[Dica da semana] Quando Eu Era Vivo, o filme de horror com a Sandy

Quando Eu Era Vivo não é um filme para todos, e não me refiro ao número singelo de 22 salas nas quais ele estreia nesta sexta (31/1). Falo quanto à sua recepção, à sua compreensão, à sua adesão. Para começar, é um thriller psicológico brasileiro, com elementos de ocultismo. Você tem um minuto para citar o nome da última produção nacional deste gênero. Eu não lembro, talvez porque não exista nada assim na história recente. Nessas situações, sou favorável a dar toda a minha atenção. É como “Cine Holliúdy”: nunca temos um filme cearense, então, quando temos a oportunidade de ver um, devemos assisti-lo. Com esse pensamento, sugiro que procurem onde o filme novo do Marco Dutra (do elogiado “Trabalhar Cansa”) está em cartaz.

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A história é meio bizarra, é verdade. Ambientada no apartamento de Sênior (Antônio Fagundes), a trama acompanha o reencontro do pai com o filho (Marat Descartes), que volta ao lar após um divórcio. Assim que retorna, ele descobre que não possui mais seu quarto, que agora é alugado para uma estudante de música (Sandy Leah – sim, a Sandy!). Fotos, objetos e toda e qualquer lembrança do passado da família também não estão mais lá: o pai encaixotou tudo e escondeu em um quartinho. É aí que começa o mistério. O filho começa a remexer nessas coisas, supostamente conduzido pela alma penada da mãe. “Possuído” e “endemoniado” são adjetivos facilmente atrelados ao personagem.

“Quando Eu Era Vivo” é uma produção de baixo orçamento, indie, apesar de ter uma popstar no elenco. Na pele de Bruna, a estudante de música, Sandy consegue se redimensionar e convencer no papel. Fagundes, como sempre, no tom exato do personagem. Mas a cena é toda do Marat Descartes, esse ator que eu não conhecia, e consegue passar seu transtorno e loucura só no olhar. É perturbador.

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Vi o filme duas vezes no mesmo dia – uma na cabine de imprensa de manhã, outra na pré-estreia de noite – e confesso que me foram necessárias as duas sessões para uma absorção melhor. Na primeira vez, eu gostei e até os elementos trash me divertiram, mas não sabia se tinha entendido. Na segunda, tudo se encaixou perfeitamente.

Notei algumas pessoas saindo antes da hora na sessão noturna, a da pré-estreia. Uma falta de elegância terrível, na minha opinião. Ainda mais que os convites foram disputados a tapa e, quando o filme começou, não havia lugar para todos os presentes se sentarem. Mas, apesar dos deselegantes, também notei muitas risadas – em ambas sessões. O filme tem um humor muito pontual, de não se levar tão a sério, e isso é ótimo ao tratar do sobrenatural. As pessoas acham graça em vários momentos, e não é de deboche ao horror almejado. Riem quando têm que rir. Riem com o diretor, ao meu ver. E não dele.

Como experiência, “Quando Eu Era Vivo” merece a atenção. Está em cartaz em São Paulo; Rio de Janeiro; Brasilia; Campinas; Ribeirão Preto; Porto Alegre; Curitiba; Recife; e Fortaleza.

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[Dica da semana] Série Looking, a nova da HBO

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Jovem entre arbustos, em um desses parques conhecidos pela pegação clandestina. Homem mais velho e ofegante se aproxima, abrindo imediatamente o seu zíper. Algo desconfortável, o jovem diz “Ok, oi. Meu nome é Patrick”. O mais velho não responde. O mais novo o beija. O outro rejeita. “Não, não”. O jovem socializa: “Você vem muito aqui?”. Recebe um shhh como resposta. “Qual o seu nome? Não ouvi”, faz o maluco, porque o outro nunca disse seu nome. “Cala a boca!”, o mais velho rebate. Não é esse seu nome, claro. “Desculpa”, o mais novo solta, no exato momento em que se assusta com o toque das mãos frias do outro em seu pênis. “Mãos geladas. Muito geladas”. Começa a rir. Seu celular toca. É a deixa para escapar.

Essa é a primeira cena da recém-estreada série Looking – uma das apostas da HBO para 2014. A aposta para o nicho gay, pode-se dizer. Ambientada em São Francisco, a cidade mais LGBT da história, a trama acompanha um grupo de três amigos centrais: o designer Patrick (Jonathan Groff, de “Boss” e “Glee”), o da cena em questão; o artista Agustín (Frankie J. Alvarez, estreante); e garçom quarentão Dom (Murray Bartlett, de “The Guilding Light”). Cada um vive um momento diferente, mas, como o título indica, estão todos em busca de encontros. Até mesmo Agustín, que namora Frank (O.T. Fagbenle, de “Material Girl”), e protagoniza um ménage à trois inesperado para seu parceiro, no primeiro episódio.

A cena do encontro do Patrick (é, ele despontou como meu favorito) com um cara que ele conheceu na Internet é impagável. Os dois vão a um restaurante e logo começam a perceber as diferenças. O rapaz não é estrábico, como indicava a foto do seu perfil, mas dispara uma pergunta atrás da outra, como quem tem um questionário de qualificação a preencher. Patrick, cujo namoro mais longo durou seis meses (ele aumenta, porque na verdade foram cinco!), não passa no teste. Rola um climão, mas um climão engraçadíssimo. Só quem detestou um primeiro encontro entende – ou seja, todo mundo.

