É, foi tudo bem

Ainda estamos no mês do meu aniversário. E ele já passou, o meu aniversário. Escrevi tantos posts sobre meus medos e expectativas com relação a ele, e não voltei aqui para contar como foi. Típico de mim. Típico de todos nós, talvez. Quando está tudo bem, a gente não dá as caras.

É, foi tudo bem.

Foi bem legal, na verdade. Com as pessoas certas com quem eu precisava estar, e nem sabia. Foi, talvez, a noite mais feliz do ano. Ou, ao menos, dos últimos meses. Minha memória não anda lá essas coisas para eu dar afirmações desse tipo. Mas foi uma noite boa, na qual eu me senti bem como há muito não me sentia. Essas relações de carinho… como a gente se afeta, né? Uns aos outros. Pode ser para o bem, ou para o mal. Cerquei-me de positividade.

Mas parece que já faz um tempão, não vou mentir. Meu aniversário. Depois que passa, passa. No momento, estou fazendo aquela maratona para ver vários filmes no Festival do Rio. Filmes também me afetam, para o bem ou para o mal. Dia desses, voltando para casa, entendi que preciso de outras histórias para viver. Cinema, teatro, literatura, música e, também, jornalismo são maneiras que encontrei para me manter são. Eu me conheço, me monto, me desenvolvo e me reconstruo melhor a partir do olhar do outro. Do outro sobre mim, também, mas do outro sobre a vida, principalmente. Preciso de outras histórias para pausar a minha própria. Preciso de pausas, senão eu não aguento. E acho que sempre foi assim. Só que agora de maneira racionalizada.

Eu acredito que todo mundo tenha pelo menos uma boa história para contar. Às vezes, a pessoa não sabe, mas tem. A vida de cada indivíduo tem algo que a torna interessante aos olhos do outro. Às vezes, é mais aparente, às vezes, não. Mas eu realmente acho que todos temos algo a dizer. Como dizer, nem todo mundo sabe. Poucos sabem, aliás. Muita gente não consegue se expressar. Ou busca a maneira errada de fazer isso.

Como eu cheguei a esse ponto, não sei. Mas tenho pensado nisso ultimamente. Fui convidado para voltar ao meu colégio e conversar com os alunos atuais sobre meu livro, “Condenáveis – Uma História de Filho e Pai”. Algo descontraído, pelo que eu entendi, se eles estiverem interessados em mim, se eu tiver algo para contar, se tudo fluir bem. O quão insano é isso? É a escola na qual estudei minha vida inteira – da alfabetização até o último ano. É estranho pensar que fazem sete anos que saí de lá. Eu me sinto tão próximo e tão distante ao mesmo tempo daquele Leonardo Torres. Quando penso nesse convite, ainda consigo me ver sentado entre os alunos, pensando: “vamos aplaudir para ele calar a boca logo!”. Eu ainda consigo me ver de uniforme, mas tenho que pensar na roupa que vou usar nesse dia. Não tenho ideia de como vai ser esse encontro, mas sempre que penso no assunto, me vem isso à cabeça: todo mundo tem pelo menos uma história para contar. Se conseguir passar isso para alguém, já vou estar no lucro.

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