Carta do Tio Léo #12: mudanças, expectativas e… que venha 2014!

Oi, alguém,

Supondo que tem alguém aí. Sempre tem, né? Não é como se todos tivessem viajado ou estivessem ocupados demais aproveitando seus recessos de fim de ano. Sempre há alguém de bobeira, sem nada para fazer, por aqui. Eu acho. Vou trabalhar com base nisso. É a última carta do ano, como você deve imaginar, se sabe que escrevo uma por mês. É, escrevo uma por mês. Ou escrevia. Se há algo que queira falar nesta carta, é isso: não vou mais escrever uma carta por mês. Não estou mais a fim. Cansei. E não cansei hoje. Cansei há muito tempo, mas queria levar o projeto até o fim do ano, para terminar o ciclo.

A verdade é que nunca gostei dessa ideia, de vir aqui, mensalmente, falar como andavam as coisas comigo. Essa obrigação me incomoda, porque não é sempre que eu quero falar da minha vida abertamente. Mais do que isso: quase nunca acho que há algo realmente interessante para relatar. Houve meses em que, de fato, havia tópicos muito divertidos e lisonjeiros, que mereciam ser imortalizados de alguma maneira. Mas, em outros, eu não tinha nada para dizer, ou não queria falar nada, o que dá na mesma. A sensação é similar.

Eu sei, também, que há muitas pessoas que acompanham o que escrevo há mais de uma década, o que é bizarro (e muito carinhoso, é claro)! São da época do Blig, do Fotolog, e de várias outras plataformas pelas quais passei. O conceito por trás das cartas do Tio Léo era manter um vínculo com essa turma, porque essas pessoas me conhecem desde que eu só falava sobre a minha vida, diariamente, em todos esses lugares. Mas eu era um adolescente egocêntrico, vaidoso, inútil e sem noção. Hoje em dia, sou só egocêntrico. Eu acho. Mas não tenho mais a menor vontade de falar sobre a minha vida dessa maneira. Tentei, mas acho que não funcionou. Bola pra frente. Sem mais cartas.

A dica da semana e o clipe da semana continuarão. Pensei em excluir também essa história de clipe, mas é algo que não me custa nada manter. A dica da semana, pelo contrário, me custa, mas acho que tem funcionado bem. Então, essas duas coisas permanecerão em 2014. Não pensei em nenhuma novidade para o ano que vem, aqui no blog, mas nunca se sabe. Quero fazer muitas coisas nesses próximos 12 meses…

Não gostei de 2013, de um modo geral, ainda que tenham acontecido coisas boas. Consigo pensar em vários acontecimentos positivos enquanto escrevo isso aqui, o que só prova que, de fato, não foram tantos assim, se dá para lembrar de tantos. Não houve nada WOW, sabe? Acho que nada do que eu esperava. E não estou reclamando. Estou de braços abertos, compreensível que meu ano será 2014.
2014, gente! Copa do Mundo! Eu odeio futebol, mas é uma referência. Quando entrei na faculdade, já se falava de 2014. E eu entrei na faculdade em 2008. Olha quanto tempo! Lembro que os professores diziam que esse seria um bom ano para quem quisesse trabalhar com jornalismo esportivo. E depois teria 2016. Isso tudo parecia muito distante naquela época. Tipo… 2014, uma abstração. Agora faltam três dias. Vida louca.

Quero que o ano que vem seja positivamente inesquecível. É pedir muito? Eu sei que sim. Mas a Xuxa fechou o seu último programa de 2013 dizendo algo com o qual me identifiquei muito, talvez por ela ter feito parte da minha formação, mas vá lá: “Um dia, uma pessoa me disse: ‘Xuxa, você sonha muito alto’. Fiquei tão chateada com aquilo, meu olho encheu de lágrima. Eu preciso sonhar alto e ninguém para os nossos sonhos. Sou guerreira pra caramba e gosto de correr atrás. Acho que sonhos não envelhecem, mas não é legal deixar nas mãos dos outros para realizar. Então, realize todos os seus sonhos”. Eu vou tentar. Também sou guerreiro pra caramba.

Feliz 2014 para todos,

Tio Léo

[Dica da Semana] O Mordomo da Casa Branca

Essa é a última dica do ano, e juro que pensei em fazer algo temático, sobre réveillon e tudo mais. Mas assisti a esse filme – “O Mordomo da Casa Branca” (The Butler) – na quarta-feira, e fui profundamente cativado. Não dá para falar de outro assunto, e deixar esse de lado.

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Dirigido por Lee Daniels (de “Preciosa – Uma História de Esperança”), o filme acompanha a luta dos afro-americanos pela conquista dos direitos civis nos Estados Unidos ao longo do século XX. Mas esqueça Martin Luther King. Aqui, o espectador só ouve falar nele. A trama opta por outro personagem principal e outra perspectiva – não a de um ativista político, mas a de um mordomo. Negro, sim, mas apolítico. O mordomo da Casa Branca, como diz o título.