Mal estreou e “Looking” já recebeu comparações que vão de “Queer as Folk” a “Girls”. O programa foi criado por Michael Lannan, que assina todos os episódios, majoritariamente dirigidos por Andrew Haigh (de “Weekend” e “Greek Pete”). Por trás das câmeras, há nomes como Mark Douglas (de “American Horror Story”) e David Marshall Grant (de “Brothers & Sisters”) na produção.

Só pesa o horário. Os episódios novos de “Looking” vão ao ar às 23h30 dos domingos na HBO. Há vários horários alternativos para as reprises, mas acaba que a melhor opção é mesmo ver on demand.

[Dica da semana] Quando os filmes indicados ao Oscar estreiam no Brasil

Saiu a lista de indicados ao Oscar deste ano, que não trouxe Tom Hanks (por “Capitão Phillips”), Joaquin Phoenix (por “Ela”) ou o filme “Azul É a Cor Mais Quente”. Fora isso, não houve grandes surpresas. Os líderes de nomeações, com dez cada um, são “Trapaça” (vencedor de três troféus no Globo de Ouro, incluindo Melhor Filme – Comédia) e “Gravidade” (que rendeu o Globo de Ouro de Direção para Alfonso Cuarón). “12 Anos de Escravidão”, tido como um dos favoritos do ano, recebeu oito indicações.

A premiação está marcada para o dia 2 de março, então há um mês e meio até lá. É tempo suficiente para correr atrás e ver vários dos indicados. Nada de assistir à cerimônia na TV torcendo aleatoriamente, sem ter assistido aos filmes, ok? Eu sempre faço aqueeeela maratona e, dessa vez, te convido para unir-se a mim. Vamos ver quais filmes já estão em cartaz e quais estrearão em breve? Vou me limitar aos indicados a Melhor Filme, Atriz, Ator, Atriz Coadjuvante e Ator Coadjuvante para facilitar.

EM CARTAZ:
Álbum de Família, indicado a Melhor Atriz (Meryl Streep) e Atriz Coadjuvante (Julia Roberts)

Blue Jasmine, indicado a Melhor Atriz (Cate Blanchett), Atriz Coadjuvante (Sally Hawkins) e Roteiro Original (Woody Allen).

Capitão Phillips, indicado a Melhor Filme, Ator Coadjuvante (Barkhad Abdi), Roteiro Adaptado (Billy Ray), Edição, Edição de Som, Mixagem de Som.

Gravidade, indicado a Melhor Filme, Direção (Alfonso Cuarón), Atriz (Sandra Bullock), Fotografia, Edição, Trilha Sonora Original, Efeitos Visuais, Edição de Som, Mixagem de Som, Design de Produção

EM BREVE:

24 de janeiro – O Lobo de Wall Street (já é possível encontrar na Internet), indicado a melhor Filme, Direção (Martin Scorsese), Ator (Leonardo DiCaprio), Ator Coadjuvante (Jonah Hill) e Roteiro Adaptado (Terence Winter).

31 de janeiro – Nebraska, indicado a Melhor Filme, Direção (Alexander Payne), Ator (Bruce Dern), Atriz Coadjuvante (June Squibb), Roteiro Original (Bob Nelson) e Fotografia.

7 de fevereiro – Trapaça (já é possível encontrar na Internet), Melhor Filme, Direção (David O. Russell), Ator (Christian Bale), Atriz (Amy Adams), Ator Coadjuvante (Bradley Cooper), Atriz Coadjuvante (Jennifer Lawrence), Roteiro Original (Eric Warren Singer e David O. Russell), Edição, Figurino e Design de Produção.

7 de fevereiro – Philomena, Melhor Filme, Atriz (Judi Dench), Roteiro Adaptado (Steve Coogan e Jeff Pope) e Trilha Sonora Original.

14 de fevereiro – Ela (já é possível encontrar na Internet), indicado a Melhor Filme, Roteiro Original (Spike Jonze), Trilha Sonora Original, Canção Original (“The Moon Song”) e Design de Produção.

21 de fevereiro – Clube de Compras Dallas (já é possível encontrar na Internet), indicado a Melhor Filme, Ator (Matthew McCounaghey), Ator Coadjuvante (Jared Leto), Roteiro Original (Craig Borten e Melisa Wallack), Edição, Maquiagem e Cabelo.

28 de fevereiro – 12 Anos de Escravidão (já é possível encontrar na Internet), indicado a Melhor Filme, Direção (Steve McQueen), Ator (Chiwetel Ejiofor), Ator Coadjuvante (Michael Fassbender), Atriz Coadjuvante (Lupita Nyong’o), Roteiro Adaptado (John Ridley), Edição, Figurino e Design de Produção.

