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Malu Rodrigues conta tudo sobre os bastidores do filme “Confissões de Adolescente” em longa entrevista

A atriz Malu Rodrigues, a Bia da série “Tapas & Beijos”, tem 20 anos e cara de 15. Por isso, ganhou um dos papeis principais no filme Confissões de Adolescente, que chega aos cinemas na sexta (10/1), como uma adaptação atualizada do livro da Maria Mariana e da série de TV homônima. Mas é só a cara que é de garotinha. Seu discurso é de uma veterana, decidida e firme em suas posições. Foi ela, por exemplo, que contestou algumas das decisões do diretor Daniel Filho (dos dois “Se Eu Fosse Você”) durante as filmagens. Conhecido por ser um carrasco, como ela mesma o define nessa entrevista ao Fala, Leonardo!, o cineasta colocava medo em Sophia Abrahão, Bella Camero e Clara Tiezzi – as três atrizes que completam o elenco protagonista. Em Malu? Não. Nela, ele despertava seu instinto assassino. “Eu queria matar o Daniel algumas vezes”, confessa. “Ele pegava muito no meu pé”.

'Confissões de Adolescente - O Filme' (crédito Dilvugação) (80)

Aclamada em musicais como “O Mágico de Oz” e “Despertar da Primavera”, Malu foi a única das quatro que não foi submetida a testes para entrar no elenco do filme, orçado em R$ 5,9 milhões. Daniel Filho lhe ofereceu o papel em uma reunião. Na conversa, ele contou que sua personagem, Alice, interpretada por Daniele Valente na TV, teria cenas de sexo. O mote de sua história é a perda da virgindade. “Tudo bem pra você?”, perguntou. Ela, que polemizou ao ficar nua no teatro, quando ainda era menor de idade, mostrou logo sua personalidade: “Depende. Pelada por quê?”. Outras poderiam ter dito imediatamente sim ou não. É conhecida, por exemplo, a história de que Regina Duarte, aos 28 anos, recusou o convite para protagonizar o filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (o 2º mais assistido da história do cinema nacional) justamente porque não queria tirar a roupa. Para Malu, isso não é um problema, desde que exista contexto. Ela topou, mas fez Daniel convencê-la da necessidade.

Foi a primeira vez que ela fez o diretor se explicar. Já vinculada ao projeto, descobriu que ele queria praticar um método muito particular de filmar: impedir o elenco de ler o roteiro, escrito por Matheus Souza (de “Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida”). O script de cada cena só seria entregue no dia de filmá-las. O objetivo era imprimir o frescor adolescente na telona, valorizando a espontaneidade e o improviso. Malu não gostou. “Fui mandante de uma revolução”, lembra. “Fazer um filme que a gente não tem ideia de como é o personagem? A gente implorou, pediu pelo amor de Deus, para poder ler o roteiro pelo menos uma vez”. Deu certo: conseguiu. Mas só leu uma vez. “Tiraram o texto da gente de novo, mas pelo menos sabíamos como era a história e lembrávamos algumas coisas”.

Menos assustador, mas tão perturbador quanto, foi quando ele avisou que não queria nenhum tipo de maquiagem em cena. As adolescentes do filme não podiam parecer patricinhas, maquiadas para ir à escola. Malu concordava, mas também não queria aparecer destruída na tela do cinema. “A gente contrabandeava maquiagem!”, brinca a atriz. “Eu estava fazendo três trabalhos ao mesmo tempo. Tinha dia que acordava às 4h de manhã para apresentar peça em São Paulo e voltava para o Rio de Janeiro à noite para filmar. Falei ‘pelo amor de Deus, vou chegar com cara de ‘dormindo’”. Mas não adiantou. Ele não cedeu dessa vez. Pelo menos, ela tentou. “Um dia, ele falou que eu ia assistir ao filme e terminar amando-o. A primeira coisa que disse para ele quando assisti foi ‘Daniel, eu te amo’. E ele disse ‘eu também’.

Você tem 20 anos, e “Confissões de Adolescente” também. Você tem alguma memória da série e da dimensão desse projeto para os adolescentes daquela geração?
Com a série, não tive contato, porque era muito nova. Mas eu li o livro quando era pequena e gostei muito. Sempre quis ver a peça, mas nunca consegui, porque estava em cartaz com algum musical. Trabalho desde criança, então não conseguia parar para assistir. Algumas amigas minhas fizeram as montagens mais recentes, e eu ficava sabendo das coisas por elas, cheia de vontade de ir ver.

Muitas atrizes importantes passaram pelo elenco da peça, ao longo dessas duas décadas. É diferente fazer um trabalho que outras, reconhecidamente tão boas, já fizeram antes? Você teme comparações?
Eu acho que a responsabilidade existe em qualquer trabalho. A gente não ficou pensando muito em comparações ou em como fizeram antes. A gente teve uma reunião com o Daniel no início e perguntou se devia assistir à série ou a algum episódio específico para cada personagem. Ele disse que preferia que não assistíssemos, porque não queria nenhuma referência. Então, acho que a cobrança era muito maior por trabalhar com ele e por saber do peso do projeto, do que por medo de comparações.

O elenco não teve acesso ao roteiro completo antes das filmagens e só recebia as falas do dia na hora de filmar. Como foi essa dinâmica de trabalho?
Foi meio assustador. Eu sou muito caxias e gosto de estudar em casa para chegar com tudo pronto. Foi difícil, mas funcionou no fim das contas. O Daniel queria esse frescor adolescente de não saber falar, e falar um em cima do outro. Às vezes a gente mudava uma palavra ou outra, porque tinha acabado de decorar o texto, e ele foi super compreensível neste ponto. A gente ensaiava bastante e conseguia gravar quase tudo de primeira. Mas, na verdade, eu fui a mandante de uma revolução. Ele não queria que a gente lesse o roteiro inteiro nem uma vez, mas falei ‘Ah, não. Fazer um filme que a gente não tem ideia de como é o personagem?’ A gente implorou, pediu pelo amor de Deus, para poder ler o roteiro pelo menos uma vez. Aí ele deixou. Senão como ia saber como era a personagem? Eu faço a menina que tem a primeira vez e fica grávida, mas ela é como? Lemos o roteiro uma vez e ele falou ‘Agora quero que vocês esqueçam tudo e vamos filmar’. Tiraram o texto da gente de novo, mas pelo menos sabíamos como era a história e lembrávamos de algumas coisas.

O Daniel Filho tem fama de rígido. A Sophia Abrahão contou que tinha medo das broncas dele. Como foi sua relação com o diretor no set?
Eu queria matar o Daniel algumas vezes, né? (risos) Mentira. Acho que é uma coisa dele, por ser daqueles diretores mais antigos. Ele tenta puxar o melhor de você. Pegava muito no meu pé, porque minha personagem tem uma dramaticidade maior, eu acho. Não é nada pessoal e ficava só no estúdio. Sabia que era para tirar o melhor de mim. Sem dúvida, ele tirou o melhor de mim. Um dia, ele falou que eu ia assistir ao filme e terminar amando-o. A primeira coisa que disse para ele quando assisti foi “Daniel, eu te amo”. E ele disse “eu também”. Então, ele é um pouco carrasco, mas também é super carinhoso fora de cena. Nas minhas cenas mais complicadinhas, nas quais tinha que ficar pelada, ele foi um amor. Era tudo com respeito, com carinho, com cuidado. Foi um processo bem intenso, mas gostoso. O resultado é o que importa.

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Qual foi o momento mais difícil das filmagens?
Acho que a cena mais difícil de fazer foi a que a Alice descobre que está grávida. Não tenho nada próximo a mim nesse sentido – nenhuma amiga ou familiar que tenha ficado grávida muito nova. Então, tive que procurar algumas pessoas que não eram tão amigas, conversar e descobrir como era. Algumas fizeram aborto, nunca contaram pra ninguém e contaram pra mim. Foi um processo bem legal em termos de estudo. Mas, em termos de sensação, foi a cena mais difícil.

Como só recebiam as falas na hora de gravar, você sabia que ia fazer essa cena no dia de filmá-la ou foi uma surpresa?
Sabia. Eles avisavam mais ou menos um dia antes o contexto da cena, explicando o que ia acontecer. A gente só não tinha as falas, então ia meio preparada para o que ia acontecer. Eu lembro que esse foi o dia que o Daniel mais pegou no meu pé. Eu estava muito exausta, e foi a última cena do dia, então… foi bem difícil.

E de onde você tirou a carga emocional para fazê-la?
Acho que cada um tem uma coisa que lhe faz chorar. Eu sou muito ligada à música, porque faço musical desde criança. É algo muito presente na minha vida e acho que cada um tem uma música que desperta um sentimento assim. Então, sempre que tinha que chorar em alguma cena, o Daniel me deixava quietinha em um canto, me concentrando, e só me chamava na hora de gravar. Ele falou “Bota uma música e fica na fossa”. Falei “ok”, botei a música e, em dois segundos, estava chorando aos prantos e pensando nas meninas com quem conversei.

E qual era a música?
Ah, é uma música que ninguém deve conhecer. Inclusive, mostrei para os outros depois e todo mundo falou que era uma música linda, que não tinha porque chorar com ela. Mas, gente, é uma música que me toca. É “Falling Slowly”, que é daquele filme que virou musical na Broadway e fez um sucesso enorme – “Once”. Eu tinha acabado de voltar de viagem e assistido lá.

Escute a música:

O Daniel Filho pediu que vocês ficassem sem maquiagem em cena. Sei que isso é um drama para as mulheres. Como isso afetou sua vaidade?
A gente contrabandeava maquiagem! (risos) Mentira! Quando começou, o Daniel falou que não queria maquiagem nenhuma e que era para ser o mais natural possível. A gente implorou para usar pelo menos um corretivo nos dias em que tivéssemos com mais olheira. Eu estava fazendo três trabalhos ao mesmo tempo: “Tapas & Beijos”, o musical “O Mágico de Oz” e o filme. Tinha dia que eu acordava às 4h da manhã para apresentar peça em São Paulo e voltava para o Rio de Janeiro à noite para filmar. Eu falei: “Pelo amor de Deus, eu vou chegar com cara de ‘dormindo’!”. Acabou que ficou por isso mesmo e a gente aceitou. O filme é muito naturalista, muito bonitinho, muito fofo. Tinha que ser assim mesmo. Se fosse de outro jeito, pareceriam adolescentes patricinhas montadinhas e não era isso que ele queria. Realmente, uma menina de 16 anos não vai para a escola de blush e rímel de manhã.

