Esse post é muito mais para mim do que para você

Esse post é muito mais para mim do que para você. É algo que vou querer ler daqui a alguns anos e lembrar que foi assim algum dia. O post anterior, sobre os músicos latinos no metrô, me inspirou a escrever esse, porque me dei conta que a última semana foi, de um modo geral, completamente incomum.
Estive fazendo a maratona anual para ver vários filmes do Festival do Rio, e vários são dezenas. Esse foi meu foco até o fim do evento, mas tantas outras situações aconteceram, e o inusitado sempre merece registro.

Domingo, 28 de setembro
Tive uma hora vaga entre um filme e outro, e fui passear na praia. Surpreendentemente, encontrei meu amor platônico do último Carnaval. Estava distraído e, quando me dei conta, caminhávamos lado a lado. Achei que era obra do destino. Tomei coragem e puxei papo. Conversamos pela primeira vez. Descobri o nome, mas não o Facebook.
De noite, tive uma conversa sobre os males da maconha com um amigo recém-saído da rehab, porque, sim, eu tenho um amigo recém-saído da rehab. E isso é muito louco.

Segunda-feira, 29 de setembro
Na fila para “Whiplash” (que é um filmão!), encontrei meu flerte da época de curso para o concurso da Ancine. Pensei: “que domingo louco!”. Ele não esboçou qualquer reação ao me ver. Foi como se, de fato, não me conhecesse. Terminei o dia com a sensação de que sou facilmente esquecível. E talvez seja mesmo. O filme, pelo menos, não é.

Terça-feira, 30 de setembro
Estreia do filme “Encantados”, produzido e dirigido pela família da minha amiga. Senti orgulho de todos eles. É tão bom ver os projetos dando certo, e as pessoas felizes, realizadas, satisfeitas consigo mesmas. Eu tenho um carinho enorme pelo Festival do Rio, então fiquei ainda mais tocado por estrearem o longa nesse evento.
Terminei a noite conversando sobre o filme com José Mayer. Bizarro. E ele é uma simpatia.

Quarta-feira, 1º de outubro
Talvez o dia mais WOW de todos que aqui narro. Fui ao colégio no qual estudei toda minha vida para participar de um fórum de literatura, no papel de ex-aluno escritor. Fui convidado por causa do “Condenáveis – Uma História de Filho e Pai” e compartilhei a mesa com outras duas ex-alunas, contando nossas experiências para a galera do 3º ano. Foi uma experiência incrível, do tipo que nunca imaginei que eu teria na vida. Os estudantes foram muito receptivos, atenciosos e interessados, e alguns vieram conversar comigo individualmente depois. Estão em ano de vestibular e pediam dicas sobre a profissão de jornalista, por exemplo. Tão legal quanto assustador eu dando conselho para alguém. Eles tinham 17 anos e usavam uniforme, que nem eu ontem. Passa uma viagem pela cabeça.
De lá, corri para a Cidade das Artes para a coletiva de imprensa do espetáculo “Os Saltimbancos Trapalhões – O Musical”, estrelado pelo Renato Aragão. Sim, o Didi. Outra cena que nunca imaginei que se passaria na minha vida: sentar e fazer perguntas para o Didi. Insano. E perguntei sobre Mussum e Zacarias, porque eu sou desses. Foi divertido. Pra mim, pelo menos.
A coletiva terminou às 19h e eu tinha que estar em Botafogo para a sessão de um filme às 19h50. Tomei um táxi e consegui chegar exatamente em 50 minutos. Engoli um pastel e assisti a “Listen Up Philip”, que não gostei.
Voltei pra casa em um ônibus lotado, para me lembrar quem eu sou.

Quinta-feira, 2 de outubro
Assisti a um filme equatoriano e, no fim da sessão, o diretor e uma atriz entraram na sala para responder perguntas dos espectadores. Não fiz nenhuma, mas matei a saudade do idioma. Adoro espanhol, essa sonoridade. Não tem jeito. É uma língua que me leva a um outro lugar, de uma maneira que não sei explicar.
Cheguei em casa e, animado pelo dia anterior, tentei escrever algo novo. Não consegui, vencido pelo cansaço.

Sexta-feira, 3 de outubro
Neste dia, sinceramente, acho que não ocorreu nada fora do comum. Não dá para ser legal todo dia. Mas os filmes foram bons: “Mommy” e “Homens, Mulheres e Filhos”.

Sábado, 4 de outubro
Foi o dia dos músicos latinos no metrô, que já contei aqui. E também foi o dia que vi “Prop 8: O Casamento Gay em Julgamento”, que acompanha o processo de legalização do casamento igualitário na Califórnia. Saí do cinema influenciado.
– Tô bem a fim de casar. – disse para um amigo.
– Com quem?
– Com ninguém específico. Só tô nessa vibe de casar. Tô com vontade.
Assim, como quem quer comer um Big Mac.

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