[Dica da semana] Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical

Cazuza realmente não poderia ficar de fora dessa tendência de musicais-tributos. A vida dele é o roteiro perfeito, com todos os ingredientes necessários para uma boa história. Afinal, foi escrita pelo poeta do rock, o mesmo daquelas canções tão belas. Por isso, não deve ter sido sido tão difícil transformar sua biografia, que já ganhou as telas dos cinemas (com Daniel de Oliveira no papel principal), em peça de teatro. “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”, em cartaz no Theatro Net Rio, não tem como deixar ninguém insatisfeito.

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.

O roteiro, escrito por Aloisio de Abreu (de “Subversões 21”), te faz rir, chorar e querer levantar da poltrona para dançar ao som daquela banda ao vivo cheia de energia. São 150 minutos de duração, divididos em dois atos: o primeiro dedicado à ascensão do artista; e o segundo focado no definhamento do ser humano. A história, todo mundo já conhece, mas vê-la acontecer diante dos seus olhos proporciona um turbilhão de emoções. Você sai do teatro com a cabeça meio zonza, mas de uma maneira positiva. É Cazuza, né? Ele dá uma sacolejada na gente.

O ator que o interpreta – Emílio Dantas (de várias novelas da Record, como “Máscaras” e “Dona Xepa”)– não é nada menos do que impressionante. Ele incorporou todos os trejeitos do cantor, nos melhores e nos piores momentos, e em todas as suas variações de humor. Sua atuação é muito crível, e até seu timbre se iguala ao do Cazuza, de maneira completamente surpreendente. Seu trabalho está impecável, com direito a elogio público de Lucinha Araújo, que declarou ter visto seu filho renascer no palco. A única reclamação que pode ser feita é quanto ao seu descuido ao tomar sol. Emílio passa a maior parte do espetáculo de camiseta, exibindo marcas brancas de camisa de meia manga, em contraste com o restante do braço avermelhado. Isso irrita principalmente quando há muitos holofotes em sua direção – quase sempre.

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Também vale destacar a atuação da Susana Ribeiro no papel de Lucinha e do André Dias como o produtor musical Ezequiel Neves. Ela, por fazer com que toda a plateia se compadeça da dor de uma mãe. Ele, por proporcionar as cenas mais engraçadas da peça. André dá o tom de humor perfeito para contar essa trama, que também conta com a boa voz de Yasmin Gomlevsky (como Bebel Gilberto) e grande elenco, dirigido por João Fonseca (o mesmo de “Vale Tudo, o Musical”, sobre Tim Maia).

Os números musicais, em muitos momentos, parecem um show de rock contagiante, tornando difícil para o espectador se manter sentado – principalmente quando o Barão está em cena. Aliás, muito tempo da peça é dedicado à fase do Barão, que lançou três álbuns no período de dois anos. Os dois primeiros álbuns do Cazuza – “Exagerado” (1985) e “Só Se For a Dois” (1987) – são relegados a uma breve narração, saltando para a descoberta da AIDS e, depois, para o “Ideologia” (1988). Felizmente, as músicas dos discos excluídos da trama são usadas em outras cenas. Não há uma preocupação cronológica com a ordem de apresentação das canções – e isso não é um demérito de forma alguma. Seria inaceitável ficar sem “Codinome Beija-Flor”, para ficar em um exemplo.

Quanto ao cenário, ele é simples, mas prático e útil. Há elevados de madeira à esquerda e à direita, o que dá movimento aos atores e às performances. Cazuza sobe, desce, salta, se joga, e você entende o quanto aquilo pode não ser exatamente belo, mas é funcional. Na parte superior da boca de cena, tapando a banda, também há um telão, mas esse é quase inútil, porque as imagens e poesias que exibe pouco chamam a atenção, quando tanto acontece abaixo.

O espetáculo é muito feliz em sua missão. Não apenas contam a história do Cazuza, como contam à sua maneira. São 150 minutos de uma montanha russa, com altos e baixos emocionais. O público também vira um pouco Cazuza, experimentando tantas sensações diferentes em um intervalo de tempo tão curto. É a sacolejada anteriormente mencionada, da qual ninguém é poupado, nem os caretas nem os inconsequentes.

SERVIÇO
Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical
Theatro Net Rio – Rua Siqueira Campos, 143, 2º Piso. Tel: (21) 2147-8060
Temporada até 23 de fevereiro
Qui e sex às 21h; sáb às 18h e 21h30; dom às 20h
Plateia e frisas: R$ 150 | Balcão: R$ 100

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Uma resposta para [Dica da semana] Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical

  1. Rafael

    Quanto as marcas brancas no braço do ator, são nada mais nada menos que maquiagem para esconder suas duas tatuagens.

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