O Christian Monassa faz seu par romântico e vocês têm muita química em cena. Já se conheciam antes?
Então, não! (risos) Na verdade, o Christian me conhecia de vista, porque tinha alguns amigos que faziam musical comigo. Nada muito próximo. Mas o Daniel fez questão de deixar as cenas mais íntimas para os últimos dias de filmagem, então a gente já estava junto há praticamente dois meses. Tivemos uma preparação com a Luiza Thirré, que também ajudou todo mundo a se conhecer bem e ficar mais próximo – todas as meninas, todos os namorados, enfim. Todo mundo virou muito amigo, então foi tranquilo. Que bom!

Em quase toda entrevista que você deu sobre o filme, teve que falar sobre a cena de sexo e de nudez. Na época de “Despertar da Primavera”, também houve uma polêmica com relação a essa questão. Na sua opinião, o erotismo artístico ainda é um tabu para as pessoas?
Eu acho que o sexo é um dos assuntos mais polêmicos para o adolescente e não poderia deixar de ter no filme. É o mais complexo também. Ficar menstruada não muda muita coisa. Pra mim, pelo menos, não mudou nada. Mas, quando você tem a primeira vez, o primeiro namorado, o primeiro amor, o corpo e a cabeça mudam mesmo. Mexe com muita coisa. Então, você realmente cresce. Por isso que eu acho que quanto mais cedo pior! Então, realmente não podia deixar de ter, e dessa maneira, sem nenhum pudor, nenhuma restrição, nenhuma censura. Não tem porque não mostrar o peito… Acho que sexo sempre vai ser meio tabu. Há famílias e famílias, e cada um é educado de uma forma. A conversa deveria ser a principal coisa entre pais e filhos. Eu estudei em colégio de freira e sei que muitos colégios têm aula de sexualidade, então acho que quanto mais informação menos problemas, como a gravidez na adolescência.

'Confissões de Adolescente - O Filme' (crédito Dilvugação) (85)

Ok. Você estudou em colégio de freira. De onde vem esse despudor para tirar a roupa em cena?
Acho que quem quer ser ator se entrega de corpo e alma. A gente não pensa muito. Se tem contexto e tem a ver com a cena, porque não? Se tivesse que raspar a cabeça, pintar o cabelo, qualquer coisa, eu faria. Claro que tudo tem limite. Tem coisas que realmente não são necessárias. Depende muito do contexto, da cena, da história. O ator tem que se despir de qualquer vergonha e qualquer medo. Isso não existe na nossa profissão. A gente está ali para se doar por inteiro e contar a história daquele personagem. Não é a Malu que está ali, é outra pessoa, é a Alice. Já passei por poucas e boas, desde o sapatinho da Dorothy me apertando por três horas na peça até pegar cachorro que faz cocô e xixi em cena. Então, é isso, né? A gente se entrega de uma maneira inexplicável.

Ter feito uma cena de sexo no teatro facilitou o trabalho no cinema? Afinal, são menos pessoas assistindo no estúdio…
No teatro, é mais longe, né? (risos) No cinema, é uma tela gigantesca e, na hora de gravar… as pessoas estão mais próximas. No teatro, a gente ensaia tanto, que acaba ficando algo muito orgânico, então você não pensa que tem 600 ou mil pessoas te assistindo. Se você pensar, você entra em pânico e não faz nada. Tem que entrar, se jogar, fazer o seu melhor e pronto. Eu sou muito tímida, então acho que foi pior no filme, que é tudo muito minimalista. No estúdio, está todo mundo muito próximo, é frio, tem uma luz em cima e, quando corta, você está lá pelada. O Daniel foi um querido e tirou todo mundo do estúdio no dia. Só ficou quem realmente precisava ficar. Foi tudo muito coreografo – não há uma mão fora do lugar, é tipo um balé -, então foi melhor, porque não tinha quase ninguém. Mas acho que teatro é mais fácil.

Que situação te faria dizer não para um diretor?
A gente está ali para mentir um pouco, então nada que precisasse ser de verdade, como uma cena de sexo real ou consumo de drogas. Tudo bem, desde que dentro de um contexto. Precisa ficar pelada? Precisa. Por quê? Tem que entender o conceito com o diretor. Eu não fiz teste [para “Confissões”], então na primeira vez que me encontrei com o Daniel, em uma conversa, ele virou e perguntou se eu teria problemas em ficar pelada. Falei: “Depende. Pelada por quê?”. Ele me contou a história e concordei, tudo bem. Acho que depende de cena para cena, de personagem para personagem. Tudo tem que ser conversado.

Depois de “Confissões”, quais serão seus próximos projetos?
Volto com “Tapas & Beijos” na Globo. Começo a gravar de novo no fim de fevereiro e entra no ar assim que terminar o “Big Brother Brasil”. Talvez tenha também o “Confissões 2” para a gente filmar no fim do ano. Além disso, estou com minha peça, que é linda de morrer, para comemorar os 70 anos do Chico Buarque. É o novo musical do Charles Möeller e Claudio Botelho, “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”.

Clarice Falcão e Gregório Duvivier, o casal do momento

Clarice Falcão e Gregório Duvivier dominaram 2013 e começaram 2014 mostrando que não vai ser diferente. Estão em cartaz com o filme “Eu Não Faço a Menor Ideia Do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida”, do jovem cineasta Matheus Souza (de “Apenas o Fim”), e continuam com o “Porta dos Fundos” na Internet. São, definitivamente, o casal onipresente da vez. No ano passado, puderam ser encontrados, juntos ou separados, na televisão, na música, no cinema, na literatura, no teatro e, claro, na web. Tanta exposição os colocou na lista dos cariocas do ano da revista Veja Rio e na dos entertainers de 2013 do blog do Zeca Camargo. O apresentador do “Video Show” os pôs ao lado de nomes como David Bowie, Kanye West e Daft Punk, e argumentou que eles são uma nova versão da expressão inglesa “power couple” (casal poderoso): poderosos, mas sem pretensão de ser.

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É mais ou menos como a nossa versão de Brangelina – forma como a imprensa americana se refere ao casal de atores Brad Pitt e Angelina Jolie. Aliás, se Clarice e Gregório ganhassem um apelidinho, qual seria? Clagório? Grerice? Os termos soam cômicos, como eles. Quando questionados sobre o assunto, ambos acham graça. “Brangelina! Adoro!”, exclama o ator. “Acho que, para a gente, faltam os filhos e, claro, aquela conta bancária”. Clarice também ri, mas fala sério quando emenda que a exposição deles é resultado do trabalho. Os dois conseguem se manter distantes do rótulo de celebridade.

De fato, ela e Gregório não costumam viajar para ilhas ou castelos para aparecer nas capas das revistas. Eles também não vivem tirando fotos com o celular e postando no Instagram, para que os sites de fofoca repliquem as imagens. Não há paparazzi atrás deles. Mas há muitos fãs. Não é mais possível sair de casa sem ouvir pedidos de fotos ou autógrafos, o que eles garantem que não lhes incomoda. A proximidade com o público, aliás, gerou convites para rentáveis campanhas publicitárias, dispostas a explorar a credibilidade deles com os jovens. Na internet, os vídeos comerciais se tornam virais. Uma publicidade da Clarice para a rede de supermercados Pão de Açúcar, por exemplo, teve mais de 1,4 milhão visualizações no Youtube em quatro meses. Outra, do Gregório para o lava roupas Ariel, registrou 4,6 milhões de acessos no mesmo período.

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O audiovisual é a maior praia do casal, mas eles também se aventuram por outras áreas. Gregório é escritor e recentemente lançou o livro “Ligue os Pontos – Poemas de Amor e Big Bang”, que, em suas próprias palavras, foi todo inspirado na namorada. Como não poderia deixar de ser, o livro é dedicado a ela, que também aparece na lista de agradecimentos. Clarice, por sua vez, mantém uma carreira paralela de cantora e compositora, que lhe rendeu uma indicação Grammy Latino em 2013, por seu trabalho no álbum “Monomania”. A música-título, adivinha, é sobre o namorado.

Juntos há quatro anos, desde que “ficaram” pela primeira vez, após uma apresentação da peça “Confissões de Adolescente”, Gregório e Clarice só se desentendem quando ficam afastados. Gostam de escrever e contracenar juntos. “Amo trabalhar com o Gregório”, declara a atriz, filha dos roteiristas Adriana e João Falcão. “Meus pais sempre trabalharam juntos. Cresci numa família em que todos trabalhavam e se divertiam trabalhando juntos. Foi assim que aprendi”, explica ao Fala, Leonardo!. A intimidade é benéfica nas parcerias profissionais, na opinião do Gregório. No fake reality show “O Fantástico Mundo de Gregório” (2012), programa que acompanhava a vida dele e, portanto, também dela, os dois improvisavam muito, graças à sintonia. “Quando um fala, o outro já sabe onde a frase vai dar. A gente entende muito o tempo, o timing cômico, um do outro”.

Isso pode ser comprovado com facilidade no “Porta dos Fundos”, onde recebem a aprovação popular. Os esquetes “Essa É Pra Você” e “O Homem Que Não Sabia Mentir” – protagonizados pelos dois – estão entre os dez mais assistidos do canal. São mais de 11 milhões de acessos no que ela canta desaforos para o namorado. “É muito legal ter o trabalho admirado”, observa Clarice, que está acostumada a ser indagada sobre Gregório quando é vista sozinha em qualquer lugar. Com ele, acontece o mesmo. Durante a sessão de autógrafos do lançamento do seu livro, no Shopping Leblon, uma fã perguntou onde estava Clarice. Como se fossem siameses.