Tatá Werneck prova seu talento em atuação de 12 horas ininterruptas como Valdirene no “BBB”

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Só ela pode afirmar isso, mas a participação no Big Brother Brasil 14 deve ter sido o trabalho mais difícil da comediante Tatá Werneck – no ar como a Valdirene da novela Amor à Vida. Durante um caso único e sem precedentes de integração entre novela e reality show, dois segmentos que costumam disputar orçamento nos bastidores das emissoras, a estreante da TV Globo foi convidada para passar 12 horas dentro da casa “mais vigiada do Brasil”. Deborah Secco já fez algo parecido, em 2008, quando chegou a dormir em um dos quartos do “BBB”. A diferença? Deborah foi Deborah. Tatá tinha uma missão: levar a Valdirene para o reality show, transmitido ao vivo pela Internet e pela TV em pay per view. Os melhores momentos serão condensados e exibidos em capítulo previsto para ir ao ar nesta quinta (16/1). Parece fácil? Não é.

Walcyr Carrasco, roteirista de “Amor à Vida”, deu apenas algumas diretrizes para a atriz, mas não forneceu nenhum script. Seria puro improviso – algo que ele sabe que ela manda bem, sendo a única atriz do elenco autorizada a criar em cima do seu texto. Tatá, antes da novela, protagonizou um programa especialmente de improvisos na MTV – o “Quinta Categoria” – e uma peça teatral nos mesmos moldes – a “Deznecessários”. Só que, em ambos os casos, ela contracenava com comediantes, dispostos a se ajudar e fazer jogos com resultados positivos e bem humorados. Eram atores com quem ela treinava frequentemente. No “BBB”, nada disso. Tatá esteve com 20 pessoas, das mais diversas áreas de atuação, e com todos os imprevistos reservados a ela. Repito: foram 12 horas, e não 1h30 de espetáculo.

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É claro que a simples proposta da emissora era uma prova de confiança e do sucesso do seu trabalho como Valdirene. Mas, se algo desse errado, poderia ser um tiro no pé: não do “BBB”, não da novela, mas somente no pé da Tatá, que deve ser pequenininho como ela. Só que a atriz se superou, e fez até quem odeia o reality show parar para vê-la. Sim, Tatá conseguiu manter a personagem por 12 horas, agindo como tal, e falando recorrentemente do namorado Palhaço, da mãe Márcia, do ex Milho, e da filha Mary Jane. As experiências de correr atrás do Boninho e ficar na Casa de Vidro, como mostrou a novela, também foram referenciadas. A quem lhe perguntava sobre Félix, ela rebatia: “Como você o conhece? Passaram minha ficha? Esse ano passaram a ficha né…”. Sobre novela, “que novela?”. Sobre Tatá, “quem é essa puta?”. No fim da noite, alguém falou sobre o cantor Roberto Carlos. “Não o conheço. Só o jogador”, ela disse. Tatá participou do especial de fim de ano do rei em 2013. Mas Valdirene não. Risos, muitos risos, de todos, menos dela, que era a personagem, e fingia não entender a graça.

Parte da casa comprou a brincadeira – e foram justamente esses confinados que deram mais trabalho. A participante Bella, que deve ser fã da novela, grudou na atriz de maneira sufocante, fazendo um pacto de amizade eterna. O drag queen Vagner, por sua vez, comprou briga com a personagem, acusada de encrenqueira e desestabilizadora da harmonia da casa. Letícia, outra que entrou na onda, engatou uma discussão aos gritos por Valdirene ter falado mal dela e dado em cima do seu paquera na casa. Valdirene, que se fosse uma candidata real ao prêmio seria a favorita do público, deu em cima de todos os caras (a fim de formar casalzinho e ficar forte no jogo), tentou agradar à totalidade dos participantes, e falou mal de todos pelas costas. Quando descoberta, teve que dar explicações, pedir desculpas e… chorar. Tatá Werneck chorou, dando veracidade à atuação, enquanto todos riam, ou a abraçavam, com pena, meio que atuando também. Ela só riu, como pessoa física e não personagem, em três momentos e com discrição, geralmente sem que os confinados percebessem.

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Ela lidou da melhor maneira possível com o material que lhe era fornecido a cada instante, sem pausa. Seu pensamento ágil, reconhecido desde a época do “Quinta Categoria”, chamou ainda mais atenção no reality show. Tatá Werneck tinha respostas cômicas para tudo – e respostas à la Valdirene, o que é o mais impressionante. “Meu sonho é jantar com o Bial”, disse a participante Clara, e Valdirene rebateu: “Meu sonho é jantar”. A personagem, como se sabe, foi criada à base dos cachorros quentes vendidos pela mãe. Muitas vezes, os candidatos ao prêmio de R$ 1,5 milhão a testavam, com inquisições e provocações a fim de tirá-la do papel, e Tatá passou por todos sem falhas. 12 horas de gravações ininterruptas.

Por volta de 11h30 da manhã desta quinta, depois de encarar uma festa madrugada adentro e dormir poucas horas em um quarto frio, no sofá da sala e debaixo do edredom com o participante Marcelo, Valdirene foi eliminada do programa. Para trazer Tatá de volta ao mundo real, ela participou de uma prova armada pela produção, e teve propositalmente o pior resultado dos participantes, o que resultava em eliminação. Valdirene se negou a sair e tentou fugir, mas sua intérprete merecia o descanso. Telespectadores ficaram tristes. O “BBB” nunca foi tão bom. Missão cumprida com sucesso. Tatá Werneck tem contrato com a TV Globo por mais três anos.