Baseado em fatos reais, o roteiro, de Danny Strong (que também assina os dois próximos filmes da franquia “Jogos Vorazes”), tenta reconstruir a vida de Eugene Allen, o mordomo que de fato serviu diversos presidentes norte-americanos entre 1952 e 1986. No filme, ele ganha outro nome: Cecil Gaines, interpretado por Forest Whitaker (vencedor do Oscar por “O Último Rei da Escócia”). De mansinho, ele tenta conquistar o direito à promoção e a um salário compatível aos dos brancos. Ele não luta, ele observa, ele pede, timidamente.

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As lutas que movimentaram o país são comentadas nas reuniões do presidente, que ele ouve entre uma bandeja e outra, e mostradas na TV. Pelo noticiário, ele recebe as notícias do seu próprio filho (vivido por David Oyelowo, de “Middle of Nowhere”), que é um ativista engajado e volta e meia é preso por causa disso. Uma das cenas mais fortes é quando esse e seus amigos quebram os paradigmas da época e se sentam nos bancos exclusivos para brancos em uma lanchonete. A reação da sociedade é chocante para alguém que não pegou o mundo desse jeito, como eu. A relação do mordomo com seu filho, claro, é conflituosa – e isso é uma subtrama deliciosamente bem desenvolvida, também.

Gostei muito da ótica escolhida para contar a história, que não soa como cinebiografia do mordomo, de verdade. Havia lido algumas críticas contra esse filme, principalmente com relação à escalação do elenco, que traz Mariah Carey, Lenny Kravitz e Oprah Winfrey. Não lembro onde li, mas a necessidade desses nomes era questionada. Rebato: por que não? Mariah está convincente no papel da mãe do protagonista, na primeira fase do longa, quando ele ainda é uma criança. E Oprah? Ela recebeu uma indicação ao SGA, que é justamente a premiação do sindicato de atores dos EUA. Isso cala muitos comentários.

Eu fiquei tocado, e isso é tudo que espero de um bom filme: uma pequena transformação em mim ao assisti-lo. Estou recomendando para todo mundo.

Por trás da fama de metido

Viro a esquina e te vejo virar na outra. Temos uma calçada inteira de distância, mas te reconheço de longe. Continuo caminhando, em sua direção, simulando naturalidade. Como quem não te viu. Como quem só vai te ver quando passar por você. Às vezes olho para o chão, fingindo preocupação com o calçamento, às vezes olho para frente, para mostrar que sou seguro de mim. Na minha cabeça, só um pensamento: cumprimento ou não cumprimento? Não sei.

Talvez você nem se lembre de mim. Talvez reconheça meu rosto, mas não saiba de onde me conhece. Não é todo mundo que tem a minha memória. Eu lembro até de quem vi no ônibus, algum dia da minha vida. É difícil que me esqueça de algum rosto. Só finjo que esqueço, porque sei que as pessoas se esquecem, então também posso usufruir desse direito. Mas não esqueço. Você esquece? Cumprimento? Você se aproxima. Sei que me viu. Será que você pretende me cumprimentar? Está fingindo que não me viu, esperando se aproximar mais. Como eu?

Vai ser uma levantada de queixo, demonstrando reconhecimento? Ou um “oi” sonoro? Vai ter sorriso? Vou ser simpático? Ou educado basta? Olho para o outro lado da rua, fingindo interesse. Será que você se lembra de mim? Será que se lembra e está interessado sobre minha vida nova? Não quero parar para conversar. “Oi, tudo bem? E as novidades? E sua mãe?”. Por favor, não. Sem necessidade. Vamos ficar só no oi sonoro. É cordial, é suficiente.

Você se aproxima. Nós nos olhamos. De um jeito cego. Chegou a hora. Vai ser oi sonoro mesmo? Estou quase desistindo e optando pela levantadinha de queixo, com um sorriso forçado. Faz mais meu feitio. É mais a minha onda. Valeu? 1, 2, 3 e… Você passa direto. Passa direto. Direto! Shit. Agora você tem certeza absoluta que eu sou metido. Vai espalhar por aí que passa por mim pela rua e eu finjo que não conheço.

É claro que você se lembrou de mim e é claro que contribuí para uma má fama. Você agora vai se reunir com todas as outras pessoas que ignorei na rua e me maldizer. “O Leonardo? Passa pela gente e nem cumprimenta. Deus me livre!”. É. Você faz o tipo de pessoa que diz “Deus me livre”. Deus não te livrou. Eu te ignorei. Fiquei mal na fita. Pensei, pensei, pensei e na hora optei pelo mais fácil.
Não que um “oi” arranque pedaço. Nem uma levantadinha de queixo. Mas… né? Passar direto é seguir a inércia. E se você não se lembrasse de mim? Seria ridículo. Eu teria cumprimentado à toa, e ficado no vácuo. Ou você teria notado meu cumprimento e me achado maluco. Ou, pior, ficado constrangido por não se lembrar de mim, parar sua caminhada, e tentar se recordar de onde nos conhecemos, estalando os dedos. Desnecessário. Mas, eu sei, seria mais digno. Afinal, te conheço, e se espera que não finja o contrário. Não somos amigos, nunca fomos, mas também nunca nos fizemos qualquer mal.