Para felicidade de quem gosta de vê-los lado a lado, o casal retoma a parceria neste filme novo, “Eu Não Faço a Menor Ideia Do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida”. Na trama, Clarice é a protagonista, na pele de uma universitária de Medicina que mata as aulas para descobrir à sua maneira qual profissão realmente quer seguir. Gregório faz uma participação, interpretando seu tio de 27 anos, diagnosticado com câncer. Contracenam em duas cenas, que fizeram a sala inteira rir, na pré-estreia realizada no Rio de Janeiro, no mês passado. “Admiro muito a Clarice como comediante. A gente gosta muito de improvisar e é muito bom improvisar com alguém que você conhece tão bem”, enfatiza Gregório. “A gente tem as mesmas referências, gosta do mesmo tipo de humor… Temos muita química”. É o que Clarice canta na música “De Todos Os Loucos do Mundo”, que faz parte do seu álbum de estreia. A primeira estrofe diz exatamente isso: “De todos os loucos do mundo eu quis você / Porque eu tava cansada de ser louca assim sozinha / De todos os loucos do mundo eu quis você / Porque a sua loucura parece um pouco com a minha”. Isso é Grerice. Ou Clagório.

LEIA TAMBÉM:
>> Entrevista com Clarice Falcão.
>> Entrevista com criadores do “Porta dos Fundos”.

“Porta dos Fundos” lança DVD com esquetes do canal do Youtube: leia a entrevista completa

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Nenhum vídeo do Porta dos Fundos tem menos de duas milhões de visualizações no Youtube. O número é impressionante, sem dúvidas, mas também revela um grande potencial de crescimento – afinal, a população brasileira é de 200 milhões de pessoas. De olho nisso, o grupo decidiu expandir os negócios e lançar um DVD com os 28 primeiros esquetes postados no canal virtual, acrescidas de extras com comentários dos vídeos e um minidocumentário. Não é coincidência que o produto chegue às lojas no mês do Natal, com tiragem de 15 mil cópias. “[Agora é possível] dar o ‘Porta dos Fundos’ para sua mãe que não vê Internet”, explica o ator João Vicente de Castro, um dos criadores do grupo, sentado no escritório da Universal Music, no Rio de Janeiro, onde ocorreu a coletiva de imprensa do lançamento do DVD, na terça (3/12). O ator Gregório Duvivier, um dos sócios, completa: “O público que não tem acesso à Internet e compra DVD é gigantesco e não pode ser desprezado. Outro dia, uma moça me encontrou na rua e disse que me conhecia de algum lugar. Falei que deveria ser da Internet e ela me respondeu ‘Não, eu não frequento bate-papo’”.

A declaração gera risadas na sala, logo no início da entrevista. Marcada para as 17h30, ela só começou as 18h45, porque todos chegaram atrasados, culpando o engarrafamento cotidiano da Barra da Tijuca. Está aí um bom tema para um vídeo: o caótico trânsito carioca. É possível que o assunto apareça nos próximos esquetes: o “Porta dos Fundos” tem 36 roteiros aprovados que ainda não foram produzidos. Além disso, eles também planejam uma série para o canal virtual e um filme para os cinemas, além do livro, que já está nas livrarias. TV, não, apesar do seu inegável alcance massificado. “Dá para ir? Dá. A gente teria interesse se o projeto fosse muito legal? Teria. Mas não é o caso. Não estamos buscando isso arduamente agora”, explica o ator Antonio Pedro Tabet, protagonista do vídeo “Quem Manda”, que teve mais de 8,6 milhões de acessos.

O grande mérito da “Porta dos Fundos”, aliás, é ser grande sem precisar da TV. Atualmente, a produtora trabalha com 40 funcionários. O diretor geral Ian SBF – o responsável por “fazer as coisas correrem”, como ressalta Fábio Porchat – conta que eles trabalham todos os dias. “Obviamente, não é todo dia gravando. Cada dia é uma coisa diferente. E quem não está no escritório está em casa escrevendo”. Ou comendo. Enquanto o amigo fala, Porchat devora a mesa de petiscos na sua frente. “Eu não almocei, tá? Só para dizer… Por isso estou fazendo essa favelinha”, brinca, com a boca cheia. É difícil ficar perto deles e não rir.

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Foi noticiado que vocês processaram uma empresa de lubrificantes que usou o nome Porta dos Fundos…
Fábio: Não, a gente não processou ninguém.

E vocês já receberam processo por algum esquete?
Ian: Não. Também não.
Fábio: A gente é muito “não”, né? (risos) Não, não, não!

Quando vocês fizeram o esquete da Xuxa, vários sites noticiaram como se fosse alarmante tocar no nome dela. Muitos pensaram que rolaria um processo.
Antonio: Você viu os créditos no vídeo? O roteiro é dela também.
Pausa no ambiente.
Antonio: Mentira! (risos)
Gregório: Até eu fiquei surpreso agora! (risos)
Ian: Eu achei que ia ter alguma repercussão, mas não vi nada.
Gregório: Quando a gente lançou, todo mundo falou “processos em 3, 2, 1”. Todo mundo postou dessa maneira. Mas não deu em nada. Só uma vez que o Marco Feliciano falou que ia processar, mas não fez nada também.
Fábio: A Xuxa adorou! Ela é superfã!
Antonio: As pessoas tem um pensamento muito carola na Internet. Ouvem algo que não estão acostumados a ouvirem na TV e pensam que pode dar problema. Mas se você parar para pensar é um esquete bem humorada e que fala super bem da Xuxa. Pior seria se o personagem falasse assim “Não quero transar com a Xuxa de jeito nenhum!”. Claro que ele queria transar com a Xuxa. Ela é linda, ela é ótima, maravilhosa, enfim.
João: (risos) Deixa seu recado! Vai!
Antonio: O único motivo que ela poderia ter para processar seria dizer “Eu nunca transaria com esse cara”, que no caso sou eu. Aí eu que processaria ela! Ia ser uma dízima periódica infinita.
João: Comédia ficou muito linkada a processo, né?
Fábio: Três caras foram processados na história da comédia. Todo o resto nunca foi processado. Leandro Hassum nunca foi processado, eu nunca fui, a gente nunca foi, Bruno Mazzeo nunca foi. Então, na verdade, a exceção virou a regra só porque é mais polêmico e fala-se mais disso.
Antonio: Nunca fomos e nunca seremos processados.

Mas na hora de fazer os esquetes, há algum tipo de preocupação nesse sentido?
Gregório: Temos o foco natural na comédia, no humor. O grande objetivo é divertir as pessoas. Se a gente vê que algo está mais ofensivo do que engraçado, não filma, pela simples razão de que não é bom. Nem é por medo de processo.
Antonio: Para a gente, se algo parece ser ofensivo na leitura do roteiro já deixa de ser engraçado. Uma coisa anula a outra.
João: Fazer polêmica por fazer polêmica está claro que não é nosso caso.
Fábio: A gente fala de assuntos super áridos. Não é “Ah, não vamos falar sobre nada!”. A gente fala de religião, de racismo, suicídio.
Gregório: O “Porta” provou muito isso: não existe tema tabu. O que existe são abordagens boas ou ruins. A gente já falou de tudo. Não tem nenhum tema que a gente não tenha resvalado ou abordado. Quando você trata com o cuidado necessário, com responsabilidade, acaba que o foco fica na comédia e não na polêmica.

Normalmente, alguém pode chegar com alguma ideia para roteiro?
Gregório: Normalmente, não. A gente é bem fechado.
Fabio: O pessoal de dentro do “Porta” tem a liberdade de propor ideias, e isso não tem problema nenhum.
Gregório: O que acontece é que somos 36 pessoas e todo mundo está tendo ideia. A gente já tem uma frente enorme de ideias. Tem roteiro até maio do ano que vem!
Fabio: A gente tem hoje 36 roteiros aprovados, que não foram feitos.

A “Porta dos Fundos” se tornou um fenômeno e todo mundo quer uma fatia disso. Há algumas participações especiais nos vídeos, e imagino que existam muitos se convidando para participar. Como vocês lidam com esses convites?
João: A gente aceita alguns, nega outros. (risos)
Fábio: Tem que ser orgânico. Não pode ser assim: “Ah, o Felipão quer participar. Mas a gente tem esquete para o Felipão? Não, mas coloca aqui…”.
Antonio: Na verdade, depende muito do nome. Eu já falei para eles, desenvolvendo um roteiro, que gostaria muito de gravar um esquete com o [jornalista esportivo] Léo Batista. É meu sonho de consumo! Nunca vai acontecer, mas eu adoraria. Por quê? Porque eu tenho uma ideia.
Ian: Você já tá jogando agora para ver se rola! (risos)
Antonio: Mas pode chegar uma pessoa e acharmos que não tem nada a ver. Outras estão acima do bem e do mal, tipo a própria Xuxa ou a Sandy. Se elas disseram “quero fazer”, a gente vai dar um jeito de pensar em uma ideia legal.

O público se acostumou com a cara de vocês e é surpreendido quando aparece alguém diferente, como a Fernanda Paes Leme em “Homens”. Mas é surpreendido justamente porque vocês não abusam desse artifício. Há também uma preocupação em dosar as participações especiais?
Fábio: A gente tem essa preocupação sim, senão vira um especial de fim de ano da Globo e não é isso. Se tiver toda hora…
João: Tem que fazer sentido. Tipo “Só a Xuxa pode fazer isso”.
Ian: Toda vez que a gente teve participação especial foi porque achou engraçado, e não para gerar audiência. Isso é o que move a gente: achar engraçado. Já percebemos que, para gerar audiência, não precisamos disso, porque as pessoas gostam de ver o pessoal do “Porta” e isso já basta. Então é só quando é engraçado mesmo.

Falando em especial da Globo, como estão as propostas para o “Porta” ir para a televisão?
João: Várias. Sempre.
Antonio: Muitas.
Gregório: Já rolaram, mas já deixaram rolar também, porque não rolaram. Caraca, isso foi meio Caetano, meio Gil, né?
Antonio: A última que rolou foi há muito pouco tempo, então acho que rolarão outras. Sempre dizemos a mesma coisa: se tivermos um projeto para televisão, vamos fazer, mas no momento estamos adorando fazer isso. Não temos nada contra televisão, entendeu?