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Globo de Ouro dá troféus para favoritos e aponta os mais fortes para o Oscar; veja a lista completa de vencedores

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“12 Anos de Escravidão”. “Trapaça”. Cate Blanchett. Jennifer Lawrence. Alfonso Cuarón. De um modo geral, os favoritos confirmaram a preferência e levaram os principais troféus na cerimônia do Globo de Ouro 2014, no domingo (12/1) – dias antes da divulgação da lista dos indicados ao Oscar. Como prévia do evento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, a segunda premiação mais importante da indústria americana trouxe bons indicadores.

12 Anos de Escravidão (12 Years a Slave) e Trapaça (American Hustle) despontam como favoritos ao Oscar. Ambos lideravam a lista de indicações ao Globo de Ouro (sete para cada), e faturaram as categorias mais relevantes. O filme do diretor Steve McQueen levou o prêmio de Melhor Filme – Drama, e o do David O. Russell venceu a Melhor Filme – Comédia. Como no Oscar não há essa divisão por gênero, ainda é cedo para arriscar um vencedor na premiação do mês que vem. Ambos deverão disputar os votos páreo a páreo.

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“12 Anos de Escravidão”, porém, revelou-se frágil. Apesar de tantas indicações, só venceu uma, o que deixa “Trapaça” mais forte. O longa, protagonizado por Christian Bale (que perdeu para Leonardo DiCaprio, de “O Lobo de Wall Street” em Melhor Ator – Comédia ou Musical), rendeu ainda troféus para Amy Adams (Melhor Atriz – Comédia ou Musical) e para Jennifer Lawrence (Melhor Atriz Coadjuvante). No Oscar, porém, Adams não deverá repetir a vitória, porque a favorita indiscutível é Cate Blanchett (por “Blue Jasmine), que venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz – Drama.

Na categoria Melhor Diretor, concorriam Alfonso Cuarón (“Gravidade”), Paul Greengrass (“Capitão Phillips”) e Alexander Payne (“Nebraska”), além do McQueen e do Russell. Deu “Gravidade” – o que parecia um consenso geral desde que a lista de indicados foi divulgada. No Oscar, dificilmente será diferente. Na premiação do Sindicato de Diretores dos EUA, um ótimo parâmetro para o Oscar, porque os membro votantes são os mesmos quase em sua totalidade, McQueen nem foi nomeado. No lugar, entrou Martin Scorsese – por “O Lobo de Wall Street” – o que só deixa o caminho mais livre para Cuarón.

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Talvez as únicas surpresas do Globo de Ouro tenham sido as vitórias para “Clube de Compras Dallas” (Dallas Buyers Club) – ainda que os mais cinéfilos estivessem por dentro do burburinho. Matthew McConaughey levou o troféu de Melhor Ator – Drama, derrotando Chiwetel Ejiofor (“12 Anos…”), Idris Elba (“Mandela: Long Walkto Freedom”), Tom Hanks (“Capitão Phillips”) e Robert Redford (“All Is Lost”). Na categoria Melhor Ator Coadjuvante, deu Jared Leto (sim, do 30 Seconds to Mars), vencendo Michael Fassbender (“12 Anos…”), Bradley Cooper (“Trapaça”), Daniel Bruhl (“Rush: No Limite da Emoção”) e Barkhad Abdi (“Capitão Philips”). McCounaghey e Leto também receberam indicações ao prêmio do Sindicato de Atores, que vai anunciar os vencedores no dia 18. Se repetirem a vitória, saem como favoritos absolutos ao Oscar.

Afinal, Globo de Ouro é muito legal, mas todo mundo quer é um Oscar, né?

MELHOR FILME – DRAMA
“12 Anos de Escravidão” – dir. Steve McQueen

MELHOR ATOR – DRAMA
Matthew McConaughey – “Clube de Compras Dallas”

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Cate Blanchett – “Blue Jasmine”

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
“Trapaça” – dir. David O. Russell

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Amy Adams – “Trapaça”

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
Leonardo DiCaprio – “O Lobo de Wall Street”

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Jared Leto – “Clube de Compras Dallas”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Lawrance – “Trapaça”

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón – “Gravidade”

MELHOR FILME ANIMADO
“Frozen: Uma Aventura Congelante”

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
“A Grande Beleza” – Itália

MELHOR ROTEIRO
Spike Jonze – “Ela”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Ordinary Love” (Bono, The Edge, Adam Clayton, Larry Mullen, Jr., Brian Burton) – “Mandela”

MELHOR TRILHA ORIGINAL
Alex Ebert – “Até o Fim”

E tem também as categorias televisivas…

MELHOR SÉRIE DE TV – COMÉDIA OU MUSICAL
“Brooklyn Nine-Nine” – Fox

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Amy Poehler – “Parks and Recreation”

MELHOR ATOR EM SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
Andy Samberg – “Brooklyn Nine-Nine”

MELHOR ATOR EM MINI-SÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
Michael Douglas – “Behind the Candelabra”

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE – DRAMA
Robin Wright – “House of Cards”

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE, MINI-SÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
Jon Voight – “Ray Donovan”