Eu poderia ter fingido que era um tique nervoso. Digo, se você não notasse que dei uma levantadinha de queixo em cumprimento. Ou talvez me fazer de bobo, desse tipo de pessoa que confunde as outras na rua, e vive abordando desconhecidos pensando que são amigos próximos. Isso funcionaria. Você sabe que existe isso.

Só que também existe aquela possibilidade de você não querer me cumprimentar e, se eu o fizesse, te colocaria em uma situação chata. “Ai, lá vem o Leonardo, sempre cumprimentando… Cumprimentador!” Você tem todo direito de não querer dar uma levantadinha de queixo para mim. E eu não quero contestar isso. Longe de mim. Nem faço questão desse cumprimento. Poderia ser chato, de verdade. Como aquele cara, que não sei quem é, mas cisma em me dizer bom dia/boa tarde/boa noite sempre que passo por ele. Nunca conversamos, nunca sequer me dirigi a ele, mas ele sabe que me conhece de vista e teima em me cumprimentar. Quando não o faz, penso até que está puto comigo. Mas nem o conheço, e seria uma loucura se ele estivesse. Talvez me ache metido também… Talvez ele faça testes para ver se eu o cumprimentaria, se partiria de mim a ação, algum dia, caso ele desistisse de ser proativo. Não partiria. Não partiu com a gente, menos com ele. Mas não quero ser como ele. Você me entende?

Olho para trás. Você está virando a esquina. Nem olhou pra trás. Eu também viro, naquela de onde você veio. Que situação. Mais um. Tenho certeza de que você esperava um cumprimento. Por que deveria partir de mim? Não sei. Talvez você conheça aquele cara que sempre me cumprimenta. Talvez eu tenha que cumprimentar outras pessoas por aí, antes que elas o façam, para equilibrar o universo. Ou a minha vida. Ou minha rede de contatos, pelo menos. É engraçado. Eu te conheço. Você, de alguma maneira, faz parte da minha rede de contatos. Não a do Facebook. A rede da vida. Essa que a gente constrói vivendo por aí. Nossas vidas se cruzaram, com menor importância, é verdade, mas se cruzaram. Somos parte da mesma rede. Nós nos conhecemos. Até sei o seu nome. Mas não te cumprimento.

[Dica da semana] Clarice Falcão estreia como protagonista no filme “Eu Não Faço a Menor Ideia Do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida”

Clarice Falcão se tornou um nome forte na cultura pop em pouco tempo. São sete anos desde que o grande público a viu pela primeira vez, em uma pontinha no filme do pai João Falcão, “Fica Comigo Esta Noite”. De lá para cá, ela apareceu em novela, série, fake reality show, curta-metragem e peça teatral, cada vez ganhando mais espaço – o que culminou com os vídeos do “Porta dos Fundos”. Fora isso, ainda há seu trabalho como cantora e compositora, que rendeu uma indicação ao Grammy Latino e uma turnê nacional. Como se ainda faltasse algo, Clarice lança, na sexta (20/12), seu primeiro longa como protagonista – Eu Não Faço a Menor Ideia Do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida.

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Dirigido por Matheus Souza (“Apenas o Fim”), o filme acompanha a universitária Clara, que mata todas as aulas de Medicina em troca de manhãs ociosas e despretensiosas, até que conhece Guilherme (Rodrigo Pandolfo, de “Minha Mãe É uma Peça”) em um boliche. O jovem a incentiva a experimentar diversas profissões, à sua própria maneira non sense, para descobrir o que realmente quer fazer da vida. O papel foi criado especialmente para Clarice Falcão. “Ela é minha amiga há muito tempo e sempre a admirei muito. Já escrevi pensando nela”, conta o cineasta, que havia trabalhado com a atriz anteriormente na atualização da peça “Confissões de Adolescente” (2009) e na série do Multishow “Vendemos Cadeiras” (2010).

Matheus Souza é considerado o Domingos de Oliveira (“Primeiro Dia de um Ano Qualquer”) da nova geração, com humor à la Woody Allen (“Blue Jasmine”). Seu primeiro filme, “Apenas o Fim”, foi premiado no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O papel principal de “Eu Não Faço…”, portanto, poderia ter sido disputado por outras atrizes interessadas. Assim que recebeu o convite, Clarice aceitou o trabalho. “Aceitei antes de ler o roteiro. Gosto muito do Matheus e gosto muito de trabalhar com ele”, disse ao Fala, Leonardo!. “Os filmes dele tem uma sinceridade muito clara e acho que é essa a sua grande qualidade, a maior qualidade”.