Quando o “Porta” começou a ganhar força, vocês falavam que preferiam a Internet porque tinham mais liberdade criativa. Depois, o Zeca Camargo fez um post no blog dele, defendendo que a maioria dos esquetes poderia passar na TV, com adaptações mínimas. Isso mudou a percepção de vocês?
João: É que eu não sei se isso é tão real na prática. Eu acho que faz sentido tudo que ele escreveu. Particularmente, achei muito legal tudo que ele escreveu, mas não sei se na prática é assim. Mas também não é isso que faz a gente não ir [para a TV].
Antonio: O Porchat tem uma frase muito boa que é o seguinte: antigamente, há um ano, as pessoas usavam a Internet como um trampolim para a TV, e a gente não usa a Internet como um trampolim para a TV. A gente está na Internet porque a gente quer. O Porchat fala que a Internet é a piscina. A gente está na piscina, no lugar que a gente quer. Ir para a Tv seria um movimento tão paralelo quanto lançar um programa de rádio, uma revista ou um jornal. Dá para ir? Dá. A gente teria interesse se o projeto fosse muito legal? Teria. Mas não é o caso. Não estamos buscando isso arduamente agora.
Fabio: “Vamos lançar um seriado na TV”… Por que a gente não lança na Internet, no “Porta dos Fundos”?

Eu entendo o que vocês falam, mas saiu uma matéria no jornal “O Globo” falando como se a “Porta dos Fundos” servisse de vitrine para que arrumassem trabalhos na televisão. Para muita gente – os nossos pais, talvez – uma pessoa só faz sucesso se está na TV. O que vocês acham disso?
Fábio: Acho que a gente está colaborando para que as pessoas entendam que isso não é uma brincadeira. É sério, é uma empresa com 40 pessoas, que ganha milhões e movimenta…
João: “Fábio Porchat diz: ‘virei milionário’”. (risos)
Fábio: Eu não! O “Porta dos Fundos” ganha milhões.
Antonio: Outra coisa. Se você pegar qualquer ator do “Porta” que não está na TV aberta e colocar andando na rua, do lado de 80% do elenco da Globo, ele vai ser mais reconhecido. É verdade! Vai chamar mais atenção. Óbvio que Tony Ramos, Antonio Fagundes, esses são monstros…
João: …mas se colocar do lado do Fabio, não sei não! (risos)

Como foi a mudança da “Porta dos Fundos” na vida de vocês?
Gregório: O “Porta” mudou totalmente a vida de todos nós, de todas as maneiras. Acho que posso falar em nome de todos. Só vejo o lado bom. É muito legal o reconhecimento, é incrível. O “Porta dos Fundos” explodiu e provou que o humor que a gente acredita tem um público. Isso é muito bom, é muito importante. Tem muita gente que gosta do humor que a gente gosta, que a gente vê. O “Porta” provou que nós não somos minoria. O humor que a gente gosta não é minoritário, é popular. Foi isso que mudou. Mostrou que o que a gente acredita tem público.

E quais os planos para o filme do “Porta dos Fundos”?
Fabio: Isso é uma coisa que a gente quer de verdade: fazer um filme, estrear no cinema. É um projeto que a gente acredita, mas não tem nem o roteiro ainda. É uma vontade, uma ânsia. A ideia é fazer, claro, com o mesmo elenco, a mesma pegada, a mesma direção do Ian, com a mesma galera, só que no cinema. “Porta dos Fundos” é isso. Se a gente chegar e fizer “Os Ursinhos Carinhosos”, as pessoas vão dizer “Ué, isso não é ‘Porta dos Fundos’” e não é mesmo. A mesma coisa se o “Jackass” decidir fazer um programa com as pessoas jogando baralho. Essa essência do que é a gente não pode mudar. A gente gostaria de ver tudo que a gente faz. Volta e meia, assisto como uma fã um esquete nosso que não escrevi e não participei da gravação. Assisto, me divirto, rio. É o tipo de humor que eu gostaria de ver.

Vocês acompanham os concorrentes?
Ian: Parei de ver TV há muito tempo! (risos)

Já existiam canais bem sucedidos no Youtube, mas o “Porta dos Fundos” redimensionou e deu outro sentido a ser bem sucedido na Internet.
Antonio: A gente redimensionou, na verdade, o termo bem-sucedido, né? Ah, tá. (risos)
Fábio: Que escroto! (risos)
João: Eu já vi cinco manchetes do EGO nessa entrevista aqui. (risos)
Fabio: Não, o termo bem sucedido na Internet…
João: Eu não vejo nenhum que seja o que a gente faz, realmente.

Mas agora tem o pessoal da velha MTV criando canais e apostando nisso também…
João: Eu realmente não assisti.
Fabio: Também não vi ainda…
Gregório: Caraca, a MTV virou tipo Tupi, né? (risos) “A velha MTV…”. Quem diria, né? A velha MTV! Mas é! A extinta…
Fabio: A gente redimensionou porque atingiu um lugar mundial mesmo. Estamos indo amanhã para Portugal para lançar o livro do “Porta dos Fundos” lá. Eu vou fazer show lá e já está lotado – de portugueses! Não é de brasileiros. Os portugueses são fãs do “Porta dos Fundos”. Já temos todos os vídeos legendados em inglês e espanhol, inclusive no DVD. As pessoas lá fora estão assistindo muito. É o canal que cresceu mais rápido na história do Youtube, então atingiu o mundo. Não dá mais para pensar só aqui. Na TV aberta, você viu, viu; não viu, acabou. Na Internet, você vê onde quiser, quando quiser. Se não estiver na China, vê livremente, a hora que quiser.

Li que vocês tinham um projeto de criar uma plataforma própria para não ter que dividir receita com o Youtube/Google. Confere?
Ian: Não. Jamais! Nunca, nunca! Pelo contrário, a gente quer sempre ser um canal do Youtube.
Fabio: Mais um não pra você! (risos) A gente tem uma relação muito próxima com o Youtube, sobretudo o Ian, que viaja para lá, conversa…
Antonio: Somos parceiros do Youtube. Eles são ótimos para a gente, e a gente é muito bom pra eles. Não tem porque separar.
Gregório: O “Porta” não existiria com a força que tem se não fosse a força do Youtube também, com certeza.

Então, 2014 é o filme e…
Fabio: Seriado!
Gregório: Dentro do canal do “Porta”, vamos lançar outras coisas. Deve ter um seriado uma vez por semana…

Tem nome?
Gregório: Não, não, não. A gente também não tem roteiro. O que a gente quer é transformar o “Porta” em um canal com uma programação variada, plural.
Fabio: Exatamente. Quem sabe um reality?

Entrevista Exclusiva: Girls contam tudo sobre os primeiros passos da girlband e revelam sua opinião sobre Miley Cyrus e Britney Spears

Ani Monjardim, Bruna Rocha, Caroline Ferreira, Jeniffer Nascimento e Natascha Piva têm personalidades e trajetórias muito específicas, mas se encontraram no grupo Girls. Selecionadas por um reality show, elas criaram um vínculo muito próximo com os fãs, e agora trabalharam para corresponder às expectativas. Com o single “Acenda a Luz” nas rádios, o álbum nas lojas e a turnê na estrada, elas estão divulgando massivamente o trabalho, encabeçado pelo produtor Rick Bonadio (Rouge, Manu Gavassi).

Foi durante essa maratona que elas conversaram com o POPLine por telefone, em uma entrevista que rendeu duas horas de gravação. Falamos sobre tudo: o desenvolvimento do álbum, o encontro com a Luciana Andrade do Rouge, as críticas pesadas que recebem na Internet, e a aposta em um trabalho tão diferente do que está bombando nas rádios brasileiras atualmente.

Para conhecer ainda mais as cinco cantoras, propomos uma brincadeira. Jogamos alguns assuntos no ar para saber a opinião delas e as meninas foram extremamente sinceras! O grupo falou francamente sobre Miley Cyrus, Britney Spears e muito mais. Você não vai ler nada disso em outro lugar.

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Vocês foram escolhidas em um programa de TV e gravaram músicas que já estavam previamente desenvolvidas. O quanto de vocês é possível imprimir nesse trabalho que estão fazendo?
Carol – É, as músicas já estavam todas prontas, mas foram uma surpresa para gente. Imaginávamos que seria até uma coisa mais infantil, mais Rouge, e não é. Conseguimos colocar a personalidade de cada uma, que foi bem especificada no programa.
Jeniffer – Na verdade, eu consegui colocar muito de mim nesse projeto. É algo que sempre quis participar: um projeto de música pop, com referências internacionais. Eu até já tinha sido apresentada para outros produtores, mas eles diziam que não havia muito mercado para eu cantar músicas internacionais, que isso não fazia sucesso no Brasil. Como eu sempre fiz teatro musical, me emprestava para os personagens, totalmente dirigida, até mesmo com direção vocal. Com nosso CD, descobri a minha voz, como é a Jeniffer cantora.

Na hora de gravar, como era decidido quem ia cantar quais partes das músicas?
Carol – A gente decidia tudo na hora. Ficava todo mundo em volta de uma mesa, com a letra, e víamos quem encaixava melhor. Eu, por exemplo, faço os raps. A Bruna e a Naty fazem as músicas mais românticas, a Ani fala umas frases em inglês, uma coisa mais sensual… Foi tudo decidido na hora.
Vocês participaram dessa escolha então?
Carol – Participamos.
Natascha – Na verdade, os vocais de cada música foram decididos pelo Rick [Bonadio, produtor]. Então tinha partes que uma queria cantar e não cantou, por exemplo. Mas ele tem uma visão que é melhor do que a nossa, porque está há muitos anos nisso e sabe reconhecer onde nossa voz se encaixa de uma forma mais precisa. Ele nos dava as partes que achava que encaixa melhor com a nossa personalidade e com a nossa voz. A gente acredita nele.