MELHOR SÉRIE DE TV – DRAMA
“Breaking Bad” – AMC

MELHOR ATOR EM SÉRIE – DRAMA
Bryan Cranston – “Breaking Bad”

MELHOR MINI-SÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
“Behind The Candelabra” – HBO

MELHOR ATRIZ EM MINI-SÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
Elisabeth Moss – “Top of the Lake”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINI-SÉRIE OU FILME FEITO PARA TV
Jacqueline Bisset – “Dancing on the Edge”

[Dica da semana] Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical

Cazuza realmente não poderia ficar de fora dessa tendência de musicais-tributos. A vida dele é o roteiro perfeito, com todos os ingredientes necessários para uma boa história. Afinal, foi escrita pelo poeta do rock, o mesmo daquelas canções tão belas. Por isso, não deve ter sido sido tão difícil transformar sua biografia, que já ganhou as telas dos cinemas (com Daniel de Oliveira no papel principal), em peça de teatro. “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical”, em cartaz no Theatro Net Rio, não tem como deixar ninguém insatisfeito.

Foto: Leo Aversa - Crédito obrigatório.

O roteiro, escrito por Aloisio de Abreu (de “Subversões 21”), te faz rir, chorar e querer levantar da poltrona para dançar ao som daquela banda ao vivo cheia de energia. São 150 minutos de duração, divididos em dois atos: o primeiro dedicado à ascensão do artista; e o segundo focado no definhamento do ser humano. A história, todo mundo já conhece, mas vê-la acontecer diante dos seus olhos proporciona um turbilhão de emoções. Você sai do teatro com a cabeça meio zonza, mas de uma maneira positiva. É Cazuza, né? Ele dá uma sacolejada na gente.

O ator que o interpreta – Emílio Dantas (de várias novelas da Record, como “Máscaras” e “Dona Xepa”)– não é nada menos do que impressionante. Ele incorporou todos os trejeitos do cantor, nos melhores e nos piores momentos, e em todas as suas variações de humor. Sua atuação é muito crível, e até seu timbre se iguala ao do Cazuza, de maneira completamente surpreendente. Seu trabalho está impecável, com direito a elogio público de Lucinha Araújo, que declarou ter visto seu filho renascer no palco. A única reclamação que pode ser feita é quanto ao seu descuido ao tomar sol. Emílio passa a maior parte do espetáculo de camiseta, exibindo marcas brancas de camisa de meia manga, em contraste com o restante do braço avermelhado. Isso irrita principalmente quando há muitos holofotes em sua direção – quase sempre.

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Também vale destacar a atuação da Susana Ribeiro no papel de Lucinha e do André Dias como o produtor musical Ezequiel Neves. Ela, por fazer com que toda a plateia se compadeça da dor de uma mãe. Ele, por proporcionar as cenas mais engraçadas da peça. André dá o tom de humor perfeito para contar essa trama, que também conta com a boa voz de Yasmin Gomlevsky (como Bebel Gilberto) e grande elenco, dirigido por João Fonseca (o mesmo de “Vale Tudo, o Musical”, sobre Tim Maia).

Os números musicais, em muitos momentos, parecem um show de rock contagiante, tornando difícil para o espectador se manter sentado – principalmente quando o Barão está em cena. Aliás, muito tempo da peça é dedicado à fase do Barão, que lançou três álbuns no período de dois anos. Os dois primeiros álbuns do Cazuza – “Exagerado” (1985) e “Só Se For a Dois” (1987) – são relegados a uma breve narração, saltando para a descoberta da AIDS e, depois, para o “Ideologia” (1988). Felizmente, as músicas dos discos excluídos da trama são usadas em outras cenas. Não há uma preocupação cronológica com a ordem de apresentação das canções – e isso não é um demérito de forma alguma. Seria inaceitável ficar sem “Codinome Beija-Flor”, para ficar em um exemplo.

Quanto ao cenário, ele é simples, mas prático e útil. Há elevados de madeira à esquerda e à direita, o que dá movimento aos atores e às performances. Cazuza sobe, desce, salta, se joga, e você entende o quanto aquilo pode não ser exatamente belo, mas é funcional. Na parte superior da boca de cena, tapando a banda, também há um telão, mas esse é quase inútil, porque as imagens e poesias que exibe pouco chamam a atenção, quando tanto acontece abaixo.

O espetáculo é muito feliz em sua missão. Não apenas contam a história do Cazuza, como contam à sua maneira. São 150 minutos de uma montanha russa, com altos e baixos emocionais. O público também vira um pouco Cazuza, experimentando tantas sensações diferentes em um intervalo de tempo tão curto. É a sacolejada anteriormente mencionada, da qual ninguém é poupado, nem os caretas nem os inconsequentes.