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Só havia um porém: não havia cachê – nem para o elenco, nem para a equipe. Dispensando leis de incentivo governamentais, o filme foi bancado pelo próprio diretor, com orçamento de R$ 20 mil, considerado extremamente baixo até mesmo para os padrões nacionais. Totalmente autoral, o projeto foi filmado em 2011, exibido em festivais em 2012, e só chega aos cinemas agora em 2013. Para Clarice, isso permite certo distanciamento. “É uma mistura de agonia, de ‘Caramba, eu faria completamente diferente hoje em dia!’, com muito carinho, porque foi uma época muito legal. A gente aprendeu muito fazendo esse filme”, afirma. “Sentíamos que estávamos trabalhando e servindo a um roteiro que achamos muito legal”.

O texto, como em todos os trabalhos do cineasta, é um personagem à parte. Explorando a cultura pop, faz referências ao Facebook, ao wii, aos smartphones e até ao “Big Brother Brasil”. As piadas são todas jovens – no melhor sentido do adjetivo – e o mais antigo é uma alusão irônica ao ICQ. Por mais contrassenso que possa parecer, foi isso que atraiu nomes aclamados como Leandro Hassum (“Até Que a Sorte nos Separe”), Nelson Freitas (“Muita Calma Nessa Hora”), Alexandre Nero (“Crô: O Filme”) e Daniel Filho (diretor dos blockbusters “Se Eu Fosse Você” e “Chico Xavier”) para o projeto. Daniel Filho, aliás, interpreta o avô da protagonista em uma das cenas de diálogo mais sensíveis. Gregório Duvivier, protagonista de “Apenas o Fim” (2008) e namorado de Clarice, também retornou dessa vez.

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A experiência de trabalhar com ícones da dramaturgia e do humor não passa despercebida por Clarice. “Foi um filme-escola. Tem hospital-escola, né? Foi um filme-escola”, analisa. O baixo orçamento, também, estimulou o elenco e a equipe a explorar sua criatividade. Para Matheus Souza, foi um exercício para a mente de todos. “Foi positivo. A cada obstáculo, a gente se superava. É uma boa experiência, se você é um moleque de vinte e poucos anos e quer fazer um filme”. O diretor não esconde, no entanto, o medo de desagradar. “Espero que as críticas ao título não sejam ‘ele realmente não faz a menor ideia do que está fazendo da vida dele’”, brinca. Clarice, por sua vez, se antecipa e admite: não tem mesmo a menor ideia, como sua personagem. “Sinto-me assim sempre. Todos os dias. Até hoje”.

Depois de divulgar o filme, que “tem que bombar no primeiro fim de semana para continuar em cartaz”, ela não sabe o que fará em 2014, por exemplo. É uma incógnita. “Não faço planos jamais. É minha regra. Não tenho a menor ideia do que vou fazer com a minha vida no ano que vem”, parafraseia o título da comédia. Para quem está na mesma, a dica é focar no fim de semana. Tem cinema.

Lista de cinemas que exibirão o filme entre os dias 20 e 26:

EM SÃO PAULO: UCI Jardim Sul, Espaço Itaú Pompéia, Espaço Itaú Frei Caneca, Cinemark Santa Cruz, Espaço Granja Viana.
NO RIO DE JANEIRO: UCI New York, UCI Parque Campo Grande, Cinemark Downtown, Odeon, Estação Botafogo, Ponto Cine.
EM CAMPINAS: Cineflix Galeria Campinas.
EM BRASÍLIA: Cine Cultura Liberty Mall.
EM CAMPO GRANDE: UCI Bosque dos Ipês.
EM BRUSQUE: Cine Gracher Havan.
EM RECIFE: UCI Kinoplex Shopping Recife, Moviemax Rosa e Silva.

[Dica da semana] Série “Adorável Psicose”

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Gosto de malucos. Digo, de personagens malucos. Quer dizer, tenho algumas amigas malucas de quem gosto bastante também. E acho que elas dariam bons personagens. Com certeza dariam. Como Charlize Theron em “Jovens Adultos”. Adoro aquele personagem. Criei empatia desde a primeira cena, e só percebi que ela era maluca no fim do filme. Para mim, estava tudo dentro dos padrões. Mas, percebo, meus padrões estão malucamente distorcidos. De qualquer forma, gosto dos malucos. Bato palma para maluco dançar – se ele for do tipo que dança. Também não vou obrigar ninguém dançar. Nem eu danço.