A Luciana Andrade, ex-integrante do Rouge, estava gravando o EP solo dela no mesmo estúdio em que vocês gravaram o CD do grupo. Como ela já trilhou todo esse caminho pelo qual vocês estão passando, rolou algum conselho?
Natascha – A gente atacava ela nos corredores para perguntar como é isso tudo, como funciona, como ela lidou com a pressão do dia-a-dia. Ela sempre foi muito receptiva.
Bruna – Eu já admirava muito a Luciana, antes de conhecê-la. Depois, passei a admirar mais ainda, porque ela tem um coração enorme. Ela deu várias dicas, e chamou sim a gente pra conversar. Poxa, ninguém melhor do que elas do Rouge para dar uma dica pra gente, né?
Jeniffer – Com certeza, ela já passou por tudo que a gente está passando. Eu, inclusive, reencontrei a Luciana, porque gravei o comercial da sandália do Rouge quando tinha nove anos. Ela deu vários conselhos. Disse que somos um grupo, e temos que ficar unidas, porque não adianta pensar individualmente. Ela disse também que o que uma faz, todas têm que fazer, em termos de dedicação e profissionalismo.
Ani – Ela é um amor! Na época do reality show, ela disse que não poderia dar conselhos, porque querendo ou não ela abandonou o Rouge. Mas conversou bastante com as vencedoras, depois que ganhamos. Eu, por exemplo, vivo muito intensamente o agora. É difícil eu pensar no depois, e achava que isso era um problema. Ela me ensinou que isso não é errado, e me mostrou que viver tudo intensamente te ajuda muito no futuro. Então não me culpo mais.

Aproveitando que citei o Rouge, quais as outras referências de girlbands para vocês?
Carol – O Rouge é a que a mais falamos, porque imitávamos elas quando éramos crianças. Eu era a Karin… Brinco que quando estava de cabelo liso eu era a Aline, e quando estava de cabelo enrolado era a Karin. A gente até sofre algumas comparações com elas, mas se conseguirmos ter pelo menos um pouco do sucesso que elas tiveram vai ser uma realização. Além delas, também gostava das Spice Girs e do Destiny’s Child.
Bruna – Eu gosto muito do Little Mix, porque tem uma história parecida com a nossa, já que também saiu de um reality show, o “X-Factor”. Também gosto do Fifth Harmony, da temporada passada. E boyband… eu amo o One Direction! Sei que você está perguntando de girlband, mas eu amo eles. (risos)
Natascha – Eu gosto de escutar o Destiny’s Child. Dos novos, eu gosto das músicas e do jeito que o Little Mix se veste. Acho bem interessante. Na infância, ouvia as Spice Girls e me identificava mais com a Victoria [Beckham] e com a Ginger [Geri Halliwell]. E, claro, o Rouge, que eu tinha até um grupo cover na escola. Eu era a Patrícia no meu grupo! (risos)
Ani – Minha infância e adolescência, depois do Rouge, foi só “Hannah Montana”. Não prestava muita atenção nas outras coisas. Gostava dos hits das Pussycat Dolls, mas a gente sabe que a Nicole [Scherzinger] já era meio que solo ali, né? Hoje em dia, não escuto muito, mas admiro o Little Mix. Elas são supertalentosas. A voz de cada uma é brilhante. Quando começamos a fazer a cappella, demos uma pesquisada e o Litte Mix foi um ponto muito forte. A gente viu como elas se olhavam e interagiam para fazer a cappella. Elas são uma ótima referência.
Jeniffer – Eu sou novinha, mas eu amava as Spice Girls. Também gostava muito das Pussycat Dolls, que era uma girlband com mais atitude, mais sexy. Eu gosto muito das novas também – o Fifth Harmony, o Little Mix. As acho bem legais. Mas as principais eram as Spice e as Pussycat.
E as Destiny’s Child [Jeniffer é fã declarada da Beyoncé]?
Jeniffer – Gente, pelo amor de Deus! Elas sem dúvida, né? É que elas eram trio, então fico um pouco confusa! (risos) Eu comecei a acompanhar as Destiny’s quando elas eram um trio já. Tenho todos os DVDs. É que, pra mim, o Destiny’s Child se resumia em Beyoncé, né? Eu ficava olhando para copiá-la. Eu adoro! Cantava as músicas. Ficava na frente da TV cantando “Survivor”, “Emotion”…

Vocês moram juntas em São Paulo, não é? Tá pior que um casamento isso: trabalham e dormem juntas. 24 horas coladas. Já rolou a primeira briga?
Jeniffer – TPM tudo junto!
Ani – TPM! Uma fica estressada e acaba dando um coice, mas a gente entende. Só tem mulher e a gente sabe que mulher não é muito certa da cabeça. (risos) Principalmente eu, que sou pirada naturalmente. Imagina de TPM. Estamos aprendendo a respeitar o espaço de cada uma. O legal é que divido quarto com a Carol e ela é tão, tão, tão calma! A gente se encaixa muito bem. Não sei se as outras me entenderiam tanto. Dou graças a Deus que a Carol me entende, porque não é todo mundo que entende.
Natascha – Ah, sempre tem uma coisinha ou outra, mas acho que é normal. A gente discute com a família, com o namorado, com alguém do trabalho, é normal isso no dia-a-dia. Conviver é uma coisa muito difícil. Relações são muito delicadas. A gente entende que, na banda, nós temos personalidades completamente diferentes.
Jeniffer – A gente aprendeu bastante a se respeitar. Meu medo era brigar pelo banheiro, porque imagina três mulheres para um banheiro só. Mas deu tudo certo. A gente se acerta super bem nessa questão. No começo, os estranhamentos vinham mais por causa das entrevistas. Todas afobadas, querendo falar tudo, e às vezes rolava um ‘ah, você podia ter falado isso!’. Mas nada de superbriga. Isso não tem não.

Agora, uma brincadeira. Quero que cada uma defina as outras integrantes com uma única palavra. Vamos lá?
Natascha – Uma palavra é difícil, porque eu falo muito! (risos) A Ani é maluca, a Bruna é amiga, a Carol é batalhadora e a Jeniffer é talento.
Carol – Naty é guerreira, porque briga pelos pensamentos e ideias dela nas reuniões. A Jeniffer é determinada, a Ani é a energia, e a Bruna é… ai, Bruna, me ajuda! (risos) A Bruna também é muito determinada, mas vou dizer brilho. Ela surpreende muito no show.
Bruna – A Carol é muito humana, porque olho nos olhos dela e vejo uma verdade, sabe? A Natascha é muito determinada, uma das pessoas mais determinadas que já conheci em toda a minha vida. A Jeniffer é muito madura, porque a vida fez com que ela fosse assim, começando a trabalhar no mundo artístico muito pequena. Ela é muito pé no chão. E a Ani é a Ani! Ela é mesmo a energia do grupo.
Jeniffer – Eu diria que a Ani é 220 volts, mas o engraçado é que em casa ela é outra pessoa. Acho que a bateria descarrega. A Carol é esforçada e dedicada, por nunca ter feito nada nesse ritmo. Ela corre muito atrás para acompanhar. A Bruna é muito engraçada. Dou muita risada com ela. É aquela amiga legal que todo mundo quer ter, sabe? E a Natascha é demais. Ela canta muito. Tem uma voz incrível. Eu estudei muito para cantar. O dela é dom, nasceu com isso. E ela também é muito focada, e extremamente dedicada.
Ani – Jeniffer é a artista, porque ela tem só 20 anos e começou a trabalhar no mundo artístico com cinco. Ela é quem tem mais experiência, e sempre que tenho alguma dúvida recorro a ela. Nesta fase que estou aprendendo, ela me ajuda muito. A Natascha é democrática. Ela que divide quem vai falar o que, quem vai cantar o que nas vinhetas. A gente sabe que ela é justa! A Bruna… acho que ela está no mesmo nível que eu, mesmo já tendo trabalhado com música antes e eu não. Artisticamente, estamos na mesma vibe, aprendendo. O que posso dizer? Ela é engraçadinha, sabe? Tem coisas que só a Bruna te proporciona. Ela solta umas coisas que você fica rindo três horas. A Carol é minha irmãzinha. Já até viajou comigo para visitar minha irmã e meus sobrinhos. Ela virou uma irmã mesmo. Na verdade, todas somos. Mas como moro com a Carol, sei mais dela. Na hora de dormir, rolam aqueles desabafos, e a outra que está no outro apartamento não ouve.

Vocês logo começaram a fazer shows, que devia ser o momento mais esperado. Como é esse sensação?
Natascha – Cada show é diferente. A gente sempre fica muito nervosa, porque vive pra isso. O show acaba sendo onde toda a preparação se desenvolve. É onde você vai mostrar tudo que treinou, que se esforçou, que se dedicou para ter aquele momento com o fã. Todos os shows são muito especiais. Sempre dá aquele frio na barriga. É sempre muito emocionante. No palco, eu não consigo pensar em mais nada: se há algum problema, se estou muito cansada, se estou com saudade de alguém, se estou triste… Quando estou no palco, vivo aquilo intensamente.
Jeniffer – Pra mim, o meu lugar é o palco. Gosto de TV também, mas nada é como o palco. O que eu já gostava nos musicais se aflorou como cantora. Você consegue ver a mudança que você causa nas pessoas através da música. Você canta, e vê todo mundo pulando, chorando com você. Poder tocar as pessoas é algo que não tem preço. É a melhor parte dessa profissão.

Ani parece a mais espontânea nos shows. Já pagou algum mico por causa disso?
Ani – No último show, paguei um micasso. Teve participação do Mika [Micael Borges, ex-Rebeldes] e, enquanto ele cantava com a Natascha, fiquei zoando com os fãs, dizendo ‘ui, vai pegar, vai pegar!’. Depois do show, vieram me falar que a mulher dele, grávida, estava do lado do palco. (risos) Minha cara foi no chão! (risos) Cara, não é nada de verdade, mas não sei se ela entende isso. Até eu fico rindo de mim agora.

Qual música que vocês mais gostam de cantar nos shows? Ou aquela que os fãs mais vibram…
Bruna – Os fãs se emocionam muito junto com a gente em “Acenda a Luz”, porque passa uma energia que é inacreditável. E eles tentam fazer várias surpresas. No último show, quando cantamos essa, todos ligaram as luzes dos celulares… É muito bonito ver isso. E tem também “Monkey See Monkey Do”, que todo mundo conhece e sabe a coreografia. Aliás, os fãs sabem todas as coreografias. Se você for no show, você vai ver todo mundo dançando junto com a gente. É muito engraçado.