SERVIÇO
Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz, o Musical
Theatro Net Rio – Rua Siqueira Campos, 143, 2º Piso. Tel: (21) 2147-8060
Temporada até 23 de fevereiro
Qui e sex às 21h; sáb às 18h e 21h30; dom às 20h
Plateia e frisas: R$ 150 | Balcão: R$ 100

Malu Rodrigues conta tudo sobre os bastidores do filme “Confissões de Adolescente” em longa entrevista

A atriz Malu Rodrigues, a Bia da série “Tapas & Beijos”, tem 20 anos e cara de 15. Por isso, ganhou um dos papeis principais no filme Confissões de Adolescente, que chega aos cinemas na sexta (10/1), como uma adaptação atualizada do livro da Maria Mariana e da série de TV homônima. Mas é só a cara que é de garotinha. Seu discurso é de uma veterana, decidida e firme em suas posições. Foi ela, por exemplo, que contestou algumas das decisões do diretor Daniel Filho (dos dois “Se Eu Fosse Você”) durante as filmagens. Conhecido por ser um carrasco, como ela mesma o define nessa entrevista ao Fala, Leonardo!, o cineasta colocava medo em Sophia Abrahão, Bella Camero e Clara Tiezzi – as três atrizes que completam o elenco protagonista. Em Malu? Não. Nela, ele despertava seu instinto assassino. “Eu queria matar o Daniel algumas vezes”, confessa. “Ele pegava muito no meu pé”.

'Confissões de Adolescente - O Filme' (crédito Dilvugação) (80)

Aclamada em musicais como “O Mágico de Oz” e “Despertar da Primavera”, Malu foi a única das quatro que não foi submetida a testes para entrar no elenco do filme, orçado em R$ 5,9 milhões. Daniel Filho lhe ofereceu o papel em uma reunião. Na conversa, ele contou que sua personagem, Alice, interpretada por Daniele Valente na TV, teria cenas de sexo. O mote de sua história é a perda da virgindade. “Tudo bem pra você?”, perguntou. Ela, que polemizou ao ficar nua no teatro, quando ainda era menor de idade, mostrou logo sua personalidade: “Depende. Pelada por quê?”. Outras poderiam ter dito imediatamente sim ou não. É conhecida, por exemplo, a história de que Regina Duarte, aos 28 anos, recusou o convite para protagonizar o filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (o 2º mais assistido da história do cinema nacional) justamente porque não queria tirar a roupa. Para Malu, isso não é um problema, desde que exista contexto. Ela topou, mas fez Daniel convencê-la da necessidade.

Foi a primeira vez que ela fez o diretor se explicar. Já vinculada ao projeto, descobriu que ele queria praticar um método muito particular de filmar: impedir o elenco de ler o roteiro, escrito por Matheus Souza (de “Eu Não Faço a Menor Ideia do que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida”). O script de cada cena só seria entregue no dia de filmá-las. O objetivo era imprimir o frescor adolescente na telona, valorizando a espontaneidade e o improviso. Malu não gostou. “Fui mandante de uma revolução”, lembra. “Fazer um filme que a gente não tem ideia de como é o personagem? A gente implorou, pediu pelo amor de Deus, para poder ler o roteiro pelo menos uma vez”. Deu certo: conseguiu. Mas só leu uma vez. “Tiraram o texto da gente de novo, mas pelo menos sabíamos como era a história e lembrávamos algumas coisas”.

Menos assustador, mas tão perturbador quanto, foi quando ele avisou que não queria nenhum tipo de maquiagem em cena. As adolescentes do filme não podiam parecer patricinhas, maquiadas para ir à escola. Malu concordava, mas também não queria aparecer destruída na tela do cinema. “A gente contrabandeava maquiagem!”, brinca a atriz. “Eu estava fazendo três trabalhos ao mesmo tempo. Tinha dia que acordava às 4h de manhã para apresentar peça em São Paulo e voltava para o Rio de Janeiro à noite para filmar. Falei ‘pelo amor de Deus, vou chegar com cara de ‘dormindo’”. Mas não adiantou. Ele não cedeu dessa vez. Pelo menos, ela tentou. “Um dia, ele falou que eu ia assistir ao filme e terminar amando-o. A primeira coisa que disse para ele quando assisti foi ‘Daniel, eu te amo’. E ele disse ‘eu também’.

Você tem 20 anos, e “Confissões de Adolescente” também. Você tem alguma memória da série e da dimensão desse projeto para os adolescentes daquela geração?
Com a série, não tive contato, porque era muito nova. Mas eu li o livro quando era pequena e gostei muito. Sempre quis ver a peça, mas nunca consegui, porque estava em cartaz com algum musical. Trabalho desde criança, então não conseguia parar para assistir. Algumas amigas minhas fizeram as montagens mais recentes, e eu ficava sabendo das coisas por elas, cheia de vontade de ir ver.

Muitas atrizes importantes passaram pelo elenco da peça, ao longo dessas duas décadas. É diferente fazer um trabalho que outras, reconhecidamente tão boas, já fizeram antes? Você teme comparações?
Eu acho que a responsabilidade existe em qualquer trabalho. A gente não ficou pensando muito em comparações ou em como fizeram antes. A gente teve uma reunião com o Daniel no início e perguntou se devia assistir à série ou a algum episódio específico para cada personagem. Ele disse que preferia que não assistíssemos, porque não queria nenhuma referência. Então, acho que a cobrança era muito maior por trabalhar com ele e por saber do peso do projeto, do que por medo de comparações.