Bato palma para Natália, a personagem da Natália Klein na série Adorável Psicose. Mas não bato palma para ela dançar. Acho que não é do feitio dela. Completamente louca. Ou psicótica, como preferir. A conheci – quero dizer, a atriz – durante uma entrevista no “Programa do Jô”. Natália Klein estava lá sentada naquele sofázinho falando sobre o programa e seu blog, que gerou os roteiros para a série. Primeiro, vi o blog. Li e gostei, daí fui atrás dos episódios. Viciei. O programa acompanha as sessões de análise da protagonista com a Doutora Frida (outra louca, interpretada brilhantemente por Juliana Guimarães). É muito engraçado! E ainda tem o Cara de Bigode (Lucas Oradovshi), o par romântico menos romântico possível da Natália. O adoro também. Note que ele sequer tem um nome.

“Adorável Psicose” está em sua 5ª temporada atualmente, exibida pelo canal Multishow. Acabei de assistir ao primeiro episódio no Youtube, e há uma novidade: hipnose nas sessões. Agora vemos Natália no passado, na infância, na escola – algo que me faz lembrar a série “Being Erica”, sobre a qual também já comentei aqui. Só que, como tudo é muito louco por aqui, há hipnoses dentro das hipnoses dentro das hipnoses dentro das hipnoses… Que viagem! Eu adoro.

Dê uma chance para si mesmo: os episódios podem ser vistos nesse canal no Youtube, desde a 1ª temporada. Para os inéditos, basta ligar a TV no Multishow, toda quarta, 22h. Há reprises quarta (5h30), quinta (17h30), sábado (6h30, 23h30), segunda (9h30) e terça (14h).

[Dica da Semana] “Vidas Provisórias” – Edney Silvestre

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Terminei de ler Vidas Provisórias, do jornalista Edney Silvestre, há pouco. Li em uma semana, apenas em viagens de ônibus, e fiquei muito preso na história. Ou nas histórias, melhor dizendo. O livro acompanha paralelamente, em capítulos intercalados, dois personagens: Bárbara e Paulo.

Bárbara se muda de São Paulo para os EUA, ainda menor de idade, para tentar a sorte ilegalmente, com passaporte falso, sem a companhia dos pais e sem domínio do inglês. Os poucos conhecidos que tinha na terra do Tio Sam logo a abandonam e ela se vê sozinha em Nova York, tendo que lidar com um mundo assustadoramente desconhecido. Faz faxinas por diárias de US$ 50. Perde os laços com suas raízes, e não cria vínculos onde está.

Paulo, por sua vez, é obrigado a deixar o Rio de Janeiro após sofrer nas mãos dos torturadores da ditadura militar. Acusado e maltratado pelo próprio irmão, integrante da repressão, ele é forçado a abandonar o país se quiser sobreviver. Passa pela Argentina, pelo Chile e vai parar na Suécia. No Brasil, seus documentos e diplomas são queimados e apagados dos arquivos, como se ele nunca tivesse existido.

Situação parecida com a de Bárbara – que a história faz questão de sugerir o tempo todo que talvez nem se chame assim. Os dois não existem: ela, nos EUA; ele, no Brasil. As tramas se passam em períodos diferentes, com avanços e retrocessos no calendário, mas ambas se assemelham pela sensação de ser um outsider. É muito interessante, porque, na verdade, não precisa-se ir muito longe para se sentir assim.

Quero ler outras obras do Edney. Ele tem uma escrita envolvente e uma ótima noção de ritmo. É como a novela dos sonhos: aquela em que acontece alguma coisa toda hora, sem embromação. A gente pode até desconfiar o fim (eu desconfiei), mas não tem noção de como será o desenvolvimento. Indico demais.

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“Porta dos Fundos” lança DVD com esquetes do canal do Youtube: leia a entrevista completa

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Nenhum vídeo do Porta dos Fundos tem menos de duas milhões de visualizações no Youtube. O número é impressionante, sem dúvidas, mas também revela um grande potencial de crescimento – afinal, a população brasileira é de 200 milhões de pessoas. De olho nisso, o grupo decidiu expandir os negócios e lançar um DVD com os 28 primeiros esquetes postados no canal virtual, acrescidas de extras com comentários dos vídeos e um minidocumentário. Não é coincidência que o produto chegue às lojas no mês do Natal, com tiragem de 15 mil cópias. “[Agora é possível] dar o ‘Porta dos Fundos’ para sua mãe que não vê Internet”, explica o ator João Vicente de Castro, um dos criadores do grupo, sentado no escritório da Universal Music, no Rio de Janeiro, onde ocorreu a coletiva de imprensa do lançamento do DVD, na terça (3/12). O ator Gregório Duvivier, um dos sócios, completa: “O público que não tem acesso à Internet e compra DVD é gigantesco e não pode ser desprezado. Outro dia, uma moça me encontrou na rua e disse que me conhecia de algum lugar. Falei que deveria ser da Internet e ela me respondeu ‘Não, eu não frequento bate-papo’”.