Vocês sempre fazem questão de falar que cantam e dançam ao vivo nos shows. Como que é a rotina de preparo para ter resistência para as apresentações?
Jeniffer – Eu estava um pouco acostumada com isso por causa dos musicais. Nas peças, a gente tem que dançar, cantar e atuar ao mesmo tempo. Em “Hairspray”, que foi o mais difícil, a gente tinha que correr na esteira cantando. Era tudo assim. Então, eu estava preparada para o que ia vir com a girlband. Mas é cansativo, óbvio. Nos musicais, ensaiávamos de oito a dez horas por dia. Aqui, eram doze horas dedicadas a isso. Foi bem exaustivo, mas não conseguiríamos fazer metade do show que estamos fazendo se não tivéssemos passado por isso.
Bruna – Eu nunca dancei na minha vida. Comecei agora, e estou sofrendo bastante com isso. A gente ensaia com a Paulinha Peixoto, que é a nossa coreógrafa. Agora está bem mais tranquilo, porque já pegamos as coreografias, mas no início íamos para a academia e depois para o estúdio para ensaiar com a banda todo dia. Agora, só vamos à academia todos os dias e eu, no caso, estou de dieta, regulando a minha alimentação.
Academia todo dia?
Bruna – É, todo dia. Depois daqui, vou para o spinning. Chega de sedentarismo!
E você gosta ou é um sofrimento?
Bruna – É um sofrimento. Estou me acostumando, porque sempre fui muito sedentária. Está sendo difícil pra mim. Mas a Natascha, por já ter feito dieta e tudo mais, está me ajudando muito. Todo dia, ela monta um cronograma com tudo o que vou comer. Por exemplo, de manhã: iogurte com granola, só. Só que às vezes é muito difícil, porque no camarim tem um monte de coisa gostosa, e eu estou com minha janta guardada na bolsa. Eu falo ‘Meu Deus do céu! Como que não vou comer isso?’ É muito difícil, porque adoro junk food, mas estou me sentindo muito mais disposta e muito mais bonita depois de ter começado essa vida mais saudável.

Eu sei que vocês estão sempre no Twitter, no Facebook, no Instagram, e tem uma relação bem próxima com os fãs. Falem um pouquinho sobre isso.
Natascha – A coisa mais legal que aconteceu, pelo menos pra mim, é isso dos fãs. As pessoas assistiam ao programa, conheciam sua história, como você é, e iam se identificando e se apaixonando. Como a gente não tinha nem ganhado o programa ainda, criamos essa proximidade com eles. Eu entro no grupo “Fábrica de Estrelas” (no Facebook) e olho tudo! Quando gosto, curto os comentários. Quando não gosto, fico quieta e só leio. Os fãs são muito importantes, porque estou longe de casa, da minha família, dos meus amigos…

Mas os fãs, por quererem o melhor para vocês, também são muito críticos. Dão palpite na roupa, no cabelo, na maquiagem, em tudo. Já ficaram chateadas com algum comentário?
Jeniffer – Aquele grupo do Facebook é babado! No começo, eu ficava muito abalada com as coisas que lia. As pessoas falam que tive um certo destaque no programa, então me criticavam de graça. Eu ficava muito triste. Eu cheguei a adicionar várias pessoas para convencê-las de que eu não era chata! (risos) Juro por Deus! Eu era neurótica nesse ponto
Ani – Eles criticam muito! (risos) Vou ser bem sincera. Não leio mais as críticas. Leio alguns comentários do que acho construtivo – a questão da minha presença de palco, do meu jeito de falar, de agir… Mas quando é questão de cabelo, de roupa, de maquiagem, eu não levo em conta. Não é a gente que escolhe nada disso. Só fazemos nossa maquiagem quando é rádio. Então, não leio mais esse tipo de crítica porque magoa. A gente veste uma roupa e pensa ‘vou fazer o meu melhor’, mas no outro dia você lê ‘de que adianta estar dançando e cantando, mas com aquela roupa?’. É uma coisa que magoa, e não acho que vale a pena ler isso.
Jeniffer – Se eles soubessem o quanto dói algumas coisas que escrevem… A pessoa escreve e nunca mais vê, né? Mas a gente fica marcada.
Bruna – Eles têm mesmo que impor a opinião deles. Quem realmente se importa com a gente vai dizer o que está errado e o que está certo. Estamos aqui para melhorar cada vez mais, e satisfazer o gosto deles. O trabalho é voltado para eles. Mas também há pessoas maldosas, e tentamos diferenciar bem isso. Rolam algumas coisas que eu não gosto. Quando saiu o clipe de “Acenda a Luz”, ficaram me comparando com a Joelma. Nada contra ela, mas se eu for ligar para isso, eu vou chorar. Eles falam de um jeito pejorativo…
E em “Monkey See Monkey Do” te comparam com a Taylor Swift!
Bruna – Pra você ver como eles são! Em um sou a Taylor Swift e no outro a Joelma. (risos) Da Taylor Swift, eu gosto bastante. Estava legal até então… (risos)

O tempo de vocês é muito corrido! Vocês têm que dar atenção aos fãs, ensaiar, ir à academia, fazer show, ir a programas de TV e de rádio, dar entrevistas… Ufa! Quando rola folga, o que gostam de fazer?
Natascha – Nas folgas, eu durmo ou ligo o Skype para ver minha mãe, minha família, e conversar um pouco. De vez em quando, quase de vez em nunca, eu e a Bruna vamos para uma baladinha. O que a gente mais faz de lazer é encontrar os conhecidos, tocar violão…
Ani – Quando tenho uns três dias de folga vou para casa em Vitória, visitar minha mãe. Mas isso só aconteceu uma vez até agora (risos). Mas fiz uns amigos em São Paulo… às vezes encontro a Manu [Gavassi] e a gente faz alguma coisa. Não sou muito de balada. Sou mais de sair para comer, ir a algum lugar que toca música… Ou durmo. Quando dá, juntamos as cinco e vamos a algum lugar. Querendo ou não, somos uma família agora, então é legal passar um tempo juntas fazendo algo legal, sem pensar em trabalho. Assim, a gente se conhece melhor e o trabalho fui melhor também.
Carol – A primeira coisa que eu faço é ir ao Rio, para matar a saudade da família, dos amigos e do namorado. Mas a gente também vai ao Parque do Ibirapuera, marca de ir para o Hopi Hari, tem um monte de coisas meio assim.
Jeniffer – Sempre fui muito gandaieira, hiperativa. Não conseguia passar um dia inteiro em casa. Mas ultimamente ando tão cansada que trago o lazer até mim. Nas horas vagas, vou para casa e chamo meu namorado para lá, porque tenho que dividir as atenções entre os pais e o namorado. Minha prima, meus amigos vão todos lá para casa. Tento administrar para ver todo mundo.
Bruna – Eu também sempre volto pra casa. Minha mãe sente muito a minha falta, porque sempre morei com ela e com meu pai. Fico com as meninas aqui em São Paulo, porque não tem como voltar para casa todo dia, em Santo André, com esses horários muito loucos. E, quando não estou lá, é isso aí mesmo… Ibirapuera, e também shopping, porque moramos do lado de um.
Não fala o shopping, senão os fãs vão pra lá!
Bruna – Não vou falar! (risos) Mas já estão descobrindo… Toda vez que vamos ao shopping, pedem pra tirar uma foto. Ontem mesmo, eu estava sem maquiagem, de cabelo molhado, toda molambenta, e tinha que ir à farmácia, então coloquei o óculos. Mesmo assim, chegou alguém e disse ‘Você é a Bruna?’. Fiquei tão feliz que alguém me reconheceu no dia em que eu estava toda molambenta! (risos)

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Vocês dão muitas entrevistas todos os dias. Qual a pergunta que não aguentam mais responder?
Jeniffer – “Como que vocês lidam com a comparação com o Rouge?” Essa é a mais frequente. A outra é “Como foi cantar pela primeira vez no Z Festival?”. A gente até já dividiu mais ou menos: ‘essa pergunta você responde, essa você fala…’

Antes de terminar, quero saber o que vocês pensam sobre alguns assuntos do mundo pop. O primeiro é Miley Cyrus, que está nessa reviravolta na carreira. O que vocês acham disso?
Ani – Eu ouvi o CD dela. A Manu comprou e eu ouvi com ela no carro. Ela está cantando muito mais, mostrando muito mais a voz, dando uns agudos que você nem sabia que ela tinha. Na minha opinião, o estilo de música continua o mesmo da carreira solo dela, sem ser aquilo da “Hannah Montana”. É a mesma vibe. A única coisa que mudou foi a apresentação dela. E o que eu acho disso? Acho que está muito vulgar para o que ela fazia. Mas se ela se sente bem assim, e não estão impondo isso a ela, que ela seja feliz. Eu não faria, mas se ela está feliz… amém, Deus a abençoe!
Bruna – Olha, é meio difícil saber o que achar da Miley Cyrus ultimamente. Do dia pra noite, ela decidiu mudar radicalmente. Eu sempre a amei, e assistia a todos os episódios de “Hannah Montana”. Eu era muito, muito fã! Agora, eu ainda gosto das músicas, mas não sei o que dizer… Parece que não é ela. Ou ela não foi ela todo esse tempo, ou ela agora não é mais ela e está meio doida. Quando ela cortou o cabelo, quase chorei. Ela tinha aquele cabelão lindo de “Party in the USA”, que eu queria pra mim, e cortou. ‘Meu Deus, cadê o cabelo da Miley?’ Mas ela falou que doou para crianças com câncer, algo assim, então foi uma atitude de bom coração. Só que no VMA… eu não acreditei! Ela já entrou com aquela linguona pra fora e aquele dedo de baseball… Meu Deus do céu! Eu realmente, para ser bem sincera, me decepcionei um pouco, mas ainda gosto muito das músicas e escuto muito. Ouvi o CD novo e gostei demais. Ela amadureceu muito musicalmente.
Carol – Na minha opinião, ela quer mudar mesmo, porque o público dela era muito infantil. Conforme ela cresceu, ela quis que o público fosse mais velho. Mas foi bem louca mesmo essa reviravolta, né? Eu vi a apresentação dela no VMA e ela estava bem loucona. Eu acho engraçado. No visual também, ela mudou pra caramba. Tem gente que diz que ela quer ser igual à Pink, mas eu respeito.
Natascha – Eu nunca fui muito fã da Miley Cyrus, para ser bem sincera. Não conhecia muito o trabalho dela. Eu acho que ela, de alguma forma, tenta exorcizar essa imagem infantil, conquistada no início da carreira na Disney. Ela quer atingir outros públicos e ser vista de outra forma. Para isso, optou pela maneira mais drástica, que é para não deixar dúvidas que não é mais a menininha fofinha da Disney. Eu não gosto muito dessa forma como ela se apresenta, principalmente aquela performance do VMA, mas gosto das músicas dela agora. Ela está fazendo umas músicas muito legais, mas não gosto dessa imagem. Só que é uma estratégia de marketing ótima, porque quem não conhecia dá um jeito de procurar o vídeo dela e de saber quem ela é. Ela tem horrores de visualizações na música nova! Então funciona. Se ela não se importa de ficar com essa imagem, eu acho que é válido. Ela deve estar vendendo bastante CDs.
Jeniffer – Eu gostava muito dela no começo. Adorava. Acho que agora ela está muito ousada, e assustou um pouco o público. Só que as pessoas tendem a rejeitar tudo que é novo, e depois se acostumam. Não sei de quem partiu essa ideia de ela mudar radicalmente – se foi da própria artista ou se foi da produção de marketing. Acho muito difícil julgar, agora que estou do outro lado. Do pouco que tenho visto, não sei dizer se é a Miley de sempre. Parece que não é ela, que não é a personalidade dela, e por isso as pessoas estranham tanto. Mas posso estar errada. Das músicas novas, gostei muito. Curto o timbre de voz dela. O que me assusta são as performances, com as danças proibidas para menores. O público dela era totalmente teen.

