[Dica da semana] Mais teatro, menos Caio Castro

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Busquei a entrevista do Caio Castro para a Marília Gabriela (exibida no GNT em setembro e reprisada recentemente) e não encontrei a parte em que ele diz que não gosta de ler nem de ir ao teatro. Só vi outros trechos – como o que ele diz ser evangélico. Mas tudo bem. Pelas notícias que li, ele falou mais ou menos que só vai ao teatro e dá uma lida de vez em quando para ficar por dentro dos assuntos com os colegas de profissão. Lamentável, sim. Mas ele não atacou ninguém, e vem sendo atacado desde então. Grandes nomes dos palcos o chamaram de anta e de ignorante. Minha declaração favorita, porém, é a do Miguel Falabella: “Não é ator. É desinibido”. Foi no ponto certo. Mas ainda é um ataque. Acho deselegante atacar os coleguinhas. Mais cedo ou mais tarde, eles se encontrarão em algum corredor (não uma coxia) e ficará um clima chato.

Caio Castro, querendo ou não, tendo caído de paraquedas ou não, é um representante da classe artística. Sendo artista ou não. Então é mais do que compreensível que atores se revoltem com suas declarações. Mas também é fácil entender o lado dele – um garoto que, até participar de um concurso de atores do “Caldeirão do Huck”, era só um adolescente estudante, cursando o técnico de Sistema da Informação. Ele nunca havia atuado até ser selecionado pela produção do programa, graças a uma foto enviada. Isso explica muito: uma foto. Sua carreira começou assim.

Para quem gosta de ler e/ou de assistir a peças, é difícil aceitar quem não goste. Mas existe muita gente, muita, muita, muita mesmo que não tem contato com literatura e a arte dos palcos. Não gosta, porque não tem acesso, porque não tem o hábito, porque não tem incentivo, porque não tem dinheiro, ou simplesmente porque não gosta mesmo. É um direito. Tem gente que não gosta de música, sabia? Já ouvi disso. Eu não gosto de futebol e sei que, para quem é fanático e assiste às partidas de todos os times, eu sou bizarro. O mundo é assim… e que bom!

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Caio Castro é Caio Castro por ser bonito. Todo mundo o conhece por causa disso. Nunca vi ninguém falar dele por suas habilidades de interpretação. É sempre pelo corpo gostoso. Talvez pelo charme. E, ok. Isso também tem seu mérito. Horas de academia exigem dedicação. O chato é que, em uma profissão que lida tanto com a sensibilidade, lhe faltou justamente isso. Ele não foi sensível o suficiente para dar-se conta de que pegaria mal falar algo assim. Em vez disso, ele disse, e deu o motivo que todos queriam para avacalhá-lo: a confirmação de que é vazio. Deu ruim.

Eu sempre gostei de teatro – e decidi explorar mais esse prazer recentemente (clique aqui para acompanhar) – mas não gostava de ler quando era mais novo. Hoje em dia, leio dois, três livros de uma vez. Mas antes, não. Preferia fazer mil outras atividades a ler. Foi minha mãe que me incentivou. E uma ótima professora do colégio também. Caíram nas minhas mãos os livros certos. E acho que isso é tudo. Jô Soares certa vez discursou sobre a experiência do teatro assim: se a peça é boa, é maravilhosa; se é ruim, é péssima. Alguém tem que fazer a escolha certa por você, na primeira vez. Senão, você não vai mesmo querer voltar.

Sou suspeito para falar, é claro, porque sou profundo defensor das artes – não apenas na vida do Caio Castro, que trabalha como ator, mas na de todos. Acredito que as manifestações artísticas agregam valor no camarote que é o cérebro. Isso é bom para qualquer ser humano, em qualquer fase da vida. Como uma professora minha pregava, você tem que botar pra dentro antes de querer botar pra fora. Mas não condeno quem não pratica. Lamento. Caio Castro não é vilão. É vítima da falta de instrução. Botou pra fora sem botar pra dentro antes.

Dica da semana: vá assistir a uma boa peça e deixe o mimimi sobre Caio para o jantar.

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6 respostas para [Dica da semana] Mais teatro, menos Caio Castro

  1. Nossa, primo, adorei o post!
    Isso me lembrou uma entrevista que a Fernanda Souza deu ao Estrelas falando que, apesar de fazer muito teatro ultimamente (com seu monólogo), ela se sente muito mais feliz e confortável trabalhando na TV. A Fernanda cresceu na tv, (como Mili, pra quem não lembra) e o teatro foi algo que ela incorporou depois em sua carreira. O fato do Caio castro não gostar de teatro apenas me faz pensar que existe uma nova geração de atores que ganham primeira a fama, e depois a técnica, a sensibilidade. É uma pena, sim. Mas não acho que seja algo que os outros atores possam recriminar, já que antigamente a tv era algo que só se atingia no auge de sua carreira. Quem sabe se daqui pra frente teremos só atores de youtube ou de outras mídias? Não sabemos.
    O que eu quero dizer, é que não acho que isso o faça menos ator, talvez só um ator mais limitado.

    • Leonardo Torres – Autor

      Que surpresa você por aqui, Amanda!

      Agora é assim mesmo: primeiro o reconhecimento, depois o aperfeiçoamento. No caso do Caio, porém, ele não parece muito disposto a aperfeiçoar nada haha Mas isso é um problema mais dele do que nosso e da classe artística.

      Gostei do que o Falabella disse, mas também simpatizei com seu comentário. Talvez seja o caso de se repensar o que é um ator hoje em dia.

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