A declaração gera risadas na sala, logo no início da entrevista. Marcada para as 17h30, ela só começou as 18h45, porque todos chegaram atrasados, culpando o engarrafamento cotidiano da Barra da Tijuca. Está aí um bom tema para um vídeo: o caótico trânsito carioca. É possível que o assunto apareça nos próximos esquetes: o “Porta dos Fundos” tem 36 roteiros aprovados que ainda não foram produzidos. Além disso, eles também planejam uma série para o canal virtual e um filme para os cinemas, além do livro, que já está nas livrarias. TV, não, apesar do seu inegável alcance massificado. “Dá para ir? Dá. A gente teria interesse se o projeto fosse muito legal? Teria. Mas não é o caso. Não estamos buscando isso arduamente agora”, explica o ator Antonio Pedro Tabet, protagonista do vídeo “Quem Manda”, que teve mais de 8,6 milhões de acessos.

O grande mérito da “Porta dos Fundos”, aliás, é ser grande sem precisar da TV. Atualmente, a produtora trabalha com 40 funcionários. O diretor geral Ian SBF – o responsável por “fazer as coisas correrem”, como ressalta Fábio Porchat – conta que eles trabalham todos os dias. “Obviamente, não é todo dia gravando. Cada dia é uma coisa diferente. E quem não está no escritório está em casa escrevendo”. Ou comendo. Enquanto o amigo fala, Porchat devora a mesa de petiscos na sua frente. “Eu não almocei, tá? Só para dizer… Por isso estou fazendo essa favelinha”, brinca, com a boca cheia. É difícil ficar perto deles e não rir.

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Foi noticiado que vocês processaram uma empresa de lubrificantes que usou o nome Porta dos Fundos…
Fábio: Não, a gente não processou ninguém.

E vocês já receberam processo por algum esquete?
Ian: Não. Também não.
Fábio: A gente é muito “não”, né? (risos) Não, não, não!

Quando vocês fizeram o esquete da Xuxa, vários sites noticiaram como se fosse alarmante tocar no nome dela. Muitos pensaram que rolaria um processo.
Antonio: Você viu os créditos no vídeo? O roteiro é dela também.
Pausa no ambiente.
Antonio: Mentira! (risos)
Gregório: Até eu fiquei surpreso agora! (risos)
Ian: Eu achei que ia ter alguma repercussão, mas não vi nada.
Gregório: Quando a gente lançou, todo mundo falou “processos em 3, 2, 1”. Todo mundo postou dessa maneira. Mas não deu em nada. Só uma vez que o Marco Feliciano falou que ia processar, mas não fez nada também.
Fábio: A Xuxa adorou! Ela é superfã!
Antonio: As pessoas tem um pensamento muito carola na Internet. Ouvem algo que não estão acostumados a ouvirem na TV e pensam que pode dar problema. Mas se você parar para pensar é um esquete bem humorada e que fala super bem da Xuxa. Pior seria se o personagem falasse assim “Não quero transar com a Xuxa de jeito nenhum!”. Claro que ele queria transar com a Xuxa. Ela é linda, ela é ótima, maravilhosa, enfim.
João: (risos) Deixa seu recado! Vai!
Antonio: O único motivo que ela poderia ter para processar seria dizer “Eu nunca transaria com esse cara”, que no caso sou eu. Aí eu que processaria ela! Ia ser uma dízima periódica infinita.
João: Comédia ficou muito linkada a processo, né?
Fábio: Três caras foram processados na história da comédia. Todo o resto nunca foi processado. Leandro Hassum nunca foi processado, eu nunca fui, a gente nunca foi, Bruno Mazzeo nunca foi. Então, na verdade, a exceção virou a regra só porque é mais polêmico e fala-se mais disso.
Antonio: Nunca fomos e nunca seremos processados.

Mas na hora de fazer os esquetes, há algum tipo de preocupação nesse sentido?
Gregório: Temos o foco natural na comédia, no humor. O grande objetivo é divertir as pessoas. Se a gente vê que algo está mais ofensivo do que engraçado, não filma, pela simples razão de que não é bom. Nem é por medo de processo.
Antonio: Para a gente, se algo parece ser ofensivo na leitura do roteiro já deixa de ser engraçado. Uma coisa anula a outra.
João: Fazer polêmica por fazer polêmica está claro que não é nosso caso.
Fábio: A gente fala de assuntos super áridos. Não é “Ah, não vamos falar sobre nada!”. A gente fala de religião, de racismo, suicídio.
Gregório: O “Porta” provou muito isso: não existe tema tabu. O que existe são abordagens boas ou ruins. A gente já falou de tudo. Não tem nenhum tema que a gente não tenha resvalado ou abordado. Quando você trata com o cuidado necessário, com responsabilidade, acaba que o foco fica na comédia e não na polêmica.