Outro assunto polêmico é a residência de 100 shows da Britney Spears em Las Vegas. Em 2014 e 2015, quem quiser ver a Britney vai que ir até lá e, para atrair a galera, ela está dizendo que vai cantar tudo ao vivo. Depois de tantos anos associada ao playback, será possível?
Ani – Ui! Não estava sabendo dessa temporada de shows. Vamos?
Jeniffer – Gente, que bafônica! Muito tempo! Quase um musical.
Carol – Primeiro, acho uma loucura ficar dois anos lá, porque ela tem fãs no mundo inteiro. E ao vivo? Se ela está dizendo, vamos ver. Ela tem essa questão complicada com o playback, mas eu vou pagar pra ver.
Bruna – Eu não sei. Se ela for dançar e cantar igual sempre faz, eu pago pra ver.
O empresário dela disse que o máximo que ela usaria seria uma base pré-gravada nas músicas em que dança muito.
Bruna – Ahhh, entendi. Espero realmente que ela consiga. Vai ser muito legal. Ela vai superar o preconceito que as pessoas têm com ela. As pessoas maldosas que não gostam do trabalho dela sempre partem logo para isso: ‘Ah, Britney Spears é playback!’ Os fãs dela, eu sei, ficam bravos. Espero que ela consiga. Todo mundo que se esforça e tem um foco na vida pode conseguir. Ela tem tudo para conseguir: dinheiro, toda uma estrutura em volta dela…
Natascha – (risos) Possível é. Só que é mais difícil dizer que vai ser afinado, que vai ser perfeito, ou que ela vai dançar com a mesma qualidade que dançava antigamente. Não sou fã da Britney Spears, mas não tenho nada contra. Gosto de algumas músicas, mas não acho que ela tem uma qualidade vocal. Ela vence em outros quesitos: dança pra caramba, tem um show incrível, uma superapresentação. Eu acho que cada artista dá certo por um motivo. Se ela pretende fazer o show dela ao vivo, ela provavelmente vai diminuir um pouco as coreografias. Mas vai ser incrível! Se ela cantar desafinado, não vai perder nenhum por causar disso. Vai ser legal Britney cantando ao vivo. Eu quero ver!
Jeniffer – (risos) Eu tenho um pouco de dúvidas, tenho que falar a verdade. Tomara que ela consiga, porque acho que a maior tristeza de um fã é chegar em um show e ver seu ídolo dublando. A maior decepção da minha vida foi o show da Jeniffer Lopez, que ela dançava incrivelmente, mas dava para ver que tudo era playback. Fiquei muito triste! Eu falava “ela faz vários filmes, canta legal, dança demais…” No show, pensei “ok, vamos tirar um item…”. No caso da Britney, ela faz umas danças que não são muito adaptadas para conciliar com o canto. Pelo menos, nos últimos shows. A Beyoncé dança e canta pra caramba, mas nas horas que ela mais dança não está cantando – geralmente é o momento do instrumental. A Britney não é tanto assim. A não ser que ela dê uma adaptada nas coreografias… Acho que é isso que ela vai fazer: dar uma seguradinha na dança, colocar vários bailarinos e tentar cantar.
Ani – Amém, finalmente. Glória a Deus. Com tantos anos de carreira e tanta preparação, a Britney Spears tem tudo para fazer um show que vale a pena, cantando. Eu que nunca trabalhei com isso faço um show inteiro cantando. Pensa bem. (risos) Ela tem tudo pra isso. É só ela querer e se esforçar. Claro que ninguém é perfeito. Eu desafio em show, todo mundo desafina… Não estou dizendo que meu show está zoado! (risos) Está lindo, maravilhoso! Mas ela tem tudo para fazer um show ao vivo maravilhoso, cantando, dançando, porque ela tem esse condicionamento. Espero do fundo do meu coração que fique muito bom, porque agora estou superafim de ir! Vou levar meu amigo, que é apaixonado.

Além da Britney, tem outros artistas que vão lançar álbuns até o fim do ano. Katy Perry, Lady Gaga, Avril Lavigne, Eminem, One Direction… Qual que vocês estão mais ansiosas para ouvir?
Jeniffer – E Beyoncé? Eu quero de Natal!
Foi adiado. Só 2014.
Jeniffer – Ai, mentira. Sério? Como assim? Ouvi na rádio que sairia no fim do ano. Vou ligar para reclamar. Gente, a mulher passa o intervalo entre as Copas do Mundo gravando o CD. Ela é maravilhosa! Então, se não tem ela, estou curiosa pela Lady Gaga. Ela é mega ousada. A acho muito freak, mas gosto muito. Ela é louca, mas segura a loucura dela. Faz altas coisas polêmicas, mas banca tudo. Quero muito ouvir.
Carol – Eu fico mais interessada pela Lady Gaga.
Bruna – Só pode escolher um? Eu quero Katy Perry, One Direction e Avril Lavigne. Eu e a Natascha ficamos dançando One Direction no carro. (risos) Gosto muito deles! Gosto mesmo.
Natascha – One Direction! Eu amo o One Direction. Acho-os incríveis. Eu me identifico porque eles também saíram de um reality show, apesar de não terem vencido. Eles são meninos que correram atrás do sonho exatamente como eu corri, e não se conheciam antes. Foram “formados” por um produtor, então me identifico muito. Gosto das músicas, amo os clipes, e acho que são muito audaciosos em tudo que fazem. Usam o humor, o charme, são bonitinhos, fazem dancinhas… Eu sou muito teen! Amo “Litte Things”. É a minha música preferida do último álbum.
Ani – Eu quero do Eminem! O acho maravilhoso. Amo a Lady Gaga, mas o Eminem… ele me impressiona. Não sei cantar nenhuma música, mas sabe quando você ouve a voz e sabe que é ele? Eu adoro o cara. Quando morava nos EUA [ela fez intercâmbio de um ano], só ouvia Eminem. Tive um namoradinho que era fã, por isso aprendi a gostar.

Meninas, e o shows que vão acontecer no Brasil, hein? Justin Bieber, Lana Del Rey, Laura Pausini, One Direction e Demi Lovato. Qual que vocês querem ver?
Ani – Hmmm, não tem da P!nk? Já estou ficando nervosa com ela! Eu adoro, adoro a presença de palco da Demi Lovato, muito, muito, muito. Mas o que eu devo ir é o da Lana Del Rey, porque minha prima e meu melhor amigo são apaixonados. Quero dar isso de presente para eles. Nunca dei nada, porque nunca tive dinheiro, então agora que vai entrar um dinheirinho…
Bruna – Demi Lovato! Ai, mas tem o Justin Bieber e o One Direction também… Fico dividida entre eles! (risos) Vou responder One Direction, mas penso bastante quando coloca para escolher entre eles e o Justin Bieber.
Natascha – Queria muito ir ao show do One Direction, mas esgotaram os ingressos! Também gostaria de ver a Lana Del Rey, porque curto algumas músicas dela e queria ver como é o show. Mas ah… e o Justin Bieber! Fico com One Direction e Justin Bieber. Tá bom. Vou na Lana Dey só se ganhar o ingresso… (risos)
Carol – Eu estou curiosa para ver um show do Justin.
Jeniffer – Eu gosto da Demi, e acho que é por quem estou mais ansiosa. Minha prima ama a Demi Lovato e acabou me fazendo gostar da mulher. Fora que ela canta muito. Aqueles agudos… Estou ansiosa para ver ao vivo, sim.

A última pergunta: o que ninguém imagina, mas vocês adoram ouvir?
Ani – O Eminem foi uma. Ninguém imaginaria, né? Gosto muito do cara, da história, da cara de pau.
Bruna – Eu adoro ouvir Beatles! E tem um cantor inglês chamado Jake Bugg, que tem um som mais orgânico que eu gosto muito. Talvez as pessoas até imaginem porque amo o John Mayer, e Jake Bugg lembra um pouquinho. Muito pouco… na verdade.
Carol – Não sei se as pessoas não imaginam, mas eu gosto muito de samba. Beth Carvalho, Arlindo Cruz, Xande, Mumuzinho… Bem carioca!
Natascha – Ninguém olha pra mim e imagina que gosto de rap. Mas sou apaixonada por rap nacional. Amo Felipe Ret, Projota, e gosto muito também do Start, que tem uma música chamada “Jamais Serão”, com participação do Felipe Ret. De internacional, tem o Jay Z! Gosto muito das participações que ele faz. Ele mistura muita coisa, o pop com o hip-hop, e gosto muito.
Jeniffer – Música clássica. Musical tem muito de música clássica. Já fiz canto lírico e prestei vestibular para canto lírico, só que eram cinco vagas e fiquei em 12º lugar. Desde pequena, meu pai me fazia dormir com isso. Ele ama um pianista chamado Yanni, e cresci ouvindo esse cara. Sou apaixonada por ele. Ele fez show aqui no ano passado e fui assistir. Sempre que quero um minuto de paz na minha vida coloco o CD dele para tocar. Tenho todos.

