, vivesse na era digital, teria popularizado muitas frases amarguradas mais. Afinal, quem ainda reserva tempo para se encontrar?

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Felicidade é utopia

Você às vezes não tem a impressão de que a felicidade é uma utopia? De vez em quando, eu desconfio, pelo menos, de que ela é reservada apenas às crianças, sempre tão ingênuas e despreocupadas seja qual for o caos em que vivam. Agora, os adultos… a gente está sempre correndo atrás da felicidade. Ela é um objetivo nunca alcançado. Tô certo ou tô errado?

As pessoas vivem para perseguir a felicidade, cometendo erros e acertos com a única intenção de serem felizes. Mas morrem antes de conseguir, parece. Claro: temos momentos felizes. Mas a felicidade como uma constante… não acontece. A gente conquista algo, fica feliz e logo nos vêm novas preocupações e, de novo, estamos correndo atrás daquela boa sensação. É quase um vício (ou, talvez, uma obrigação). É mais fácil estar do que ser feliz. Repare bem.

Pensa comigo: o que você mais quer na vida? Pensou? Agora, me diga: e depois que você conseguir isso? Como vai ser? Pois é. Sempre falta alguma coisa para a nossa felicidade ser completa. O que a gente mais quer não é SÓ o que a gente quer. Os desejos são múltiplos e, ao se alcançar o primeiro, passa-se a correr atrás da concretização do segundo e assim sucessivamente. Nunca acaba, porque, durante o processo, surgem novas metas. Carreira, sucesso, casamento, filho, caridade, não importa.

Já as crianças… Elas vivem dia após dia, aproveitando cada um sem se importar com o amanhã. Elas não correm atrás de felicidade alguma. Elas sonham e, assim, são felizes. Elas não se preocupam em torná-los realidade, porque, para elas, seus sonhos já são bastante reais. Sonhar é real. Isso basta, de certa forma.

Sou fruto de uma geração que cresceu sob a ideologia de Xuxa: “querer, poder, conseguir”. E isso dava força às minhas fantasias. Cresci e comecei a torná-las reais. Mas elas passam. Você quer comprar um carro, por exemplo. Você compra, realiza seu sonho, você fica em êxtase, mas depois de um mês aquilo já é banal. Não dá para viver olhando para trás. A gente olha para frente. O que vem por aí?

Ainda com relação à Xuxa, ela sempre foi um bom retrato da felicidade. Mulher sempre sorridente, bonita, rica, com sucesso, uma carreira estável, uma legião fiel de fãs, uma filha bonita e saudável, um affair aqui, outro acolá. Então, a gente imagina: ela chegou “lá”. Mas aí a mãe é internada com pneumonia, sofre de Mal de Parkinson e diabete. O irmão também andou doente, que eu li.

E o que aconteceu? Xuxa virou capa de revista ao dizer, durante a comemoração de 25 anos de casa na Globo, que estava triste (“Hoje, eu não sou feliz”). E – tratando-se do segmento que cuida de celebridades – a declaração merecia mesmo a manchete. Xuxa, mulher sempre sorridente (…) outro acolá… triste? É de se chocar. É questão de se questionar: se até ela fica triste, como pode a felicidade constante existir? Não existe. E eu deveria ter desconfiado quando ela se separou de Marlene Matos… porque não era feliz com ela.

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