Normalmente, alguém pode chegar com alguma ideia para roteiro?
Gregório: Normalmente, não. A gente é bem fechado.
Fabio: O pessoal de dentro do “Porta” tem a liberdade de propor ideias, e isso não tem problema nenhum.
Gregório: O que acontece é que somos 36 pessoas e todo mundo está tendo ideia. A gente já tem uma frente enorme de ideias. Tem roteiro até maio do ano que vem!
Fabio: A gente tem hoje 36 roteiros aprovados, que não foram feitos.

A “Porta dos Fundos” se tornou um fenômeno e todo mundo quer uma fatia disso. Há algumas participações especiais nos vídeos, e imagino que existam muitos se convidando para participar. Como vocês lidam com esses convites?
João: A gente aceita alguns, nega outros. (risos)
Fábio: Tem que ser orgânico. Não pode ser assim: “Ah, o Felipão quer participar. Mas a gente tem esquete para o Felipão? Não, mas coloca aqui…”.
Antonio: Na verdade, depende muito do nome. Eu já falei para eles, desenvolvendo um roteiro, que gostaria muito de gravar um esquete com o [jornalista esportivo] Léo Batista. É meu sonho de consumo! Nunca vai acontecer, mas eu adoraria. Por quê? Porque eu tenho uma ideia.
Ian: Você já tá jogando agora para ver se rola! (risos)
Antonio: Mas pode chegar uma pessoa e acharmos que não tem nada a ver. Outras estão acima do bem e do mal, tipo a própria Xuxa ou a Sandy. Se elas disseram “quero fazer”, a gente vai dar um jeito de pensar em uma ideia legal.

O público se acostumou com a cara de vocês e é surpreendido quando aparece alguém diferente, como a Fernanda Paes Leme em “Homens”. Mas é surpreendido justamente porque vocês não abusam desse artifício. Há também uma preocupação em dosar as participações especiais?
Fábio: A gente tem essa preocupação sim, senão vira um especial de fim de ano da Globo e não é isso. Se tiver toda hora…
João: Tem que fazer sentido. Tipo “Só a Xuxa pode fazer isso”.
Ian: Toda vez que a gente teve participação especial foi porque achou engraçado, e não para gerar audiência. Isso é o que move a gente: achar engraçado. Já percebemos que, para gerar audiência, não precisamos disso, porque as pessoas gostam de ver o pessoal do “Porta” e isso já basta. Então é só quando é engraçado mesmo.

Falando em especial da Globo, como estão as propostas para o “Porta” ir para a televisão?
João: Várias. Sempre.
Antonio: Muitas.
Gregório: Já rolaram, mas já deixaram rolar também, porque não rolaram. Caraca, isso foi meio Caetano, meio Gil, né?
Antonio: A última que rolou foi há muito pouco tempo, então acho que rolarão outras. Sempre dizemos a mesma coisa: se tivermos um projeto para televisão, vamos fazer, mas no momento estamos adorando fazer isso. Não temos nada contra televisão, entendeu?

Quando o “Porta” começou a ganhar força, vocês falavam que preferiam a Internet porque tinham mais liberdade criativa. Depois, o Zeca Camargo fez um post no blog dele, defendendo que a maioria dos esquetes poderia passar na TV, com adaptações mínimas. Isso mudou a percepção de vocês?
João: É que eu não sei se isso é tão real na prática. Eu acho que faz sentido tudo que ele escreveu. Particularmente, achei muito legal tudo que ele escreveu, mas não sei se na prática é assim. Mas também não é isso que faz a gente não ir [para a TV].
Antonio: O Porchat tem uma frase muito boa que é o seguinte: antigamente, há um ano, as pessoas usavam a Internet como um trampolim para a TV, e a gente não usa a Internet como um trampolim para a TV. A gente está na Internet porque a gente quer. O Porchat fala que a Internet é a piscina. A gente está na piscina, no lugar que a gente quer. Ir para a Tv seria um movimento tão paralelo quanto lançar um programa de rádio, uma revista ou um jornal. Dá para ir? Dá. A gente teria interesse se o projeto fosse muito legal? Teria. Mas não é o caso. Não estamos buscando isso arduamente agora.
Fabio: “Vamos lançar um seriado na TV”… Por que a gente não lança na Internet, no “Porta dos Fundos”?

