[Dica da semana] O Duelo, peça com Camila Pitanga no elenco

De vez em quando, a gente esbarra em pessoas, livros, lugares, filmes, músicas, cenas, situações, cores, aromas, sabores, conversas, pinturas, desenhos, fotografias, peças de teatro… especiais. Ultimamente, tenho tido essa sorte. Hoje quero falar sobre algo que me tocou particularmente: o espetáculo “O Duelo”, que fica em cartaz até o dia 30 no Espaço Tom Jobim, com sessões de quarta a domingo. O texto é do russo Anton Tchekhov, com direção do Georgette Fadel.

Quando a coisa é boa a gente que falar para todo mundo, né? Só que eu fui assistir com um pé meio atrás. São três horas de encenação, e não se trata de um musical de uma grande produtora. Nunca vi uma peça não-musical durar tanto tempo! Fiquei ressabiado, mas o espetáculo espantou meu medo logo na primeira cena, e me encantou totalmente. Respira-se teatro da melhor qualidade por três horas. Não dá para reclamar – só da cadeira, que é meio desconfortável.

A história é ambientada no litoral do Mar Negro, no Cáucaso, região para a qual o casal de protagonistas fugiu depois que ela traiu o marido e teve que deixar São Petersburgo na Rússia. De cara, estabelece-se o clima do local, descrito como muito quente. Iluminação e interpretação dão show nesse aspecto. Dá para sentir como se estivesse lá de verdade, sentindo calor, apesar do ar condicionado confortável. Mas o que mais chamou minha atenção – não vou mentir – foi a cenografia impecável. A reprodução que é feita do mar, logo na primeira cena, é de uma simplicidade encantadoramente bela. Ali, sorri.

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Camila Pitanga e Aury Porto são os protagonistas: o casal Nadiejda e Laiévski. Os dois são cultos e instruídos, e sentem-se infelizes naquele povoado monótono. Ela vive sofrendo de malária e dos problemas que arruma com amantes apaixonados. Já ele parte para a vagabundagem com álcool, e planeja fugir do Cáucaso sozinho, deixando-a para trás. Ambos insatisfeitos com a vida que livremente escolheram ter. Mas, mais do que isso, o interessante são os diálogos e as perspectivas apresentadas pelos personagens. É muito bem abordado como o mesmo fato pode ter diferentes leituras, dependendo de quem a faz, e de quando. Isso me impressionou muito, mas eu não estaria escrevendo esse post apenas por isso.

O que tocou minha alma foi toda a encenação. Os objetos cênicos, a poesia dos movimentos e das marcações. Tudo muito lúdico. Uma coisa linda, gente. Uma coisa linda, que eu não esperava ver. Quando saí do teatro – um lugar que eu adoro, o Espaço Tom Jobim, dentro do Jardim Botânico (o que já vale a pena a ida) – estava anestesiado. E pensei, repassei tudo que havia visto, interpretei… Tão bom. E Camila Pitanga fica nua, para os taradinhos de plantão.

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