Publicado no Portal POPLine
http://portalpopline.com.br/entrevista-exclusiva-girls-contam-tudo-sobre-os-primeiros-passos-da-girlband-e-revelam-sua-opiniao-sobre-miley-cyrus-e-britney-spears/

Pop nacional em inglês: Bernardo Falcone, Jullie e Filipe Guerra discutem a prática de gravar em outro idioma

Gravar em inglês é uma tendência cada vez mais forte para os artistas brasileiros, dispostos a conquistar o mercado internacional. Mas o assunto ainda é polêmico, principalmente no que se refere à música pop. Trabalhos como os da Wanessa, da Lorena Simpson e do P9, na língua inglesa, ainda podem ser chamados de “pop nacional”? Para responder essa questão, o POPLine conversou com o DJ e produtor Filipe Guerra, a cantora Jullie e o cantor e ator Bernardo Falcone.

Com o recém-lançado EP “Follow You” totalmente em inglês, Filipe Guerra defende a prática. “Isso é uma coisa que existe no mercado há 20 anos. Não é nem de agora. Todo mundo que faz música eletrônica sempre fez em inglês”, explicou. “Os italianos que fazem ‘dance music’, os romenos que fazem ‘dance music’, todos fazem em inglês, porque é uma linguagem mundial”.

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Bernardo Falcone concorda e também gravou seu primeiro álbum, ainda inédito, inteiramente em inglês. Para ele, é uma questão “estética”. Soa melhor aos seus ouvidos. “Combina com o pop, principalmente o eletrônico. Eu quero ouvir essas músicas nas pistas. Quero que todo mundo dance na noite”, explica. No single “Secret Place”, ele e Jullie fazem um dueto neste idioma. “Todo mundo fala ‘ai, pop em inglês, então não é pop nacional’. Mas todos os envolvidos são brasileiros, desde mim, que escrevo as letras, até o produtor. É cantado em inglês, mas é nacional. Tenho orgulho de ser brasileiro”, afirmou.

A parceira Jullie, no entanto, prefere gravar em português e foi o que fez no seu EP novo, chamado “Gasolina”. Mesmo assim, ela admite que às vezes as músicas soam melhores em inglês. “Para dançar na noite, ainda acho que existe um certo, não digo preconceito, mas uma resistência para a música em português. Mas isso está mudando. Se você chegar com um trabalho legal, acho que pode rolar também. Tanto em português quanto em inglês”, opinou.

Guerra também nota uma mudança no cenário musical. Para ele, as pessoas se atentam ao fato de brasileiros gravando em inglês justamente por causa da valorização internacional do país. O Brasil, afinal, está na moda. O português, por sua vez, já ganhou o mundo com Michel Teló e Gusttavo Lima. “E tem a Anitta agora. Meus amigos da Itália e de Nova York já conhecem suas músicas. Acredito que agora vai haver uma mudança”, apostou. “É que sempre tem que ter a primeira pessoa para dar a cara à tapa”.

Apesar disso, ele, assim como Falcone, não acha que as músicas são menos brasileiras por serem cantadas em inglês. O DJ garante que sempre insere elementos de sua nacionalidade em todos seus trabalhos. E não se privaria de fazer algo em português, como Jullie. Falcone também não. “As ideias vêm em inglês. Se viessem em português, abraçaria a oportunidade”, concluiu.

Por Leonardo Torres
Foto: Álvaro Velasquez
Postado no Portal POPLine
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Entrevista: Anitta fala sobre seu primeiro álbum, próximo clipe, planos para DVD e alfinetada de Karol K.

Anitta só tem tempo para trabalhar, desde que se tornou um fenômeno nacional da indústria de shows. Frequentemente, ela faz até três eventos por noite. No sábado (22/6), foram dois: um show no Morro na Urca e outro na Fundição Progresso – ambos no Rio de Janeiro, ambos com ingressos esgotados. A correria é tanta que ela não tem tempo de ler todas as notícias que saem a seu respeito. Foi o POPLine que lhe contou sobre a declaração da cantora Karol K., ex-candidata do “The Voice” e do “Fábrica de Estrelas”, que a convocou para um desafio para ver “quem canta de verdade”. O convite, no entanto, foi rejeitado. “Olha, eu não estou na minha vida para competir, só para fazer o meu”, respondeu, entre risos.

De qualquer forma, ela não teria espaço na agenda para inserir o duelo. Anitta tem se dividido entre gravações de programas de TV; entrevistas para rádios; a turnê “Show das Poderosas”; apresentações menores, fora da turnê; gravações de videoclipes; preparativos para o lançamento do seu primeiro álbum, que chegará às lojas no dia 9 de julho; planos para gravar um DVD ao vivo no fim do ano… Ufa! A lista é interminável. “Eu só estou trabalhando, trabalhando, trabalhando. Dormindo um pouquinho e trabalhando, trabalhando, trabalhando”, constatou a artista.

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Ela, definitivamente, não para – como o título do seu próximo single. Na semana que vem, ela gravará o clipe de “Não Para”, que teve o roteiro escrito por ela mesma. É esse tipo de cuidado, acredita a cantora, que atrai o público gay, parcela majoritária do show que fez na Fundição Progresso, na festa “Chá da Anitta” (veja vídeos). “O público gay é muito mais crítico, né? Eles gostam do trabalho bem feito, dos detalhes, e eu cuido disso e eles acabam gostando”, disse.

– Essa festa é muito frequentada pela comunidade LGBT e você é muito querida pelos gays. Como é sua relação com esse público?
ANITTA:
Eu tenho muitos amigos gays, lésbicas e adoro todos meus amigos. Não faço diferença entre gay, lésbica, negro, branco… Eu faço diferença entre pessoa boa e pessoa ruim, sabe? Não importa a opção sexual ou a cor, nada. O que importa é o caráter. Não tenho essa diferença que a sociedade faz das pessoas com relação à opção sexual. Quando vejo essas palhaçadas de preconceito, eu fico pê…

– E por que você acha que é tão querida pelos gays?
ANITTA:
Talvez não só por isso, mas pelo que eu levo no show: o canto, a dança, o cenário. O público gay é um público mais crítico, né? Eles percebem tudo. Eles não estão ali só para beber e pegar um monte de gente. Eles gostam do trabalho bem feito, dos detalhes, e eu cuido disso e eles acabam gostando.

– Você está solteira. Como lida com o assédio, tanto dos homens quanto das mulheres?
ANITTA:
Olha, eu não sei como eu lido, porque não tenho muito tempo para lidar com isso. Eu só estou trabalhando, trabalhando, trabalhando. Dormindo um pouquinho e trabalhando, trabalhando, trabalhando. Quando eu tinha tempo, eu recebia mais cantadas, porque tinha tempo de ver as pessoas assediando. Hoje em dia, eu tenho muito menos tempo para ver, então parece que é menor [o assédio], mas sei que é bem mais. Eu é que não consigo captar.

– Falando em trabalho, você está prestes a lançar seu primeiro álbum. O que isso significa para você?
ANITTA:
É um início e uma conquista. Eu queria chocar, fazer um CD inovador, com um monte de coisas, e me abriram à cabeça para mostrar que não é em todo lugar que as pessoas sabem quem eu sou desde a primeira música. A gente fez um CD para me apresentar para o Brasil inteiro, com os sucessos que fizeram minha carreira acontecer e algumas novidades.

– Quanto tempo você trabalhou nesse álbum?
ANITTA:
Muito tempo, porque minha agenda foi apertando muito conforme meu trabalho foi bombando. Não dava tempo de colocar voz, de terminar uma produção… E muitos arranjos fui eu que projetei junto com meus produtores. Então, eu não tinha tempo para fazer isso. Minha agenda era muito apertada e aí demorou bastante.

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– Você já sabe qual vai ser a próxima música de trabalho e se vai ter clipe?
ANITTA:
Sabemos. O nome dela é “Não Para” e a gente vai gravar semana que vem. O roteiro do clipe é meu, mas não vou contar como é que vai ser. Está bem interessante, bem legal.

– E DVD? Vai ter esse ano?
ANITTA:
Então, primeiro eu vou lançar o CD agora, dia 9 de julho. Depois, bem no fim do ano ou início de janeiro, não me lembro direito, a gente vai gravar o DVD, já com todas as músicas do CD que a gente vai trabalhar ao longo do ano, e algumas novidades. Haverá algumas participações, para mostrar esse show em formato de espetáculo que a gente faz.

– Com quem você gostaria de fazer participações?
ANITTA:
Ah, eu ainda não vou falar, senão quebra o sigilo e as negociações que nem foram feitas ainda. Mas eu vou chamar pessoas que eu gosto, que eu admiro, que eu fui fã, enfim.

– Será o mesmo show da turnê que estreou neste mês?
ANITTA:
Não, a gente muda sempre. Só os da turnê “Show das Poderosas” que a gente tem feito igualzinho. A gente está sempre mudando e, no DVD, com certeza vai estar diferente.

– Uma cantora chamada Karol K. (ex-candidata do “The Voice”, do “Fábrica de Estrelas” e do “High School Musical – A Seleção”), que está sendo lançada pela Valesca Popozuda, deu uma entrevista falando sobre você hoje. Chegou a ler.?
ANITTA:
Não…

– Ela falou que não quer ser comparada a você. Mas, como comparam, ela propunha o desafio de colocar as duas no palco, com um violão e um microfone, para “ver quem canta de verdade”.
ANITTA:
Olha, eu não estou na minha vida para competir, só para fazer o meu. (risos) Tá?

Por Leonardo Torres
Fotos: Álvaro Velasquez
Publicado no Portal POPLine
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