Eu entendo o que vocês falam, mas saiu uma matéria no jornal “O Globo” falando como se a “Porta dos Fundos” servisse de vitrine para que arrumassem trabalhos na televisão. Para muita gente – os nossos pais, talvez – uma pessoa só faz sucesso se está na TV. O que vocês acham disso?
Fábio: Acho que a gente está colaborando para que as pessoas entendam que isso não é uma brincadeira. É sério, é uma empresa com 40 pessoas, que ganha milhões e movimenta…
João: “Fábio Porchat diz: ‘virei milionário’”. (risos)
Fábio: Eu não! O “Porta dos Fundos” ganha milhões.
Antonio: Outra coisa. Se você pegar qualquer ator do “Porta” que não está na TV aberta e colocar andando na rua, do lado de 80% do elenco da Globo, ele vai ser mais reconhecido. É verdade! Vai chamar mais atenção. Óbvio que Tony Ramos, Antonio Fagundes, esses são monstros…
João: …mas se colocar do lado do Fabio, não sei não! (risos)

Como foi a mudança da “Porta dos Fundos” na vida de vocês?
Gregório: O “Porta” mudou totalmente a vida de todos nós, de todas as maneiras. Acho que posso falar em nome de todos. Só vejo o lado bom. É muito legal o reconhecimento, é incrível. O “Porta dos Fundos” explodiu e provou que o humor que a gente acredita tem um público. Isso é muito bom, é muito importante. Tem muita gente que gosta do humor que a gente gosta, que a gente vê. O “Porta” provou que nós não somos minoria. O humor que a gente gosta não é minoritário, é popular. Foi isso que mudou. Mostrou que o que a gente acredita tem público.

E quais os planos para o filme do “Porta dos Fundos”?
Fabio: Isso é uma coisa que a gente quer de verdade: fazer um filme, estrear no cinema. É um projeto que a gente acredita, mas não tem nem o roteiro ainda. É uma vontade, uma ânsia. A ideia é fazer, claro, com o mesmo elenco, a mesma pegada, a mesma direção do Ian, com a mesma galera, só que no cinema. “Porta dos Fundos” é isso. Se a gente chegar e fizer “Os Ursinhos Carinhosos”, as pessoas vão dizer “Ué, isso não é ‘Porta dos Fundos’” e não é mesmo. A mesma coisa se o “Jackass” decidir fazer um programa com as pessoas jogando baralho. Essa essência do que é a gente não pode mudar. A gente gostaria de ver tudo que a gente faz. Volta e meia, assisto como uma fã um esquete nosso que não escrevi e não participei da gravação. Assisto, me divirto, rio. É o tipo de humor que eu gostaria de ver.

Vocês acompanham os concorrentes?
Ian: Parei de ver TV há muito tempo! (risos)

Já existiam canais bem sucedidos no Youtube, mas o “Porta dos Fundos” redimensionou e deu outro sentido a ser bem sucedido na Internet.
Antonio: A gente redimensionou, na verdade, o termo bem-sucedido, né? Ah, tá. (risos)
Fábio: Que escroto! (risos)
João: Eu já vi cinco manchetes do EGO nessa entrevista aqui. (risos)
Fabio: Não, o termo bem sucedido na Internet…
João: Eu não vejo nenhum que seja o que a gente faz, realmente.

Mas agora tem o pessoal da velha MTV criando canais e apostando nisso também…
João: Eu realmente não assisti.
Fabio: Também não vi ainda…
Gregório: Caraca, a MTV virou tipo Tupi, né? (risos) “A velha MTV…”. Quem diria, né? A velha MTV! Mas é! A extinta…
Fabio: A gente redimensionou porque atingiu um lugar mundial mesmo. Estamos indo amanhã para Portugal para lançar o livro do “Porta dos Fundos” lá. Eu vou fazer show lá e já está lotado – de portugueses! Não é de brasileiros. Os portugueses são fãs do “Porta dos Fundos”. Já temos todos os vídeos legendados em inglês e espanhol, inclusive no DVD. As pessoas lá fora estão assistindo muito. É o canal que cresceu mais rápido na história do Youtube, então atingiu o mundo. Não dá mais para pensar só aqui. Na TV aberta, você viu, viu; não viu, acabou. Na Internet, você vê onde quiser, quando quiser. Se não estiver na China, vê livremente, a hora que quiser.

Li que vocês tinham um projeto de criar uma plataforma própria para não ter que dividir receita com o Youtube/Google. Confere?
Ian: Não. Jamais! Nunca, nunca! Pelo contrário, a gente quer sempre ser um canal do Youtube.
Fabio: Mais um não pra você! (risos) A gente tem uma relação muito próxima com o Youtube, sobretudo o Ian, que viaja para lá, conversa…
Antonio: Somos parceiros do Youtube. Eles são ótimos para a gente, e a gente é muito bom pra eles. Não tem porque separar.
Gregório: O “Porta” não existiria com a força que tem se não fosse a força do Youtube também, com certeza.

Então, 2014 é o filme e…
Fabio: Seriado!
Gregório: Dentro do canal do “Porta”, vamos lançar outras coisas. Deve ter um seriado uma vez por semana…

Tem nome?
Gregório: Não, não, não. A gente também não tem roteiro. O que a gente quer é transformar o “Porta” em um canal com uma programação variada, plural.
Fabio: Exatamente. Quem sabe um reality?

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