O elenco não teve acesso ao roteiro completo antes das filmagens e só recebia as falas do dia na hora de filmar. Como foi essa dinâmica de trabalho?
Foi meio assustador. Eu sou muito caxias e gosto de estudar em casa para chegar com tudo pronto. Foi difícil, mas funcionou no fim das contas. O Daniel queria esse frescor adolescente de não saber falar, e falar um em cima do outro. Às vezes a gente mudava uma palavra ou outra, porque tinha acabado de decorar o texto, e ele foi super compreensível neste ponto. A gente ensaiava bastante e conseguia gravar quase tudo de primeira. Mas, na verdade, eu fui a mandante de uma revolução. Ele não queria que a gente lesse o roteiro inteiro nem uma vez, mas falei ‘Ah, não. Fazer um filme que a gente não tem ideia de como é o personagem?’ A gente implorou, pediu pelo amor de Deus, para poder ler o roteiro pelo menos uma vez. Aí ele deixou. Senão como ia saber como era a personagem? Eu faço a menina que tem a primeira vez e fica grávida, mas ela é como? Lemos o roteiro uma vez e ele falou ‘Agora quero que vocês esqueçam tudo e vamos filmar’. Tiraram o texto da gente de novo, mas pelo menos sabíamos como era a história e lembrávamos de algumas coisas.

O Daniel Filho tem fama de rígido. A Sophia Abrahão contou que tinha medo das broncas dele. Como foi sua relação com o diretor no set?
Eu queria matar o Daniel algumas vezes, né? (risos) Mentira. Acho que é uma coisa dele, por ser daqueles diretores mais antigos. Ele tenta puxar o melhor de você. Pegava muito no meu pé, porque minha personagem tem uma dramaticidade maior, eu acho. Não é nada pessoal e ficava só no estúdio. Sabia que era para tirar o melhor de mim. Sem dúvida, ele tirou o melhor de mim. Um dia, ele falou que eu ia assistir ao filme e terminar amando-o. A primeira coisa que disse para ele quando assisti foi “Daniel, eu te amo”. E ele disse “eu também”. Então, ele é um pouco carrasco, mas também é super carinhoso fora de cena. Nas minhas cenas mais complicadinhas, nas quais tinha que ficar pelada, ele foi um amor. Era tudo com respeito, com carinho, com cuidado. Foi um processo bem intenso, mas gostoso. O resultado é o que importa.

cassioefilhas'Confissões de Adolescente - O Filme' (crédito Dilvugação) (171)

Qual foi o momento mais difícil das filmagens?
Acho que a cena mais difícil de fazer foi a que a Alice descobre que está grávida. Não tenho nada próximo a mim nesse sentido – nenhuma amiga ou familiar que tenha ficado grávida muito nova. Então, tive que procurar algumas pessoas que não eram tão amigas, conversar e descobrir como era. Algumas fizeram aborto, nunca contaram pra ninguém e contaram pra mim. Foi um processo bem legal em termos de estudo. Mas, em termos de sensação, foi a cena mais difícil.

Como só recebiam as falas na hora de gravar, você sabia que ia fazer essa cena no dia de filmá-la ou foi uma surpresa?
Sabia. Eles avisavam mais ou menos um dia antes o contexto da cena, explicando o que ia acontecer. A gente só não tinha as falas, então ia meio preparada para o que ia acontecer. Eu lembro que esse foi o dia que o Daniel mais pegou no meu pé. Eu estava muito exausta, e foi a última cena do dia, então… foi bem difícil.

E de onde você tirou a carga emocional para fazê-la?
Acho que cada um tem uma coisa que lhe faz chorar. Eu sou muito ligada à música, porque faço musical desde criança. É algo muito presente na minha vida e acho que cada um tem uma música que desperta um sentimento assim. Então, sempre que tinha que chorar em alguma cena, o Daniel me deixava quietinha em um canto, me concentrando, e só me chamava na hora de gravar. Ele falou “Bota uma música e fica na fossa”. Falei “ok”, botei a música e, em dois segundos, estava chorando aos prantos e pensando nas meninas com quem conversei.

E qual era a música?
Ah, é uma música que ninguém deve conhecer. Inclusive, mostrei para os outros depois e todo mundo falou que era uma música linda, que não tinha porque chorar com ela. Mas, gente, é uma música que me toca. É “Falling Slowly”, que é daquele filme que virou musical na Broadway e fez um sucesso enorme – “Once”. Eu tinha acabado de voltar de viagem e assistido lá.

Escute a música:

O Daniel Filho pediu que vocês ficassem sem maquiagem em cena. Sei que isso é um drama para as mulheres. Como isso afetou sua vaidade?
A gente contrabandeava maquiagem! (risos) Mentira! Quando começou, o Daniel falou que não queria maquiagem nenhuma e que era para ser o mais natural possível. A gente implorou para usar pelo menos um corretivo nos dias em que tivéssemos com mais olheira. Eu estava fazendo três trabalhos ao mesmo tempo: “Tapas & Beijos”, o musical “O Mágico de Oz” e o filme. Tinha dia que eu acordava às 4h da manhã para apresentar peça em São Paulo e voltava para o Rio de Janeiro à noite para filmar. Eu falei: “Pelo amor de Deus, eu vou chegar com cara de ‘dormindo’!”. Acabou que ficou por isso mesmo e a gente aceitou. O filme é muito naturalista, muito bonitinho, muito fofo. Tinha que ser assim mesmo. Se fosse de outro jeito, pareceriam adolescentes patricinhas montadinhas e não era isso que ele queria. Realmente, uma menina de 16 anos não vai para a escola de blush e rímel de manhã.

O Christian Monassa faz seu par romântico e vocês têm muita química em cena. Já se conheciam antes?
Então, não! (risos) Na verdade, o Christian me conhecia de vista, porque tinha alguns amigos que faziam musical comigo. Nada muito próximo. Mas o Daniel fez questão de deixar as cenas mais íntimas para os últimos dias de filmagem, então a gente já estava junto há praticamente dois meses. Tivemos uma preparação com a Luiza Thirré, que também ajudou todo mundo a se conhecer bem e ficar mais próximo – todas as meninas, todos os namorados, enfim. Todo mundo virou muito amigo, então foi tranquilo. Que bom!

Em quase toda entrevista que você deu sobre o filme, teve que falar sobre a cena de sexo e de nudez. Na época de “Despertar da Primavera”, também houve uma polêmica com relação a essa questão. Na sua opinião, o erotismo artístico ainda é um tabu para as pessoas?
Eu acho que o sexo é um dos assuntos mais polêmicos para o adolescente e não poderia deixar de ter no filme. É o mais complexo também. Ficar menstruada não muda muita coisa. Pra mim, pelo menos, não mudou nada. Mas, quando você tem a primeira vez, o primeiro namorado, o primeiro amor, o corpo e a cabeça mudam mesmo. Mexe com muita coisa. Então, você realmente cresce. Por isso que eu acho que quanto mais cedo pior! Então, realmente não podia deixar de ter, e dessa maneira, sem nenhum pudor, nenhuma restrição, nenhuma censura. Não tem porque não mostrar o peito… Acho que sexo sempre vai ser meio tabu. Há famílias e famílias, e cada um é educado de uma forma. A conversa deveria ser a principal coisa entre pais e filhos. Eu estudei em colégio de freira e sei que muitos colégios têm aula de sexualidade, então acho que quanto mais informação menos problemas, como a gravidez na adolescência.

'Confissões de Adolescente - O Filme' (crédito Dilvugação) (85)

Ok. Você estudou em colégio de freira. De onde vem esse despudor para tirar a roupa em cena?
Acho que quem quer ser ator se entrega de corpo e alma. A gente não pensa muito. Se tem contexto e tem a ver com a cena, porque não? Se tivesse que raspar a cabeça, pintar o cabelo, qualquer coisa, eu faria. Claro que tudo tem limite. Tem coisas que realmente não são necessárias. Depende muito do contexto, da cena, da história. O ator tem que se despir de qualquer vergonha e qualquer medo. Isso não existe na nossa profissão. A gente está ali para se doar por inteiro e contar a história daquele personagem. Não é a Malu que está ali, é outra pessoa, é a Alice. Já passei por poucas e boas, desde o sapatinho da Dorothy me apertando por três horas na peça até pegar cachorro que faz cocô e xixi em cena. Então, é isso, né? A gente se entrega de uma maneira inexplicável.

Ter feito uma cena de sexo no teatro facilitou o trabalho no cinema? Afinal, são menos pessoas assistindo no estúdio…
No teatro, é mais longe, né? (risos) No cinema, é uma tela gigantesca e, na hora de gravar… as pessoas estão mais próximas. No teatro, a gente ensaia tanto, que acaba ficando algo muito orgânico, então você não pensa que tem 600 ou mil pessoas te assistindo. Se você pensar, você entra em pânico e não faz nada. Tem que entrar, se jogar, fazer o seu melhor e pronto. Eu sou muito tímida, então acho que foi pior no filme, que é tudo muito minimalista. No estúdio, está todo mundo muito próximo, é frio, tem uma luz em cima e, quando corta, você está lá pelada. O Daniel foi um querido e tirou todo mundo do estúdio no dia. Só ficou quem realmente precisava ficar. Foi tudo muito coreografo – não há uma mão fora do lugar, é tipo um balé -, então foi melhor, porque não tinha quase ninguém. Mas acho que teatro é mais fácil.

Que situação te faria dizer não para um diretor?
A gente está ali para mentir um pouco, então nada que precisasse ser de verdade, como uma cena de sexo real ou consumo de drogas. Tudo bem, desde que dentro de um contexto. Precisa ficar pelada? Precisa. Por quê? Tem que entender o conceito com o diretor. Eu não fiz teste [para “Confissões”], então na primeira vez que me encontrei com o Daniel, em uma conversa, ele virou e perguntou se eu teria problemas em ficar pelada. Falei: “Depende. Pelada por quê?”. Ele me contou a história e concordei, tudo bem. Acho que depende de cena para cena, de personagem para personagem. Tudo tem que ser conversado.

Depois de “Confissões”, quais serão seus próximos projetos?
Volto com “Tapas & Beijos” na Globo. Começo a gravar de novo no fim de fevereiro e entra no ar assim que terminar o “Big Brother Brasil”. Talvez tenha também o “Confissões 2” para a gente filmar no fim do ano. Além disso, estou com minha peça, que é linda de morrer, para comemorar os 70 anos do Chico Buarque. É o novo musical do Charles Möeller e Claudio Botelho, “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 Minutos”.

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